quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Como o aquecimento global pode mudar 5 cidades no mundo



Pouco antes das negociações sobre mudanças climáticas começarem na 23ª Conferência do Clima (COP23) em Bonn, na Alemanha, a ONU alertou que as últimas projeções de aquecimento global apontam uma elevação de 3,2ºC até 2100 - muito acima do objetivo de limitar o aumento da temperatura entre 1,5ºC e 2ºC.
Mas, por trás dos números, quais seriam as consequências de um mundo mais quente? Como diz o próprio nome, o aquecimento global ocorrerá no mundo inteiro, mas os impactos irão variar de um lugar para outro. A DW mostra o que um aumento de 3ºC significaria para cinco cidades mundo afora: 
Nova Orleans, EUA: mais tempestades e inundações

Se a temperatura global aumentar 3ºC, o futuro de Nova Orleans será incerto. A relação entre as mudanças climáticas e tempestades está apenas começando a ser entendida, mas o aumento do nível do mar e temperaturas da superfície dos oceanos mais quentes sugerem que a cidade provavelmente experimentará mais eventos meteorológicos semelhantes ao furacão Katrina até o fim do século.
A temporada de furacões excepcionalmente hiperativa em 2017 pode ser um prenúncio preocupante dos eventos climáticos que estão por vir. De acordo com Bridget Tydor, urbanista do Conselho de Esgoto e Água de Nova Orleans (SWBNO), a cidade americana está trabalhando duro na manutenção de diques e no preparo para a remoção de um grande número de pessoas, se necessário.
"Como vimos e aprendemos, a proteção ou mitigação contra desastres não é a única parte do quebra-cabeça", afirma Tydor, que também é membro da delegação americana da Governos Locais por Sustentabilidade (ICLEI) dos EUA que foi à 23ª Conferência do Clima, em Bonn. "Nós também temos que nos adaptar e ter construções e infraestrutura mais sustentáveis para suportar eventos de chuva mais intensos ou até furações."


Paris, França: ondas de calor e poluição

Um aumento de temperatura de 3ºC tornaria as ondas de calor mais comuns - inclusive no local de nascimento do Acordo de Paris. Um estudo recente da World Weather Attribution (WWA) sugere que temperaturas de mais de 40ºC no verão poderiam ser a norma em toda a Europa até 2050.
Grandes cidades como Paris também têm que lidar com a poluição do ar, que é acentuada por ondas de calor prolongadas - e vice-versa. Um estudo de 2017 aponta que, combinadas, ondas de calor e partículas de poluição agravam umas as outras, representando um risco significativo para a saúde humana.
Não precisamos esperar até o fim do século para ver o impacto do tempo quente nos centros urbanos. A França foi especialmente atingida pela onda de calor europeia em 2003, quando Paris registrou uma série de mortes. Mais recentemente, a onda de calor Lúcifer causou calor excessivo no sul da Europa. Paris já está tentando lidar com um futuro mais quente, começando pela proibição de veículos a diesel no centro da cidade, que deve entrar em vigor em 2030.

Cidade do Cabo, África do Sul: seca

À medida que as temperaturas aumentam, o risco de seca segue o mesmo caminho - não apenas nas regiões naturalmente áridas, mas também nas que dependem de chuvas sazonais. A Cidade do Cabo está atualmente em meio à sua pior seca em 100 anos.
Johannes Van Der Merwe, membro do comitê de finanças da prefeitura da cidade na COP23, afirma que a cidade está respondendo à crise atual construindo mais aquíferos e estações de dessalinização, além de restringir o uso da água. Porém, a cidade precisará se adaptar no longo prazo à escassez de água.
"Quando parti da Cidade do Cabo, há cerca de uma semana, os níveis das barragens estavam em 38%", afirmou Van Der Merwe. "Muitas vezes falamos que [esse patamar] é o 'novo normal'."
A crescente população da cidade só tornará as coisas mais difíceis. Atualmente, a região metropolitana da Cidade do Cabo tem 3,7 milhões de habitantes, mas a população está crescendo 3%

Cidade do Cabo, África do Sul: seca

À medida que as temperaturas aumentam, o risco de seca segue o mesmo caminho - não apenas nas regiões naturalmente áridas, mas também nas que dependem de chuvas sazonais. A Cidade do Cabo está atualmente em meio à sua pior seca em 100 anos.
Johannes Van Der Merwe, membro do comitê de finanças da prefeitura da cidade na COP23, afirma que a cidade está respondendo à crise atual construindo mais aquíferos e estações de dessalinização, além de restringir o uso da água. Porém, a cidade precisará se adaptar no longo prazo à escassez de água.
"Quando parti da Cidade do Cabo, há cerca de uma semana, os níveis das barragens estavam em 38%", afirmou Van Der Merwe. "Muitas vezes falamos que [esse patamar] é o 'novo normal'."
A crescente população da cidade só tornará as coisas mais difíceis. Atualmente, a região metropolitana da Cidade do Cabo tem 3,7 milhões de habitantes, mas a população está
Johannes Van Der Merwe, membro do comitê de finanças da prefeitura da cidade na COP23, afirma que a cidade está respondendo à crise atual construindo mais aquíferos e estações de dessalinização, além de restringir o uso da água. Porém, a cidade precisará se adaptar no longo prazo à escassez de água.
"Quando parti da Cidade do Cabo, há cerca de uma semana, os níveis das barragens estavam em 38%", afirmou Van Der Merwe. "Muitas vezes falamos que [esse patamar] é o 'novo normal'."
A crescente população da cidade só tornará as coisas mais difíceis. Atualmente, a região metropolitana da Cidade do Cabo tem 3,7 milhões de habitantes, mas a população está crescendo 3% ao ano. "Você pode ser uma cidade bem governada e segura, mas, se não houver água, então você tem um problema", frisa Van Der Merwe.
 
Daca, Bangladesh: aumento do nível do mar

Um aumento da temperatura média global de 3ºC faria com que o nível dos oceanos aumentasse de dois a quatro metros nos próximos três séculos. Mas uma análise de 2013 mostra que as marés em Bangladesh estão aumentando pelo menos dez vezes mais rápido que a média mundial, o que deve significar um aumento de quatro metros em 2100. Isso faria com que ao menos 15 milhões de pessoas deixassem áreas rurais mais baixas e se mudassem para cidades como Daca.
Muthukumara S. Mani, economista do departamento de desenvolvimento sustentável para o Sul da Ásia do Banco Mundial, identificou áreas que se tornarão "pontos cruciais" de mudanças climáticas nas próximas décadas.
"Definitivamente, Daca é muito vulnerável às mudanças climáticas e precisa estar preparada", afirmou Mani à DW. "O que acontecerá em Daca também dependerá muito do que acontecerá em outros lugares de Bangladesh. Se as coisas come crescendo 3% ao ano. "Você pode ser uma cidade bem governada e segura, mas, se não houver água, então você tem um problema", frisa Van Der Merwe. çarem a piorar, as pessoas começarão a migrar para Daca, e isso vai piorar a situação", frisou a especialista.
Daca está situada apenas quatro metros acima do nível do mar, e altas taxas de pobreza significam que a cidade tem capacidade limitada para se adaptar às mudanças climáticas.
"É difícil planejar com antecedência, considerando os recursos limitados que o governo tem agora", afirma Mani.
 
Norilsk, na Rússia - a cidade mais ao norte do mundo e que tem uma população de mais de 100 mil habitantes -
Está situada em uma zona de permafrost contínua. Estudos demonstraram que as temperaturas na Rússia ártica estão aumentando mais rapidamente que no resto do mundo.
No ritmo atual, pode ser que os edifícios em Norilsk consigam suportar de 75% a 95% menos peso até os anos 2040. Os moradores já estão relatando um aumento súbito de danos e rachaduras nos prédios à medida que o solo sobre eles se descongela.
 

Tubarão pré-histórico com 300 dentes é encontrado em Portugal

O tubarão é um Chlamydoselachus anguineus
 
Registros indicam que a espécie Chlamydoselachus anguineus existe há mais de 80 milhões de anos, porém, os detalhes do animal ainda são um mistério.
Pesquisadores encontraram um tubarão “pré-histórico” muito peculiar no mês de agosto. De acordo com nota do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que o capturou por acidente, trata- se de um animal da espécie.
 
