Blog da Vera Pessota
terça-feira, 18 de junho de 2013
Maior barco solar do mundo estuda efeito das mudanças climáticas no oceano
O maior barco movido a energia solar do mundo chegou a Nova York nesta segunda-feira, como parte de uma expedição científica para estudar o efeito das mudanças climáticas no planeta. O Turanor PlanetSolar é uma embarcação suíça de 35 metros de comprimento dotado de uma imensa cobertura de painéis fotovoltaicos, que, quando abertos, fazem o barco chegar a 23 metros de largura.
Em maio de 2012, ele se tornou o primeiro veículo movido a energia solar a dar a volta ao mundo, após uma grande viagem de 584 dias e mais de 60.000 quilômetros percorridos. Agora, ele inicia uma nova etapa de sua missão, na qual irá estudar os efeitos do aquecimento global sobre a Corrente do Golfo, corrente marinha localizada no norte do Oceano Atlântico. "Em vez de se tornar um museu em algum porto, o barco agora desfruta desta segunda vida", diz Gerard d'Aboville, capitão da embarcação.
O PlanetSolar zarpou do porto de La Ciotat, no sudeste de França, há pouco mais de dois meses, e alcançou Miami, no sudeste dos Estados Unidos, no início de junho. A expedição deve continuar até agosto, com escalas em Boston, no nordeste dos Estados Unidos, em San Juan de Terranova, no Canadá, em Reykjavik, capital da Islândia, e, finalmente, Bergen, na Noruega. "Nosso objetivo é entender as complexas interações entre física, biologia e clima para ajudar os cientistas a aperfeiçoarem as simulações climáticas, especialmente no que diz respeito às trocas de energia entre o oceano e a atmosfera", afirma Martin Beniston, pesquisador da Universidade de Genebra, na Suíça, e chefe da missão.
Proeza tecnológica — A Corrente do Golfo tem origem no Golfo do México e desloca uma grande massa de água quente da região para o norte do Atlântico, assegurando à região oeste da Europa um clima mais quente do que o esperado para sua grande latitude. Além disso, ela impede uma excessiva aridez nas zonas tropicais americanas por onde passa, como o México e as Antilhas.
Proeza tecnológica — A Corrente do Golfo tem origem no Golfo do México e desloca uma grande massa de água quente da região para o norte do Atlântico, assegurando à região oeste da Europa um clima mais quente do que o esperado para sua grande latitude. Além disso, ela impede uma excessiva aridez nas zonas tropicais americanas por onde passa, como o México e as Antilhas.
O objetivo da tripulação do barco é coletar informações sobre os efeitos das mudanças climáticas ao longo dos trechos atingidos pela Corrente do Golfo. "Vivo na Bretanha, no oeste da França, e estamos muito preocupados. Todos sabemos que se a Corrente do Golfo mudar, mesmo que seja só um pouquinho, nosso clima se deteriorará muito", afirma Gerard D'Aboville.
O Turanor PlanetSolar é considerado uma verdadeira proeza tecnológica, com sua cobertura de mais de 515 metros quadrados de painéis solares, peso de 90 toneladas e velocidade de até 26 quilômetros por hora. Durante toda sua operação, ele não requer gasolina e não emite gases de efeito estufa. "Como o barco é impulsionado por energia solar, não emite nenhuma substância contaminante que possa distorcer o material coletado na travessia de 8.000 quilômetros entre Miami e Bergen", diz Martin Beniston.
Atracado desde a segunda-feira em uma marina sobre o rio Hudson, no sul de Manhattan, o barco deve zarpar nesta sexta-feira com destino a Boston.
Pesquisadora bebe água com mais de 1,5 bilhão de anos
No mês passado, a revista Nature publicou um estudo descrevendo a descoberta de um depósito subterrâneo com a amostra mais antiga de água já encontrada no planeta. Ela estava isolada, sem interagir com a atmosfera, há pelo menos 1,5 bilhão de anos e foi encontrada em uma mina, a 2,4 quilômetros de profundidade, em Ontário, no Canadá.
No estudo, os autores descreveram a composição química da água. A análise mostrou que a amostra é rica em gases dissolvidos, como hidrogênio e metano, capazes de sustentar a vida microscópica não exposta ao sol por bilhões de anos — como no leito do oceano.
O que não se sabia, porém, era que um tipo menos usual de teste havia sido feito no decorrer do estudo: Barbara Sherwood Lollar, integrante do grupo de pesquisadores, contou ao jornal Los Angeles Times que experimentou a água. E achou o gosto terrível.
Barbara, que é professora de Ciências da Terra da Universidade de Toronto, no Canadá, disse que a água é muito mais salgada do que água do mar. "Nós estamos interessados nas águas mais salgadas porque são as mais antigas, e prová-las é o jeito mais prático de descobrir qual é a mais salgada", explicou a pesquisadora, que não teve uma experiência das mais agradáveis. "O gosto é terrível. Você com certeza não iria querer beber aquilo", completa.
A salinidade da água é importante porque decorre da interação com as rochas ao redor. Quanto mais tempo a água passa em contato com os minerais, mais salgada fica, e o acúmulo de certos isótopos pode servir para que os cientistas estimem sua idade.
Ainda segundo Barbara, a água de 1,5 bilhão de anos é viscosa (tem a consistência de um xarope) e não tem cor quando chega à superfície – mas fica alaranjada assim que entra e contato com o oxigênio, devido à reação de certos elementos químicos, especialmente o ferro.
Antes dessa descoberta, a mais antiga amostra de água conhecida havia sido encontrada em uma mina de ouro na África do Sul e tinha "apenas" dezenas de milhares de anos.
O estudo da água já mostrou que essa amostra de água descoberta no Canadá pode abrigar vida. O que ainda não se sabe é se existe, de fato, vida nela. Os pesquisadores vão procurar amostras de DNA, mas os resultados devem levar ainda um ano.
Cidade perdida por um milênio é redescoberta usando varredura laser
Esqueça espátulas e escovas minúsculas: agora a ferramenta essencial para a arqueologia é o laser. No mês passado, pesquisadores em uma floresta de Honduras usaram lasers para encontrar uma cidade dourada até então perdida.
