quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Rússia cria identidade que substitui visto a torcedores da Copa

Vladimir Putin
 
Os estrangeiros que forem à Rússia para acompanhar a Copa do Mundo de 2018 não precisarão solicitar visto, pois vão ter uma identificação a partir da compra do ingresso, denominada Fan ID, com que poderão entrar no país livremente. Com este sistema, o país retira a obrigação da obtenção de um visto para os espectadores com ingresso para um jogo do Mundial para dez dias antes do seu início e dez após o final,  uma promessa de campanha para a escolha do país.
O Fan ID será expedido a todos que comprarem um ingresso pelos canais oficiais da Fifa, que receberão um número de referência para preencher um questionário digital com o qual obterão a identificação. Assim, poderão entrar e sair do país quantas vezes quiserem durante a competição. Esta identificação dará acesso a transporte gratuito entre as 11 sedes do Mundial nos dias de jogos, e também permitirá utilizar meios de transporte público para chegar ao estádio.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

União europeia quer acabar com plástico não reciclável

. Menos de 30% do plástico produzido na União Europeia é reciclado.

A Comissão Europeia, poder executivo da União Europeia (UE), apresentou nesta terça-feira (16) um projeto que prevê que, até 2030, todas as embalagens plásticas do bloco sejam recicláveis.
Anualmente a Europa produz 25 milhões de toneladas de plástico, mas menos de 30% desse montante é reciclado.
Outro problema são os microplásticos, que contaminam o ar, a água e as cadeias alimentares e cujas consequências para a saúde humana e dos animais ainda são desconhecidas.
"Se não mudarmos a forma com que produzimos e usamos plástico, em 2050 haverá mais plástico do que peixes no oceano", afirmou o primeiro vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans. "A única solução a longo prazo é reduzir o desperdício de plástico a partir da reciclagem e do reuso."
Segundo a proposta da Comissão Europeia, até 2030 todas as embalagens plásticas em circulação no mercado da UE teriam que ser recicláveis. O uso de plásticos descartáveis também seria reduzido.
Microplásticos, que são encontrados em produtos como cosméticos e roupas, seriam severamente restringidos.
Além disso, o plano também impulsionaria o financiamento e investimento na produção de plásticos recicláveis mais amigáveis ao meio ambiente e na melhoria dos processos de reciclagem.
Agora o projeto da Comissão precisa ser aprovado tanto pelos governos dos países que compõem a UE quanto pelo Parlamento Europeu.
O objetivo da Comissão Europeia é fundar as bases para uma "nova economia do plástico" que, além de ser mais sustentável, geraria inovação, crescimento de empregos e ainda faria da Europa líder mundial de uma política de transição de plásticos.
 

8 dicas para evitar que alguns hábitos estraguem sua voz no verão

Getty Images
 
Ar-condicionado "bombando", bebidas estupidamente geladas e aquele cochilo gostoso com o ventilador ligado. Esses são só alguns hábitos que incorporamos no verão com um único objetivo: afastar o calor intenso. O problema é que muitos desses "refrescos" causam prejuízos para a voz e até dor de garganta.
A seguir, listamos algumas táticas para que você continue falando em alto e bom som durante a época mais quente do ano. As dicas foram reunidas com a ajuda de Ana Lúcia Duran, fonoaudióloga da clínica Zambotti & Duran; e André Ricardo Mateus, otorrinolaringologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Vai tomar algo gelado? Espere alguns segundos antes de engolir
Sorvetes ou bebidas geladas provocam vaso constrição, ou seja, a diminuição do fluxo sanguíneo na garganta. Isso pode provocar rouquidão e dores. A dica para driblar prejuízos é manter o líquido gelado na boca por alguns segundos, para "esquentá-lo", e depois engolir. Assim, você evita o choque térmico na região da laringe.
 
Fica muito tempo no ar? Hidrate-se bem
O ar-condicionado diminui a umidade do ar, causando ressecamento nas mucosas e edema nas pregas (cordas) vocais, o que gera rouquidão. Isso acontece principalmente em quem tem propensão a quadros alérgicos (rinite). Sempre que ficar muito tempo em lugares com ar-condicionado, use um umidificador e aumente o consumo de água, para evitar o ressecamento da garganta. Vale lembrar que a higienização do aparelho de ar-condicionado --seja em casa, seja no carro, seja na empresa-- deve ocorrer de seis em seis meses.
 
Não mire o ventilador na sua cara
Colocar o ventilador em sua direção pode deixar você resfriado. Quando isso acontece, a tendência é ficar com um pouco de muco na região nasal, provocando alteração na voz. O ideal é deixar o ventilador a um metro do chão, circulando o ar para cima. Também é preciso se certificar de que as pás do aparelho estão limpas. Quando sujas, elas podem espalhar ácaros de poeira pelo ambiente, prejudicando a vida de quem tem alergia.
 
Evite alimentos ácidos
Os alimentos muito ácidos (limão, abacaxi) agridem a mucosa do estômago, o que pode resultar em refluxo. Quando isso acontece, sobe um gás pela faringe. Para se proteger, nossa corda vocal acaba criando muco em excesso, o que aumenta o pigarro e pode deixar a corda vocal inchada.
 
Aposte no soro fisiológico
Uma dica para quem vive exposto ao ar-condicionado ou as mudanças bruscas de temperatura é umedecer o nariz com soro fisiológico --nada de produtos descongestionantes. O soro pode ajudar a reverter o ressecamento da mucosa e deve ser pingado de três a cinco vezes ao dia.
 
Com gripe? Esqueça gargarejo com mel, vinagre e limão
Tanto o vinagre quanto o limão são agressivos para a mucosa das pregas vocais, por conta da acidez. Se você quer fazer um gargarejo para diminuir a rouquidão, opte por água morna com sal ou com uma pequena quantidade de antisséptico bucal.
 
Nada de pastilhas ou balinhas para a ronquidão
Pastilhas ou balinhas de gengibre até trazem um alívio passageiro. No entanto, você acha que não está mais com dor, força as pregas vocais e, depois, a voz fica muito pior .
 
Está há mais de 15 dias rouco? Busque ajuda
O aumento do muco e o pigarro podem gerar lesões ou nódulos nas pregas vocais. Por isso, é preciso ficar atento à ronquidão e ao pigarro. Certos problemas podem ser revertidos por meio de um tratamento com fonoaudiólogo. Já outros, como alguns nódulos, exigem remoções cirúrgicas, feitas pelo otorrinolaringologista.
UOL