O tubarão  foi fisgado a mais de 700 metros de profundidade na região do Algarve, em Portugal. Com cerca de um metro e meio de comprimento e mais de 300 dentes, foi a sua aparência ‘monstruosa’ que chamou a atenção de todos.
O peixe, considerado um verdadeiro “fóssil vivo”, possui uma anatomia muito diferente. Segundo o IPMA, que só divulgou a captura nesta segunda-feira (6), seu corpo é esguio e longo, possuindo uma cabeça que lembra a aparência de uma cobra.
“Nenhum de nós [pesquisadores] já tinha visto esta espécie , e muitos de nós estão há anos trabalho a bordo, portanto, percebemos que era uma espécie que não era comum" a professora Margarida Castro, da Universidade do Algarve, contou ao canal Sic Notícias.
A especialista ainda explicou que o nome do animal deriva da sua dentição. Muito particular, ela o permite apanhar lulas, peixes e outros tubarões em uma só investida. Além disso, de acordo com a  BBC,  o primeiro cientista a estudar esta espécie, Samuel Garman imaginava que os movimentos do peixe inspiraram as histórias de serpentes marinhas contadas pelos marinheiros.

Um mistério para a ciência

Com registros que mostram sua existência há pelo menos 80 milhões de anos, este animal pertence a uma família cujas outras espécies já foram extintas e, segundo Castro, só são acessíveis por meio de fósseis.
Além disso, avistar um dos tubarões-cobra é extremamente raro. Presentes ao longo de todo o Atlântico, desde a costa norueguesa até o Índico, eles também vivem nas águas do Japão, Austrália e Nova Zelândia. Porém, sua vasta distribuição geográfica não é o suficiente para conseguir encontrá-los, já que eles nadam em regiões de muita profundidade.
A última vez que um tubarão da espécie havia sido visto antes do caso de Algarve, foi na costa japonesa. Uma fêmea de aproximadamente um metro e meio de comprimento foi capturada e levada a um aquário, onde faleceu após alguns dias.

Quadro de Leonardo da Vinci bate recorde mundial ao ser leiloado em NY

Leilão do quadro ‘Salvator Mundi’ (Foto: Eduardo Munoz Álvarez / Getty Images / AFP Photo)
 
A casa de leilões Christie's leiloou, na quarta-feira (15), por US$ 450,3 milhões, um quadro pintado por Leonardo da Vinci há cinco séculos, "Salvator Mundi", a única obra do artista italiano mantida em coleções privadas.
O quadro, que chegou a fazer parte da coleção do Rei Carlos I da Inglaterra, acabou nas mãos de um bilionário russo, que o comprou em 2013 por US$ 127,5 milhões.
Segundo a Christie's, o valor alcançado representa um recorde mundial para qualquer obra de arte vendida até o momento. O preço do martelo foi de US$ 400 milhões, e o restante representa o ágio que o comprador deve pagar.
venda foi feita durante o leilão de arte contemporânea da Christie's, embora o trabalho de Da Vinci tenha sido introduzido fora de seu tempo, considerando a grande atração dos leilões que acontecem esta semana em Nova York.
O leilão durou cerca de 20 minutos, um período muito longo para os padrões habituais. O preço inicial foi de US$ 70 milhões, mas três minutos depois, já tinha alcançado os US$ 200 milhões.
Dois dos participantes do leilão protagonizaram a parte final da proposta, e um deles ganhou quando elevou de US$ 370 para US$ 400 milhões a oferta, sempre como preço do martelo.
"Salvator Mundi" é a mais importante redescoberta artística deste século. Foi em 2011, quando após um processo de restauração e análise, os especialistas eliminaram muitos anos de dúvidas ao confirmar a autoria de Da Vinci.
 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

15 mil cientistas advertem sobre destino terrível da humanidade

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A "Advertência dos Cientistas à Humanidade: Segundo Aviso", assinada por 15.372 cientistas de 184 países e publicada nesta segunda-feira (13) na revista BioScience é um verdadeiro sinal de alarme para a humanidade.
O desmatamento, a perda de acesso à água doce, a extinção de espécies e o crescimento da população humana são as principais causas da situação preocupante em que a humanidade se encontra.
"Desde 1992, as emissões de CO2 subiram 62% e a temperatura global aumentou 29%, enquanto a diversidade da fauna de vertebrados caiu 29%", disse William Ripple, um ecologista da Universidade do Estado do Oregon, EUA, e coautor do artigo.
Nos últimos 25 anos foi registrada uma redução de 26% de água doce disponível por pessoa, um aumento de 75% das zonas mortas nos oceanos e uma perda de 120 milhões de hectares de áreas florestais. "Essas são tendências alarmantes. Precisamos dos meios proporcionados pela natureza para a nossa própria sobrevivência", disse ele.
Ao mesmo tempo, foi revelada uma tendência positiva na recuperação da camada de ozonio, graças ao protocolo de Montreal, assinado nas Nações Unidas em 1987.
O artigo recentemente divulgado atualiza a primeira Advertência dos Cientistas à Humanidade, publicada em 1992, há 25 anos. "Fizemos a atualização porque queríamos que o público soubesse onde nos encontramos hoje", afirmou Ripple.
 
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"A mudança climática está aqui, é perigosa e tem tendência a piorar", disse o cientista sueco Johan Rockstrom. Estima-se que as emissões de CO2 nos EUA aumentem 2,2% em 2018. As emissões da China e da Índia também continuam crescendo, embora a um ritmo mais lento que alguns anos atrás.
Em breve será tarde demais para mudar o rumo da nossa trajetória descendente. O tempo está se esgotando. Devemos reconhecer em nossa vida cotidiana e em nossas instituições de governo que a Terra é o nosso único lar", lê-se no artigo.
O artigo enumera uma série de medidas possíveis para travar as tendências ambientais preocupantes, incluindo a criação de mais parques e reservas naturais, a contenção do tráfico ilegal de animais. Devemos também fazer uma alimentação baseada em vegetais, ampliar programas de planejamento familiar e educação para mulheres, bem como adotar energias renováveis e outras tecnologias "verdes".
"Trabalhando juntos, podemos fazer um grande progresso para o bem da humanidade e do planeta", conclui o artigo.
Jornal do Brasil

Além de rotação e translação: dois movimentos que a terra faz e que poucos conhecem

Você certamente aprendeu na escola que a Terra faz uma órbita elíptica em torno do Sol.
 
Globo terrestre
Esse movimento, conhecido como translação, leva 365 dias (mais 5 horas, 45 minutos e 46 segundos) para ser completo.
Outro movimento que lhe ensinaram foi o de rotação: a Terra gira em torno de seu próprio eixo.
Essa volta em torno de si mesma demora aproximadamente um dia (23 horas, 56 minutos e 4,1 segundos, para ser exato).
Mas esses não são os únicos movimentos que nosso planeta faz. Conheça outros três tão importantes quanto:

Movimento de precessão dos equinócios

É o movimento da Terra em volta do eixo de sua órbita devido à inclinação de seu eixo.
Mais especificamente, é o movimento que o Polo Norte terrestre faz em relação ao ponto central da elipse da Terra no movimento de translação, similar ao giro de um pião desequilibrado.
Essa oscilação foi descrita pela primeira vez pelo astrônomo, geógrafo e matemático grego Hiparco De Nicea, que viveu entre os anos 190 a.C. e 120 a.C.. Foi o terceiro movimento terrestre descoberto.
Esse "rebolado" no eixo de rotação da Terra leva cerca de 25.780 anos para completar um ciclo. Essa duração só não é mais precisa porque é influenciada pelo movimento das placas tectônicas.
A precessão dos equinócios ocorre, principalmente, devido à força gravitacional que o Sol exerce sobre a Terra.

Movimento de nutação

Esse movimento acontece por causa de uma espécie de vibração do eixo polar terrestre. Isso faz com que, durante o movimento de precessão dos equinócios, os círculos feitos pela Terra sejam imperfeitos e irregulares.
 
Ou seja, o eixo da Terra se inclina um pouco mais ou um pouco menos em relação à circunferência que faz durante a precessão.
O movimento é cíclico e cada um deles dura um pouco mais de 18 anos e meio. Durante esse tempo, a variação é de no máximo 700 metros em relação à posição inicial.
A nutação foi descoberta pelo astrônomo britânico James Bradley em 1728.
A causa desse vaivém só foi compreendida muitos anos depois, quando os cálculos de vários cientistas os levaram à conclusão de que era um produto direto da atração gravitacional da Lua.