Agora arqueólogos no Camboja, na Ásia, encontraram uma cidade esquecida que é ainda mais antiga. Bem-vindo a Mahendraparvata, uma metrópole que ficou escondida da humanidade por um milênio inteiro.
A cidade ficou escondida em um canto da selva cambojana, pontilhada por estranhos templos em ruínas acima do solo, mas não se sabia a extensão em que a cidade continuava por baixo dos arbustos e terra.
Então pesquisadores trouxeram uma tecnologia de escaneamento a laser, transportada por via aérea e conhecida como LIDAR. E, de repente, era como se as ruínas da cidade ganhassem vida de novo. Damian Evans, pesquisador arqueológico da Universidade de Sydney, descreve o momento da descoberta ao The Age:
"Com este instrumento – bang – de repente vimos a imagem imediata de uma cidade inteira que ninguém sabia que existia, o que é simplesmente notável."
Mas Mahendraparvata não é uma cidade perdida qualquer: ela é a mais antiga no Camboja, mais do que a “Angkor Wat” em algumas centenas de anos. Muito provavelmente, ela é o motivo pelo qual Angkor Wat pôde ser construída. E agora que os pesquisadores estão cientes da magnitude de Mahendraparvata e de seus recursos ocultos, eles podem começar a explorar e escavar.
O LIDAR já foi utilizado para coisas como caçar piratas e mapear a floresta amazônica no Peru. Ele consegue atravessar a folhagem e mostrar o que há no chão. Mas neste caso, em que ele descobriu as ruínas, isto é só o começo.
Até agora, o LIDAR só observou uma pequena área do que toda a cidade poderia ser, e as ruínas continuam para além do alcance do scanner. O plano é continuar explorando, com estratégias tradicionais e high-tech, para tentar descobrir o que mais está escondido. Quem sabe o que eles conseguirão desenterrar.
Por que é importante evitar do uso de energia no horário de pico?
Chegou em casa às 19h e foi direto para o banho? A TV da sala ficou ligada e
as luzes acesas? Saiba que você está usando uma energia
valiosa, que abastece o chamado “horário de pico” do consumo de energia
elétrica.
Esse período varia entre 18h e 21h, quando funcionam, ao
mesmo tempo, comércio, fábricas, iluminação pública, iluminação residencial,
vários eletrodomésticos e a maior parte dos chuveiros. O consumo,
portanto, aumenta muito.
Segundo o Programa Combate ao Desperdício de Energia
Elétrica (PROCEL), um quarto de toda energia elétrica do país é gasta em
residências. O chuveiro é um dos maiores responsáveis pela alta
do preço da conta no fim do mês. Não à toa, é o campeão de consumo nas casas
brasileiras e representa até 35% da conta no final do mês.
Onde está o problema?Para atender à crescente demanda do
horário de pico, seria necessário construir novas usinas e linhas de
transmissão. A construção de novas usinas hidrelétricas significa, claro,
custos sociais e ambientais muito elevados.
De acordo com matéria publicada na Folha online há pouco mais de um ano, o
Brasil enfrenta falta de hidrelétricas para garantir a oferta de energia no
horário de pico, principalmente no verão. Por isso, o país recorre às
termoelétricas, que produzem uma energia mais
poluente e apresentam um custo maior de operação (como explica
uma nota técnica da Aneel).
Por isso, fique atento e sempre que possível evite consumir muita
energia nos horários de pico.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Avião movido a luz do Sol atravessa território americano
Um avião movido inteiramente a energia solar aterrissou no Aeroporto Internacional Dulles, em Washington. Com este voo bem sucedido, a aeronave se aproxima do fim de uma travessia sobre o território americano, que começou em maio. Falta agora apenas mais uma última escala, marcada para o mês que vem, até Nova York.
Trata-se do primeiro avião solar a tentar a voar tanto durante o dia quanto à noite numa viagem deste tipo, a uma velocidade de cerca de 65 km/h. O avião partiu dia 3 de maio de São Francisco, na Califórnia, via Arizona, Texas, Missouri e Ohio antes de chegar a Dulles com paradas de vários dias em cidades ao longo do caminho.
De acordo com o site do projeto, a Solar Impulse, a aeronave com suas asas enormes e milhares de células fotovoltaicas "pousou graciosamente" às 14h15m (horário de Brasília) de domingo, depois de 14 horas e quatro minutos da escala entre Cincinnati, Ohio, e Dulles, numa viagem que durou cerca de 30 horas desde o Missouri.
O piloto Bertrand Piccard disse que seu colega, o suiço Andre Borschberg, deve fazer o último trecho de Washington para Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York, no início do mês que vem, segundo o site.
A aeronave, considerada a mais avançada do mundo movida a energia solar, é alimentada por cerca de 12 mil células fotovoltaicas que cobrem suas enormes asas para carregar suas baterias durante o dia. O monoposto Solar Impulse não pode passar por nuvens, pesa tanto quanto um carro, mas levou mais tempo do que um automóvel para completar a viagem de Ohio em direção à Costa Leste.
Em cada parada ao longo do caminho, o avião permaneceu vários dias em exposição, encantando os visitantes. Como criadores do avião, Piccard e Borschberg disseram ter esperança de que a viagem irá aguçar mais interesse em tecnologias limpas e energia renovável. Eles também anunciaram que o objetivo final do projeto é dar a volta ao mundo em um avião movido a luz do sol em 2015.
O projeto começou em 2003 com um orçamento de 90 milhões de euros (112 milhões dólares) e envolve engenheiros da fabricante suíça de escadas rolantes Schindler e da belga Solvay, de produtos químicos.
Astronautas são nomeados pela Nasa para uma missão em asteroide
A Agência espacial americana, Nasa anunciou nesta segunda-feira a nomeação de oito novos astronautas, a metade deles mulheres, um número recorde desde 2009.
Os astronautas integrarão a equipe que prepara terreno para missões da Nasa em um asteroide durante a década de 2020, e em Marte na década de 2030, informou o administrador da Nasa, Charles Bolden.