Maior sítio arqueológico do mundo é descoberto no México

Sac Actún Tulum
 
Um dos locais do além-mundo maia veio à luz. O maior sistema de cavernas inundadas já registrado foi descoberto em Tulum, na Riviera Maia do México. Um grupo de exploradores do projeto Grande Aquífero Maia descobriu que os sistemas de Sac Actún e Dos Ojos estão conectados, o que abriu um novo corredor em um labirinto subterrâneo que mede aproximadamente 347 quilômetros. Os pesquisadores encontraram centenas de objetos arqueológicos que dão indícios dos primeiros habitantes da América, da cultura maia e de animais extintos. “Essa imensa caverna representa o mais importante sítio arqueológico submerso do mundo”, afirma Guillermo de Anda, especialista do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) e diretor da pesquisa.
Os cenotes (do maia dzonoot), como são conhecidos no México as imensas cavidades naturais aquíferas e olhos d’água, ocupavam um local central na cosmogonia maia, explica Guillermo de Anda. Eram o além-mundo e o terceiro nível do universo maia, depois do céu e da terra, mas sem uma conotação negativa como o inferno do cristianismo. “É uma região muito poderosa, mágica, onde reina o sobrenatural, onde vivem os deuses e as deidades, onde convivem o bem e o mal, e era também de onde surgiam os homens”, diz o pesquisador. Os cenotes, nas palavras do especialista, eram o cenário principal do mito da criação dessa civilização, que se estendeu do sudeste do México até Honduras e El Salvador.
As descobertas da pesquisa confirmam esse sentido místico. Foram encontrados restos de jarros de cerâmica maia, objetos que datam da época da Colônia e contextos funerários e sacrificiais, que os pesquisadores ainda analisam. Havia também restos humanos e de uma grande quantidade de animais como elefantes, preguiças gigantes, ursos, tigres e cavalos antigos. “É um túnel do tempo, que nos transporta em alguns casos a 12.000 e 10.000 anos atrás”, diz Anda. O difícil acesso aos cenotes ajudou a fazer com que os materiais arqueológicos se conservassem em ótimas condições para seu estudo, sem alterações e desgaste pelo contato com o homem.
Os pesquisadores do Grande Aquífero Maia levaram 10 meses para decifrar a conexão entre os dois sistemas de cavernas inundadas, o que descreveram como uma “intensa” temporada de trabalho que começou em março do ano passado. Alguns membros da equipe, como o mergulhador-chefe Robert Schmittner, passaram mais de 20 anos percorrendo as galerias submersas e 14 anos procurando a conexão entre as grandes cavernas. “Estivemos muito próximos antes, uma vez ficamos a um metro de conectar os dois sistemas”, diz Schmittner. “Era como percorrer as veias de um corpo, um labirinto de caminhos que se uniam e se separavam e precisávamos ser muito cuidadosos”, afirma o mergulhador sobre as passagens de água, que em alguns casos tinham um metro de profundidade e nas partes mais fundas chegavam aos 120 metros sob a terra.
Os exploradores realizaram a descoberta em 10 de janeiro e, com a união, o “novo” sistema adotou o nome de Sac Actún (do maia caverna branca), o maior dos dois, e o sistema Dos Ojos deixou de existir. O Sac Actún era há poucos dias atrás o segundo maior sistema de cenotes atrás do Ox Bel Ha, que significa três caminhos de água, mede 270 quilômetros e também está na Riviera Maia.
Apesar da descoberta, os pesquisadores continuam com o titânico trabalho de encontrar as conexões de Sac Actún com outros dois grandes sistemas subterrâneos. Somente no norte de Quintana Roo, na península do Iucatã, calcula-se que existem 1.400 quilômetros subterrâneos de água doce divididos em 358 sistemas, de acordo com o estudo espeleológico do Estado sulista mexicano. Os próximos passos do grupo de trabalho incluirão a análise da água subterrânea e o estudo da diversidade, assim como a adoção de medidas que ajudem a conservar o local.
El País.com

Cidade russa registra -67 graus

Cidade russa registra -67 °C; aulas são canceladas por segurança: Recorde na região foi em 2013, quando termômetros marcaram - 71º em Oymyakon
 
Se o inverno vem castigando até regiões geralmente quentes, como o Sul dos Estados Unidos, que amanheceu nesta quarta-feira (17), com temperaturas de -7 °C, na Rússia, onde o inverno é tradicionalmente gelado, os termômetros chegaram a marcar -67 °C. Na remota república de Yakutia, na região da Sibéria, o frio causou cancelamento de aulas nesta terça (16), por determinação das autoridades.
Mesmo em Yakutia, que chega a registrar - 40 °C, o frio vem sendo considerado extremo. Na cidade de Oymyakon, termômetros quebrando devido ao frio extremo ganharam destaque nos jornais do país.
O recorde da região, segundo o G1, foi registrado em 2013: - 71º C.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Cientistas descobrem o que dizimou os astecas

 
Resultado de imagem para fotos de tribos astecas maias e incas
 
Em cinco anos, 15 milhões de pessoas, cerca de 80% da população, foram dizimadas numa epidemia que os locais chamaram de "cocoliztli". A palavra significa "peste" na língua asteca nahuatl. A causa do flagelo, porém, ficou desconhecida por cinco séculos.
O mistério, agora, parece ter sido resolvido por cientistas do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana (Alemanha), da Universidade de Harvard (EUA) e do Instituto Nacional de Antropologia e História do México.
Em estudo publicado nesta segunda-feira (15/01) na revista Nature, Ecology & Evolution, os pesquisadores apontaram como provável causa a febre entérica, gerada por uma variedade da bactéria salmonela, trazida pelos europeus.
"A 'cocoliztli' de 1545-50 foi uma das muitas epidemias que atingiu o México após a chegada dos europeus, mas foi especificamente a segunda das três epidemias mais devastadoras e que levou ao maior número de mortes de seres humanos", explica Ashild Vagene, do Instituto Max Planck e da Universidade de Tübingen, também na Alemanha.
A pesquisadora, coautora de um estudo divulgado na publicação científica Nature, Ecology & Evolution, diz que cientistas puderam fornecer as provas diretas da causa da epidemia – debatida por mais de um século – usando DNA antigo.
"Pela introdução de uma nova ferramenta de análise metagenômica chamada Malt, aplicada aqui para buscar traços de DNA patogênico antigo, fomos capazes de identificar [a bactéria] Salmonella enterica em indivíduos enterrados num cemitério (...) em Teposcolula-Yucundaa, Oaxaca, no sul do México", diz a introdução à pesquisa. "Com base em evidências históricas e arqueológicas, esse cemitério [é o único que] tem ligação com a epidemia de 1545-1550, que afetou amplas áreas do México."
Com o novo programa de processamento de dados, a equipe analisou DNA de 29 esqueletos enterrados no local. Dez deles apresentaram traços da variedade Paratyphi C da bactéria, que causa febre entérica, da qual a febre tifoide é um exemplo. O subtipo mexicano raramente causa infecções em humanos hoje em dia.
Porém, atualmente, a febre entérica também é considerada uma ameaça grave para a saúde no mundo todo. Estima-se que tenha feito adoecer 27 milhões de pessoas em todo o planeta apenas no ano 2000. A variedade tifoide provoca febres elevadas, desidratação e complicações gastrointestinais.
Avanço
Kirsten Bos, investigadora do Instituto Max Planck, destaca que a descoberta é um "avanço essencial" porque apresenta um novo método para o estudo das enfermidades do passado. Os pesquisadores afirmaram que, até agora, era difícil determinar as causas de doenças a posteriori na maioria dos casos de epidemias históricas estudadas.
"Em alguns casos, por exemplo, os sintomas causados por infecções de distintas bactérias ou vírus podem ser muito parecidos, ou os sintomas apresentados por certas doenças podem ter mudado nos últimos 500 anos", explicam.
O time de pesquisadores lembrou que diversas variedades da salmonela são propagadas por água ou comida contaminadas, e podem ter viajado ao México com animais domésticos levados pelos espanhóis. Sabe-se que a Salmonella enterica existia na Europa na Idade Média.
Alexander Herbig, também da Universidade de Tübingen, explica que foram conduzidos testes com todos os materiais patogênicos bacterianos e com vírus de DNA conhecidos hoje em dia. A Salmonella enterica foi o único germe detectado, mas é possível que haja causadores de doenças ainda desconhecidos ou que não puderam ser detectados com o método utilizado, que possam ter contribuído para dizimar os astecas.
A epidemia "cocoliztli" é considerada uma das mais letais da História humana, aproximando-se da peste bubônica ("peste negra"), que matou 25 milhões de pessoas na Europa ocidental, cerca de metade da população regional, no século 14.
Colonizadores europeus espalharam doenças quando se aventuraram no Novo Mundo, levando germes com os quais as populações locais nunca tinham tido contato, e contra os quais, portanto, não tinham imunidade.
O flagelo "cocoliztli" atingiu o que hoje são México e áreas da Guatemala duas décadas depois de uma epidemia de varíola ter matado entre 5 e 8 milhões de pessoas, logo após a chegada dos espanhóis. Uma segunda epidemia "cocoliztli" matou metade da população restante entre 1576 e 1578.
Uol.com

Febre amarela: as principais dúvidas sobre a doença

Há dois tipos de febre amarela, a silvestre e a urbana. Qual é a diferença entre elas?

O mosquito 'Haemagogus leucocelaenus', que transmite a febre amarela silvestre

A silvestre é disseminada pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, circulantes em matas, e não em cidades. A versão urbana é transmitida pelo Aedes aegypti, o mesmo da dengue, do zika e da chikungunya. Não há registro de febre amarela urbana no Brasil desde 1942. As mortes de agora foram causadas pela versão silvestre, unicamente.

Por que a versão urbana é um problema?

Porque seu potencial de disseminação é grande, na medida em que circularia nas cidades, em meio a um número muito maior de pessoas.

O macaco pode transmitir febre amarela?

Não. A febre amarela não é uma doença contagiosa, por isso sua transmissão não é feita de animal para animal, tampouco de animal para humanos nem entre humanos. A única forma de transmissão é pela picada de mosquitos infectados.

Qual é o papel de primatas na transmissão?

Primatas podem se contaminar com o vírus, exercendo também o papel de hospedeiros. Se picados, os animais transmitem o vírus para o mosquito, aumentando, assim, os riscos de propagação da doença.

Quem precisa tomar a vacina?

