quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O que é o "excitonium", nova forma de matéria finalmente comprovada após 50 anos de busca


Imagen abstracta de un producto conductor.

Na década de 1960, o físico americano Bertrand Halperin teorizou sobre a existência de uma nova forma de matéria, a qual ele batizou de "excitonium". Desde então, diversas equipes de pesquisadores conseguiram encontrar evidências de sua existência, mas nenhuma delas definitiva – até agora.
Cientistas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, conseguiram provar que a tal matéria existe. Liderada pelo físico Peter Abbamonte, a equipe desenvolveu um método para demonstrar de cinco formas diferentes que o excitonium é real, segundo seu trabalho publicado na revista científica Science. "Esse resultado é de importância cósmica", disse Abbamonte.
O excitonium é um condensado, portanto, um sólido, formado por partículas chamadas "éxcitons". Essas partículas são compostas por um par improvável: um elétron que se excita, ou seja, se energiza, e passa de uma faixa de energia para outra, e o "buraco" que ele deixa ao se mover.

Esse buraco "se comporta como se fosse uma partícula com carga positiva e atrai o elétron que escapou". A interação entre ambos forma o éxciton, diz o comunicado da Universidade de Illinois.

Peter Abbamonte (centro) e os estudiantes Mindy Rak (esq.) e Anshul Kogar (dir.), que participaram do estudo

A dupla "estranha e maravilhosa", nas palavras dos cientistas, compõe a partícula. Se isso parece complicado, é porque de fato é. Segundo os pesquisadores, o excitonium "desafia a razão".

Para que serve?

De acordo com Guilherme Matos Sipahi, do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), a descoberta permitirá explorar melhor a mecânica quântica e as previsões feitas nesse campo de conhecimento. "Isso promove um avanço da ciência e pode levar a novas tecnologias."
O trabalho foi realizado em parceira com pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley e da Universidade de Amsterdã, na Holanda. Levou-se tanto tempo para chegar a esse resultado porque os cientistas não tinham as técnicas necessárias para distinguir o excitonium sem margem de dúvidas, uma tarefa que exigiu seis anos.
Em uma entrevista para a revista Newsweek, Abbamonte contou ter se encontrado com Halperin, cientista da Universidade de Harvard hoje com 76 anos, e ele teria demonstrado muita felicidade ao saber da confirmação empírica de sua teoria.
O excitonium existe na literatura especializada há cinco décadas, mas os cientistas ainda não sabem quais são suas propriedades. Tanto que existem hipóteses opostas: alguns pensam ser um material isolante, enquanto outros imaginam que funcione como um supercondutor ou um superfluido, transportando energia sem dissipação.
O novo desafio da equipe da Universidade de Illinois será identificar as possíveis funções do excitonium e, assim, apontar futuras aplicações. Em entrevista ao jornal britânico The Independent, Abbamonte comparou esta descoberta com a do Bóson de Higgs, também conhecida como a "partícula de Deus".
"Provar sua existência é crítico para validar as leis da Física como as conhecemos hoje."

Representação artística dos 'excitons' de um sólido de 'excitonium'

Como funcionam os mísseis de micro-ondas que os EUA podem usar em caso de ataque da Coreia do Norte

Nos arredores da cidade de Albuquerque, no Estado do Novo México, uma equipe de especialistas da Força Aérea americana desenvolve uma arma pouco tradicional, mas que poderia ter um objetivo estratégico: deter os mísseis nucleares da Coreia do Norte.
 
Bombardeiro B-52
Não é um armamento qualquer. Trata-se de um tipo de arma eletromagnética que não é nociva para o ser humano e cuja base de funcionamento é a mesma tecnologia de um forno micro-ondas.
E, segundo diversos especialistas em assuntos militares consultados pela BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, poderia ser uma alternativa para desativar as armas nucleares de Pyongyang de forma efetiva, sem gerar grandes prejuízos.
O "Projeto de mísseis avançados de micro-ondas de alta potência de interferência eletrônica" (Champ, na sigla em inglês) prepara, em essência, projéteis que emitem ondas de altíssima frequência, capazes de fritar sistemas eletrônicos.
 
Base da Força Aérea de Kirtland, em Albuquerque
 
"Tendo em conta o estado da tecnologia no mundo moderno, em que quase tudo funciona por meios digitais, esse tipo de míssil emite micro-ondas de altíssima frequência, capaz de interromper ou inativar os equipamentos eletrônicos", explica James Fisher, porta-voz da base Kirtland da Força Aérea americana, em Albuquerque, a sede do projeto.
O espaço, que foi um dos lugares de apoio para o Projeto Manhattan (a investigação dos Estados Unidos para desenvolver a bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial), agora centra suas investigações neste novo tipo de armamento baseado no espectro eletromagnético.
"O Champ é basicamente um míssil de cruzeiro, mas sem carga, que pode ser lançado por bombardeiros B-52 e que tem um alcance de uns 1.130 quilômetros", detalha Fisher.
Mas sua utilidade como armamento transcende o potencial lançamento de um míssil atômico pela Coreia do Norte.

Armas eletromagnéticas

Não é a primeira vez que os Estados Unidos experimentam as ondas eletromagnéticas.
Oriana Skylar, especialista em temas de segurança na Universidade de Georgetown, afirma que a Força Aérea investigou e utilizou o potencial das micro-ondas como arma no decorrer das últimas décadas.
Segundo ela, equipes militares que fazem bombardeios eletromagnéticos foram utilizadas no Afeganistão e no Iraque com o objetivo de desativar bombas e drones.
 
Drone carrega bandeira
 
Mas a fascinação do Exército dos Estados Unidos com as micro-ondas parece remontar a várias décadas atrás.
Uma divisão do Pentágono, chamada Projetos de Investigação Avançada de Defesa, foi encarregada nos anos 1960 de analisar os possíveis efeitos das micro-ondas no comportamento humano.
"Tudo começou com um bombardeio de micro-ondas realizado pelo governo da União Soviética contra a embaixada dos Estados Unidos em Moscou", diz Sharon Weinberger, editora-chefe da revista especializada Foreing Policy e autora do livro The Imagineers of War: The Untold Story of Darpa, the Pentagon Agency That Changed the World ("Os imaginários da guerra: a história não contada de Darpa, a agência do Pentágono que mudou o mundo").
Esses fatos, que entraram para a história como "o sinal de Moscou", foram a base para o estudo de micro-ondas da Força Aérea americana, que chegou inclusive a irradiar macacos para estudar os possíveis efeitos nos seres vivos.
Aquelas primeiras experiências com animais foram um fracasso, mas o desenvolvimento de armamentos baseados nessa tecnologia tomou novos rumos nos últimos anos.
 
Macaco aprisionado em laboratório
 
E ainda que os mísseis de micro-ondas lançados a partir de bombardeiros ainda não tenham sido utilizados em combate, os testes já efetuados deixaram o Pentágono otimista.

Teste no deserto

Ainda que os especialistas assegurem que já foram realizados diversos testes para provar sua efetividade, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos só liberou informação sobre um caso até agora: o primeiro.
Ele teve lugar no deserto de Utah, em 2012, apenas três anos depois de se iniciarem oficialmente as primeiras investigações sobre esse tipo de armamento no laboratório da Força Aérea na base de Kirtland.
De acordo com Fisher, em outubro desse ano, um bombardeiro B-52 lançou um míssil de micro-ondas sobre um deserto, uma área de mais de 4 mil quilômetros quadrados. Ali, os militares dispuseram, com antecedência, equipamentos elétricos em edifícios e construções similares.
A quase totalidade dos aparelhos deixou de funcionar após o bombardeio.
 