Os oito foram escolhidos em um total de 6.100 inscrições, a maior quantidade já recebida pela Nasa.
Entre as novas astronautas, estão Nicole Aunapu Mann, de 35 anos, major da Marinha e piloto de F/A 18, e Anne McClain, de 34 anos, major do Exército e piloto de helicóptero OH-58.
As outras duas são Jessica Meir, de 35 anos e professora assistente de anestesia na Escola de Medicina de Harvard, e Christina Hammock, de 34 anos, chefe da estação da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) na Samoa Americana, um território incorporado aos Estados Unidos no Pacífico Sul.
Os astronautas são Josh Cassada, de 39 anos, ex-aviador naval, Victor Glover, de 37 anos, tenente da Mariha e piloto de F/A 18, Tyler Hague, de 37 anos, coronel da Força Aérea especializado em artefatos explosivos improvisados , e Andrew Morgan, de 37 anos, major do Exército e doutor em medicina de emergência.
A última turma nomeada em 2009 incluía três mulheres. A turma de astronautas nomeada em 1998 também estava integrado por quatro mulheres, mas o grupo era maior de 25 nomeados.
Exame.com
Fenômeno das rochas deslizantes pode ter sido desvendado pela Nasa
Na superífice obscura e rachada de um lago seco no Vale da Morte, na Califórnia
(Estados Unidos), pedras se movem sozinhas no deserto. Sobre a árida Racetrack
Playa, as rochas - algumas pesando mais de 300 quilos - deixam rastros sobre a
areia, marcando seus inexplicáveis movimentos. Algumas das trilhas têm quase 200
metros de comprimento. A força "mágica" por trás dessas "rochas deslizantes" tem
sido um mistério para cientistas há quase um século. Agora, um geólogo da Nasa,
a agência espacial americana, acredita ter finalmente encontrado a resposta.
O professor Ralph Lorenz, um cientista planetário, crê que essas
rochas ficam envoltas em gelo durante o inverno, então quando o leito do lago
derrete e se torna lamacento, o gelo permite às pedras "deslizar" sobre o barro
- fazendo com que sejam facilmente levadas pelos fortes ventos dos desertos. Em
uma entrevista concedida à revista Smithsonian, ele resumiu a
descoberta que publicou em 2009 da seguinte maneira:
"Basicamente, uma placa de gelo se forma em torno da rocha, e o
nível do líquido muda até que a pedra começa a flutuar na lama. É uma pequena
camada de gelo flutuando que tem uma espécie de quilha voltada para baixo e pode
cavar uma trilha no barro mole", afirmou Lorenz.
Até hoje, nenhum cientista conseguiu gravar uma rocha se movendo.
Acredita-se que ninguém tenha jamais visto uma delas deslizando. Apesar dessa
nova explicação para a movimentação das rochas deslizantes, muitos visitantes
do Vale da Morte continuam atribuindo propriedades mágicas às pedras
de Racetrack Playa. Alguns alegam que o fenômeno é causado por magnetismo, a
ação de alienígenas ou ainda campos de força misteriosos.
sábado, 15 de junho de 2013
Como o mundo inteiro é espionado
Você não passou a ser vigiado agora. Você tem sido o tempo todo no últimos anos. Quando, há uma semana, um ex-funcionário da CIA divulgou o projeto PRISM, pelo qual todas as grandes companhias de tecnologia entregam de bandeja dados de todo o tipo sobre seus usuários (nós) ao governo dos EUA, finalmente apareceu algum tipo de protesto. Reações de indignação e surpresa sobre “como pode agora um governo espionar seus próprios cidadãos?” Agora não. Vários governos, há muito tempo, coletam muito mais dados do que sugere o Prism. É o que estudiosos já chamam de “estado de vigilância total”.
A expressão pega uma carona num projeto da época do ex-presidente George W. Bush chamado “Total Information Awareness”. Ele foi criado — e desativado — em 2003, na esteira da “guerra ao terror”, para coletar todos os dados possíveis sobre todos os cidadãos dos Estados Unidos. Notícia da época, do Guardian: “uma central de servidores que guardará dados dos cidadãos sobre recibos de caixas eletrônicos, tíquetes de avião, remédios comprados, registros bancários, emails, visitas a sites (…)” Bom, dá pra entender por que o programa foi arquivado depois de meses de críticas. Só que muito da legislação paranoica da época “pós-11 de setembro” acabou sendo incorporada. Isso inclui a construção de um Data Center de US$ 1,5 bilhão no meio do deserto de Utah que interceptará e guardará toneladas de dados sigilosos de comunicações de todo o mundo. (Não é teoria da conspiração, o governo anunciou que o centro será inaugurado em outubro).
Parte do lado oculto dessa trama de espionagem em massa veio à tona nos últimos anos. Há duas semanas, vazamentos à imprensa mostraram que uma agência militar do governo dos EUA, a NSA (a mesma do Data Center e do Prism), recebeu dados completos de 3 meses de todas as ligações feitas pela Verizon, a segunda maior operadora de telefonia de lá. Tudo, menos a voz. Seria como se a TIM passasse um relatório detalhado sobre com quem todos os seus usuários falaram, durante quanto tempo, onde estavam, etc — uma quebra de sigilo telefônico, na surdina, para milhões de pessoas ao mesmo tempo.
Ano passado, um relatório pedido pelo Congresso Americano mostrou que o governo requisitou dados de 1,3 milhão de registros telefônicos das operadoras, boa parte em “regime de urgência”, o que dispensa a tramitação normal na justiça. Quem acredita que existam 1,3 milhão de casos de suspeita de terrorismo, põe o dedo aqui. É só a ponta do iceberg, há muitos outros casos registrados, especialmente desde 2003. Uma reportagem recente da revista Wired relata casos espionagem de cidadãos sem autorização judicial pelo FBI pelo menos nos últimos 20 anos.
Muito além dos EUA
Mas não pense que o grande irmão é americano; a espionagem em massa é poliglota. Na Suécia, desde 2008 uma agência do governo pode interceptar legalmente todas as comunicações que passarem pelo país. Na Austrália, 300 mil pessoas tiveram os seus dados espionados e coletados pelo governo no último ano — e agora estudam uma lei para proibir essa prática. No Reino Unido muito se discute sobre como guardar todos os metadados (simplificando os dados do seu sigilo telefônico) dos habitantes.