O Ministério da Saúde recomenda a vacinação em crianças a partir de 9 meses de idade (6 meses em áreas endêmicas) e pessoas que moram próximo a áreas de risco.

Onde ela está disponível?

A vacina está disponível gratuitamente em unidades básicas de saúde da rede pública. Também é possível encontrá-la em clínicas particulares, ao custo de cerca de 250 reais.

Quem não deve tomar a vacina?

Crianças com menos de 6 meses não devem tomar a vacina sob hipótese nenhuma. Mães que estão amamentando crianças nessa idade também devem evitar se imunizar. Caso seja necessária a vacinação, o ideal é ficar dez dias sem amamentar o bebê. Em crianças entre 6 e 9 meses de idade, a vacinação só deverá ser realizada mediante indicação médica. A mesma recomendação vale para gestantes. Pacientes imunodeprimidos, como pessoas em tratamento quimioterápico, radioterápico, com aids ou que tomam corticoides em doses elevadas e pessoas com alergia grave a ovo também não devem se vacinar.

Já sou vacinado. Preciso repetir a dose?

Não. Desde o início de 2017, o Brasil segue a recomendação da OMS de uma única dose. Ou seja, adultos vacinados não precisam repeti-la. Estudos científicos demonstram que apenas uma dose é suficiente para que o organismo continue com anticorpos o resto da vida.

Como funciona a vacina fracionada?

Na vacina fracionada, uma única dose de 0,5 ml será utilizada em cinco pessoas, o equivalente a 0,1 ml por pessoa.

A vacina fracionada será aplicada no país inteiro?

Não. Por enquanto a recomendação é apenas para alguns municípios dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, regiões que não tinham recomendação para a vacina e onde a maior parte da população não está imunizada.
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Qualquer pessoa pode tomar a dose fracionada?
Não. Os seguintes grupos devem continuar a receber a dose integral: crianças de 9 meses até 2 anos de idade e pessoas condições clínicas especiais como HIV/aids, doenças hematológicas ou após término de quimioterapia. Pessoas que vão viajar para países que exigem o certificado internacional de vacinação também devem receber a dose integral. Basta acessar o site da Anvisa para saber quais países têm essa exigência.

Quem tomou a vacina fracionada, deverá repetir a dose?

Sim. Ao contrário da dose padrão, a fracionada tem validade de oito anos, de acordo com o Ministério da Saúde. Quem tomou a dose fracionada e tem viagem marcada para algum dos 135 países que existem o certificado internacional de vacinação precisará tomar a dose padrão mesmo que o intervalo entre as doses seja inferior a oito anos. Isso é necessário porque o certificado internacional não é concedido pela Anvisa a quem toma a dose fracionada. Lembrando que deve haver intervalo de pelo menos trinta dias entre cada dose, por se tratar de uma vacina com vírus vivo.

Por que o governo decidiu usar doses fracionadas?

Para fazer uma ação rápida de vacinação e bloquear o avanço do vírus, diante de um estoque limitado de vacinas.

Como saber qual dose – integral ou fracionada – foi aplicada?

O tipo de vacina deverá ser informado pelo agente de saúde. O selo do comprovante de vacinação também será diferente para a dose fracionada.

Quais são as reações possíveis à vacina?

Os efeitos colaterais graves são raros. Mas 5% da população pode desenvolver sintomas como febre, dor de cabeça e dor muscular de cinco a dez dias. Não é frequente a ocorrência de reações no local da aplicação.

Quem tem maior risco de evento adverso relacionado à vacina da febre amarela?

Crianças menores de 6 meses, idosos, gestantes, imunodeprimidos, mulheres que estão amamentando e pessoas com alergia grave à proteína do ovo.

Quando começa a campanha de vacinação?

A vacina contra a febre amarela está disponível em todos os estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Mas, nesses locais, a campanha de vacinação, com início da aplicação da dose fracionada da vacina começa no dia 29 de janeiro e vai até 17 de fevereiro em São Paulo. No Rio de Janeiro, em razão do Carnaval, a campanha acontece entre 19 de fevereiro e 9 de março. A campanha acontece no mesmo período em oito cidades da Bahia.
Nos três estados, o “Dia D de mobilização” acontece no dia 24 de fevereiro, sábado. Em São Paulo, haverá reforço na campanha também no dia 3 de fevereiro.

A febre amarela é uma doença fatal?

Se houver diagnóstico precoce, não. De 40% a 50% dos casos podem evoluir para a forma grave da doença. Nestes, em 30% a 40% a doença pode ser fatal.

Quais são os sintomas da febre amarela?

Cerca de 35% das pessoas infectadas apresentam sintomas semelhantes aos de um resfriado, como dor de cabeça, febre, perda de apetite e dores musculares, três dias depois de terem sido picadas pelo mosquito. Após essa fase, 35% desenvolverão a forma grave da doença, com sintomas severos, como dor abdominal, falta de ar, vômito e urina escura. O restante não apresenta sintomas.

É possível contrair a doença mais de uma vez?

Não. Quem já foi infectado está imune para sempre, diferentemente do que ocorre com a dengue.

Qual é o tratamento para a doença?

Não há um tratamento específico para febre amarela. A medida mais eficaz é a vacinação, para evitar a contaminação da doença.

Como se proteger contra a doença?

O ideal é tomar a vacina, mas para aqueles que não podem tomar o imunizante ou que estão no período de dez dias após a aplicação, a melhor forma de prevenção é evitar a picada do mosquito. Algumas formas de colocar isso em prática são: usar repelente, aplicar o protetor solar antes do repelente, evitar áreas silvestres (se possível), vestir roupas compridas e claras, usar mosqueteiros e telas e evitar perfume em áreas de mata

Qualquer repelente funciona contra o mosquito?

Não. No Brasil, são mais de 120 com registro na Anvisa, mas somente os que contêm as substâncias DEET, IR3535 e icaridina têm garantia de eficácia. Vitamina do complexo B não tem efeito comprovado contra o mosquito.
Veja.com

Moscou teve apenas seis minutos de Sol em dezembro

Centro de Moscou na Rússia
 
Dezembro bateu o recorde de menor incidência de sol na cidade de Moscou, na Rússia. Segundo o principal centro meteorológico do país, foram registrados apenas seis minutos de sol na cidade durante os últimos 31 dias de 2017.
O último mês do ano é tradicionalmente o mais escuro na Rússia. Porém, em média, Moscou recebe dezoito horas de incidência solar direta em dezembro todos os anos. Em 2017, porém, o sol não brilhou totalmente livre de nuvens nenhuma vez durante todo o mês.
Segundo Roman Vilfand, chefe do Meteonovosti, o principal centro de meteorologia do país, os russos puderam observar o sol entre as nuvens por apenas seis ou sete minutos. “Foi uma situação extraordinária este ano”, disse ao portal russo RBC Business.
Vilfand explicou que o céu excepcionalmente nublado de Moscou em dezembro foi causado pela passagem de ciclones, que trouxeram pesadas massas de ar do Atlântico para a região.
O recorde anterior de escuridão em Moscou foi registrado em dezembro de 2000, quando a capital teve apenas três horas de incidência da luz do sol durante todo o mês.
Veja.com

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O número máximo de horas que você deve trabalhar para evitar o estresse, de acordo com a ciência

 
horas de trabajo
 
Se todas as segundas-feiras são uma tortura para cumprir sua jornada de trabalho, você pode ter atingido o ponto de estar sobrecarregado em seu emprego. E isso piora se você tiver mais de 40 anos. Um estudo recente publicado pelo Melbourne Institute Worker Paper concluiu que pisar em seu lugar de trabalho apenas 25 horas por semana seria benéfico para o seu desempenho cognitivo.
Como explicar ao seu chefe que você só precisa trabalhar quatro dias por semana? O argumento dado pelos pesquisadores australianos — cujo estudo se baseou em uma amostra de 3.000 mulheres e 3.000 homens — é que a sobrecarga de trabalho (55 horas semanais) leva ao estresse e à fadiga, o que, por sua vez, torna mais lentas as capacidades neuronais e as funções cognitivas. Por outro lado, os trabalhadores que reduziram sua jornada para 25 horas semanais melhoraram seu desempenho cognitivo: memória, raciocínio executivo, raciocínio abstrato e conhecimento específico.