Bombardeiro B-52
 
"Um dos lados positivos desse tipo de armamento é que seu objetivo é danificar os sistemas eletrônicos sem afetar diretamente os seres humanos", comenta Philip Bleek, especialista do Centro James Martin de Estudos sobre a Não Proliferação em Monterey, Califórnia.
O analista explica que, ainda que se baseiem na mesma tecnologia que um forno de micro-ondas, a diferença entre ambos é que a radiação que esse tipo de armamento gera é menor em tempo e maior em intensidade do eletrodoméstico.
No caso do aparelho de cozinha, a alta potência a longo prazo tem um efeito nocivo sobre os tecidos humanos, enquanto a rapidez de um bombardeio com um míssil desse tipo é capaz de queimar um circuito eletrônico, mas não a pele.
De fato, segundo dados da base de Kirtland, o nível de radiação emitida por um míssil foi testado em mais de 13 mil pessoas e apenas duas precisaram de atendimento médico.
 
Forno de micro-ondas
 
Mas como esse armamento poderia ser utilizado para desativar os mísseis nucleares da Coreia do Norte?

Efetividade contra mísseis atômicos

O porta-voz da base da Força Aérea de Kirtland afirma que o desenvolvimento desse tipo de armas não foi pensado como uma possível solução de defesa contra um ataque nuclear da Coreia do Norte.
No entanto, seu uso com esse objetivo foi discutido na Casa Branca em agosto deste ano, segundo relataram dois funcionários do governo, sob condição de anonimato, à rede de TV americana NBC.
De acordo com Bleek, um dos efeitos menos discutidos dos pulsos eletromagnéticos (emissão de energia eletromagnética de alta intensidade em um curto período de tempo) é a sua capacidade de prevenir detonações nucleares ao tornar os mísseis inoperantes.
 
Imagem de uma detonação nuclear
 
"Esse pulso eletromagnético pode fritar circuitos eletrônicos não blindados em uma área significativamente maior que a ameaçada por uma explosão atômica", explica o pesquisador.
O especialista indica ainda que as armas que utilizam esse tipo de radiação danificariam qualquer tipo de dispositivo eletrônico, de telefones celulares a automóveis modernos. Assim, teoricamente também poderia fazer um míssil nuclear parar de funcionar.
"Digo teoricamente porque, na prática, os dispositivos militares (ou outros) podem se proteger dos efeitos desses pulsos com uma espécie de escudo eletromagnético", explica.
"Uma vez que as armas nucleares estão desenhadas para funcionar durante uma guerra nuclear, é provável que estejam protegidas contra os efeitos dos pulsos eletromagnéticos, assim como os sistemas de comando e controle associados", acrescenta.
No entanto, o especialista, que trabalhou como assessor de temas de defesa para o Pentágono, acredita que o mais provável é que, dada a falta de experiência que Pyongyang tem no desenvolvimento de armamento nuclear, não conte com proteção eletromagnética.
"Parece bastante plausível que os mísseis da Coreia do Norte e a infraestrutura para dispará-los não contem com esses sistemas, o que faria com que seus foguetes fossem muito sensíveis aos pulsos eletromagnéticos, se tornando inofensivos."
Apesar disso, ele duvida que essas armas possam ser uma solução mágica para as ameaças do governo de Kim Jong-un.
 
Momento da decolagem do míssil Hwasong-15, em uma imagem difundida pela imprensa estatal norte-coreana em 30 de novembro de 2017
 
"Se os Estados Unidos lançarem mísseis de cruzeiro no território da Coreia do Norte, isso seria considerado uma provocação, não importa que seja uma carga explosiva ou um dispositivo de pulsos eletromagnéticos", sustenta.
"As armas de micro-ondas poderiam desempenhar um papel estratégico em uma operação militar dirigida contra Pyongyang, se isso vier a ocorrer, mas estão longe de ser um remédio definitivo contra a ameaça nuclear da Coreia do Norte."

Por que o homem não pisou mais na Lua?

Foi, nas palavras de Neil Armstrong, um pequeno passo para o homem, mas um salto enorme para a humanidade.
 
o Imagem mostra o homem na Lua
Em 21 de julho de 1969, às 2h56 no horário local (0h56 no horário de Brasília), um ser humano - no caso, Armstrong - pisou pela primeira vez na Lua. A notícia estremeceu o mundo. Outras cinco expedições americanas chegaram ali até dezembro de 1972, quando Eugene Cernan fechou o ciclo de alunissagens, ou seja, de pousos na superfície da Lua. Depois dele, nenhum homem voltou ao satélite natural da Terra em mais de 45 anos.
Muitas teorias de conspiração foram criadas deste então para apoiar a ideia de que as alunissagens nunca aconteceram e que as imagens que se difundiram não foram nada mais do que montagens feitas em estúdios de televisão. Mas os motivos, na verdade, são outros: dinheiro, relevância científica e, é claro, questões políticas.
Mas quase meio século depois, o governo dos Estados Unidos anunciou que pretende voltar ao satélite em breve. E que isso pode ser só uma primeira parada em uma jornada para a conquista de Marte.
Na segunda-feira, o presidente Donald Trump aprovou a Diretriz de Política Espacial 1, uma ordem presidencial que autoriza a Nasa a enviar novamente missões tripuladas à Lua.
A previsão é que a diretriz, que foi firmada sem consulta prévia ao Senado, só entre em vigor quando restar ao presidente dois anos na Casa Branca. Mas tendo em vista os prazos para a aprovação dos orçamentos, muitos especialistas temem ela não será efetiva - a menos que Trump seja reeleito em 2020.
Entenda a seguir o que fez os Estados Unidos, e nenhum outro país, não enviarem uma tripulação sequer à Lua em quase meio século - e por que isso pode mudar agora.

Questão de orçamento

Com a façanha de Armstrong, os Estados Unidos foram coroados em sua batalha pela corrida espacial com a então União Soviética, que já havia colocado um cachorro e um tripulante, Yuri Gagarin, no espaço, mas não conseguiu chegar muito além da atmosfera terrestre.
A iniciativa foi, no entanto, extremamente dispendiosa.
"Enviar uma nave tripulada à Lua era extremamente caro, e realmente não há uma explicação verdadeiramente científica para sustentá-la", explica à BBC Mundo Michael Rich, professor de Astronomia da Universidade da Califórnia em Los Angeles.
De acordo com o especialista, para além do interesse científico, por trás das missões à Lua encontravam-se razões políticas - basicamente a competição pelo controle do espaço.
Ao longo dos anos, com a Lua "conquistada" pelos Estados Unidos, pisar no satélite começou a perder o interesse. "Não havia justificativa científica ou política para retornar", diz Rich.
George W. Bush propôs em 2004, durante seu mandato, um plano semelhante ao de Trump: enviar uma nova tripulação à Lua e, de lá, abrir as portas para a conquista de Marte.
Mas o projeto se desfez, segundo Rich, pela mesma razão pela qual não havia se repetido antes: seu custo.
O governo Barack Obama, que sucedeu Bush, não se mostrou disposto a gastar os US$ 104 bilhões (o equivalente a R$ 344,44 bilhões) calculados como o custo da empreitada.
"Na prática, é muito difícil convencer o Congresso a aprovar um orçamento tão exorbitante quando, a partir do ponto de vista científico, não havia razões suficientes para retornar à Lua. O projeto Apollo (para levar o homem até lá) foi grandioso, mas pouco produtivo cientificamente falando", comenta.
Durante os anos do programa, o montante que o governo dos Estados Unidos destinava aos projetos da Nasa representava quase 5% do orçamento federal. Atualmente, corresponde a menos de 1%.
"Naqueles anos, os americanos estavam convencidos de que destinar tal quantia para esses projetos era necessário. Depois disso, acredito que a maioria da população não estivesse muito convencida da ideia de que seus impostos fossem destinados a um passeio pela Lua", afirma.
Outra razão, comenta, é que a Nasa se viu envolvida em outros projetos mais importantes nos anos que se seguiram: novos satélites, sondas a Júpiter, pôr em órbita a Estação Espacial Internacional, investigações sobre outras galáxias e planetas, ou seja, projetos que tinham mais "relevância científica" do que uma potencial viagem de volta ao satélite.