Registros vazados do wikileaks mostram que a Líbia de Gadaffi comprou um “mecanismo de interceptação de âmbito nacional”. Só saber que existem dispositivos capazes de fazer isso assusta. Na página sobre o caso, o Wikileaks mostra dados de um equipamento vendido pela empresa VASTech, que consegue gravar permanentemente todas as ligações telefônicas de países pequenos. “Há 30 grandes companhias envolvidas em fabricar equipamentos de espionagem em massa para interceptar todas as ligações saindo de um país, todas elas. Os equipamentos podem gravar as conversas automaticamente, identificar pela voz qual o sexo, a situação de estresse e até a faixa etária da pessoa”, diz Julian Assange no site que criou para divulgar o vazamento de apresentações que esses fabricantes fazem de seus produtos aos governos (links embaixo).
O que esses exemplos mostram é que ganha terreno entre os governos dos países uma visão técnica de eficiência. Seja do caso patético da Agência Brasileira de Inteligência espionando os líderes das manifestações pela tarifa às milhões de informações coletadas do mundo inteiro pelo Prism, a lógica é gravar tudo.
Com o barateamento das tecnologias de espionagem e, principalmente, das de armazenamento, é mais fácil gravar tudo de todos para, caso necessário, iniciar uma investigação apenas consultando os arquivos. Aí, ao clique do mouse, pode-se saber com quem a pessoa tem falado, em que momentos, o que tem comprado, se está envolvido em alguma atividade suspeita, etc. Desnecessário dizer que essa prática beira a excrescência moral.
Sob o argumento de proteção dos cidadãos, a opção pelas práticas de vigilância total tem vencido, capturando o máximo de informações possível, o tempo todo. São muitas as questões preocupantes abertas por esse precedente. Além das óbvias — do direito à privacidade, do perigo de as informações serem roubadas, etc — há outras ainda mais preocupantes sobre o uso dessas informações para outros fins que não o combate ao crime. Bancos de dados tão grandes são tentações grandes demais para que ideias que envolvem detecção de padrões sociais e podem levar à discriminação não apareçam.
Texto de Tiago Mali - Jornalista e redator chefe da revista Galileu
Uzbequistão e Cazaquistão apelam à ONU por "guerra da água"
Os presidentes do Uzbequistão e do Cazaquistão apelaram nesta sexta-feira (14) à arbitragem das Nações Unidas sobre projetos de usinas hidrelétricas dos dois países, que provocam regularmente conflitos e despertam temores de uma "guerra da água" na Ásia Central.
Os uzbeques e os cazaques dependem dos vizinhos Tadjiquistão e Quirguistão, duas ex-repúblicas soviéticas pobres da Ásia Central, para se abastecer de água.
No centro do conflito estão dois projetos gigantescos de usinas hidrelétricas, concebidos há várias décadas, ainda na era soviética, suspensos depois da queda da URSS, mas que foram retomados após alguns anos.
Desta forma, o Tadjiquistão, que enfrenta a cada inverno severas quedas de energia que impõem um racionamento drástico na capital Duchambe, iniciou após alguns anos a construção da barragem de Rogun, no rio Vakhsh, abandonada nos anos 1990 devido a uma guerra civil.
Com altura projetada de 335 metros, se for concluída, a obra será a maior do tipo no mundo.
O Quirguistão, por sua vez, quer construir outra barragem concebida na época da União Soviética, a de Kambarata-1 sobre o rio Naryn, com 275 metros de altitude.
Essas duas obras são muito mal vistas pelo vizinho Uzbequistão, que teme consequências para sua indústria algodoeira, dependente da irrigação, assim como um impacto negativo em seu meio ambiente.
Tachkent, além disso, adverte para os riscos sismológicos à região.
"Precisamos nos convencer de que nada ameace nosso meio ambiente e que Uzbequistão e Cazaquistão recebam os mesmos volumes de água que recebem atualmente", declarou o presidente uzbeque, Islam Karimov, depois de ter pedido um parecer das Nações Unidas sobre as possíveis consequências destes dois projetos, em acordo com os países beneficiados pelo rio.
"Nós queremos enviar uma mensagem amistosa a nossos vizinhos: que nós devemos solucionar estes problemas sozinhos", afirmou o presidente cazaque Nursultan Nazarbayev, em visita ao Uzbequistão.
G1
Essas duas obras são muito mal vistas pelo vizinho Uzbequistão, que teme consequências para sua indústria algodoeira, dependente da irrigação, assim como um impacto negativo em seu meio ambiente.
Tachkent, além disso, adverte para os riscos sismológicos à região.
"Precisamos nos convencer de que nada ameace nosso meio ambiente e que Uzbequistão e Cazaquistão recebam os mesmos volumes de água que recebem atualmente", declarou o presidente uzbeque, Islam Karimov, depois de ter pedido um parecer das Nações Unidas sobre as possíveis consequências destes dois projetos, em acordo com os países beneficiados pelo rio.
"Nós queremos enviar uma mensagem amistosa a nossos vizinhos: que nós devemos solucionar estes problemas sozinhos", afirmou o presidente cazaque Nursultan Nazarbayev, em visita ao Uzbequistão.
G1
sexta-feira, 14 de junho de 2013
As estátuas da Ilha de Páscoa têm corpo!
Não se sabia como as cabeças tinham sido levadas até os seus locais, agora descobriram......foram andando.... " O ser humano quando acha que sabe alguma coisa, descobre que não sabe nada...." !!!
Arqueólogos escavam por debaixo das famosas e míticas esculturas da Ilha de Páscoa e descobrem corpos esculpidos e textos com hieróglifos!
Então o que era conhecido por serem apenas grandes cabeças, sabe-se agora que essas estátuas escondem muitos segredos, como mais de metade do seu tamanho estar enterrado no subsolo e revelarem a existência de corpo e mãos.