Oscilação de Chandler

Essa outra irregularidade na oscilação do eixo terrestre foi descoberta em 1891 pelo astrônomo americano Seth Chandler e ainda hoje continua sendo um enigma: por mais teorias que existam a respeito, ninguém conseguiu determinar sua causa.
A chamada oscilação de Chandler é um movimento oscilatório do eixo de rotação da Terra.
Esse movimento faz com que a Terra se desloque até um máximo de 9 metros da posição esperada em um determinado momento.
Sua duração é de cerca de 433 dias, ou seja, esse é o tempo que demora para completar uma oscilação.
Algumas teorias sugerem que ela pode ser provocada por mudanças na temperatura e salinidade dos oceanos, assim como por mudanças nos movimentos dos oceanos causadas pelo vento. Outros afirmam que seja por mudanças no clima.
BBC Brasil

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Chocolate e vinho ajudam a retardar o envelhecimento

Segundo um novo estudo, o antioxidante resveratrol, encontrado na uva e no cacau, contribui para o processo de renovação e rejuvenescimento celular



De acordo com um novo estudo publicado no periódico científico BMC Cell Biology, o polifenol resveratrol, um componente do chocolate amargo e do vinho tinto, pode ajudar no processo de renovação celular. A substância antioxidante também pode ser encontrada em outros alimentos, como o mirtilo e o amendoim.
Segundo os cientistas da Universidade de Exeter e da Universidade de Brighton, ambas no Reino Unido, esse pode ser um grande avanço nas descobertas sobre envelhecimento e rejuvenescimento de células senescentes – células que atingiram seu limite de divisão, mas permanecem inativas, sem a morte celular natural. Uma das possíveis explicações para o fato de as pessoas mais velhas serem mais suscetíveis a doenças é o acúmulo dessas células senescentes, que não mais funcionam como deveriam.
Em uma pesquisa anterior, os cientistas identificaram uma classe de genes, chamados de “fatores de empalme”, que garantem o funcionamento das células, mas eles se desligam natural e progressivamente à medida que envelhecemos. As células senescentes, por exemplo, possuem menos “fatores de empalme” do que as outras.

Resveratrol

No entanto, o novo estudo mostrou que o resveratrol pode inibir esse efeito. Segundo os pesquisadores, depois de algumas horas de observação, as células mais antigas começaram a se dividir e alongar os telômeros – estruturas que protegem o cromossomo, mas se esgotam com o tempo -, em um claro sinal de rejuvenescimento.
“Quando vi algumas das células rejuvenescerem, não consegui acreditar. Essas células inativas pareciam células jovens. Era como mágica”, disse Eva Latorre, uma das cientistas do estudo, ao jornal britânico The Independent. “Repeti os experimentos várias vezes e em todos os casos as células rejuvenesceram.”

Qualidade de vida

Os pesquisadores esperam que o novo achado estimule outras pesquisas no campo, como o desenvolvimento de terapias para que as pessoas tenham uma qualidade de vida melhor conforme envelhecem – sem problemas neurodegenerativos, por exemplo.
“Este é um primeiro passo na tentativa de fazer as pessoas viverem uma vida normal e com a saúde para toda a vida”, disse Lorna Harries, professora de genética molecular da Universidade de Exeter. “Nossos dados sugerem que o uso dessas substâncias pode fornecer um meio para restaurar as funções das células antigas.”

Vinho contra o diabetes

Em um outro estudo publicado recentemente no periódico científico Diabetologia, mulheres que consumiam moderadamente vinho tinto tinham menos probabilidade de desenvolver diabetes. Segundo a pesquisa, feita pelo Centro de Pesquisa em Epidemiologia e Saúde da População, na França, essas mulheres apresentaram 27% menos casos do que as outras, com um consumo mais leve da bebida.
De acordo com os cientistas, isso se deve ao fato de a bebida feita da uva conter alto teor de antioxidantes que reduzem o impacto dos radicais livres nas células, os mesmos encontrados no chocolate amargo, em frutas silvestres, castanhas e no amendoim.
No entanto, o vinho não é o único benfeitor. Os alimentos e bebidas que mais contribuíram para os altos índices de antioxidantes nas mulheres foram frutas, vegetais, chás e chocolate amargo (cacau).
Para chegarem aos resultados, os pesquisadores acompanharam o consumo e a dieta de 64.000 mulheres entre os 40 e 65 anos que não tinham diabetes, durante quinze anos.
Veja.com

Italianos acham cadeia com 15 vulcões

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Pesquisadores descobriram que o Mar Tirreno, que se estende da Córsega, na França, passa pela Sardenha e termina na Sicília, na Itália, esconde uma cadeia com 15 vulcões submersos.
A rede possui 90 quilômetros de extensão e 20km de largura e, além dos oito vulcões já conhecidos, foram recém-descobertos outros sete. A cadeia vai da costa sul de Salerno até a Calábria, ficando a 30km de Sangineto, em Cosenza.
A descoberta foi publicada na revista "Nature Communications" nesta segunda-feira (13) e a pesquisa foi realizada em uma parceria do Instituto Nacional de Geologia e Vulcanologia (INGV), do Instituto para o Ambiente Marinho Costeiro do Conselho Nacional de Pesquisas (IAMC-CNR, na sigla em italiano) e pelo Instituto Neozelandês de Ciências Geológicas e Nucleares (GNS).
"O Tirreno Meridional é caracterizado pela presença de uma grande quantidade de vulcões, alguns aparentes, como nas Eólias, outros submersos, como o Marsili", explica Guido Ventura, vulcanólogo do INGV e coordenador do grupo de pesquisa. O Marsili é considerado o maior vulcão submarino da Europa.
"Essa cadeia de vulcões, definida como Palinuro, se estende pela profundidade de cerca de 3,2 mil metros a 80 metros sob o mar. Esses vulcões representam, no conjunto, uma fenda da crosta terrestre da qual sai o magma proveniente das Ilhas Eólias, do Tirreno centro-meridional, e da área que compreende a Púglia e a Calábria", acrescenta Ventura.
Os dados recolhidos mostram que a dimensão inteira da cadeia vulcânica é maior não apenas na comparação com as Eólias, mas também de outros vulcões submarinos do Tirreno-Meridional, como os Marsili.
"Muitas dessas estruturas vulcânicas apresentam características compatíveis com a abertura de microbacias oceânicas onde se cria uma nova crosta terrestre em sequência da saída do magma de longas fraturas", acrescenta Salvatore Passaro, geólogo marinho do IAMC-CMR.
"Esse vulcões foram ativos, certamente, entre 300 mil e 800 mil anos atrás, mas não é de se excluir que eles estavam ativos em períodos mais recentes. Hoje, eles são caracterizados por atividades hidrotermais submarinas, que estão em uma área de anomalia térmica (cerca de 500ºC a um quilômetro do fundo do mar", diz ainda Passaro.
Durante a pesquisa foram usados dados batimétricos, magnéticos e gravimétricos e foram realizadas observações do fundo marinho com o Remote Operating Vehicle (ROV), um veículo submarino pilotado de maneira remota.
O estudo, destacam os pesquisadores, ainda está no início. O conhecimento da história de erupções desses vulcões é ainda parcial e necessita de mais dados e pesquisas oceanográficas. No entanto, mesmo com as informações até o momento, já dá para dizer que o estudo revoluciona em parte a geodinâmica do Tirreno e das zonas subaquáticas do mundo.
Ele ainda abre caminho não apenas para a reconstrução da evolução da crosta terrestre, mas também para a interpretação do significado geodinâmico das cadeias vulcânicas submarinas ativas e dos arcos insulares.
 

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Quando as empresas são mais poderosas que os países

Tim Cook, da Apple, explica como é a nova sede da empresa

Imagine uma companhia com a influência do Google, do Facebook ou da Amazon. E que ainda recebe do Estado o monopólio do comércio com uma zona geográfica. Também pode cobrar impostos, assinar acordos comerciais, prender criminosos e declarar guerras. Esses eram alguns dos poderes e atribuições da Companhia Holandesa das Índias Orientais, criada no século XV por empresários com apoio do Governo dos Países Baixos para comercializar com a Ásia. Foi a primeira corporação transnacional que emitiu bônus e ações no mercado para financiar seu crescimento, um notório precedente que, séculos depois, chegou às multinacionais modernas. Os novos gigantes empresariais não contam com os excepcionais privilégios da histórica companhia holandesa, mas sua receita e seu valor na Bolsa superam o PIB de dezenas de países.
Hoje, a concentração de poder é especialmente clara no setor tecnológico. As cinco grandes – Apple, Google, Microsoft, Facebook e Amazon – são as mais valiosas da Bolsa. Sua capitalização oscila entre os 500 bilhões de dólares (1,6 trilhão de reais) do Facebook e os 850 bilhões de dólares (2,7 trilhões) da Apple. Com esse critério – um tanto volátil, mas indicador do potencial de uma empresa –, se a Apple fosse um país, teria um tamanho similar ao da economia turca, holandesa ou suíça. O Vale do Silício, além disso, tem uma presença considerável nos novos negócios: o Google abocanha 88% da fatia de mercado de publicidade on-line. O Facebook (incluindo Instagram, Messenger e WhatsApp) controla mais de 70% das redes sociais em celulares. A Amazon tem 70% da fatia de mercado dos livros eletrônicos e, nos Estados Unidos, absorve 50% do dinheiro gasto em comércio eletrônico.
As companhias das Índias (britânicos e franceses também tiveram as suas durante o período colonial) foram um reflexo de seu tempo, mas seu poder faz lembrar, em certos aspectos, o das grandes corporações atuais. São os novos colonos? A organização não governamental Global Justice Now realiza uma classificação que compara as cifras de negócios das principais empresas com a renda orçamentária dos países. Segundo essa lista, se a rede norte-americana de supermercados Walmart fosse um Estado, ocuparia o décimo posto, atrás dos EUA, China, Alemanha, Japão, França, Reino Unido, Itália, Brasil e Canadá. No total, 69 das 100 principais entidades econômicas são empresas. As 25 corporações que mais faturam superam o PIB de numerosos países.
Comparação da cifra de negócio das empresas com os rendimentos consignados nos orçamentos dos países.
Comparação da cifra de negócio das empresas com os rendimentos consignados nos orçamentos dos países.