A nova corrida espacial

As potenciais viagens à Lua começaram, no entanto, a ganhar novamente interesse nos últimos anos.
Há cada vez mais iniciativas estatais e privadas que não só anunciam um retorno ao satélite, mas também planos ambiciosos de colonização, a maioria baseada no barateamento de tecnologias e na fabricação de naves espaciais.
A China, por exemplo, planeja pousar na superfície da Lua em 2018, enquanto a Rússia anunciou que pretende ter uma nave ali em 2031.
Enquanto isso, muitas iniciativas privadas buscam um modelo de negócios espacial que englobe desde explorar os minerais que existem na Lua até vender fragmentos do satélite como pedras preciosas.
E, ao que parece, os Estados Unidos não querem ficar para trás.

Novas justificativas

A agência espacial americana sustenta há anos que ainda existem grandes razões para voltar à Lua.
A Nasa considera que o retorno do homem poderia trazer um maior conhecimento da ciência lunar e permitir a aplicação de novas tecnologias no solo.
Além disso, Laurie Castillo, porta-voz da Nasa, assegurou à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, que a agência continua na Lua - mesmo sem a presença humana.
"Temos hoje a Lunar Reconnaissance Orbiter (uma sonda especial americana lançada em 2009 para exploração da Lua), que está fazendo coisas impressionantes", disse
"Mas quando se leva em conta o desenvolvimento tecnológico que alcançamos, você se pergunta se ainda é necessário enviar um homem fisicamente à Lua para comprovar qualquer tecnologia. Então você conclui que as razões para voltar fogem novamente ao meramente científico", opina o professor Rich.
Logo, o anúncio feito por Trump tem fundo político, avalia.
"Acredito que ele queira dar a ideia de que os Estados Unidos não ficarão para trás na nova corrida espacial."
Dados os avanços tecnológicos e a aposta do setor privado na conquista especial, Rich não acredita que uma base na Lua ou em Marte esteja longe da realidade.
"Em menos de cem anos, estou quase certo de que a Lua estará muito próxima e que estaremos explorando outros lugares do Universo."

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Arábia Saudita autoriza abertura de salas de cinema

 
Resultado de imagem para fotos de salas de cinema inauguradas na arábia saudita
 
A Arábia Saudita autorizou nesta segunda-feira a abertura de salas de cinema no reino pela primeira vez em quase quatro décadas. O Ministério de Cultura e Informação vai começar a conceder alvarás de forma imediata e calcula que os primeiros multiplex abram ao público em março do ano que vem. A medida, longamente esperada, é parte do programa de reformas lançado pelo príncipe herdeiro Mohamed bin Salman (conhecido pelas iniciais MBS) para modernizar o país. Prevê-se que o primeiro cinema de Riad seja inaugurado com a projeção de Born a King (“nascido rei”), primeira superprodução rodada no reino sunita, com direção do espanhol Agustí Villaronga.
“Isto marca um antes e um depois no desenvolvimento da economia cultural no reino”, declarou o ministro da Cultura e Informação, Awwad Alawwad. Em nota, ele antecipou também que a Comissão Geral de Meios Audiovisuais iniciou um processo para facilitar as autorizações necessárias. “Esperamos que os primeiros cinemas abram em março de 2018”, afirma o ministro, que preside essa comissão.
Estes serão os primeiros alvarás para a abertura de salas comerciais de cinema desde a sua proibição, no começo da década de 1980. Naquela época, a monarquia saudita, alarmada pela revolução islâmica do Irã e pela revolta de Meca, procurou se proteger reforçando seus laços com a cúpula religiosa wahabita, à qual concedeu enormes poderes em matéria educacional e de controle social. Esse pacto fez da Arábia Saudita um dos países com as normas mais anacrônicas do mundo.
A ausência de cinemas era só a ponta do iceberg de um sistema social que até agora proibia qualquer tipo de diversão em público. Entretanto, a conjunção de baixos preços do petróleo e a mudança geracional representada pela ascensão de MBS, o verdadeiro detentor do poder por trás do trono do seu pai, o rei Salman, motivaram uma reviravolta no reino. Necessitado de um novo modelo produtivo, o príncipe compreendeu que a mudança seria impossível sem reformas sociais radicais. Junto com a decisão de autorizar as mulheres a dirigirem carros, a medida anunciada nesta segunda-feira representa um dos pilares desse projeto.
“A abertura de cinemas servirá como catalisador para o crescimento econômico e a diversificação; ao desenvolver o setor cultural em geral, criaremos novos empregos e oportunidades de formação, além de enriquecer as opções de entretenimento no reino”, afirmou Alawwad.
Desde o lançamento do programa de reformas Visão 2030, os sauditas sabiam que a abertura de cinemas não era questão de se, mas de quando. Durante a recente visita desta correspondente a Riad, os interlocutores observavam que os projetos de vários shopping-centers atualmente já previam espaço para os cinemas multiplex. Também davam como certo que a honra de inaugurar esta nova fase caberia a Born a King, que na época estava terminando de ser rodado complexo palaciano de Atheriyah, na periferia da capital saudita.
Com um orçamento de 20 milhões de dólares (65,8 milhões de reais), a produção hispano-britânica Born a King narra a missão diplomática que Abdulaziz ibn Saud, o primeiro monarca saudita, encomendou ao seu filho caçula Faisal em 1919. Com apenas 13 anos, o príncipe foi enviado a Londres para convencer os ingleses a apoiarem o reino que Saud tentava fundar na Arábia. Realizar esse filme foi uma aventura sem precedentes, num país que não só carece de tradição cinematográfica como também é, ainda hoje, muito fechado ao turismo.
“Tivemos que inventar tudo, porque não havia infraestrutura”, dizia Villaronga numa pausa das filmagens. E referia-se literalmente a tudo, começando pela própria produtora que lhes prestou serviços de apoio, a Nebras Film, criada por um construtor que viu uma oportunidade de negócio num setor até então praticamente inexistente na Arábia Saudita.
Até hoje, apenas dois longas-metragens foram filmados no reino com atores sauditas: O Sonho de Wadjda, de 2012, e Barakah Yoqabil Barakah, de 2016. Num país onde 70% da população tem menos de 30 anos, só quem tem mais de 50 se lembra das salas que existiam em Riad e Jidá até a década dos setenta do século passado. Essa carência obriga os cinéfilos sauditas a peregrinarem a Dubai ou ao Bahrein, como faziam os espanhóis na época franquista indo a Biarritz ou Perpignan para ver filmes proibidos pela censura.
El País.com

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Como são escolhidas as capitais dos países?

Imagem mostra vista geral de Jerusalém

Os olhos do mundo estão voltados para Jerusalém, cidade que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu oficialmente nesta semana como capital de Israel, apesar de alertas de dentro e de fora do mundo árabe sobre os riscos da decisão.
A cidade abriga locais sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos e é considerada única e simbólica.
Israel a considera sua capital e sede de governo, mas nenhum outro país havia reconhecido isso oficialmente até a última quarta-feira. Seu status é uma das questões fundamentais que dividem Israel e Palestina.
A discordância em torno da decisão dos Estados Unidos levanta a discussão sobre o que as capitais representam e por que estão onde estão. Aqui estão quatro razões:

Congresso Nacional brasileiro

1. Uma forma de controle e um símbolo de unidade

A palavra "capital" tem origem na palavra latina capitalis, que significa "relativo à cabeça". Uma cidade considerada a "cabeça de um território" está intimamente vinculada ao Estado existente ali, é sede do governo e, normalmente, também da realeza, em locais em que há monarquia.
A capital precisa ser protegida, mas também ser capaz de exercer controle sobre o restante do país e de projetar um senso de unidade. Por essa razão, muitas capitais são construídas no centro de seus respectivos países – elas precisam ser vistas como representativas e acessíveis.
Brasília, por exemplo, foi construída para ser a capital do Brasil no governo de Juscelino Kubitschek bem no centro do país. Transferir a capital do Rio de Janeiro, na região Sudeste, para uma área do Estado de Goiás, na região Centro-Oeste, era algo planejado desde o século 18, ainda no governo português.
A ideia chegou a ser defendida em outros momentos históricos. No entanto, a proposta só ganhou fôlego em meados do século passado.
 