Meio período e meia aposentadoria

“A partir dos 40 anos, existem certos aspectos da mente que se tornam ligeiramente mais lentos e essa falta de concentração e cansaço será mais notada a partir dos 50 anos. Mas continuar trabalhando de forma moderada pode ajudar a melhorar a saúde e a motivar intelectualmente, e fórmulas para compatibilizar a aposentadoria com uma jornada de trabalho começam a ser estudadas”, explica Isabel Aranda, doutora em Psicologia do Trabalho e Organizações do Colégio Oficial de Psicólogos de Madri. Na Holanda, por exemplo, em algumas escolas os professores cumprem a jornada de trabalho semanal trabalhando apenas às segundas, terças e quartas.
No futuro, acrescenta Aranda, “o trabalhador de certa idade poderia reduzir sua jornada e começar a receber parte de sua aposentadoria, e ao mesmo tempo continuar contribuindo. Assim não perdemos o know-how e a experiência de um veterano, e esse trabalhador, por sua vez, equilibra o tempo de trabalho e o tempo de descanso e lazer, melhorando sua saúde física e mental”.

Reinventar o trabalho

Na mesma linha para aproveitar melhor o talento sênior se posiciona Nekane Rodríguez, diretora da Lee Hetch Harrison, divisão do Grupo Adecco, especializada em Transição Profissional e outplacement. Esta consultora ajuda a recolocar trabalhadores veteranos, entre 41 e 50 anos, que voltam ao mercado de trabalho depois de terem passado metade da vida em uma empresa que os despediu.
“A prioridade que temos é preparar líderes que ajudem a criar ambientes de trabalho inspiradores e a dirigir carreiras profissionais. Devemos pensar em opções mais flexíveis, alternativas para nosso talento sênior que quer continuar em atividade, mas de uma maneira diferente. Para isso é preciso ajudar os trabalhadores e suas empresas a definir como querem que sejam suas vidas em função das diferentes necessidades como pessoas e profissionais”.
Cada vez mais estudos e publicações sugerem as vantagens da redução da jornada no modelo four day week. No livro Time On Our Side (O Tempo do Nosso Lado), por exemplo, através de 12 ensaios são apresentados não apenas os benefícios psíquicos e físicos para o trabalhador, mas também sua repercussão positiva na produtividade da empresa, na distribuição equitativa das tarefas e até na redução da pegada de carbono.

Mais horas em menos dias

O recente estudo sobre Conciliação nas Empresas, publicado pelo Fórum de Empresas Socialmente Responsáveis de Málaga, também avalia algumas mudanças que poderiam melhorar o desempenho no trabalho. Sua abordagem não se limita aos trabalhadores mais veteranos e não propõe uma redução de horas, mas uma “concentração do trabalho”.
Entre outras boas práticas, o estudo propõe “implementar uma jornada de trabalho semanal comprimida, de modo que mais horas sejam trabalhadas durante quatro dias por semana e três dias sejam dedicados descanso. Neste caso é possível estabelecer diferentes dias de folga de acordo com as necessidades de cada trabalhador e da produção da empresa. Essa medida permite um horário mais amplo de atendimento aos clientes ao mesmo tempo que facilita a conciliação”.
A proposta desse estudo inclui acabar com a cultura espanhola da presença e das longas horas de almoço, com o objetivo de sair antes do trabalho; permitir a flexibilidade horária e o trabalho a distância, estabelecer a jornada intensiva e um banco de horas que podem ser trocadas por folgas. Talvez esse seja o passo a ser dado até conseguir uma redução da jornada de trabalho semanal.

Três razões que farão da viagem do papa Francisco ao Chile a mais difícil que ele já fez

Papa Francisco
 
Quando o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, disse que a visita do papa Francisco à América Latina "não seria fácil", ele não estava exagerando. A 22ª viagem papal será alvo de um grau sem precedentes de hostilidade - e justamente no seu continente natal.
Francisco chega nesta segunda-feira ao Chile, em um momento delicado para a Igreja Católica. O país, que recentemente aprovou leis para descriminalizar o aborto e reconhecer uniões civis homossexuais, ainda digere as acusações de que quase 80 clérigos chilenos teriam abusado sexualmente de menores desde 2000.
Além disso, é no Chile que Francisco tem a menor aprovação em todo o continente: recebeu dos chilenos a nota de 5,3 em uma escala de zero a dez (no Brasil, a nota dele é 8,0). Com isso, não chegou a surpreender o pedido do papa, antes de embarcar, para que sua congregação "reze por ele" durante sua visita chilena.
 

Gastos e pobreza

A viagem foi precedida por críticas aos gastos com a viagem - serão mobilizados 18 mil integrantes das forças de segurança nacional para a visita papal -, enquanto ao menos 15% da população vive abaixo da linha de pobreza.
Extraoficialmente, segundo a agência EFE, a estimativa é de que o governo chileno gastará US$ 11 milhões (R$ 35 milhões) com a visita, sobretudo em medidas de segurança e logística.
Na última semana, ao menos quatro igrejas católicas foram atacadas em Santiago - três delas com explosivos caseiros, acompanhados de panfletos advertindo que o papa seria o alvo seguinte. A polícia atribuiu a autoria dos atos a um grupo anarquista.
A quarta igreja foi poupada porque o explosivo foi desarmado, mas uma mensagem foi deixada em um muro próximo, dizendo que "os pobres estão morrendo".
 
Ressentimento por conta de acobertamento de escândalo sexual
 
São previstos, durante a passagem do papa, protestos de grupos feministas e de direitos homossexuais. Mas as manifestações que devem atrair a maior parte dos holofotes vêm de pessoas descontentes com a nomeação, por parte de Francisco, do bispo chileno Juan Barros.
O bispo é acusado de acobertar abusos sexuais atribuídos ao sacerdote Fernando Karadima, hoje com 87 anos, condenado em 2011 pelo Vaticano por abusar de crianças.
O chamado caso Karadima abalou fortemente a imagem da Igreja Católica no Chile, já que, ao longo de mais de uma década, autoridades eclesiásticas ignoraram as acusações contra o sacerdote, que tinha fortes vínculos com a elite política e empresarial do país.
Só quando as vítimas vieram a público é que o Vaticano decidiu investigar o caso.
O papa já declarou ter "tolerância zero" a abusos sexuais, mas a nomeação de Barros como bispo de Osorno (sul do Chile) reabriu antigas feridas. Segundo vítimas de Karadima, Barros tinha conhecimento dos abusos praticados por seu protegido e permitiu que eles seguissem sendo praticados. O bispo nega as acusações.
O caso Karadima é possivelmente o principal fator do desprestígio da Igreja no Chile, afirma Marta Lagos, diretora da consultoria Latinobarómetro, que avaliou a percepção da instituição na América Latina.
"Há, no Chile, uma sensação de ausência de normas, que aumentou nos últimos quatro anos com a revelação de casos de corrupção na política e no empresariado", afirma Lagos. "E a Igreja, tida como cúmplice da forma ruim como se lidou com o caso Karadima, entra nessa tendência geral de desconfiança do poder estabelecido."
Em uma carta aberta, James Hamilton, uma das mais conhecidas vítimas de Karadima, diz que "ainda não entende como nós, as milhares de vítimas de abusos, não fomos protegidas por nossos padres, que se silenciaram diante do que aconteceu conosco".

Descontentamento indígena

Na quarta-feira, o papa Francisco visitará Temuco, cidade no sul do Chile tida como a capital do povo mapuche.
Os mapuches se opuseram a 300 anos de colonização (primeiro por parte dos espanhóis e dos próprios chilenos) em um dos conflitos mais antigos da América Latina - com erupções ocasionais de violência.
Durante sua visita, o papa deve celebrar uma missa pelo "progresso dos povos", seguido por um almoço com representantes do povo mapuche.
Líderes de ambos os lados do conflito esperam que Francisco ajude a pôr fim a décadas de discriminação e a mediar discussões em torno de questões espinhosas, como direito a terras ancestrais, além de reconhecimento da cultura e língua mapuche.

Por que a China quer deixar de ser a "lixeira do mundo" e como isso afeta outros países

Uma parte considerável do lixo mundial vai parar na China, o principal importador mundial de muitos tipos de materiais para reciclagem, como plástico, papel e metais. Com uma demanda cada vez maior por produtos plásticos e de papelão, o país busca material tanto internamente quanto no mercado internacional.
 