Seria ingênuo pensar que o setor privado não influi nas decisões políticas, na elaboração de leis e no dia a dia dos cidadãos. Como esse poder se articula hoje? Moisés Naím afirma em O Fim do Poder (LeYa) que as estruturas estáticas que caracterizavam as grandes empresas há algumas décadas, como as das chamadas Sete Irmãs (conglomerados que controlaram a indústria petroleira entre os anos quarenta e setenta), mudaram. O padrão, que se repetia na maioria dos setores, consistia em “poucas companhias que dominavam seus respectivos mercados e eram tão grandes, ricas, potentes e arraigadas que era impensável prescindir delas.”
O autor, membro do Carnegie Endowment for International Peace, um think tank de Washington, diz que o próprio conceito de poder empresarial é agora mais volátil, flexível e fragmentado. “Criou-se um ambiente em que é mais fácil para os novos – em geral, não só na economia, inclusive os que têm ideias tóxicas – conseguir poder”, afirma Naím. “ExxonMobil, Sony, Carrefour e JPMorgan Chase têm um poder imenso e autonomia, mas seus líderes estão mais limitados agora”, completa. Para se adaptar a essa transformação, a humanidade deve “encontrar novas formas de se governar a si mesma.”
O poder hoje é mais competitivo. Reduziram-se as barreiras de entrada: chegam ao topo novas companhias, como a Inditex, e desaparecem clássicos como a Compaq. “É preciso levar em conta o horizonte temporal, porque há 10 anos falávamos do domínio da Microsoft e agora já não”, responde Naím numa entrevista, em referência ao poder do Google e do Facebook. Ele prefere não comparar empresas com países. “Não se mede a capacidade de influir necessariamente pelo faturamento de uma empresa em relação ao PIB de um país, já que a forma do poder empresarial difere da do Estado”, esclarece. Além disso, há novos atores cada vez mais influentes, como as novas firmas de investimento, os fundos especulativos (­hedge funds) e mercados como os dark pools, onde se negocia a compra e venda de ações sem a supervisão das autoridades.
O novo poder ficou mais intangível. “As empresas têm hoje menos ativos fixos e menos funcionários, reflexo de uma nova maneira de produzir, mais voltada aos serviços e ao conhecimento”, afirma Jesús María Valdaliso, professor de História e Instituições Econômicas da Universidade do País Basco e coautor de Historia Económica de la Empresa (história econômica das empresas).
Além disso, hoje os dados são um ativo essencial. Milhões de cidadãos se informam, se relacionam com os amigos e compram na Internet. Vão deixando pelo caminho um rastro de informações que se transformaram no “petróleo da era digital”, segundo a revista The Economist. Esses dados pessoais permitem a elaboração de perfis dos usuários graças aos algoritmos, que podem aprender, em minutos, padrões de comportamento que um ser humano levaria anos para identificar. “Uma das grandes estratégias das empresas de tecnologia é o efeito rede: quanto mais usuários, melhor. Porque as pessoas utilizam o serviço que você presta, por mais entediante que ele seja, se outras também usarem. Afinal, como não estar no Facebook se todos os seus amigos também estão?”, afirma o jornalista Noam Cohen, autor de The Know-It-Alls: The Rise of Silicon Valley as a Political Powerhouse and Social Wrecking Ball (2017) (o sabe-tudo: o auge do Vale do Silício como centro político e bola de demolição social). Poucos escolhem viver à margem das redes sociais.
Como é o efeito político desse novo ouro negro? Através da rede, pode-se influir na opinião pública, como se vê na investigação em andamento nos EUA sobre as interferências da Rússia nas eleições que deram a vitória a Trump há um ano, nas quais o Facebook, o Google e o Twitter foram fundamentais. “As empresas de tecnologia temem que, mais cedo ou mais tarde, tente-se aprovar uma norma que altere substancialmente seu modelo de negócios”, explica Pankaj Ghemawat, professor da New York University e da IESE Business School. Autor de World 3.0: Global Prosperity and How to Achieve It (mundo 3.0: a prosperidade global e como alcançá-la), ele enfatiza a dificuldade de quantificar e seguir algo tão imaterial quanto a informação.
Comparação da cifra de negócio das empresas com os rendimentos consignados nos orçamentos dos países.
Comparação da cifra de negócio das empresas com os rendimentos consignados nos orçamentos dos países.


Esse fluxo de dados não existia no final do século XIX, quando John D. Rockefeller fundou a Standard Oil. “Há vozes que dizem que os limites já não importam. Acredito que é algo exagerado, mas certamente é significativa a capacidade de algumas empresas de se expandir em negócios de todo tipo”, afirma Ghemawat. A Amazon não é apenas uma das empresas que mais cresceram os últimos anos; também é uma das que mais se diversificaram. É líder em comércio eletrônico e uma das maiores plataformas logísticas e de marketing, além de fornecer sistemas de armazenamento na nuvem (tem a CIA entre seus clientes). E mais: produz filmes e séries, comprou uma rede de supermercados e acaba de lançar sua própria linha de roupa. Será que a Amazon está grande demais?
As grandes corporações modernas despontaram no final do século XIX como resultado da produção e da distribuição em massa, segundo teorizou Alfred D.
Chandler, professor da Harvard Business School, que, a partir dos anos setenta, foi pioneiro no estudo da história das empresas. Para Chandler, os managers haviam sido os verdadeiros heróis da era industrial porque tinham organizado a atividade econômica, acoplando partes do negócio para criar grandes companhias como a General Motors. O acadêmico defendeu essa ideia num de seus livros, The Visible Hand (a mão visível), de 1977, cujo título se opõe à “mão invisível”, metáfora criada pelo economista Adam Smith no século XVIII para expressar a suposta capacidade autorreguladora do livre mercado.
 
Koh Dong-jin, presidente de Samsung Electronic durante a apresentação do Galaxy S8.

Um exemplo extremo de grande corporação são os chaebol, conglomerados familiares promovidos pela Coreia do Sul para reativar seu crescimento após a guerra (1950-1953). O maior deles é a Samsung, que responde por 20% do PIB do país asiático. Nos últimos anos, contudo, Seul tomou medidas para reduzir o poder desses gigantes. Prova disso é a recente condenação por corrupção do herdeiro da Samsung, Lee Jae-yong.
Comparação da cifra de negócio das empresas com os rendimentos consignados nos orçamentos dos países.
Comparação da cifra de negócio das empresas com os rendimentos consignados nos orçamentos dos países.


As Samsung e General Motors de hoje são diferentes. Ficou para trás a repetida frase que Charles Wilson disse nos anos cinquenta, quando era secretário de Defesa dos EUA: “O que é bom para nosso país é bom para a General Motors.” Antes de ocupar o cargo, Wilson dirigiu a empresa (o atual secretário de Estado, Rex Tillerson, presidia antes a ExxonMobil). Mas a globalização levou as grandes firmas a se dispersar pelo mundo. Por exemplo, 65% das vendas das empresas que têm ações na Bolsa espanhola chegam do exterior.
Comparação da cifra de negócio das empresas com os rendimentos consignados nos orçamentos dos países.
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Então, onde se localiza o poder nesse mundo deslocado? Três analistas de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, recorreram à matemática para construir um mapa da estrutura do poder econômico. Reuniram dados de 43.060 empresas transnacionais, cruzando-os com seu conjunto de acionistas e seu faturamento. O resultado revelou que 147 firmas controlavam 40% da riqueza, quase todas elas instituições financeiras, como Barclays Bank, JPMorgan Chase e Goldman Sachs.
Comparação da cifra de negócio das empresas com os rendimentos consignados nos orçamentos dos países.
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O estudo foi publicado na revista PLoS One em 2011. Um de seus autores, James Glattfelder, explica que a equipe trabalha para atualizar os dados. “A previsão é que a distribuição do poder continue concentrada nas mãos de alguns atores altamente interconectados”, diz ele. O estudo é interessante, mas devemos considerar que as instituições financeiras nem sempre controlam o destino das empresas das quais participam. Com muita frequência, simplesmente administram um dinheiro que pertence a investidores privados. Glattfelder responde que, desde 1980, e sobretudo desde a crise de 2008, há “uma enorme concentração da propriedade de ações nas mãos de investidores institucionais”. Tais investidores costumam ser bancos, fundos de pensão, seguros e sociedades de investimento que aplicam grandes quantidades de dinheiro.
Desde os anos noventa, algumas firmas são cada vez mais influentes. É o caso da BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo (controla cinco trilhões de dólares, quase cinco vezes o PIB espanhol). Em maio, acionistas liderados por essa empresa se rebelaram contra a direção da ExxonMobil para obrigá-la a informar sobre as suas medidas contra a mudança climática.