Madri, na Espanha, está quase no centro da Península Ibérica. Abuja, que virou capital da Nigéria em 1991, foi construída do zero, assim como Brasília, em uma posição geográfica central para representar a unidade de uma nação dividida tanto por aspectos religiosos quanto geográficos.

Imagem do Parlamento australiano, em Canberra

2. Compromisso político

A fundação da capital dos Estados Unidos, em 1790, foi baseada em concessões políticas. Alexander Hamilton e os Estados do norte queriam que o governo federal assumissem as dívidas destes Estados e estabelecesse um acordo com Thomas Jefferson e James Madison, que queriam que a capital ficasse no sul.
George Washington escolheu o local exato à margem do rio Potomac, e o resto é história.
Na Austrália, turistas ficam muitas vezes chocados ao descobrir que a capital do país não é sua maior e mais famosa cidade, Sydney, mas Canberra, que fica a meio caminho entre Sydney e sua concorrente ao sul, Melbourne.
Alguns historiadores dizem que o calor escaldante em Sydney e Melbourne no verão é uma das principais razões pelas quais a fria Canberra, localizada a 600 metros acima do nível do mar, foi a escolhida.
"O motivo mais relevante, com o qual todos os políticos concordaram na época, era que brancos só poderiam prosperar e liderar vivendo em um clima frio", disse o historiador David Headon à revista Australian Geographic.

3. História complicada

Berlim ou Bonn? Essa era a questão quando o Muro de Berlim caiu, em 1989, e a Alemanha reunificada teve de decidir qual seria sua capital. Durante a Guerra Fria, Bonn era a capital da Alemanha Ocidental e Berlim Leste, a capital da Alemanha Oriental.

Turistas caminham nas proximidades do que restou do Muro de Berlim

Hoje, poucos dos viajantes que se aglomeram nas casas noturnas de Berlim e tiram fotos com o que restou do muro que dividia a cidade chegarão a conhecer Bonn, mas a decisão sobre qual das duas cidades se tornaria a capital foi definida por apenas alguns votos de diferença no Parlamento alemão, em 20 de junho de 1991. Nessa votação, Berlim triunfou com 337 votos contra 320 a favor de Bonn.
Enquanto os alemães travaram uma disputa em torno de duas capitais potenciais, a África do Sul optou por ter três sedes de poder. Os poderes deste Estado se dividem entre Cidade do Cabo (Legislativo), Pretoria (Executivo) e Bloemfontein (Judiciário), enquanto o Tribunal Constitucional fica em uma quarta cidade, Joanesburgo.
Isso remonta à criação da União da África do Sul, em 1910, depois que quatro colônias britânicas foram fundidas e não foi possível chegar a um acordo sobre onde a capital ficaria.
Em 1994, após o fim do apartheid, o regime de segregação racial que imperava no país, houve uma movimento em prol da criação de uma nova capital, a exemplo do que ocorreu com Canberra ou Brasília, a fim de proporcionar um recomeço à nação, mas isso nunca ocorreu.

Vista geral da cidade de Astana, capital do Cazaquistão

4. Caprichos de homens poderosos

Astana, capital do Cazaquistão desde 1997, é uma reluzente cidade futurista e um símbolo das ambições do seu autoritário presidente Nursultan Nazarbayev, que governa o país desde 1991.
Entre seus principais marcos, está o Palácio da Paz e Harmonia, uma pirâmide de concreto e vidro projetada pelo britânico Norman Foster que ostenta uma sala de concertos de 1,5 mil lugares. Esta cidade de ventos fortes em meio à estepe fria foi chamada brevemente de Akmola, que significa "sepultura branca".
Outro país, Mianmar, também tem uma capital remota, que tem quatro vezes o tamanho de Londres, no Reino Unido. Nay Pyi Taw foi construída em 2005 como um refúgio isolado para um governo militar paranóico, em um momento em que o país começou sua atribulada transição para a democracia.
A enorme capital tem estradas enormes, zoológico e campos de golfe, mas poucas pessoas.

O fone de ouvido que é capaz de traduzir 15 idiomas praticamente ao vivo

Com a globalização e opções cada vez mais baratas de transporte e acomodação, viajar para outro país se tornou mais acessível.
Enquanto muitos de nós adoraríamos nos tornar fluentes em outras línguas, pode ser difícil ou quase impossível aprender os idiomas de todos os países na nossa lista de destinos dos sonhos.
Por mais que o desafio de lidar com a barreira da língua faça parte do charme da viagem a lazer, eventualmente as barreiras de comunicação acabam se tornando um problema em determinadas situações.
 
Escritório da Waverly Labs

Comunicar-se com pessoas que não falam a nossa língua materna continua sendo um desafio para muitos de nós, muitas vezes não por causa de viagem. Você pode estar fechando um acordo de negócios, lidando com uma emergência ou com pressa de chegar a algum lugar. Não há dúvidas de que às vezes seria bom se todos falássemos a mesma língua.
Os avanços na tecnologia indicam que isso pode ser um problema do passado muito em breve. A companhia de produtos inovadores Waverly Labs, criada em 2014 por Andrew Ochoa, criou um fone de ouvidos tradutor de idiomas chamado Pilot e um aplicativo que o acompanha e garante seu funcionamento. Pelo invento, recebeu o prestigiado prêmio de tecnologia Beazley Designs of the Year em 2017.

Fones Pilot

"É um prêmio de grande importância para nossa equipe, um reconhecimento não só pela estética mas pela nossa engenharia", diz Ochoa.
Então como funciona o fone de ouvido Pilot? Ele usa uma variedade de algoritmos que anulam ruídos para ouvir as palavras de um usuário para outro.
"Essas palavras são enviadas à nuvem, onde é processada através de reconhecimento de fala, tradução robô e e síntese de fala antes de ser enviada de volta ao usuário e qualquer outro usuário de Pilot que estiver sincronizado na conversa", explica Ochoa. "Isso acontece com um pequeno atraso, geralmente milisegundos".
Há vários competidores par a par com Pilot, incluindo Clik, Skype e Google, que no último mês lançaram seus Pixel Buds com a habilidade de traduzir cerca de 40 idiomas em tempo real. Os fones de ouvido Pilot atualmente trabalham com 15 idiomas, mas podem receber upgrade para traduzir muito mais. Por seu pioneirismo e seu prêmio de prestígio, o Pilot pode estar um passo à frente.
Segundo Ochoa, é a união de aplicativo e fones que fazem o sistema Pilot tão único.
Acabar com a necessidade de aprender outra língua é algo controverso. Segundo a psicóloga Judith Kroll, aprender uma língua nova traz uma série de benefícios, desde melhoria na memória e flexibilidade mental até maior criatividade cognitiva e habilidades de priorização.
"Nós podemos nos referir à maioria dessas vantagens comunicativas como multi-tasking", diz Kroll. "Os bilíngues parecem se sair melhor nesse tipo de atividade".
Ellen Bialystok, uma psicóloga da Universidade de York em Toronto, lembra que a doença de Alzheimer é diagnosticada mais tarde em bilíngues do que em pessoas que falam apenas uma língua, o que indica que aprender um novo idioma pode ajudar o cérebro a "aguentar a doença por mais tempo".
É claro que em um mundo ideal nós todos falaríamos várias línguas, mas nem todos têm tempo, dinheiro e capacidade de aprender uma língua com tamanha fluência que não precise da ajuda de um dicionário ou da tecnologia.
 
fluência que não precise da ajuda de um dicionário ou da tecnologia.