Plástico na China
Segundo dados das Nações Unidas, fabricantes chineses e de Hong Kong importaram 7,3 milhões de toneladas de plástico para reciclagem em 2016. O material veio principalmente de países ricos, como Japão, EUA e nações da União Europeia, e equivale a 70% de todo o plástico descartado no mundo naquele ano.
O Brasil também contribuiu com uma pequena parte deste total - em 2017, o país vendeu para a China 25,3 mil toneladas de papéis para reciclagem. Também despachou para o país asiático 14,6 mil toneladas de resíduos e restos de metais para reciclagem, principalmente cobre (12,3 mil toneladas), alumínio e aço. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), levantados a pedido da BBC Brasil.
Esse fluxo, entretanto, deve mudar a partir deste ano, já que a China decidiu deixar de receber boa parte desse material. Segundo Pequim, o objetivo é proteger o meio ambiente do país do "lixo 'sujo' e, inclusive, perigoso" que hoje chega ali. As autoridades também dizem que a produção nacional de lixo reciclável já é suficiente para atender a demanda da indústria local.
 
Plástico

Proibição e pânico

Em julho passado, o governo chinês anunciou a proibição (a partir de 2018) da importação de certos tipos de materiais para reciclagem - o que preocupou vários países do mundo.
A medida incluiu novas regras sobre os tipos de materiais recicláveis que poderiam ser importados pelo país, que entrariam em vigor no último dia 1º, e notificar a Organização Mundial do Comércio (OMC) de que baniu a entrada no país de 24 categorias de materiais e de despejos sólidos.
A campanha do governo mira no que os chineses chamam de yang laji, o "lixo estrangeiro": plásticos recicláveis, rejeitos têxteis e certos tipo de papel.
O país asiático continuará importando papelão, por exemplo. Mas deverá ser "muito mais limpo" que o atual, e livre de resíduos como terra, poeira e pedregulhos.
Diante do pânico global provocado pelo anúncio, a OMC e os países exportadores apelaram à China para que adiasse a proibição e abrisse a possibilidade de um "período de transição" de cinco anos.
 
Papelão
 
De acordo com o site especializado Chinadialogue.com, as negociações continuam - Pequim concordou, por exemplo, em adiar o começo das novas regras até o dia 1º de março.
"A indústria (de materiais recicláveis) não estava preparada para o súbito anúncio do governo chinês em julho, de proibição total das importações de papel mesclado (com diferentes tipos de fibras e cores) e uma redução do máximo permitido de materiais contaminados a 0,3% de cada lote", diz reportagem do Chinadialogue.com.

Dependência

Os temores provocados pelo anúncio de Pequim refletem a dependência mundial da China para o manejo do lixo.
Segundo dados da ONU, o comércio desses produtos com a China e Hong Kong movimentou US$ 21,6 bilhões no ano passado.
União Europeia e Estados Unidos são os principais exportadores.
 
Só esses últimos exportaram para a China 13,2 milhões de toneladas de papel para reciclagem e 1,4 milhão de toneladas de plástico no ano passado.
Grande parte do papel e do papelão importado pela China se transforma em caixas para embalar produtos - tanto os vendidos no país quanto os exportados.
As empresas dos países exportadores, como era de esperar, enfrentam agora o desafio de encontrar o que fazer com o material quando a proibição começar a vigorar.
Tanto a indústria de reciclagem quanto os governos dos países ricos estão sob enorme pressão, uma vez que a coleta deste tipo de lixo pode deixar de ser economicamente viável.
Em dezembro, o ministro britânico do Meio Ambiente, Michael Gove, admitiu em uma sessão do Parlamento que não sabia qual seria o tamanho do impacto da proibição chinesa nas empresas do Reino Unido. Em 2016, o país exportou 400 mil toneladas de resíduos plásticos para a China.

Alternativas

O que acontecerá então com a montanha de lixo reciclável que a China deixará de receber?

Plástico

Segundo o Escritório Internacional de Reciclagem (BIR, na sigla em inglês), organização sediada em Bruxelas e que representa a indústria em nível global, novos mercados para esses produtos estão sendo buscados. Países como Tailândia, Vietnã, Camboja, Malásia, Índia e Paquistão são possíveis destinos para o lixo reciclável.
"Esses países já estão posicionados no mercado, mas certamente não têm a mesma capacidade que a China", disse o diretor-geral do BIR, Arnaud Brunet, à revista especializada Recycling International.
Ele acrescenta que as leis e regulamentações desses países não são tão desenvolvidas quanto as chinesas.
Brunet diz que o ano de 2018 será "decisivo" para a indústria de reciclagem.
"O que eu sinto é que não haverá retrocessos, que nossa indústria tem que se adaptar, seguir as regras e encontrar opções alternativas para o longo prazo", diz ele.
Essas alternativas poderiam incluir a queima de materiais para a geração de energia, ou a disposição em aterros sanitários. Essa última opção é menos adequada, já que esses materiais podem provocar incêndios.
Especialistas dizem que as medidas de Pequim poderiam ser um "ponto de inflexão" na nossa relação com esses materiais e na forma como os utilizamos.
Segundo eles, os desafios enfrentados agora pelos países que dependem da China para resolver seus problemas ambientais oferecem uma oportunidade para se pensar em novos programas de reciclagem e novas formas de utilizar as toneladas de produtos plásticos e de papel que são descartadas hoje.
BBC Brasil 

domingo, 14 de janeiro de 2018

A mulher que descobriu a metamorfose e se embrenhou de espartilho, na Amazônia no século 17

No século 17, a alemã Maria Merian se propôs a investigar o mundo dos insetos. Acabou desenvolvendo uma forma diferente de pensar e enxergar a natureza e, aos 52 anos, partiu para uma perigosa aventura na América do Sul, para detalhar os ciclos de vida de borboletas, mariposas e outros insetos.
 
Gravura de Maria Merian
Os feitos de Merian, numa época em que pouca gente desbravava o continente americano abaixo da linha do Equador - em especial as mulheres -, deram a ela a fama de primeira ecologista do mundo.
Ela nasceu na Alemanha em 1647, numa família de editores, escultores e comerciantes, e logo cedo aprendeu a arte da ilustração.
O interesse pelos insetos surgiu no próprio jardim da casa de Merian, ainda na infância.
Aos 13 anos, ela decidiu pintar o ciclo de vida de um bicho da seda numa época em que o comércio da seda era muito importante em Frankfurt.
Para registrar em imagens o bicho da seda, decidiu fazer uma pesquisa meticulosa, na qual anotava tudo o que prejudicava e ajudava sua 'criação de lagartas'.
Colocou as lagartas em cones de papel para que os casulos fossem tecidos neles e as alimentou com alface, porque não conseguiu folhas de amoreira. Nas anotações, questionava se era melhor oferecer folhas molhadas ou secas; se tempestades faziam diferença na evolução dos casulos…
A observação cautelosa resultou em uma série completa de desenhos de todo o ciclo: ovos, lagartas, pupas, e, finalmente, borboletas e mariposas.
O interesse da infância acabou se transformando em paixão de uma vida toda.

Desenho de Maria Merian

Merian se casou e teve duas filhas, sem abandonar seu fascínio pelos insetos. Passava horas investigando o próprio jardim e convencia amigos a lhe darem acesso a parques.
Seus registros simplesmente descreviam o que observava: "grandes números de ... lagartas douradas, amarelas e pretas ... na grama do poço ... da Universidade de Nuremberg".
Mas o interesse por ciclos completos fica claro nas anotações. Numa delas, ela escreveu: "Eu encontrei uma grande quantidade de limo verde nas folhas verdes dos lírios dourados ... Eu toquei com a minha vara e parecia que as folhas estavam apodrecendo, e então encontrei muitas criaturas pequenas, vermelhas, semelhantes ao besouro na concha. Pequenos ... Levei vários deles para investigar o que eles se tornarão".
Ainda que na época de Merian fosse comum pintar flores e insetos para ornar porcelanas e outros objetos, era atípico o interesse sobre como esses bichos viviam, se reproduziam e se desenvolviam. Poucos faziam de tudo para observá-los na natureza e analisar como se desenvolviam.
 
Flores e borboletas
 

A metamorfose ignorada

Em 1670, Merian publicou o livro A maravilhosa transformação e peculiar alimentação das lagartas, uma obra ilustrada com 50 telas de borboletas em todas as fases do ciclo e com as plantas das quais se alimentavam.
No prefácio do livro, Merian afirmou: "Todas as lagartas, sempre quando as borboletas se acasalam de antemão, emergem de seus ovos".
As descobertas de Merian, que registrou em texto e imagens a metamorfose, passaram quase despercebidas. O livro estava escrito em alemão e, naquela época, o idioma oficial da ciência era o latim.
 