Comparação da cifra de negócio das empresas com os rendimentos consignados nos orçamentos dos países.
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Num exemplo mais próximo, há algumas semanas soube-se que a decisão de empresas e bancos catalães de transferir suas sedes partiu de Nova York e Londres. É nessas cidades que estão os grandes gestores de fundos de investimentos, fundos de pensão e companhias de seguro, os acionistas das entidades e os donos de parte de sua grande dívida. A transferência de sede tentava fazer frente à incerteza política que ameaça suas metas de rentabilidade. Nos EUA, os fundos institucionais possuem 80% do capital do índice Standard & Poor’s 500; na Europa, 58% do Standard & Poor’s Euro. Já na Espanha, 43% do capital está nas mãos de fundos internacionais, um recorde.
Também desempenham um papel importante os hedge funds (fundos especulativos), que utilizam os mercados de derivativos para apostar na queda de um valor negociado no futuro. Um dos mais populares é o fundo de George Soros, conhecido por ganhar milhões após o ataque que perpetrou contra a libra nos anos noventa, embora também tenha perdido muito dinheiro apostando (erroneamente) numa queda das Bolsas após a vitória de Trump. Em 1998, havia cerca de 3.000 fundos desse tipo; hoje são mais de 10.000.
E volta a surgir o papel-chave da tecnologia. É interessante o auge dos robôs no mundo financeiro. Eles costumam ser usados, por exemplo, na gestão de um mecanismo de nome malvado: os dark pools. São redes privadas em que os investidores compram e vendem ações sem que se conheçam suas intenções, evitando mudanças de valor dos títulos que possam prejudicá-los. Cerca de 42% do volume diário negociado no mercados é feito em dark pools, segundo a firma de consultoria Tabb Group.
Esses mercados na sombra existem há décadas, mas se multiplicaram nos últimos anos graças à inteligência artificial. O tempo necessário para realizar um pedido de compra e venda passou de 20 segundos, há duas décadas, para os 10 microssegundos atuais. Ou seja: 40.000 operações num piscar de olhos. Por isso, convém ampliar o campo de visão. Já não basta ter em conta os conselhos de administração; a raiz do poder vai direto ao algoritmo.
El País.com

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

O navio chinês "criador de ilhas" que pode mudar o mapa da Ásia


Barco da China

Um novo navio lançado pela China foi descrito como um "criador mágico de ilhas" - ele pode escavar grandes "pedaços" do fundo do mar e transportá-los por até 15 quilômetros.
A ideia seria criar novas ilhas e explorar ainda mais as disputadas águas do Mar da China Meridional.
A embarcação foi apresentada pelas autoridades na véspera da visita do presidente dos EUA, Donald Trump, ao país.
O Instituto de Estudo e Desenho Marinho de Xangai garante que o barco, chamado Tian Kun Hao, tem o maior cortador da Ásia, capaz de escavar muito fundo e transportar areia por longas distâncias.
A China é acusada de construir ilhas artificiais no Mar da China Meridional para reforçar sua reivindicação pelas águas, hoje disputadas por vizinhos como Vietnã, Filipinas, Malásia, Brunei e Taiwan.

Ilhas na China Meridional

Principais características do navio

Nome: é muito simbólico - Tian Kun Hao é um lendário e enorme peixe que pode se transformar em um pássaro mítico.
Tamanho e potência: com um comprimento de 140 metros, esse é o maior barco desse tipo na China e, segundo os especialistas que o projetaram, em toda a Ásia.
Ele parece ser muito mais poderoso do que as atuais embarcações de dragagem da China, e é capaz de escavar 6 mil metros cúbicos por hora - o equivalente a três piscinas do tamanho padrão - a 35 metros de profundidade abaixo do nível do mar.
Funcionamento: Ele pode escavar qualquer coisa - desde areia e terra até coral. O navio corta material do fundo do mar, suga e transporta tudo isso por até 15 quilômetros de distância do barco para acumulá-lo e formar um novo território "recuperado".
Barcos similares, ainda que menores, foram utilizados para construir ilhas no Mar da China Meridional no início de 2013.

Por que isso importa?

A grande preocupação de pesquisadores é que o uso desse navio para formar novas ilhas possa culminar em novas reclamações por território no Mar da China Meridional.
"O que realmente está no centro de atenção das pessoas é o Arrecife Scarborough. É um território que ainda não foi reivindicado por ninguém, mas há rumores de que isso possa acontecer. Os Estados Unidos veriam o Arrecife Scarborough como uma linha vermelha", pontuou Alex Neill, pesquisador do Diálogo Sangri-La no Instituto Internacional de Estudos Estratégicos da Ásia, um centro de estudos com sede no Reino Unido.
O momento em que o barco foi apresentado também é interessante, conforme observa Neill - principalmente por causa da tensão que as atividades no Mar da China Meridional têm gerado.
Os Estados Unidos tradicionalmente não tomam partido nas disputas territoriais, mas defendem as chamadas operações de liberdade de navegação, o que significa poder sobrevoar ou navegar perto das ilhas em disputa - algo que costuma irritar a China.
"Esse barco foi lançado com muita festa, chamado de 'criador mágico de ilhas' na imprensa chinesa", conta Neill. "Ele pode ser um sinal de que a China começa a se sentir mais motivada a seguir adiante com suas reivindicações no Mar da China Meridional. A única coisa que os Estados Unidos podem fazer é Trump reafirmar sua preocupação com as atividades."
A China, porém, já desafiou as críticas americanas no passado e continua construindo as ilhas - está inclusive estabelecendo instalações militares nelas.

Outros usos

Os navios de dragagem podem ser usados para várias tarefas - a reivindicação de terras é só uma delas.
Mas o fato de a imprensa chinesa estar chamado esse navio de "criador mágico de ilhas" parece sugerir que esta será, de fato, ao menos uma de suas funções.
Como parte da Iniciativa do Cinturão e Rota da China para construir uma rede global de comércio cujo centro será no país, Pequim está desenvolvendo vários portos na região do Oceano Índico e no Oriente Médio.
O Tian Kun Hao também pode ser utilizado para escavar em portos de águas profundas se Pequim decidir enviá-lo para essa tarefa.
BBC Brasil

Uber se une à Nasa para ter táxis voadores em 2020

Resultado de imagem para fotos de táxis voadores
 
O serviço de aplicativo de transporte Uber fechou uma parceria com a Nasa, a agência espacial norte-americana, para criar uma sistema de controle aéreo para uma "frota" de táxis voadores, informou o diretor de produtos, Jeff Holden, nesta quarta-feira (8).
Holden, que está no Web Summit de Lisboa, em Portugal, afirmou que os primeiros voos de teste serão realizados em Los Angeles, já em 2020.
O projeto "Elevate" prevê a criação de uma rede de pequenos veículos elétricos, com decolagem e aterrissagem vertical, que transportem até quatro pessoas em áreas urbanas densamente habitadas. E, uma das principais características do Uber, os preços competitivos, estará presente.
A empresa estima que uma corrida 100% elétrica efetuada a cerca de 300km/h nos céus de Los Angeles poderá competir, em preço, com o mesmo percurso feito pelo UberX - o mais barato dos serviços oferecidos pelo app.
Ainda na cidade norte-americana, por exemplo, uma viagem entre o aeroporto de LA e o Staples Center, no horário de pico, poderá ser reduzida dos atuais 1h20 para menos de 30 minutos.
O diretor ainda destacou que prevê que o UberAIR esteja plenamente disponível nos Jogos Olímpicos de Los Angeles de 2028.
"UberAIR fará diariamente muito mais voos sobre a cidade como jamais ocorreu. Para que isso ocorra de maneira segura e eficiente, é preciso uma mudança radical das tecnologias para a gestão do espaço aéreo. A união de conhecimento de software do Uber e a experiência de engenharia da Nasa na questão aérea para enfrentar esse cenário representa um passo fundamental para o desenvolvimento do Uber Elevate", destacou Holden.
 