Fones Pilot

Este ano, o projeto Pilot lançou uma campanha de financiamento que permite às pessoas que quiserem ser as primeiras a testar a tecnologia o façam com desconto ao encomendar o produto - que se mostrou muito popular.
A empresa viu uma reação muito positiva e ampla dos usuários e Ochoa diz que a Waverly Labs "recebe histórias inspiradoras todos os dias dos nossos clientes, desde professores de escola que precisam falar com pais até viajantes que querem usar o Pilot no exterior e até familiares com cunhados que falam outra língua". "O Pilot pode resolver tanto problemas pessoais quanto profissionais".
BBC Brasil

AquaRio inspira o maior painel de street art do mundo

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O Aquário Marinho do Rio será fonte de inspiração para o que já é considerado o “maior complexo de graffiti do mundo”. Até o dia 11, o artista paulistano Felipe Yung — o Flip — e o produtor de street art Pagu estarão no AquaRio, a fim de começar a pesquisa e os primeiros rascunhos da obra Aquário Urbano. Trata-se de um painel feito com 14 empenas de larga escala e seis fachadas menores, que será criado na cidade de São Paulo, e está destinado a três recordes no Guinness Book: Maior Graffiti Mural do Mundo, Maior Obra em Freestyle e Maior Instalação de Realidade Virtual.
Com previsão de lançamento para dezembro de 2018, o processo de criação da arte urbana poderá ser acompanhado de perto pelos visitantes que estiverem no oceanário. Ao fim do passeio pelo circuito, as pessoas terão a oportunidade de descer pela rampa para apreciar o traço de Flip, que também esteve em aquários no Japão, Estados Unidos e Portugal. O motivo da escolha do AquaRio não foi por acaso: considerado um marco da retomada do turismo na cidade, a atração — que acaba de completar um ano de funcionamento — tem números grandiosos: mais de 1,4 milhão de pessoas já passaram pelo local e viram de perto os 28 recintos com mais de 4,8 mil animais da fauna marinha, dentre eles 47 tubarões de nove espécies diferentes.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Exame atesta idade de fragmento de osso que seria do 'Papai Noel"

O fragmento de um osso que acredita-se ser de São Nicolau, o santo que é inspiração para o Papai Noel, foi examinado em um teste de carbono feito pela Universidade de Oxford, no Reino Unido.
 
Osso de São Nicolau
Segundo a avaliação, a relíquia data do período em que o santo viveu - acredita-se que ele tenha morrido em 343 d.C.
A instituição afirma que esses foram os primeiros testos feitos com os ossos.
Relíquias de São Nicolau, que morreu na região que hoje é a Turquia, são mantidas na cripta de uma igreja em Bari, na Itália, a partir do século 11.
Por causa da popularidade do santo, outros fragmentos de ossos surgiram em outras localidades - mas suspeita-se da autenticidade desses materiais.
Acredita-se que Nicolau tenha nascido no ano de 270, na então cidade grega de Patara, e viajado para Palestina e Egito antes de voltar e se transformar no bispo de Mira, hoje Demre, na Turquia.
Originário de uma família rica, foi aprisionado durante o reinado do imperador romano Diocleciano, só sendo libertado no reinado do sucessor, Constantino
Como bispo, ele foi uma figura adorada pelos fiéis e conhecido por suas boas ações.
Nicolau foi imortalizado por várias lendas passadas de geração para geração - uma delas narra a entrega de bolsas de ouro para famílias necessitadas por meio de uma chaminé.

Espalhados pelo mundo

O teste de Oxford analisou um fragmento de pélvis que ficou em uma igreja da França e que atualmente é abrigado pelo padre Dennis O'Neill, do Estado do Illinois, nos Estados Unidos.

Homem usa roupa de São Nicolau

O teste de radiocarbono confirmou que o osso data do mesmo período de São Nicolau.
Segundo o professor Tom Higham, de Oxford, o osso analisado é diferente daqueles que geralmente descobre-se mais tarde serem invenções.
"Esse fragmento de osso, ao contrário, indica que nós provavelmente estejamos olhando para os restos de São Nicolau", diz o arqueólogo.
Existem milhares de outros ossos apontados como sendo de São Nicolau, incluindo uma coleção armazenada em uma igreja em Veneza.
Agora os pesquisadores querem usar o teste de DNA para ver quantos ossos realmente são de uma mesma pessoa - e como podem estar conectados ao fragmentado analisado em Oxford.
Eles querem verificar se o osso de parte da pélvis avaliado corresponde àqueles guardados em Bari, cuja coleção não inclui a ossada dessa região do corpo.
Os especialistas não podem, no entanto, assegurar que o osso pertença mesmo a São Nicolau.
"A ciência não é capaz de provar definitivamente que seja (dele), mas pode provar que não é", diz Higham.
BBC Brasil

A ressaca é mais forte quando se mistura diferentes tipos de bebidas?

Há vários mitos sobre a melhor forma de beber álcool para evitar, ou ao menos minimizar, uma ressaca.
Quão confiáveis são essas crenças populares? Há evidências de que misturar vinho e cerveja piora a ressaca no dia seguinte? É verdade que não podemos misturar? Infelizmente, as evidências científicas não dão suporte para esse tipo de estratégia.
A BBC fez uma revisão de pesquisas recentes e é possível afirmar que as causas dos principais sintomas de ressaca são desidratação, mudanças nos níveis de hormônios como aldosterona e cortisol e os efeitos tóxicos do próprio álcool. Além disso, há evidências de que o sistema imune é afetado e isso poderia ser a causa da dor de cabeça, da náusea e da fatiga.
Como regra geral, quanto mais álcool você beber, pior será sua ressaca no dia seguinte. A não ser, é claro, que você seja uma das pessoas sortudas que não sofrem de ressaca, o que existe comprovadamente de acordo com alguns estudos recentes, ainda que não se saiba o motivo para isso.
Há dois principais "ingredientes" para uma ressaca severa: beber muito álcool e beber muito rápido. A mesma quantidade de álcool, porém, nem sempre resulta na mesma severidade da ressaca.
Sabe-se que misturar bebidas ou tomar coquetéis pode levá-lo a consumir mais álcool - e isso pode piorar a sua ressaca. Além disso, alguns drinks parecem ter um efeito posterior pior do que outros.
Além da intoxicação causada pelo álcool, há outros componentes que afetam o nível da ressaca - os chamados congêneres. Congêneres são substâncias não-alcóolicas produzidas durante a fermentação, como acetona, acetaldeído e taninos, que mudam as cores das bebidas e lhes dão sabores distintos.
Drinks claros, como vodca, tem menos congêneres do que os mais escuros, como o uísque. Na verdade, um uísque bourbon tem 37 vezes mais congêneres do que a vodca, o que torna a ressaca de uísque pior.
Portanto, misturar bebidas claras e escuras pode fazer você se sentir mais enjoado do que se tivesse bebido apenas líquidos claros. Ainda assim, ambos os drinks diminuem sua cognição igualmente no dia seguinte depois de bebê-los.

Vinho e cerveja

Para descobrir o efeito dessas substâncias na ressaca, pesquisadores americanos recrutaram estudantes universitários que bebiam com frequência mas não tinham problemas de alcoolismo.
Em algumas noites, eles beberam bourbon e coca-cola, em outras vodca com coca-cola e em outras um placebo que nada mais era que uma mistura do refrigerante com água tônica e algumas gotas de bourbon ou vodca para torná-lo parecido com o drink real.
Os participantes tomaram entre três e seis drinks, o suficiente para ter uma concentração de 0,11g de álcool para cada 100 ml. Essa concentração é de duas a cinco vezes mais alto do que o limite do bafômetro para ter permissão de dirigir, dependendo de em que país você estiver.
Os estudantes passaram a noite em uma clínica e foram acordados às 7h da manhã para tomar um café da manhã e encarar uma nova bateria de testes. Eles receberam U$450 (R$1450) pelo experimento.
Os pesquisadores concluíram que os estudantes que beberam bourbon classificaram a ressaca como pior do que os outros grupos, mas tiveram performance tão boa quanto os outros nos testes de tempo de reação.
Ainda não há uma pesquisa específica sobre a mistura de cerveja e vinho e o efeito disso na ressaca, mas talvez o problema não seja da uva ou do grão em si, mas da força desses drinks na nossa capacidade de julgamento.
A cerveja tem entre a metade e um terço da força do vinho, então começar com ela e depois bever vinho pode ser menos intoxicante do que o contrário. Se você começar bebendo vinho e depois pular para a cerveja, porém, seu julgamento pode já estar prejudicado o suficiente para você não perceber quão bêbado está.
Ou seja, as evidências científicas apontam que a culpa da ressaca não é da mistura em si, mas sim de beber demais ou de uma quantidade mais alta de congêneres na sua bebida.
BBC Brasil

Imagens da Nasa mostram a dimensão dos incêndios que já ameaçam a Los Angeles, na Califórnia

Moradores do bairro de Bel-Air, em Los Angeles, estão sob ameaça de seren atingidos pelas chamas de um dos incêndios que devastam o Estado da Califórnia, na costa oeste dos Estados Unidos.
O incêndio Skirball já se espalhou por mais de 150 hectares e destruiu várias casas e mansões desta que é uma das áreas mais nobres da cidade americana.
Este é o mais recente de uma série de focos que surgiram nesta região do país nos últimos dias, deixando um rastro de devastação.
O maior deles, o incêndio Thomas, já afetou mais de 90 mil hectares e chegou à costa do Pacífico, como mostram imagens de satélite da Nasa, nas quais é possível ver a grande área queimada.
As fotos feitas a partir do espaço mostram os vários focos ativos de incêndio nesta parte da Califórnia.