Abacaxi e insetos
 
Ainda assim, a obra de Merian vendeu razoavelmente bem a ponto de lhe garantir uma renda que a permitiu embarcar para uma aventura em busca de mais detalhes do mundo insetos.

Destino: América do Sul

Em 1699, Merian tinha 52 anos e a filha caçula, Dorotea, 21. As duas embarcaram sozinhas de Amsterdã com destino ao Suriname, país vizinho da Venezuela e do Brasil.
A alemã tinha visto insetos da América do Sul em coleções europeias e viajou decidida a observar algo a mais: as coisas que não existiam em seu jardim europeu e que ainda não haviam sido catalogadas.
 
Desenho de Maria Merian
 
Mãe e filha ficaram dois anos no Suriname.
Viajaram pelo interior do país, explorando e desenhando não apenas insetos como também cenas da vida real.
Apesar do calor tropical e da umidade, Merian continuava usando as roupas europeias com anágua e espartilho. Vestida assim, ela desbravava a selva amazônica à procura de lagartas. Fez isso mais de um século antes de Charles Darwin fazer fama ao cruzar o Atlântico.

colagem de imagens de maria merian

Os desenhos de Merian no Suriname, assim como os que fizera na Europa, destoavam dos trabalhos de sua época. Em vez de fazer associações religiosas, muito comuns naquela época, ela simplesmente descreveu o que via.
Enquanto alguns pesquisadores tentavam separar e catalogar espécies, ela procurava o que os animais tinham em comum e tentava descobrir como faziam para sobreviver.
Os registros de Merian ainda hoje são considerados os mais completos de algumas espécies do Suriname.
 
Aranhas e formigas
 
As ilustrações e anotações da alemã podem ser usadas para entender como os insetos se adaptaram às mudanças climáticas nos últimos 300 anos, uma vez que ela desbravou o Suriname antes de muitas intervenções humanas.
O trabalho dela continua sendo relevante para o universo acadêmico e para a preservação do meio ambiente. Por isso, muita gente a considera a primeira ecologista do mundo.

Desenho de Maria Merian no Suriname

Além disso, os desenhos e escritos dessa alemã que descobriu a metamorfose jogaram por terra a ideia de geração espontânea. Repolhos deixaram de ser vistos como produtores de lagartas.
No entanto, o nome de Maria Merian continua sendo pouco lembrado pela ciência.
 
 
 desenho de uma penca de banana
Um dos seus grandes talentos acabou sendo um dos seus pontos mais fracos.
As pinturas de Merian eram tão deslumbrantes que acabaram ofuscando suas descobertas científicas. À medida em que os livros foram sendo reeditados e reimpressos, os textos científicos acabaram sendo eliminados, ficando somente as imagens.
Merian morreu em 1717. Três séculos depois de sua morte, a borboleta pode, finalmente, estar saindo do casulo.
BBC Brasil

O tatuador de Aschwitz e seu amor secreto nascido no campo de concentração

Gita e Lale Sokolov

Por mais de 50 anos, Lale Sokolov guardou um segredo que nasceu nos tempos da Segunda Guerra e num lugar que testemunhou uma das maiores atrocidades já cometidas contra a humanidade.
O segredo de Sokolov foi revelado depois que ele completou 80 anos de idade, muito longe daquele lugar. Foi em Melbourne, na Austrália, onde ele decidiu compartilhar sua história.
Sokolov foi tatuador em Auschwitz, um complexo de campos de concentração, no sul da Polônia, operado pelos nazistas.
Filho de pais judeus, ele nasceu na Eslováquia e foi registrado com o nome Ludwig "Lale" Eisenberg.
"Esse homem, o tatuador de um dos mais infames campos de concentração, manteve seu segredo seguro na crença equivocada de que ele tinha algo a esconder", diz Heather Morris, que passou três anos registrando a história de Sokolov antes de ele morrer, em 2006.
 
"Os horrores de sobreviver quase três anos num campo de concentração fizeram com que ele vivesse o resto da vida com medo e paranoia", diz a escritora. "Demorei três anos para desvendar essa história. Tive que ganhar a confiança dele e demorou para que decidisse embarcar no autoescrutínio profundo que a história exigia", conta.
Ele temia ser visto como um colaborador nazista. Mantendo o segredo, ou o que ele descrevia como um fardo, ele acreditava que iria proteger a própria família.
Foi somente depois que a mulher dele, Gita, morreu que ele revelou a história de sobrevivência e de amor.

Prisioneiro 32407

Lale Sokolov
 
Em abril de 1942, aos 26 anos, Sokolov foi levado a Auschwitz, que, além de submeter prisioneiros ao trabalho forçado, também foi, por muito tempo, um local de execuções.
Quando os nazistas chegaram à casa dele, ele se ofereceu como mão de obra forte e jovem na esperança de que não fossem separar o resto da família dele. Ao contrário dos irmãos, Sokolov estava desempregado e era solteiro.
Naquela época, ele não sabia o que acontecia no campo localizado no território polonês. Na chegada, os nazistas trocaram o nome de Sokolov pelo número 32407.
O então prisioneiro 32407 foi escalado para trabalhar, como muitos outros, na construção para a expansão do campo. Ele passou horas fazendo telhados e mantendo um comportamento discreto dos guardas nazistas, que tinham temperamento imprevisível.
Mas, pouco depois de ter sido preso, Sokolov contraiu febre tifoide. Ele foi tratado por um homem que tinha feito nele a tatuagem de identificação, um acadêmico francês chamado Pepan.
O francês decidiu transformar Sokolov em seu assistente. Ensinou não apenas como tatuar, mas também como manter a cabeça baixa e a boca fechada. Um dia, Pepan desapareceu. Sokolov nunca descobriu o que aconteceu com ele.
E, em parte porque falava várias línguas - sabia eslovaco, alemão, russo, francês, húngaro e um pouco de polonês -, Sokolov foi alçado ao cargo de tatuador principal do campo de extermínio.
Ele ganhou uma sacola cheia de equipamentos para tatuar e um papel com as palavras "Politische Abteilung" (ou departamento político, em alemão).
Sokolov passou, então, a trabalhar para a área política da SS (Schutzstaffel), um dos principais exércitos do governo nazista. Um oficial foi designado para monitorá-lo, o que deu a ele uma aparência de proteção.
Foi-lhe permitido até mesmo comer no prédio da administração. Ele ganhava mais refeições e dormia num quarto individual. Tinha direito até a tempo livre quando não tinha prisioneiros para tatuar.
Apesar dos aparentes privilégios, Heather Morris diz que ele nunca se viu como um colaborador.
Era uma preocupação real. Depois da guerra, muitos viram os prisioneiros que trabalharam para a SS nos campos como avalistas da brutalidade nazista.
"Ele fez o que fez para sobreviver. Ele disse que não lhe foi oferecida a possibilidade de ter esse ou outro trabalho", diz a escritora. "Era preciso aceitar o que lhe davam. Você aceitava e era grato porque significava que acordaria na manhã seguinte".
Mesmo para Sokolov, a ameaça de ser executado estava presente diariamente.
"(Josef) Mengele, em particular, era um dos que escolhia os "pacientes" recém-chegados, entre os que estavam no caminho para (serem tatuados por) Lale Sokolov", escreveu Heather Morris. Ainda segundo a escritora, em muitas ocasiões, ele assoviava uma melodia de ópera, enquanto se afastava de Lale e o aterrorizava em voz alta: "Um dia, tatuador, vou levar você - um dia".
Por dois anos, Sokolov tatuou centenas de milhares de prisioneiros com a ajuda de assistentes.
Essas tatuagens, números trêmulos, mas fortes, feitas à força se tornaram um dos mais emblemáticos símbolos do Holocausto.
Somente os prisioneiros em Auschwitz e dos campos Birkenau e Monowitz eram tatuados. A prática começou no outono de 1941 e, a partir da primavera de 1943, todos os prisioneiros eram tatuados.