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terça-feira, 7 de novembro de 2017

Finlândia faz 'maior reunião de pais e professores do mundo", para planejar educação do futuro

Novos tempos exigirão uma nova escola. O diagnóstico vem da Finlândia, país cujo sistema, já celebrado internacionalmente, agora planeja reformas de olho em como será sua educação daqui a duas décadas.
 
Escola finlandesa
A meta é envolver os pais em um amplo debate sobre a agenda que os finlandeses acreditam ser necessária para preservar o nível de excelência do ensino público nos próximos anos.
E para isso, nesta quarta-feira a Finlândia vai realizar simultaneamente, nas escolas públicas de todo o país, o que está sendo anunciado como a maior reunião de pais e professores do mundo.
"O mundo está mudando, as escolas precisam mudar, e o diálogo com os pais é crucial nesse processo, uma vez que eles podem desempenhar um papel significativo na evolução da escola", diz à BBC Brasil Saku Tuominen, um dos organizadores do evento e diretor do projeto HundrEd, criado no país para identificar e compartilhar inovações educacionais em todo o mundo.
Os finlandeses já se perguntam: que tipo de conhecimentos, habilidades e aptidões serão importantes para um aluno em 2030?

'Diálogo permanente'

"Inovação é a chave", afirma Tuominen. "Em um mundo em transformação, pensamos que em 2030, por exemplo, os alunos precisarão estar capacitados tanto em termos de novas tecnologias e da ênfase na criatividade como também no desenvolvimento de habilidades emocionais, autoconhecimento e pensamento crítico."

Escola finlandesa

A megarreunião de pais é resultado de uma colaboração entre o Ministério da Educação e Cultura, o Sindicato dos Professores, a Associação de Pais de Alunos da Finlândia e o projeto HundrEd.
Mais de 30 mil pais já se inscreveram para participar do evento - e a ideia é transformar a iniciativa em um evento anual.
"Queremos um diálogo de alto nível e permanente sobre os fundamentos da educação do futuro. E mais do que nunca precisaremos de soluções criativas em consonância com a base do pensamento finlandês, que é uma educação em que o aluno tenha prazer em aprender", destaca Saku Tuominen.
 

Alunos viram professores

Para alavancar o debate, a reunião de pais e mestres será aberta em todas as escolas, que exibirão vídeos curtos com a fala de especialistas e educadores sobre o rumo das reformas em nível nacional, além de filmes sobre inovações que vêm sendo experimentadas em escala local.
Uma dessas inovações é um projeto-piloto que inverte os papéis entre mestres e aprendizes: alunos estão dando aulas a professores sobre o uso mais eficiente de tablets, mídias sociais e câmeras digitais.
 
Escola finlandesa
 
"Os resultados têm sido excelentes", diz Saku Tuominen. "É uma forma eficaz e econômica de capacitar melhor os professores de cadeiras não ligadas à tecnologia, e que também cria laços mais estreitos entre professor e aluno."
Na visão finlandesa, professores não deverão ser apenas provedores de informação, e os alunos não serão mais somente ouvintes passivos.
"Queremos que as escolas se tornem comunidades onde todos possam aprender uns com os outros, incluindo os adultos aprendendo com as crianças", diz Anneli Rautiainen, chefe da Unidade de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação finlandês.
"Habilidades tecnológicas e codificação serão ensinadas juntamente com outros assuntos. Para apoiar os professores, também haverá tutores digitais."

Solução de problemas

Outra inovação a ser apresentada na reunião de pais é um projeto que vem sendo conduzido nas escolas da cidade de Lappeeenranta, no sudeste da Finlândia, para treinar os alunos em técnicas de solução de problemas. O projeto reúne uma equipe de psicólogos, especialistas e educadores.
"A ideia é capacitar os estudantes a desmistificar os problemas, e aprender a focar nas soluções", explica Tuominen.
No raciocínio dos finlandeses, é preciso mudar a percepção sobre o que deve ser ensinado às crianças e o que elas necessitam para sobreviver numa sociedade e em um mercado de trabalho em rápida transformação.
 
Mochila com bandeira finlandesa
"As escolas precisam se adaptar aos novos tempos e reconhecer que, com a revolução tecnológica e o impacto da globalização, as necessidades das crianças mudaram. É preciso incluir no currículo escolar temas como a empatia e o bem-estar do indivíduo, além de renovar os ambientes de ensino para motivar os alunos", observa Kristiina Kumpulainen, professora de Pedagogia na Universidade da Finlândia.
O novo currículo escolar adotado em 2016 já inclui um alentado programa de tecnologia de informação, assim como aulas sobre vida no trabalho. Parte dos livros escolares, assim como a maioria do material de ensino, é completamente digital.

Diálogo

A Finlândia, país de 5,4 milhões de habitantes, é conhecida internacionalmente por pensar fora da caixa no que diz respeito à educação, o que atrai a curiosidade de especialistas do mundo inteiro.
Os dias são mais curtos nas escolas finlandesas: são menos horas de aula do que em todas as demais nações industrializadas, segundo estatísticas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, que reúne países desenvolvidos). Em uma típica escola finlandesa, os alunos têm em média cerca de cinco aulas por dia.
Os estudantes finlandeses gastam ainda menos tempo fazendo trabalho de casa do que os colegas de todos os outros países: cerca de meia hora por dia. O sistema também não acredita na eficácia de uma alta frequência de provas e testes, que por isso são aplicados com pouca regularidade.
E para os desafios dos novos tempos, os pais querem voz ativa.
Para a presidente da Associação de Pais da Finlândia, Ulla Siimes, não há mais espaço para as tradicionais reuniões entre educadores autoritários e pais queixosos.
 
Saku Tuominen
 
"Quando perguntamos aos pais o que eles esperam das reuniões com professores, a resposta é que eles querem se sentir incluídos nas questões escolares, e não apenas receber relatórios sobre o que está sendo feito", disse Siimes em entrevista à TV pública finlandesa YLE, ao destacar a importância da reunião de pais e mestres da próxima quarta-feira.
"As experiências pessoais vivenciadas pelos pais décadas atrás podem influenciar as suas concepções sobre como as crianças devem ser educadas nas escolas, e precisamos atualizar nosso modo de pensar para adaptar as técnicas de ensino à realidade da nova era", acrescentou ela.
A reunião também pretende informar os pais sobre os efeitos de mudanças que já vêm sendo implementadas nas escolas do país, como a criação de salas de aula mais versáteis e flexíveis.
Paredes vêm sendo derrubadas para a criação de espaços de ensino em plano aberto, com divisórias transparentes. Em vez das carteiras escolares, o mobiliário inclui sofás, pufes e bolas de pilates.
"No futuro, não haverá necessidade de salas de aula fechadas, e a aprendizagem acontecerá em todos os lugares", diz Anneli Rautiainen.
Outra aposta consolidada no novo currículo escolar é o ensino baseado em fenômenos e projetos, que atualiza a tradicional divisão de matérias e dá mais espaço para que determinados temas - por exemplo a Segunda Guerra Mundial - sejam trabalhados conjuntamente por professores de diferentes disciplinas.
Ainda que não lidere o ranking internacional de desempenho de alunos medido pelo exame Pisa, da OCDE, a Finlândia costuma estar entre os mais bem colocados do mundo. Mas isso não é o que guia as reformas educacionais, dizem educadores.
"A importância de rankings como o Pisa no pensamento finlandês é bastante insignificante. Eles são vistos como uma espécie de medição de pressão sanguínea, que nos permitem considerar, ocasionalmente, a direção para onde estamos indo, mas os resultados dos testes não são nosso foco principal", diz o educador finlandês Pasi Sahlberg. "O fator essencial é a informação que as crianças e os jovens vão precisar no futuro."
"Na Finlândia, o objetivo da educação não é obter sucesso no Pisa", reforça Saku Tuominen, um dor organizadores da reunião de pais. "Nossa meta é ajudar as crianças e adolescentes a florescer e ter uma vida mais satisfatória."
BBC Brasil

O mistério da erva romana mais valiosa que o ouro - e que sumiu sem deixar rastros

Muitos e muitos anos atrás, na antiga colônia grega de Cirene, havia uma erva chamada silphium. Não parecia nada especial para quem a olhasse, mas sua seiva, além de perfumada e saborosa, tinha utilidades práticas. E silphium por vezes valia mais que ouro no mercado.
 