Atribui-se a descoberta ao casal Routledge, mas outro grupo de pesquisa privado tem escavado recentemente uma estátua e descobriu muitos escritos sobre o corpo.
Localizada no Pacífico, a ilha vulcânica foi descoberta pelo navegador holandês Jakob Roggeveen, no domingo de Páscoa de 1722. Tornou-se posse chilena em 1888.
Enquanto ainda muitos mistérios cercam a ilha da Páscoa, a descoberta desses escritos colocados no subsolo podem iniciar muitos debates.
Na verdade, se quase todos os cientistas estão de acordo que foi após um ecocídio que a população (cerca de 4000) desapareceu, que aconteceu com estes gigantes de pedra enterrados?
Seriam assim desde o início quando foram feitas pelos Rapanui (civilizações antigas da ilha) ou foi o passar do tempo que as enterrou?
A hipótese mais provável é que um maremoto varreu a ilha e a sua civilização, que se perdeu nas brumas do tempo. Os turistas desconhecem que sob os seus pés há um tesouro escondido que se adivinha. As estátuas não devem ter sido enterrads, mas o fluxo de transporte da onda gigante trouxe muito entulho, poeira e sujeira que as enterrou e a civilização desapareceu como que apagada de uma só vez.
Volta a pensar-se no mito da Atlântida e do continente Mu cujas lendas ressurgiram com esta descoberta excepcional.
Então o que era conhecido por serem apenas grandes cabeças, sabe-se agora que essas estátuas escondem muitos segredos, como mais de metade do seu tamanho estar enterrado no subsolo e revelarem a existência de corpo e mãos.
Atribui-se a descoberta ao casal Routledge, mas outro grupo de pesquisa privado tem escavado recentemente uma estátua e descobriu muitos escritos sobre o corpo.
Localizada no Pacífico, a ilha vulcânica foi descoberta pelo navegador holandês Jakob Roggeveen, no domingo de Páscoa de 1722. Tornou-se posse chilena em 1888.
Enquanto ainda muitos mistérios cercam a ilha da Páscoa, a descoberta desses escritos colocados no subsolo podem iniciar muitos debates.
Na verdade, se quase todos os cientistas estão de acordo que foi após um ecocídio que a população (cerca de 4000) desapareceu, que aconteceu com estes gigantes de pedra enterrados?
Seriam assim desde o início quando foram feitas pelos Rapanui (civilizações antigas da ilha) ou foi o passar do tempo que as enterrou?
A hipótese mais provável é que um maremoto varreu a ilha e a sua civilização, que se perdeu nas brumas do tempo. Os turistas desconhecem que sob os seus pés há um tesouro escondido que se adivinha. As estátuas não devem ter sido enterrads, mas o fluxo de transporte da onda gigante trouxe muito entulho, poeira e sujeira que as enterrou e a civilização desapareceu como que apagada de uma só vez.
Volta a pensar-se no mito da Atlântida e do continente Mu cujas lendas ressurgiram com esta descoberta excepcional.
Limitar o aquecimento global a 2°C até 2015 é uma "missão impossível"
A comunidade internacional começa a trabalhar para alcançar em 2015 um importante acordo para conter um máximo de 2ºC de aumento na temperatura, um desafio colossal que alguns especialistas consideram uma "missão impossível".
O ciclo de negociações da ONU de dez dias que terminou nesta sexta-feira, em Bonn, deu início à contagem regressiva para a cúpula de Paris, dentro de dois anos e meio, quando deverá ser adotado o mais ambicioso plano na luta contra as mudanças climáticas.
Qual será o marco obrigatório? Que compromissos vão ser tomados para reduzir as emissões de gases do efeito estufa? Devem ser mantida a flexibilidade para grandes países emergentes, como China, em nome do direito ao desenvolvimento?
As questões são muitas e complexas, mas o objetivo é conter o aquecimento em 2°C acima dos níveis pré-industriais. "Em teoria, é possível", considera o climatologista Jean Jouzel, "mas parece muito difícil", diz ele. Com o aumento contínuo das emissões, a concentração de CO2 na atmosfera chegou recentemente a 400 ppm (partes por milhão), nível sem precedentes na história da humanidade.
De acordo com o grupo de referência de especialistas do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), limitar o aumento da temperatura entre 2°C e 2,4°C supõe que a concentração de CO2 não exceda 350-400 ppm. "Teríamos que diminuir pelo menos pela metade as emissões antes de 2050", explica Jouzel, vice-presidente do IPCC.
A meta de 2°C foi oficialmente adotada na Cúpula de Copenhague em dezembro de 2009. O valor foi determinado por políticos a partir de pesquisas científicas sobre o impacto de vários limiares de temperatura em corais, calotas polares da Groenlândia e na produtividade agrícola.
"Os 2°C são, possivelmente, simbólicos, mas a ideia é que, se superá-los, nós iremos correr riscos com relação à nossa capacidade de nos adaptar", resume Jouzel.
No final de 2012, o ex-negociador da ONU para questões do clima, Yvo de Boer, havia considerado "fora do alcance" tal meta. E esta semana, um influente grupo de especialistas da alemã SWP dedicou um artigo no jornal britânico The Guardian ao "anunciado fracasso da meta de 2°C, algo que ninguém quer falar realmente".
Nos corredores do Hotel Maritim de Bonn, onde aconteceram as negociações sobre o clima, e apesar das dificuldades, ninguém quer colocar em dúvida o único objetivo tangível das negociações, por medo de abrir a caixa de Pandora.
Para o embaixador de Seychelles, Ronald Jumeau, cujo país é um dos muitos Estados insulares ameaçados pelo aumento do nível do mar, e que defende um objetivo de 1,5°C, uma ambição revisada para baixo "sacrificará os mais vulneráveis". "Os negociadores das pequenas ilhas teriam, então, que voltar a seus países e comprar barcos salva-vidas", comentou o embaixador.
Questionada recentemente sobre esta questão, a comissária europeia para o Clima, Connie Hedegaard, lembrou que os 2°C foi "aceito por 120 líderes de todo o mundo há três anos e meio". E perguntou: "Devemos mudar de ambição, porque é difícil?".