Braços tatuados de prisioneiros de Auschwitz

No começo, um carimbo de metal era usado para registrar o número na pele dos prisioneiros. E tinta era esfregada nas feridas.
Mas o método se mostrou ineficiente. Então, a SS introduziu o equipamento de agulhas duplas. Foi essa ferramenta que Sokolov usou durante o tempo em que trabalhou como tatuador.
Quando os prisioneiros chegavam a Auschwitz, eles eram selecionados para o trabalho forçado ou execução imediata. Cabeças eram raspadas e os pertences, apreendidos.
Eles trocavam as roupas por trapos e faziam fila para receber a marca do tatuador.
As únicas exceções a esse procedimento eram aplicadas aos prisioneiros de etnia alemã, que eram mandados para a "reeducação", e aos enviados às câmaras de gás.
O processo de entrada no campo de concentração é descrito por Piotr Setkiewicz, chefe de pesquisas do memorial e museu de Auschwitz-Birkenau, como uma série de humilhações. "Primeiro, é doloroso. Depois, eles entendem que estão perdendo os nomes. A partir daí, os prisioneiros não usam oficialmente os nomes, mas números", diz Setkiewicz.

Prisioneira 34902

Em julho de 1942, Sokolov recebeu mais um pedaço de papel, dessa vez com os números 34902, que deveriam ser tatuados numa garota. Naquele dia, ele ainda não tinha sido alçado à condição de tatuador principal. O francês Pepan pede a ele que faça o que tinha sido mandado. Caso contrário, Sokolov estaria se condenando à morte.

Gita Fuhrmannova

Tatuar homem era uma coisa, mas quando tinha que segurar braços femininos, ele se sentia horrorizado.
Havia algo naquela garota de olhos brilhantes em que teria tatuado o número 34902. Anos depois, o tatuador confidenciou à escritora que, no momento da tatuagem, foi ela que marcou o número dela no coração dele.
Ele ficou sabendo o nome da garota. Era Gita. Ela estava no campo para mulheres, o Birkenau.
Com a ajuda do "guarda pessoal" de Sokolov, ele conseguia contrabandear cartas para Gita. As cartas levaram a encontros secretos do lado de fora do bloco dela.
Ele tentou cuidar dela, levando comida escondida e tentando de tudo para que ela mudasse de área de trabalho. Sokolov tentou dar esperança a Gita.
"Gita tinha dúvidas, fortes dúvidas", conta a escritora. "Ela não via um futuro. Já ele sabia que, no fundo, iria sobreviver. Não sabia exatamente como, mas tem a ver com a sensação de ser um sobrevivente, por causa de sorte, de estar no lugar certo na hora certa, de ser capaz de aproveitar as oportunidades que ele via", avalia Morris.
Sabendo que ele era um dos sortudos, Sokolov tentou ajudar a maior quantidade de prisioneiros que pôde como tatuador.

Moeda de troca

Comida era moeda de troca em Auschwitz. Ele usava a comida extra que ganhava para alimentar ex-colegas de blocos, amigas de Gita e famílias de romenos que chegaram mais tarde.
Começou a negociar joias e dinheiro dados a ele por prisioneiros com moradores da região, que trabalhavam perto do campo. Era uma forma de conseguir mais comida e suprimentos.
Em 1945, os nazistas começaram a despachar prisioneiros para fora do campo de extermínio, depois que os russos chegaram. Gita foi uma das selecionadas a deixar Auschwitz.
A mulher por quem Sokolov se apaixonara foi embora. Ele sabia apenas o nome dela, Gita Fuhrmannova, mas desconhecida de onde ela tinha vindo.
 
Lale e Gita Sokolov, nos anos 1940
 
Sokolov também acabou deixando o campo e conseguiu voltar a sua cidade natal, na então Tchecoslováquia.
Ele pagou a viagem com as joias que pegou dos nazistas. A irmã dele, Goldie, também sobreviveu, assim como a casa onde passou a infância e que ainda pertencia à família dele.
A única coisa que faltava era descobrir o que havia acontecido com Gita. Ele sequer sabia se poderia ter esperança de encontrá-la novamente.
Com um cavalo e uma carroça, ele partiu rumo a Bratislava, porta de entrada de muitos sobreviventes que tentavam voltar à Tchecoslováquia. Sokolov esperou na estação de trem por semanas, até que foi orientado a procurar informações na Cruz Vermelha.
No caminho, uma jovem parou na frente de seu cavalo, no meio da rua. Era um rosto familiar. Tinha olhos brilhantes. Era Gita.
 
Fotos de Lale e Gita Sokolov e do filho do casal, Gary
 
Os dois se casaram em outubro 1945 e mudaram o último nome para Sokolov para se adequarem à vida em uma Tchecoslováquia controlada por soviéticos. Eles continuaram coletando e mandando dinheiro para apoiar a criação do estado de Israel.
Quando o governo tcheco descobriu as remessas de dinheiro, Sokolov foi detido e os negócios dele, nacionalizados.
Ele e Gita fugiram da Tchecoslováquia num final de semana. Foram primeiro para Viena, depois Paris e, finalmente, num esforço de ir o mais longe possível da Europa, decidiram se mudar para Sydney, na Austrália.
Durante a viagem, conheceram um casal de Melbourne que os convenceu a começar uma vida nova no norte da Austrália.
Ele investiu na indústria têxtil e ela começou a desenhar vestidos. Em 1961, eles tiveram um filho, Gary. Os dois viveram o resto da vida em Melbourne.
Gita visitou a Europa algumas poucas vezes antes de morrer, em 2003. Lale Sokolov, por sua vez, nunca voltou. Os amigos mais próximos sabiam da história de amor do casal.
 
Gita e Lale Sokolov
 
"Eu me encontrei com amigos dele que imediatamente me contaram que eles se conheceram em Auschwitz, que se apaixonaram num campo de concentração", diz Morris.
Mas mesmo o filho Gary, por muitos anos, não sabia em detalhes os horrores que os pais enfrentaram.
Toda a verdade só veio mesmo à tona depois da morte de Gita. Foi quando a escritora Heather Morris apareceu na vida dos Sokolov.
Gary estava procurando alguém para contar a história do pai e encontrou Morris por meio de amigos em comum.
Ela não é judia e talvez tenha sido por isso que Sokolov, que à época tinha 87 anos, decidiu dividir sua história.
"Para ele, era importante que eu não tivesse nenhum conhecimento prévio. Ele precisava de alguém que talvez fosse inexperiente no assunto, disposto a ouvir e a aceitar a história dele. Para ele, tinha a ver com olhar nos olhos daquela garota de 18 anos", conta Morris.
 
Lale Sokolov with writer Heather Morris
 
Nos três anos seguintes, a escritora passou a visitar Sokolov várias vezes por semana. A maioria das coisas das quais ele se lembrava batia com a pesquisa dela.
Além de contar a história de amor entre Sokolov e Gita, o livro O Tatuador de Auschwitz se propõe a trazer novas informações sobre um pedaço da história do Holocausto.
Inicialmente, a escritora pensou em um roteiro para filme. A agência australiana de cinema concordou em financiar o projeto de pesquisa.
"Tínhamos pesquisadores fora do país, profissionais que examinaram e encontraram documentos impressionantes para checar o que ele dizia", conta Morris.
Esses documentos, por exemplo, a ajudaram descobrir que os pais de Sokolov foram mortos em Auschwitz um mês antes de ele chegar lá. Sokolov morreu em 2006, antes de ficar sabendo o que aconteceu com os próprios pais.
Também foi encontrado um documento que indicava o nome e o número de Sokolov. Tratava-se de uma lista com nomes de outros prisioneiros. No alto do papel estava escrito em alemão "Abt - Aufnhmershreiber, Pramienauszahlung vom 26.7.44", que seria um forte indicativo que ele de fato trabalhou para a área política da SS, apesar de o papel não detalhar nenhum trabalho especifico.
 
Trecho de documento com nome de Sokolov
 
Cedric Geffen, presidente do memorial do Holocausto na Austrália, diz ter ficado fascinado com a história de Sokolov.
"Nunca tinha pensando muito na questão da identidade do tatuador e se ele havia sido um dos prisioneiros que os nazistas forçavam a fazer coisas inimagináveis", diz.
Para Geffen, contar essa narrativa ajuda jovens gerações, aqueles que nunca passaram por essas atrocidades, a se conectarem com a história.
"Isso se traduz em emoções e em experiências mais tangíveis que, sem dúvida, acompanharam cada pessoa que passou por esse período, a maioria dos quais não viveu para contar sua história", diz Geffen.
"É importante contar essa história à medida que se humaniza um papel que poucas pessoas pensam quando se recordam deste horrível período", acrescenta. "Quem foi a pessoa encarregada de infligir essa horrível degradação física? Por que ele fez isso? Como era sua vida? O que aconteceu com ele?"
 The Tattooist of Auschwitz, ou O Tatuador de Auschwitz, de Heather Morris, será lançado no Reino Unido em 11 de janeiro pela editora Bonnier Zaffre.
 
