sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Tartarugas marinhas, quando adultas, sempre voltam à mesma praia

Em um estudo publicado em 2001 na revista Science, Kenneth e Catherine Lohmann mostraram que as Tartarugas-cabeçudas (Caretta caretta, é o nome científico) usavam referências do campo magnético da Terra para determinar posições de latitude (norte-sul). Agora, 10 anos depois, fizeram um experimento bem semelhante e concluíram que as tartarugas utilizam esse mesmo mecanismo  para determinar também sua posição de longitude (leste-oeste)... o que era um mistério até agora.
O campo magnético da Terra é gerado pela movimentação do ferro líquido e fervente que compõe o núcleo externo do planeta (que é chamado "externo", mas na verdade é interno, pois está dentro do planeta - é que dentro desse núcleo "externo" há um outro núcleo de ferro sólido, chamado núcleo "interno"). Por ser um líquido condutor de eletricidade, ao girar com o planeta ele cria esse magnetismo, que flui do pólo norte ao pólo sul, envolvendo a Terra numa espécie de bolha magnética.
Por isso as bússolas sempre apontam para o norte, porque é lá que a atração magnética do planeta é mais forte.
Como o magnetismo flui num eixo norte-sul, faz sentido que as tartarugas consigam utilizá-lo como uma referência de latitude, percebendo pequenas diferenças nas características do campo dependendo de onde estão.
E quanto à longitude? O campo magnético não varia de forma significativa no eixo leste-oeste, então ninguém tinha conseguido explicar até agora.
Os pesquisadores concluiram que, apesar das diferenças serem muito sutis, as tartarugas-cabeçudas são capazes, sim, de determinar sua posição leste-oeste com base no campo magnético da Terra. Assim como fazem com a latitude. É como se elas tivessem um GPS biológico embutido na cabeça.
Como esse GPS funciona ainda é um mistério... O estudo em questão não propõe nenhuma teoria. Pode ser a presença de magnetita (mineral muito sensível à direção do campo magnético usado para fazer ímãs) no cérebro das tartarugas marinhas sugere uma possibilidade para compreender a capacidade de orientação em mar aberto.
Isso explicaria como elas conseguem navegar no oceano aberto. Mas ainda não explica como elas sabem exatamente qual foi a praia onde nasceram e para onde voltam para desovar.
Fonte: Estadão.com


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