"Precisamos de vontade política e visão, e até este momento, não encontramos", admitiu o negociador europeu. "O problema é que, se abandonarmos a meta de 2°C, o que garante que vamos parar em 3°C? Não podemos permitir que essa lógica prevaleça", disse.
IstoÉ
IstoÉ
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Europa tem que cortar emissões em 55% até 2030, aponta ONG
Estudo divulgado nesta terça-feira (11) pela organização não-governamental Greenpeace aponta que a União Europeia terá que realizar um novo corte de 7% nas emissões de CO2 até 2030, para compensar a falha do mercado de crédito de carbono e fazer com que as medidas ambientais sejam realmente eficazes.
O estudo foca na definição dos objetivos ambientais do bloco para os próximos 17 anos e aponta que os cálculos apresentados pela Comissão Ambiental da União Europeia estão equivocados.
Em março, o bloco afirmou que será necessário cortar em 40% as emissões de CO2 nos países que integram a UE. Em maio, o Reino Unido considerou que o corte de emissões chegaria a 50% para o mesmo período.
No entanto, o Greenpeace afirma que a meta apropriada para 2030 é de reduzir em ao menos 55% as emissões de gases-estufa, número que inclui os 7% provenientes do déficit do mercado de carbono.
Niklas Hohne, diretor da Ecofys, empresa responsável pela elaboração do estudo, disse que o bloco europeu precisa de uma meta mais rígida se quiser manter vivo o sistema comunitário de comércio de direitos de emissão e evitar os danos da mudança climática.
Chamado em inglês de ETS, o sistema abrange 11 mil instalações industriais de 31 países europeus e não estaria funcionado como esperado.
O colapso do preço do carbono impediu que as negociações fossem feitas com sucesso e causou um efeito reverso: está mais barato poluir do que investir em tecnologias de produção limpa.
Recorde de emissões em 2012 As emissões de CO2 (dióxido de carbono) em todo o mundo aumentaram 1,4% em 2012, nível considerado recorde pela Agência Internacional de Energia (AIE), que divulgou relatório nesta segunda-feira (10).
Recorde de emissões em 2012 As emissões de CO2 (dióxido de carbono) em todo o mundo aumentaram 1,4% em 2012, nível considerado recorde pela Agência Internacional de Energia (AIE), que divulgou relatório nesta segunda-feira (10).
Segundo o órgão, foi registrada a emissão total de 31,6 gigatoneladas de gases-estufa no ano passado. No entanto, apesar da alta, há diferenças regionais, com países reduzindo seus índices e outros aumentando.
A China foi quem mais emitiu gases-estufa e contribuiu para o crescimento global. De acordo com o relatório, foi expelido um adicional de 300 milhões de toneladas de gases em relação ao ano de 2011.
No entanto, o aumento foi considerado baixo se comparado com períodos anteriores devido aos investimentos pesados que o país asiático fez na última década para adotar fontes renováveis e melhorar a eficiência energética.
Nos Estados Unidos, a substituição de usinas de carvão por tecnologias que usam gás natural na geração de energia ajudou a reduzir as emissões em 200 milhões de toneladas nos últimos anos, trazendo-as de volta ao nível de meados de 1990.
Na Europa, a desaceleração da economia em decorrência da crise e o crescimento do uso de fontes renováveis -- além de políticas que restringem as emissões provenientes da indústria -- fizeram o continente reduzir em 50 milhões de toneladas de CO2.
Emissões do Japão, entretanto, aumentaram em 70 milhões de toneladas, ou 5,8%, enquanto os esforços para melhorar a eficiência energética não conseguiram compensar o aumento da utilização de combustíveis fósseis, após o acidente nuclear de Fukushima em 2011, disse a AIE.
G1
População mundial deve chegar a 10,9 bilhões em 2100, prevê ONU
A população mundial chegará a 7,2 bilhões no próximo mês e deve atingir 10,9 bilhões em 2100, impulsionada por nascimentos nos países pobres, informou a Organização das Nações Unidas nesta quinta-feira (13).
No entanto, dependendo da relação entre o número de moradores globais e a taxa de fertilidade, no fim do século a população do planeta pode alcançar 16,6 bilhões ou até mesmo cair a 6,8 bilhões, informou a ONU em seu relatório "Perspectivas da População Mundial".
Concentrando-se em uma projeção conservadora entre estes dois panoramas, o crescimento da população deverá ser especialmente dramático nas regiões mais pobres do mundo.
A população dos países em desenvolvimento deve crescer de 5,9 bilhões em 2013 para 8,2 bilhões em 2050 e 9,6 bilhões em 2100, segundo o relatório.
A população dos mais pobres deve dobrar de tamanho, de 898 milhões de habitantes de locais definidos pelo relatório como países menos desenvolvidos neste ano para 1,8 bilhão em 2050 e 2,9 bilhões em 2100.
No entanto, a população mundial nas regiões mais desenvolvidas não deve sofrer grandes alterações, crescendo levemente de 1,25 bilhão neste ano para 1,28 bilhão em 2100.
O relatório diz que o número de pessoas nos países mais ricos cairia se não fosse por um aumento da migração das áreas mais pobres, projetada, em média, em cerca de 2,4 milhões de pessoas por ano de 2013 a 2050.
Muito do aumento da população mundial entre 2013 e 2050 - quando deve alcançar 9,6 bilhões - deve ocorrer nos países com as taxas de fertilidade mais altas, principalmente na África.
De fato, metade de todo o crescimento populacional entre 2013 e 2011 deve se concentrar em apenas oito países: Nigéria, Índia, Tanzânia, República Democrática do Congo, Níger, Uganda, Etiópia e Estados Unidos.
Nas regiões mais desenvolvidas do mundo, 23% da população tem 60 anos ou mais, e esta proporção deve alcançar 32% em 2050 e 34% em 2100.
Mundialmente, o número de pessoas com 60 anos ou mais deve triplicar em 2100 para quase 3 bilhões, com a proporção de cidadãos mais velhos em países em desenvolvimento mais do que dobrando em 2050 e triplicando no fim do século.