BBC Brasil

O que é a antiginástica e o que ela pode fazer por você e seu corpo

Cada vez que conto a alguém que estou fazendo antiginástica sou bombardeada por risadas e piadas:
- Como é? Você não faz nada? É perfeito para mim.

Sessão de antiginástica
- Você senta no sofá e assiste à televisão? Que legal!
- Perder peso sem sair de casa? Maravilhoso!
Sim, o nome pode gerar mal entendidos, mas os piadistas estão muito longe da realidade.
A antiginástica é uma prática corporal que busca autoconhecimento do corpo e o entendimento de que várias partes diferentes se conectam. O método também busca reconhecer e despertar áreas que estão adormecidas, que perderam mobilidade ou sensibilidade, com o objetivo final de aumentar o bem-estar.
Por exemplo:
Em minha primeira sessão - que, diferentemente das outras, foi individual -, passei muito tempo deitada no chão apenas mexendo a língua e a mandíbula para todos os ângulos imagináveis e possíveis, tentei com relativo sucesso mover meu dedinho sem mexer os outros dedos e sem tirar o pé do chão, e mantive uma perna levantada para o teto por vários minutos.
E isso foi tudo.
Para minha surpresa, quando cheguei em casa, deitei no sofá e dormi profundamente durante pelo menos três horas. Estava esgotada. Algo raro? Nem tanto. O esforço para mexer algo há muito tempo parado pode ser extenuante, mas tem sua recompensa.

Rompendo padrões

A antiginástica foi criada na década de 1970 pela fisioterapeuta francesa Thérèse Bertherat, que dedicou boa parte da sua vida a observar o corpo e entender tanto o potencial que ele tem, quanto os obstáculos que criamos.
Seu trabalho foi inspirado principalmente nas pesquisas de sua colega e compatriota Françoise Mézières, que analisou com profundidade a poderosa cadeia de músculos entrelaçados na parte de trás do corpo, desde a base do crânio até debaixo dos pés.
 
Antiginástica nos pés
 
Bertherat acredita que muitos dos males que nos assolam vêm do excesso de tensão, encurtamentos e contrações dessa cadeia de músculos. Ela apostou que exercícios de alongamento ajudariam a relaxar o corpo para que, eventualmente, todos os ossos, músculos, tendões e ligamentos voltassem ao lugar, naturalmente.
"Minha mãe era uma mulher muito pragmática, estudiosa e observadora", explica Marie, filha de Bertherat, que desde a morte da mãe, em 2014, administra o principal centro de antiginástica do mundo, em Paris.
Seu método se desenvolveu a partir de diversas disciplinas que ela investigou e praticou - psicanálise, acupuntura e rolfing (espécie de medicina alternativa), entre outros - mas, acima de tudo , da extrema observação de como nos movimentamos, paramos, caminhamos e nos sentamos.
Ela chamou de "antiginástica" um pouco por acaso, porque queria escrever sobre o tema e precisava de um nome. Nos anos 1970, era moda romper com modelos e padrões.
Seu próprio marido se ocupava com a antipsiquiatria, que defendia tratamentos mais brandos para pessoas com doenças mentais. Ironicamente, ele foi morto por um de seus pacientes.

O corpo e suas razões

Em 1976, Thérèse Bertherat publicou O corpo e suas razões, livro que virou best-seller instantâneo e expôs suas ideias a milhões de leitores em todo o mundo.
 
A criadora da antiginástica, Therese Bertherat
 
Depois de lê-lo, milhares de pessoas escreveram para ela pedindo ajuda para salvá-los e curá-los.
Isso a desconcertou. Inicialmente, ela pensou que esses leitores não tinham entendido a proposta. Se tornar uma espécie de guru era algo que estava bem longe de suas intenções.
"É uma pedagogia no sentido de que dá informações sobre si mesmo", explicou ela.
"Mas não existe magia."
Na antiginástica, tudo tem uma razão anatômica. Ela é direcionada a cada parte do corpo: pés, ombros, olhos, mandíbulas, costas, abdômen, períneo, diafragma, espinha, ombros, clavículas. Ao mesmo tempo, ela também se volta para as conexões entre essas partes.
Quando se esfrega repetidamente a palma de uma mão, pode-se estar, sem saber, ajudando de alguma maneira a alongar o músculo do trapézio. E, ao movimentar a língua repetidamente, estamos fortalecendo ou soltando a traqueia - ou, ainda que seja difícil notar, fortalecendo também as pernas.
Todos os exercícios são ferramentas para tomar consciência do próprio corpo e de como ele pode contar nossa história e emoções.
Bertherat descreveu essa ideia muito bem, usando uma metáfora:
"Há uma casa que tem seu nome, você é o único proprietário, mas você não pode entrar. Você fica afastado, na frente da fachada, porque você perdeu a chave (...) Mas as paredes sabem tudo, elas não se esquecem de nada."

Dor crônica

Mariela Panero tem 47 anos e há dez descobriu a antiginástica. Ela é argentina e vive em Londres desde 1998. Sempre trabalhou com o corpo - primeiramente como bailarina e, em seguida, como professora de pilates.
"Eu acreditava que conhecia meu corpo, mas tudo que tinha feito era treiná-lo, forçá-lo e domesticá-lo", conta.
"Como tanta gente, exigia muito (do corpo) e comecei a ter dores crônicas nas costas e na cabeça. Eu não queria passar pela rotina médica de injeções, remédios, exames. Então comecei a investigar, a ler", diz.
Ela descobriu o livro O corpo e suas razões - e leu em dois dias.
"Vi que era o caminho que eu queria seguir", afirma.
Panero estudou a técnica na Espanha, um dos países onde há praticantes e entusiastas do método criado por Bertherat. Há também cursos de formação em outros 32 países, como Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru, Uruguai e Venezuela.

Cada um por si

A antiginástica se desenvolve em ciclos de 11 ou 12 sessões. Ao fim de uma, começa outra totalmente diferente.
 
Antiginástica
 
Ao contrário de outras técnicas de trabalho corporal, você nem sempre sabe a razão de estar fazendo aquele movimento. O instrutor dá apenas dicas, sem nunca mostrar como fazer exatamente. Também não há espelhos, para que o participante não copie o jeito de se movimentar do colega. Cada um trabalha com seu próprio corpo.
Não é necessário ter experiência ou qualquer doença, embora muitos que começam a praticar o exercício sofram de dores físicas. A antiginástica pode ser praticada por qualquer pessoa.
"Você só precisa ter um corpo", brincou Bertherat.
"Eu vi atletas que tentaram fisioterapia ou reabilitação, e que apenas com a antiginástica conseguiram competir novamente", diz Panero. "Mas também há pessoas que não têm nada, que ouviram falar sobre o método e ficaram curiosas" .
"Talvez uma pessoa com excesso de peso, à medida que se conhece, acaba perdendo peso, mas não é cardiovascular", ela esclarece.
"O corpo é maleável e, até morrer, há sempre a possibilidade de ser melhor", diz ela. "O que estamos procurando nos exercícios é ser um pouco mais felizes, mais livres e mais autônomos".
Ela acrescenta: "O corpo gosta de bem-estar e, uma vez que o encontra, vai querer mais".
Talvez seja por isso que as pessoas resistem e insistem nas sessões, mesmo que algumas delas sejam francamente estranhas e até mesmo desconfortáveis.
Foi o que aconteceu com Peter, um londrino de 56 anos que pratica antiginástica há cinco anos:
"Algumas das aulas podem ser exigentes, mas quando terminam sempre me sinto mais confortável com meu corpo. É algo sutil e efetivo."
"As lições se tornaram um oásis semanal em que descubro meu corpo, com tempo e paciência. Experimentei mudanças profundas não só nele, mas também na alma", conclui.
Voltando às piadas, encontrei uma boa metáfora para explicar o que faço: é como ir ao psicólogo, mas quem fala é o corpo. Ouvir isso é surpreendente. Você pode nos contar as coisas mais interessantes sobre a autocobrança, a importância de reconhecer nossos limites e a felicidade.
Um dia, um tempo atrás, enquanto esperava o ônibus, comecei a sorrir. Se alguém tivesse me perguntado a causa, minha resposta teria sido: "Eu apenas senti como o fêmur se move na articulação do quadril".
Pode não parecer grande coisa, mas eu garanto que a antiginástica provoca alegria.
BBC Brasil.com