Imagem de satélite de incêndio na Califórnia

De acordo com o Corpo de Bombeiros da Califórnia, até quarta-feira, 12 mil casas e edifícios estavam sob a ameaça do Thomas e 150 já haviam sido destruídos. Apenas 5% da área em chamas estava sob controle.
Ventos fortes ajudaram a espalhar as chamas e fizeram a fumaça avançar muitos quilômetros oceano adentro. A previsão é que a situação persista até pelo menos sexta-feira, com a possibilidade de rajadas de até 130 km/h.
"Não há como combater os incêndios com esse vento", disse Ken Pimlott, chefe do Corpo de Bombeiros do Estado.

Bombeiros resgatam quadro de casa em Bel Air

Ordens de evacuação foram emitidas em várias áreas do Estado. Está em vigor o alerta roxo, o nível mais elevado na história da Califórnia, em meio ao que autoridades locais estão chamando de um "clima extramente crítico para fogo".
Em Bel Air, na quarta-feira, bombeiros foram vistos resgatando obras de arte de casas luxuosas enquanto tentavam conter o avanço do fogo. Moram no bairro celebridades e empresários como a cantora Beyoncé e o fundador da Tesla, Elon Musk.
O cantor Lionel Richie cancelou um show em Las Vegas que ocorreria na noite de ontem afirmando que estava "ajudando sua família a se abrigar em um local mais seguro".

Incêndio consome edificação em Los Angeles

Uma grande propriedade e vinhedo do bilionário Rupert Murdoch também corria risco e já sofreu danos. O jornal Los Angeles Times disse que Murdoch pagou US$ 28,2 milhões (R$ 94,5 milhões) pelo local há quatro anos – um valor 12 vezes acima da média em Bel Air.
O Museu Getty também estava sob a ameaça do fogo e permaneceria fechado nesta quinta-feira. A instituição disse não ter retirado as obras dali, mas que um sistema de filtragem do ar estava protegendo sua coleção, que inclui quadros de Leonardo da Vinci, Van Gogh e Turner, de possíveis danos causados pela fumaça.

Fumaça do incêndio em Bel Air, Los Angeles

A Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) cancelou hoje suas aulas, apesar do seu campus estar fora da área de evacuação na zona oeste da cidade, uma decisão que tomou com base no "quadro de incertezas". Muitas escolas estão fechadas.
O incêndio Creek, no norte de Los Angeles, também teve até agora somente 5% de sua área controlada. Ele cobre atualmente 12,6 mil hectares. Mas destruiu apenas quatro construções nesta que é uma região menos densamente povoada.

Helicóptero despeja água sobre incêndio

Em todo o Estado, mais de 200 mil pessoas já tiveram de deixar suas casas. Uma moradora de Los Angeles, Patricia Moore, de 84 anos, se preparava para o caso de ter de fugir quando disse à agência de notícias AFP: "Ontem, estava mais ao norte, mas, nesta manhã, acordamos e estava ao leste de nós."
"Ouvimos os bombeiros antes de seis da manhã e dissemos: 'Talvez esteja na hora de começar a colocar nossas coisas no carro'."
BBC Brasil

A obra prima de Oscar Niemeyer abandonada e usada para execuções em guerra no Líbano

Na cidade de Trípoli, no Líbano, um conjunto de prédios de concreto está há anos abandonado. Não são edifícios comuns, mas sim verdadeiras obras de arte da arquitetura, assinadas por Oscar Niemeyer.
 
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O arquiteto brasileiro que projetou os edifícios de Brasília foi escolhido na década de 1960 para desenhar o centro comercial internacional de Trípoli. Na época, o Líbano vivia seu auge econômico e era considerado a capital financeira do Oriente Médio.
A construção começou em 1967 e só foi concluída quase dez anos depois, em 1974. Mas a obra-prima de Niemeyer nunca chegou a cumprir sua função.
A Guerra Civil do Líbano interrompeu o boom econômico. O conjunto de prédios projetado pelo arquiteto brasileiro chegou a ser alvo de ataques e ocupado por milícias.
"Todos esses prédios que estavam prontos para funcionar nunca foram usados. Há histórias até de execução de pessoas nesse prédio (durante a guerra civil). Dá para ver balas nas paredes", conta o arquiteto libanês Wassim Naghi.
As belas curvas de concreto resistiram às agressões da guerra, mas foram abandonadas após o fim do conflito.
Em vez de congressos e feiras de comércio e tecnologia, o que impera dentro da cúpula redonda projetada por Nieyemer é o silêncio.
"É como um oásis, um oásis de concreto. Eu posso enxergar a obra como um útero com um bebê dentro, um bebê que nunca chegou a nascer", diz Wassim Naghi.
"Trípoli teve sorte de receber esse projeto no coração da cidade. Mas o projeto teve o azar de estar em Trípoli."
BBC Brasil

O que está por trás da polêmica decisão do presidente americano sobre Jeruzalém

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
 
Donald Trump prometeu em campanha e cumpriu: Jerusalém foi reconhecida pelos Estados Unidos como a capital de Israel. A decisão, anunciada nesta quarta-feira, provocou reações críticas de líderes políticos e religiosos de todo o mundo - do Papa Francisco ao governo chinês.
O temor generalizado é que a medida dificulte - e até inviabilize - os históricos esforços de negociação de paz entre Israel e Palestina. Mas especialistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que Trump não levou em conta esse conturbado cenário regional ao tomar a decisão.
O que estaria em jogo seriam assuntos domésticos dos próprios EUA. Especialmente a tentativa do presidente americano de agradar suas bases eleitorais. A mais importante delas é a dos evangélicos conservadores, que advogava pelo reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel.
"Trump foi movido por uma pressão da direita evangélica republicana. Não tem nada a ver com aproximar Israel e Palestina de um acordo. Pelo contrário, essa decisão só os separa ainda mais", afirma J.J. Goldberg, editor da Forward, revista americana voltada para a comunidade judaica.

Evangélicos

O papel dos evangélicos na política internacional americana a respeito de Israel é cada vez maior, explica Kenneth Wald, professor de ciência política da Universidade da Flórida. O grupo teria começado a ter relevância política nos anos 1980, e hoje já representaria uma das maiores e mais leais bases do Partido Republicano.
"Qualquer presidente quer manter sua base contente. Mas precisa estar atento às consequências. Por isso, os antecessores de Trump, inclusive os que eram comprometidos com Israel, viram essa medida como imprudente", continua Wald.
A influência dos evangélicos na decisão de Trump teria sido maior até que a dos judeus americanos. Primeiro, porque Trump não tem uma boa interlocução com a comunidade judaica nos Estados Unidos. Segundo, porque os judeus representam um grupo muito menor na sociedade americana que os evangélicos.
E terceiro, porque apenas os judeus ortodoxos estariam interessados na solução adotada por Trump. Os judeus mais ao centro e à esquerda prefeririam uma solução negociada. "A decisão de Trump também não tem a ver com a comunidade judaica, que é majoritariamente liberal", diz Goldberg.
 