Moeda cirenaica
Passaríamos páginas aqui descrevendo seus usos. Seu caule era comestível, bem como suas raízes, normalmente servidas como um petisco marinado em vinagre. Cozida junto com lentilhas, a erva atuava como conservante. E criadores de carneiros e ovelhas obtinham carne mais macia se alimentassem seus animais com silphium.
Mais? Suas flores amarelas eram matéria-prima para perfumes, ao passo que a seiva, depois de desidratada, podia ser ralada para dar tempero a pratos como flamingo grelhado, por exemplo. O condimento, conhecido como "laser", era fundamental na alta cozinha do Império Romano.
A erva tinha ainda aplicações médicas e era usada para uma série de condições, de hemorroidas a mordidas de cães.
Por fim, silphium era útil no quarto: além de afrodisíaco, a erva pode ter sido um dos primeiros métodos anticoncepcionais por seu potencial de "purgar o útero". Há historiadores que dizem que o formato de coração de suas raízes pode ser uma das origens de nossa associação do romance com o símbolo.
E os romanos amavam tanto a silphium que faziam referência a erva em poemas e canções, eternizando-a também em sua literatura. Por séculos, soberanos detinham o monopólio sobre a planta. Isso fez de Cirene, localizada onde hoje fica a cidade líbia de Shahhat, um dos lugares mais ricos da África. A erva era representada até no dinheiro usada pelos locais.
O famoso imperador romano Júlio César gostava tanto do silphium que chegou a armazenar mais de 680 kg da erva no Tesouro Romano.
No entanto, a planta hoje não existe mais e apenas algumas imagens estilizadas e relatos de naturalistas permanecem. Sendo assim, a verdadeira identidade da erva favorita dos romanos é um mistério. Para alguns historiadores, a planta foi extinta, mas outros especialistas acham que ela ainda pode existir no Mediterrâneo como uma variação.
 
Como isso aconteceu? E podemos trazer a erva de volta?
 
Foto panorâmica das ruínas de Cirene
 
Reza a lenda que a silphium foi descoberta depois de uma imensa tempestade na costa leste da Líbia, há mais de 2,5 mil anos. A partir dali, a erva teria se espalhado pela região, crescendo de forma abundante em colinas e planícies.
Isso pode soar estranho, já que o norte da África não é muito conhecido por seu potencial agrário. Mas a região de que estamos falando, conhecida na antiguidade como Cirenaica, marcada por verdejantes planaltos, é conhecida pela abundância de água. Algumas partes hoje recebem 85 cm de água por ano, um índice de pluviosidade parecido com o do Reino Unido.
A região foi originalmente colonizada pelos gregos e anexada pelos romanos por volta de 96 a.C. - algumas décadas depois, Cirene foi dada por Atenas a Roma. Quase imediatamente, os estoques de silphium começaram a diminuir em um ritmo alarmante. Apenas 100 anos mais tarde, a erva tinha desaparecido - Plínio, um dos mais conhecidos historiadores romanos, escreveu que mudas da erva eram sumariamente extraídas e enviadas de presente ao imperador Nero por volta dos anos 56 a 84 d.C..
O grande problema é que a planta é o que se pode chamar de temperamental: só crescia em Cirenaica e ocupava uma área total de 201 km de comprimento por 40 km de largura. Por mais avançadas que fossem para a época, as civilizações grega e romana não conseguiram reproduzir a silphium em outras regiões.
Em vez disso, a erva era colhida em sua forma silvestre, e embora houvesse controle rigoroso da extração, havia um próspero mercado negro para o produto. A seiva ressecada, por exemplo, era vendida por traficantes nas ruas a preços exorbitantes. E não raramente os fregueses levavam "gato por lebre", adquirindo sem saber a "assa-fétida", um tempero popular na Índia e conhecido pelo seu odor sulfuroso - e que os romanos acabaram considerando um substituto razoável para a silphium.
Traficantes também "malhavam" a erva, misturando-a a mostarda e outras plantas como o zimbro - mais conhecido hoje por seu papel na preparação do gin.
 
Desenho de um silphium
Mas porque o silphium não podia ser cultivado? Mesmo um dos mais conhecidos botânicos da antiguidade, Teofrasto, não conseguiu explicar a razão. Não adiantou sua amizade com Aristóteles - que além de filósofo é o pai da Biologia. Mas Teofrasto ao menos observou algo relevante: as plantas tendiam a crescer melhor em terras escavadas um ano antes.
Há várias razões que podem explicar isso. "Normalmente, o problema é relacionado às sementes", diz Monique Simmonds, vice-diretora de Ciências de Kew Gardens, o principal jardim botânico do Reino Unido.
Ela cita como exemplo as papoulas. Uma única planta pode produzir até 60 mil sementes, mas elas precisam ser expostas à luz para germinar. Sem isso, apenas ficarão na terra até que sejam comidas ou apodreçam. Sendo assim, papoulas vingam em solos "perturbados", em que a luz pode invadir fendas no solo.
Mas há outras explicações - e o melhor lugar para procurar pistas talvez seja outra planta que desafia fazendeiros: o mirtilo tipo huckleberry. Nos Estados Unidos, centenas de milhares de pessoas anualmente invadem os parques nacionais com cestas em punho em busca de uma fruta cobiçadíssima ao redor do mundo - e nem possíveis encontros com ursos desanimam a turma.
As frutas avermelhadas - ao contrário do mirtilo azul mais comum - fazem parte de geleias, molhos, tortas, sorvetes, drinques alcoólicos e até curries. E, todos os anos, a demanda é superior à oferta, pois não há uma única fazenda de huckleberries na América do Norte.
Colonizadores europeus bem que tentaram trazer a fruta, mas falharam. Esforços sérios mais recentes de cultivo tiveram início em 1906, mas os mirtilos ainda resistem à produção controlada - onde foram cultivados, não deram fruto.
O huckleberry é nativo de encostas de montanhas e florestas norte-americanas. As frutas crescem em arbustos e tem raízes "espalhadas" pelo solo. A falta de um enraizamento mais centralizado faz com que os mirtilos sejam especialmente difíceis de transplantar. Fazendeiros durante anos cometeram o erro de confundir o caule subterrâneo da planta com as raízes.
Tentar replantá-las desse jeito era o mesmo que esperar que folhas germinassem.
 
 Gravura de busto de Teofrasto
 
Só que nem mesmo os avanços tecnológicos da botânica conseguiram subjugar os huckleberries. E o mais curioso é que não parece haver grandes segredos em seu crescimento. A resposta está no habitat, segundo especialistas. "As plantas em uma determinada área têm grande impacto na química do solo", explica Simmonds.
A agricultura inevitavelmente afeta o equilíbrio entre elementos químicos no solo, como o magnésio, e isso resulta no fato de que algumas plantas jamais "pegarão" em terras cultivadas. Hoje, o único método conhecido de cultivar esses mirtilos é desmatar uma região e deixar as plantas em paz.
Para Kenneth Parejko, biólogo da Universidade de Wisconsin (EUA) que estudou o "enigma do silphium", plantas silvestres são particularmente sensíveis a essas alterações. "No norte dos EUA, há muitas flores silvestres que crescem nas pradarias, mas que não sobrevivem se tentarmos plantá-las no jardim."
Talvez os gregos estivessem a par disso. Há registros de tentativas de cultivo da erva na Europa, mas o diagnóstico foi que a planta carecia de um determinado "humor" para germinar - a teoria humoral associava temperamentos com fluidos corporais e foi o principal corpo de explicação racional da medicina até o século 17.
 
Há outra possibilidade: o silphium era um híbrido. O cruzamento de espécies é conhecido em diversos ramos da biologia. Um camelo macho com uma lhama fêmea, por exemplo, resultam nos "camas", filhotes com o potencial de produção de lã da mãe e a força do pai. No mundo das plantas há os morangos de jardim, cruzamento das variedades norte-americanas e chilenas - as frutas resultantes são maiores e mais suculentas.
E o que dizer do milho, o mais conhecido híbrido da agricultura e cuja produção anual supera 360 bilhões de metros cúbicos? Mas enquanto a primeira geração dessas uniões pode ser altamente desejável, seus "filhos" e "netos" frequentemente não estão no mesmo nível. Híbridos de segunda geração são extremamente imprevisíveis por causa de desequilíbrio genéticos - imaginem um animal com o temperamento da lhama e a capacidade de produção de lã de um camelo, por exemplo.
Em plantas selvagens, porém, isso não é um problema. O cruzamento precisa acontecer apenas uma vez e, a partir daí, as plantas não crescem de sementes, mas através de reprodução assexuada pelo avanço das raízes. Um exemplo está nos cemitérios do Oriente Médio, em que um tipo de íris cresce em túmulos muçulmanos milhares de anos depois do primeiro cruzamento em algum deserto - isso apesar das plantas serem estéreis.
 