Sonda vai enviar minilaboratório para pousar em núcleo de cometa
Um projeto concebido há duas décadas está perto de ser concluído, depois de quase dez anos de viagens pelo Sistema Solar.
A sonda espacial europeia Rosetta, lançada em 2004, deverá sobrevoar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em 2014, além de enviar um minilaboratório, o Philae, para pousar no núcleo do corpo celeste, um feito inédito.
Cometas são verdadeiros "fósseis" espaciais, surgidos há bilhões de anos e mantendo basicamente a mesma composição química.
Ao passarem perto do Sol, criam a famosa cauda luminosa que os caracteriza, ejetando poeira, água e outras substâncias.
A ESA (Agência Espacial Europeia) já tinha tradição no estudo desse tipo de astro. A sonda Giotto passou a meros 600 km do núcleo do cometa Halley em 1986. Foi um feito impressionante, que deu ímpeto ao ainda mais ambicioso projeto Rosetta.
O nome da sonda é uma homenagem à Pedra de Roseta, encontrada no Egito e que ajudou a decifrar a antiga escrita egípcia de hieróglifos, pois o mesmo texto também está escrito em grego; Philae é uma ilha onde foi achado um obelisco também usado na decifração.
As duas sondas também pretendem "decifrar" os enigmas dos cometas.
A ideia foi aprovada em 1993 e seu projeto começou em 1996, na empresa Astrium, a maior do setor espacial na Europa. Desde então o engenheiro Gunther Lautenschlaeger está envolvido com a missão.
"Em primeiro lugar, estou esperando nervosamente o despertar da Rosetta em janeiro de 2014 e interessado em saber como o 'nosso bebê' sobreviveu a mais de dois anos sem nenhum contato com a Terra", afirmou Lautenschlaeger à Folha.
A Rosetta vai monitorar a passagem do cometa pelo Sistema Solar, com especial atenção para sua atividade ao ser aquecido pelo Sol.
O laboratório Philae vai estudar a composição do núcleo do cometa. O módulo de pouso vai fazer um furo de 20 cm de profundidade para coletar amostras para análise pelo laboratório de bordo.
Graças a novas tecnologias de células solares, a sonda é a primeira a ir além do cinturão de asteroides dependendo apenas de energia solar, em vez dos tradicionais geradores térmicos.
A 800 milhões de quilômetros do Sol, o nível de radiação é apenas 4% daquele que atinge a Terra.
A 800 milhões de quilômetros do Sol, o nível de radiação é apenas 4% daquele que atinge a Terra.
"Nenhuma missão anterior viajou tão longe no espaço profundo, perto de Júpiter, apenas com painéis solares; ela é com certeza uma 'espaçonave verde'", disse o engenheiro, gerente do projeto na Astrium.
A sonda tem dois painéis solares de 14 metros de comprimento cada um. Os 11 instrumentos a bordo ficam concentrados no lado que será direcionado ao cometa e são capazes de medir a composição, a massa e o fluxo de poeira do núcleo, além da interação do cometa com o vento solar de partículas carregadas eletricamente.
"Creio que a sonda vai se encontrar precisamente com o cometa e escoltá-lo chegando mais perto do Sol. Aqui começará a incerteza, com coisas como erupções e poeira. Mas a Rosetta foi projetada para sobreviver", disse Lautenschlaeger, que há dezessete anos aguarda pelo sucesso final da missão.
A parte mais "perigosa" dessa trajetória, no entanto, é o passo final, a ser dado em novembro de 2014: o pouso do minilaboratório Philae no núcleo do cometa.
Segundo o engenheiro, o módulo foi projetado para áreas de pouso extremas, mas a gravidade do cometa, cujo núcleo tem 4 km de diâmetro, é muito baixa. "E ninguém sabe exatamente o que há na superfície", afirmou.
"Pode ser poeira macia, na qual ele vai afundar; ferrita sólida, na qual pode se arrebentar; ou uma superfície de fendas, onde pode cair de lado ou de cabeça para baixo."
O que resta às equipes é cruzar dedos até 2014.
O que resta às equipes é cruzar dedos até 2014.
Folha.com
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Cometa pode se chocar com Marte em 2014
Um cometa recém-descoberto parece estar a caminho de passar muito perto do planeta Marte em outubro de 2014, e existe uma chance – ainda que pequena – de colidir com o planeta.
O novo cometa C/2013 A1 (Siding Spring) foi descoberto em 3 de janeiro de 2013 pelo astrônomo escocês-australiano Robert H. McNaught, um prolífico observador de cometas e asteroides que tem 74 descobertas de cometas no currículo.
McNaught é um dos participantes do Siding Spring Survey, um programa que caça asteroides que podem se aproximar muito da Terra. Descobriu o novo cometa usando o Telescópio Uppsala Schmidt, de50 metros, no Observatório Siding Spring,em New South Wales, na Austrália.
Imagens anteriores à descoberta do cometa, feitas em 8 de dezembro de 2012 pelo Catalina Sky Survey, no Arizona, foram encontradas rapidamente. Como o cometa foi descoberto como parte de sua busca por asteroides, ele tem o nome do observatório, Siding Spring. Oficialmente ele está catalogado como C/2013 A1.
Quando foi descoberto, o Cometa Siding Spring estava a 1,07 bilhão de quilômetros do sol. Com base na excentricidade de sua órbita, ele parece ser um cometa novo, ou “virgem”, viajando em uma órbita parabólica e fazendo sua primeira visita à vizinhança do sol. Espera-se que seu periélio (o ponto em que ele passa mais perto do Sol) seja em 25 de outubro de 2014, auma distância de 209 milhões de quilômetros.
Menos de uma semana antes disso, porém, em 19 de outubro de 2014, o cometa – com um núcleo estimado entre 8 e 50 km de diâmetro – deve cruzar a órbita de Marte e passar muito perto do planeta. Cálculos preliminares sugerem que nominalmente, em sua maior aproximação, o Cometa Siding Spring chegará a 101 mil km de Marte.