Bandeiras dos Estados Unidos e de Israel hasteadas

'Política por impulso?'

Já Michael Barnett, professor de assuntos internacionais da Universidade George Washington, discorda que os evangélicos tenham sido tão relevantes na decisão de Trump. Para ele, é difícil encontrar uma explicação razoável.
"Não faz sentido fazer isso. Parece ser uma política dirigida por impulso. Trump decide ignorar as recomendações e fazer o que tem na cabeça. Não há uma estratégia internacional."
Contribui para essa visão o fato de que o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, e a futura transferência da embaixada dos EUA, foram apresentados como medidas isoladas. Parecem não fazer parte de uma estratégia política mais ampla.
Se por um lado o anúncio do presidente foi uma surpresa para o mundo, por outro não destoa de outras das suas polêmicas posturas internacionais, como a saída dos EUA do Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas, o rompimento da Parceria Transpacífico e até as ameaças públicas a Kim Jong-un, da Coreia do Norte.
"Trump mostra nenhum interesse em considerar qualquer tipo de opinião mundial", avalia Goldberg.
A decisão de Trump vai na mesma direção de uma medida aprovada em 1995 pelo Congresso dos Estados Unidos, prevendo a transferência da Embaixada americana em Israel para Jerusalém. No entanto, isso nunca havia sido posto em prática, porque era necessária aprovação da Presidência dos Estados Unidos. Desde então, em todos os semestres, o ato do Congresso foi encaminhado aos presidentes americanos, mas a praxe sempre foi renunciar a mudança. Apesar de parecer contraditório, foi o que o próprio Trump fez - o replubicano também assinou a renúncia, para que haja tempo de iniciar a transferência da embaixada.

Jerusalém

Por que evangélicos querem Jerusalém como capital de Israel?

Nos Estados Unidos, as razões para o apoio dos evangélicos ao reconhecimento de Jerusalém como capital são principalmente religiosas. "
Há muita diversidade no mundo evangélico, mas há uma ideia comum de que o destino de Israel é importante para o futuro religioso dos evangélicos", afirma Wald.
Alguns acreditam que, por razões bíblicas, Israel é o lugar destinado a agregar os judeus. Outros creem que o messias pode retornar para Jerusalém, vista como a Terra Sagrada e, para isso, é importante que ela esteja nas mãos de Israel, e não dos muçulmanos.
Assim, há uma espécie de ponte entre a história de Israel bíblico e a do Estado moderno de Israel.
Mas nem todos os evangélicos americanos compartilham dessa visão.
"Muitos evangélicos, como eu, não gostam do romance recente entre a igreja e a política republicana, e se preocupam com a mudança da embaixada americana. Para nós, a construção da paz e a busca de Justiça são grandes virtudes", escreveu o professor de estudos bíblicos Gary M. Burge, em artigo para a revista The Atlantic.

Palestino encara soldados israelenses

Quais as consequências para israelenses e palestinos?

O representante dos palestinos no Reino Unido, Manuel Hassassian, disse à BBC que a medida será o "beijo da morte" nas negociações de paz baseadas no reconhecimento de dois Estados.
"Ele está declarando guerra no Oriente Médio contra 1,5 bilhão de muçulmanos e centenas de milhões de cristãos que não irão aceitar que os santuários sagrados estejam totalmente sob a hegemonia de Israel", disse Hassassian.
Acadêmicos também estão em alerta. "Os riscos são inacreditáveis. Quem pensava que poderia haver uma solução negociada entre Israel e Palestina, que levasse à coexistência de dois Estados, não pensa mais nisso. O que sobra para os palestinos? Não sobra muito. Vão sentir que os EUA já determinaram o futuro de Jerusalém", diz Barnett, da Universidade George Washington.
"Por isso, pode ser um ponto de inflexão na política palestina. Pode espalhar-se uma Terceira Intifada (insurreição de palestinos contra Israel). Além disso, uma medida como essa deixa os oponentes dos Estados Unidos mais dispostos a enfrentar riscos. Essa é a ferramenta de recrutamento (de militantes) que al-Qaeda, o autodenominado Estado Islâmico e Hezbollah adorariam usar", completa Barnett.
Há ainda quem tenha uma visão mais moderada e acredite que a medida de Trump possa facilitar as negociações entre Israel e os líderes palestinos. É o caso de Jonathan Sarna, professor de história judaica americana na Universidade de Brandeis, Massachusetts.
"Muitas pessoas no mundo muçulmano acreditavam que o tempo estava ao lado deles. Por isso, não queriam sentar à mesa de negociação. Mas agora a situação se inverte. É a hora de negociarem com Israel", afirma.
Sarna não acredita no surgimento de um conflito, porque, na sua visão, Israel tem forças "capazes de conter a violência árabe".
BBC Brasil

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Um ciclo de transformações profundas na Arábia Saudita acaba de começar

O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman  (Foto: Chip Somodevilla/Getty Images)
 
O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman quer centralizar o poder para reformar o reino saudita. É um jogo arriscado, mas que, se der certo, poderá mudar todo o mapa geopolítico do Oriente Médio.
 A Primavera Árabe terminou, mas uma onda de mudanças revolucionárias no Oriente Médio continua moldando o mapa geopolítico da região. Na Arábia Saudita, a nova liderança do príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, provocou inquietação em toda a região em 4 de novembro, depois que ele liderou, com muito alarde, um expurgo inédito de 11 príncipes da família real. Esse movimento é um prelúdio de uma tentativa do príncipe herdeiro de consolidar o poder.  Carrega alguns riscos em curto prazo para a estabilidade política,  mas faz parte de uma história muito maior: que pretende introduzir mudanças estruturais nos sistemas político e econômico do reino saudita. A onda de reformas irá transformar.
 para sempre o país e a relação entre o Estado e seus cidadãos, com implicações não apenas para os mercados energéticos mundiais, mas também para o modo como as empresas, inclusive as brasileiras, operam na região.
O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman é agora o mais poderoso tomador de decisões no país. Isso é fácil de entender. Mais difícil é compreender quais são as razões que movem suas ações. Apoiado pelo rei Salman, seu pai, o jovem príncipe está comprometido com reformas econômicas e sociais que visam a tornar seu reino mais viável. Essas reformas são impulsionadas pelo reconhecimento de que o declínio estrutural no preço do petróleo e a importância dos hidrocarbonetos em longo prazo tornaram a dependência da Arábia Saudita de suas receitas de petróleo cada vez mais tóxica. O governo saudita já vem liquidando seus ativos soberanos e pedindo empréstimos nos mercados local e internacionais para superar seu déficit fiscal. No entanto, Mohamed bin Salman sabe que essa solução é apenas de curto prazo.
Por isso, adotou dois programas, batizados de Visão 2030 e de Plano de Transformação Nacional 2020, com projetos para acabar com a dependência saudita em relação ao petróleo e abraçar a diversificação. A jornada será longa, pois envolverá o fim do estado de bem-estar social. Mais importante, a liderança também está adotando reformas sociais para convencer a jovem população de que a modernização terminará por trazer benefícios concretos ao modo de vida saudita.
A decisão da liderança saudita de decretar as ordens de prisão de vários empresários e membros influentes da família Al Saud faz parte dessa iniciativa. A campanha anticorrupção lançada pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman  tem um componente político essencial. O chefe da Guarda Nacional, rival do príncipe herdeiro, foi destituído. Isso deixará todas os serviços de segurança (Forças Armadas, Ministério do Interior e Guarda Nacional) sob o controle do príncipe herdeiro. Opositores de sua ascensão e de seu esforço para se tornar o rei da Arábia Saudita terão em breve poder limitado para sabotar seus planos. O governo reforçará os mecanismos de repressão para controlar a população e sufocar a dissidência.
O expurgo feito pela campanha anticorrupção tem o objetivo, portanto, de centralizar todas as decisões no país. Essa é uma mudança significativa na maneira como a Arábia Saudita vem sendo governada por gerações. Não será mais um Estado governado por um consenso familiar – o modo tradicional de a realeza coordenar todas as principais decisões chegará ao fim. Em muitos aspectos, Mohammed bin Salman copiou o manual russo e chinês. O presidente da China, Xi Jinping está usando uma campanha anticorrupção para centralizar o poder e reformar o país. Ao longo da última década, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, também aumentou sua força eliminando rivais e centralizando o poder em seu gabinete.