Cubos de seiva de assa fétida
 
Se o silphium era realmente um cruzamento e os gregos tentaram cultivá-lo com sementes, o resultado provavelmente seria difícil de reconhecer. Curiosamente, isso se encaixa com relatos sobre a presença da erva em mercados de regiões como o norte do Irã e a Síria, ainda que em uma variação bem menos valiosa que a de Cirene. Sabemos que mercadores podem ter vendido gato por lebre, mas talvez estejamos falando de algum tipo de descendente do silphium.
Mas o grande problema era a cobiça. Plínio escreveu que senhorios romanos eram obrigados a cercar pastagens com a presença do silphium para evitar que servissem de alimentos para ovelhas. Mas houve rebeliões em que pastores em busca da valorização de seu estoque - lembremos que as ovelhas alimentadas com a erva tinham carne mais cara - derrubavam as cercas.
Sendo assim, o silphium estava sendo atacado por todos os lados. Extraído e pastado à exaustão. E pode ter sido minado também por sua própria biologia. Embora os gregos tivessem regras rigorosas sobre o quanto da raiz pudesse ser extraído - o que poderia assegurar algum tipo de regeneração -, traficantes podem ter ignorado as determinações. "Se você levar a raiz, precisa de uma planta que cresça bem da semente", diz Simmonds.
A história do silphium é familiar da maneira mais triste. Nos dias de hoje, ervas medicinais fazem parte de uma indústria bilionária, mas muitas estão ameaçadas pelo extrativismo, o crescimento urbano desordenado e o aquecimento global. Apenas na África do Sul, por exemplo, 82 tipos de ervas estão na lista de espécies ameaçadas e pelo menos outras duas desapareceram.
Uma esperança no caso do silphium é que poucos estudos sobre diversidade vegetal foram feitos até hoje. É possível que algumas plantas possam ter escapado dos gregos e romanos. "A erva pode ainda estar lá, porque a Líbia não é um país fácil de mapear", explica Simmonds.
O problema aqui é que ninguém sabe realmente como a planta é, com explica Erika Rowan, historiadora da Universidade de Exeter, no Reino Unido. "Sementes de plantas como coentro e aneto já foram encontradas em sítios arqueológicos, mas ninguém até hoje encontrou silphium", diz Rowan.
Teofrasto descreveu a planta como possuidora de raízes escuras e cobertas por uma casca negra. Elas seriam compridas, do tamanho da distância entre a ponta do dedo médio e o cotovelo, o que os romanos conheciam como cúbito. O botânico dizia ainda que a planta tinha um caule oco e folhas douradas, parecidas com as do aipo.
Moedas antigas mostram a planta florida e, segundo Simmonds, ela pareceria bastante visível e facilmente percebida. Teofrasto, inclusive, comparou a erva a outra espécie, a Magydaris pastinacea, natural da Síria e das encostas do Monte Parnasos, próximo à cidade grega de Delfos. Ele definiu ambas como "arbustos sem coluna" e relacionados ao funcho.
Cientistas mais modernos acreditam que o grego podia estar certo. Eles agora acreditam que, assim como a assa-fétida, o silphium pode ter pertencido a um grupo de plantas relacionadas ao funcho, conhecido como Férula. Na verdade, são parentes da cenoura e crescem de forma selvagem no norte da África e no Mediterrâneo. Duas dessas plantas, ambas variações de funcho-gigante, ainda existem na Líbia hoje. E uma delas pode ser silphium.
Mas Rowan já avisa que, mesmo que a erva não esteja extinta, ela possivelmente não terá um revival - pelo menos no Ocidente. "Há uma série de temperos romanos, como o levístico (um parente do salsão), que eram obrigatórios à mesa em priscas eras, mas que agora são desconhecidos e praticamente impossíveis de adquirir".
E vale lembrar que a cozinha romana não era em nada parecida com a comida italiana que conhecemos. Era baseada em contrastes entre sabores doces, salgados e azedos - pense, por exemplo, em melões com molho de tripas de peixe. "Se algo era comestível, os romanos comiam."
A lista inclui, por exemplo, papagaio assado com alho-porró e uma redução de mosto de uvas - e pitadas de silphium.
É possível que jamais saibamos a verdadeira identidade da erva, mas podemos aprender com seu declínio. O último censo em Cirene mostra que muitas espécies estão desaparecendo, que a terra arável está perdendo espaço para o deserto e que a pastagem está fora de controle. O Império Romano há muito se foi, mas parece que estamos cometendo os mesmos erros.
BBC Brasil

sábado, 4 de novembro de 2017

Mais robôs que humanos: como será a megacidade futurista que a Arábia Saudita quer construir

 
 
Projeto da Arábia Saudita
 
A Arábia Saudita tem um plano para construir uma cidade futurista, onde não haverá dinheiro e o número de robôs será maior que o de seres humanos. O projeto é chamado de Neom e, pelo menos no papel, sugere a ideia de um paraíso para milionários viverem em uma bolha futurista.
Em Neom, a energia viria de painéis solares, não haveria sujeira nas ruas, tampouco tiroteios. Também não existiria trânsito, nem carros movidos a gasolina - muito menos mendigos morando na rua.
"É uma terra para pessoas livres e sem estresse. Uma startup do tamanho de um país. A nova era do progresso humano", afirma o vídeo promocional, que mostra belas paisagens da costa do Mar Vermelho, enquanto uma melodia suave serve de pano de fundo para imagens de crianças correndo e desenvolvedores fazendo protótipos.
É esse o projeto que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, está tentando vender aos investidores.
Mais do que uma cidade, ele considera o megaempreendimento como a primeira zona econômica independente do mundo.
O plano é criar um polo comercial de 26 mil quilômetros quadrados, que se estenderia pelo território da Arábia Saudita, Egito e Jordânia, exigindo um investimento inicial de pelo menos US$ 500 bilhões.
 
 
Príncipe da Arábia Saudita
 
Os defensores da iniciativa argumentam que a megacidade será um centro global de negócios, localizado em uma das artérias econômicas mais importantes do mundo, por onde passa quase um décimo do comércio mundial.
Eles garantem que, quando a ideia sair do papel e a operação começar, todos os serviços e processos serão automatizados e, portanto, todas as transações serão realizadas por meios eletrônicos.
Um slogan que deixa clara a ambição dos sauditas afirma que Neom teria "o crescimento econômico per capita mais alto do mundo".
Mas quem financiaria esse mundo paralelo? O Fundo de Investimentos Públicos da Arábia Saudita, presidido pelo próprio príncipe herdeiro saudita, e formado por outros investidores locais e estrangeiros.
 
prédios na Arábia Saudita

Novo mercado global do petróleo

O projeto faz parte da série de iniciativas que busca reduzir a dependência do país em relação ao petróleo. Ao lado da megacidade, o governo saudita anunciou há alguns meses que transformará 50 ilhas do Mar Vermelho em balneários de luxo.
O objetivo é que o país deixe de ser um "petro-Estado" e passe a ter uma economia mais aberta, capaz de crescer quando os preços do petróleo estão em baixa, em um contexto em que o mundo vai se tornando cada vez mais digital e 70% da população tem menos de 30 anos.
Estima-se que a Arábia Saudita tenha um quinto das reservas mundiais de petróleo, das quais depende sua economia - 75% das exportações do país são de petróleo.
O problema é que o preço do petróleo caiu pela metade, se compararmos com seu valor há apenas três anos. E, se olharmos a longo prazo, o debate sobre as mudanças climáticas está ganhando cada vez mais força, o que poderia ter como consequência a diminuição da demanda petrolífera.
 
Arábia Saudita

Sendo assim, o governo quer mudar a imagem do país - de um reino profundamente conservador para uma nação que está abrindo as portas ao capital estrangeiro.
O plano estratégico, que tem fundamento econômico, faz parte de um plano mais ambicioso chamado "Vision 2030" - um planejamento que prevê vender até ações da Saudi Aramco, petroleira estatal do país.
Há alguns anos, esse tipo de reforma era impensável, assim como outras mudanças recentemente aprovadas no país, como permitir que as mulheres dirijam automóveis.

Falsas promessas?

Os projetos anunciados pelos sauditas buscam gerar uma abertura econômica, visando possíveis benefícios para as próximas décadas.
Mas as megacidades e megainfraestruturas ainda precisam provar para os investidores, na prática, que não se tratam de meras promessas.
 
Bolsa de valores na Arábia Saudita
 
"Isso não vai acontecer em um ou dois anos. Mas, se preparar para o que parece ser um mercado global de energia muito diferente, é algo que precisa de planejamento, exige tempo e dinheiro", afirma Andrew Walker, correspondente de economia da BBC.
Se o capital estrangeiro não abraçar o projeto, dificilmente o empreendimento conseguirá ser concretizado da forma como está sendo vendido atualmente.
"A economia da Arábia Saudita precisa se modernizar e se diversificar", pontua Walker.
Para viabilizar o caminho da abertura econômica, é provável que o governo tenha que enfrentar ainda vários obstáculos. Entre eles, a própria cultura local que não está acostumada a empreender iniciativas individuais e correr riscos no mundo privado e impõe severas restições às mulheres.
Por isso, especialistas falam de uma mudança cultural e econômica que pode demandar muito tempo ainda antes de se tornar realidade.