Cenário e Aposta - Arábia Saudita (Foto: Época)
Há nitidamente alguns riscos em curto prazo para os mercados globais de energia decorrentes desse processso. Essa centralização de poder é inerentemente desestabilizadora, pois altera as bases do Estado formado pelo rei Abdulaziz al Saud. Membros da família Al Saud que se opõem a Mohammed bin Salman estão provavelmente pensando que, se pretendem se organizar, devem fazê-lo rapidamente, antes de serem presos ou de o príncipe herdeiro assumir o controle total. Tensões familiares já surgiram, com membros da casa real tentando convencer o rei a moderar os impulsos de seu filho. Uma aliança entre clérigos conservadores  e membros da família dirigente para semear agitação e prejudicar o príncipe herdeiro não pode ser descartada. Além disso, uma política externa linha-dura também está aumentando os riscos de um conflito direto entre o Irã e a Arábia Saudita, que poderia criar caos no Oriente Médio. Ou aumentar o preço do petróleo internacionalmente.
Apesar dos riscos envolvidos, o príncipe herdeiro está perseverando em seus planos. Mais importante, ele provavelmente será bem-sucedido. Ele é um jovem líder ambicioso e interessado em recriar o sistema político saudita. Ele enxerga legitimamente a antiga estrutura de divisão de poder como paralisante. Por décadas, o reino saudita fracassou em introduzir reformas, principalmente porque qualquer mudança exige um acordo entre os diferentes centros de poder. A Arábia Saudita não conseguiu adotar nenhuma reforma significativa para melhorar sua economia e a legitimidade do sistema político.
O aspecto mais popular da campanha anticorrupção é o esforço para acabar com a imunidade de membros da família real e das elites empresariais ligadas a ela. O ressentimento popular com a corrupção da família Al Saud  ao longo dos anos é imenso. A maioria dos cidadãos sauditas desencantou-se com seu governo e com os privilégios concedidos aos membros da família real. Pela primeira vez na história da Arábia Saudita, o Estado está responsabilizando integrantes da realeza. O impulso anticorrupção deverá certamente reforçar a popularidade do príncipe herdeiro.
A longo prazo, tal esforço será uma boa notícia para os investidores estrangeiros, inclusive para as empresas brasileiras. As regras de como operar na Arábia Saudita, e as decisões sobre com quem se associar – ou mesmo se associar a uma companhia local –, vão mudar de maneira significativa. A família Al Saud usava integrantes da comunidade empresarial para obter contratos e monopolizar o controle da economia saudita. Investidores estrangeiros na Arábia Saudita precisavam de um parceiro local, mas em muitos casos essas parcerias representavam simples extorsões. Com a campanha anticorrupção a longo prazo, a Arábia Saudita poderá estabelecer uma estrutura reguladora que dará mais transparência aos negócios e será mais propícia aos interesses dos investidores estrangeiros Uma onda de prisões vai representar um desafio para muitos negócios no reino – encontrar um parceiro saudita adequado ficará difícil. O risco de reputação envolvido em tais parcerias aumentou bastante. No entanto, a longo prazo, a Arábia Saudita poderá estabelecer uma estrutura reguladora que dará mais transparência aos negócios e será mais propícia aos interesses dos investidores estrangeiros.
É preciso fazer nesse ponto algumas ressalvas. Em primeiro lugar, as reformas que Mohammed bin Salman está tentando fazer levarão anos para ser implementadas. Até lá, a tarefa de escolher um parceiro para fazer investimentos na Arábia Saudita ficará inerentemente mais difícil. A onda de prisões vai representar, portanto, um desafio para muitos negócios no reino. Em segundo lugar, a transição para uma estrutura de tomada de decisão política altamente centralizada também implica mais riscos. O antigo sistema político orientado para o consenso era mais corrupto e esclerótico. Impedia reformas modernizadoras. Mas era previsível e estável. Com as decisões centralizadas em um grupo bem menor, as regras do jogo podem mudar mais rapidamente e se tornar um pouco imprevisíveis.
Para o Brasil, isso apenas reforça um cenário geopolítico global mais arriscado exatamente quando a economia começa a dar sinais de uma virada. Há uma retomada do crescimento econômico não apenas no Brasil, mas também na Europa, nos Estados Unidos e em muitos mercados emergentes. O problema é que isso está acontecendo em um contexto de realinhamento geopolítico global significativo – depois da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. As mudanças na Arábia Saudita são um reflexo desse realinhamento geopolítico, que aumenta os riscos operacionais das empresas que operam no Oriente Médio assim como os riscos da economia mundial.

sábado, 2 de dezembro de 2017

A Superlua é neste domingo, 3 de dezembro

2018 deve começar a todo vapor, serão duas "edições" do fenômeno somente em janeiro
 
O mundo poderá acompanhar neste domingo, 3 de dezembro, a primeira e última Superlua de 2017.
O fenômeno ocorre quando a Lua atinge seu ponto de maior proximidade em relação à Terra, o perigeu, algo que já aconteceu quatro vezes neste ano, mas na fase nova, ou seja, quando não é possível enxergar o satélite natural.
No entanto, o domingo será de Lua cheia, e o astro deve aparecer cerca de 7% maior do que o normal no céu noturno. Pouco antes da meia-noite de 4 de dezembro, o satélite chegará a aproximadamente 357 mil quilômetros da Terra.
"Superlua não é um termo científico, mas é eficaz para descrever o fenômeno, que diz respeito tanto à Lua cheia quanto à nova", diz o astrofísico italiano Gianluca Masi.
Se 2017 foi escasso em termos de Superluas, 2018 deve começar a todo vapor, já que serão duas "edições" do fenômeno somente em janeiro, nos dias 2 e 31. Esta última ainda terá um acréscimo: um eclipse lunar total, mas que só será visível na Austrália.

Cientistas descobrem 2 buracos negros supermassivos condenados a colidir

Resultado de imagem para imagens dois buracos negros que vão colidir
 
Os astrónomos que observam a principal galáxia espiral mais próxima da Via Láctea tiraram uma incrível foto do espaço mostrando dois buracos negros supermassivos localizados praticamente lado a lado, informa o jornal Journal Astrophysical.
Ao estudar os dados sobre as estrelas, obtidos pelo Observatório de raios-X da Chandra da NASA e pela Fábrica Transitória Intermediária Palomar de Califórnia, pesquisadores da Universidade de Washington revelaram uma anomalia óptica. Na sequência, dois objetos que anteriormente eram considerados duas estrelas que orbitam a galáxia Andrómeda, também conhecida como M31, foram reclassificados como buracos negros.
Denominados como J0045 + 41, esses buracos negros provavelmente estão mais próximos um do outro do que fora documentado quanto a este tipo de fenômeno cósmico. Segundo os cientistas, estes objetos estão distanciados da Terra 2,6 milhões de anos.
"Esta é a primeira vez que são encontradas evidências tão sólidas de dois buracos negros gigantes que orbitam uma galáxia", assinalou Emily Levesque, da Universidade de Wajshington.
Os astrônomos estavam observando estrelas quando encontraram por acaso os dois buracos negros. "Estávamos procurando um tipo especial de estrela na M31 e pensávamos ter encontrado uma delas. Ficamos surpreendidos e emocionados ao encontrar algo muito mais estranho", afirmou Trevor Dorn Wallenstein que liderou o estudo.
A equipe de cientistas estima que os dois buracos negros supermassivos possam "colidir" ou "unir-se". Contudo, este processo pode demorar entre 350 e 360 mil anos.