No entanto, como o cometa está a uma distância muito grande e está sendo estudado há menos de três meses, as circunstâncias de sua órbita provavelmente precisarão ser refinadas nas semanas e meses futuros. Dessa forma, a aproximação marciana do cometa pode acabar sendo maior ou menor do que sugerem nossas previsões atuais. De fato, na quarta-feira passada (27 de fevereiro), observações feitas por Leonid Elenin, um respeitável astrônomo russo que trabalha no Instituto de Matemática Aplicada Keldysh, sugeriu que o cometa poderia passar ainda mais perto – a apenas41.300 kmdo centro de Marte.
De acordo com Elenin: “Em 19 de outubro de 2014, o cometa pode atingir uma magnitude aparente de -8 ou -8,5 se visto de Marte!” (Isso deixaria o cometa de15 a25 vezes mais brilhante que Vênus. “Talvez seja possível conseguir imagens de alta resolução da sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO)”, adicionou ele.
E também existe a pequena possibilidade de o cometa colidir com Marte.
O novo cometa C/2013 A1 (Siding Spring) foi descoberto em 3 de janeiro de 2013 pelo astrônomo escocês-australiano Robert H. McNaught, um prolífico observador de cometas e asteroides que tem 74 descobertas de cometas no currículo.
McNaught é um dos participantes do Siding Spring Survey, um programa que caça asteroides que podem se aproximar muito da Terra. Descobriu o novo cometa usando o Telescópio Uppsala Schmidt, de50 metros, no Observatório Siding Spring,em New South Wales, na Austrália.
Imagens anteriores à descoberta do cometa, feitas em 8 de dezembro de 2012 pelo Catalina Sky Survey, no Arizona, foram encontradas rapidamente. Como o cometa foi descoberto como parte de sua busca por asteroides, ele tem o nome do observatório, Siding Spring. Oficialmente ele está catalogado como C/2013 A1.
Quando foi descoberto, o Cometa Siding Spring estava a 1,07 bilhão de quilômetros do sol. Com base na excentricidade de sua órbita, ele parece ser um cometa novo, ou “virgem”, viajando em uma órbita parabólica e fazendo sua primeira visita à vizinhança do sol. Espera-se que seu periélio (o ponto em que ele passa mais perto do Sol) seja em 25 de outubro de 2014, auma distância de 209 milhões de quilômetros.
Menos de uma semana antes disso, porém, em 19 de outubro de 2014, o cometa – com um núcleo estimado entre 8 e 50 km de diâmetro – deve cruzar a órbita de Marte e passar muito perto do planeta. Cálculos preliminares sugerem que nominalmente, em sua maior aproximação, o Cometa Siding Spring chegará a 101 mil km de Marte.
No entanto, como o cometa está a uma distância muito grande e está sendo estudado há menos de três meses, as circunstâncias de sua órbita provavelmente precisarão ser refinadas nas semanas e meses futuros. Dessa forma, a aproximação marciana do cometa pode acabar sendo maior ou menor do que sugerem nossas previsões atuais. De fato, na quarta-feira passada (27 de fevereiro), observações feitas por Leonid Elenin, um respeitável astrônomo russo que trabalha no Instituto de Matemática Aplicada Keldysh, sugeriu que o cometa poderia passar ainda mais perto – a apenas41.300 kmdo centro de Marte.
De acordo com Elenin: “Em 19 de outubro de 2014, o cometa pode atingir uma magnitude aparente de -8 ou -8,5 se visto de Marte!” (Isso deixaria o cometa de15 a25 vezes mais brilhante que Vênus. “Talvez seja possível conseguir imagens de alta resolução da sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO)”, adicionou ele.
E também existe a pequena possibilidade de o cometa colidir com Marte.
Movendo-se a 56 km por segundo, uma colisão dessas criaria uma cratera de impacto em Marte com até 10 vezes o diâmetro do núcleo do cometa, e até 2 km de profundidade, com uma energia equivalente a 2x1010 megatons!
A maioria dos leitores se lembrará do mergulho do Cometa Shoemaker-Levy em Júpiter, em 1994, que deixou escuras cicatrizes na cobertura de nuvens do planeta durante muitos meses após a colisão.
Colidindo ou não, o Cometa Siding Spring definitivamente chegará extremamente perto de Marte em menos de 20 meses. Incrivelmente, essa será a segunda passagem de um cometa perto de Marte em pouco mais de um ano.
Em 1º de outubro desse ano, o muito aguardado Cometa ISON deve passar a 10,5 milhões de quilômetros de Marte até passar raspando o Sol em novembro. Esse encontro é próximo o suficiente para ser categorizado como excepcional e, mesmo assim, o Siding Spring passará 100 vezes mais perto.
A maioria dos leitores se lembrará do mergulho do Cometa Shoemaker-Levy em Júpiter, em 1994, que deixou escuras cicatrizes na cobertura de nuvens do planeta durante muitos meses após a colisão.
Colidindo ou não, o Cometa Siding Spring definitivamente chegará extremamente perto de Marte em menos de 20 meses. Incrivelmente, essa será a segunda passagem de um cometa perto de Marte em pouco mais de um ano.
Em 1º de outubro desse ano, o muito aguardado Cometa ISON deve passar a 10,5 milhões de quilômetros de Marte até passar raspando o Sol em novembro. Esse encontro é próximo o suficiente para ser categorizado como excepcional e, mesmo assim, o Siding Spring passará 100 vezes mais perto.
Scientific American
terça-feira, 11 de junho de 2013
Superlua aparece no próximo dia 23 de junho
Se o céu não estiver coberto por nuvens a próxima lua cheia, em 23 deste mês deverá ser um espetáculo à parte em tamanho e luminosidade no céu: será o que popularmente se chama de Super Lua.
A Super Lua ocorre quando o satélite da Terra, em fase cheia, tem sua maior aproximação (perigeu) na órbita elíptica (um anel achatado) que executa em torno do planeta.
A Lua, em 23 próximo, atinge a fase cheia às 7h53 de Brasília e nesse momento estará a 357.162 km de distância da Terra.
O apogeu seguinte, maior distância da Terra pela mesma razão (órbita elíptica) já ocorrerá em 6 de julho, à distância de 406.490 km da Terra.
Ou seja, entre perigeu e apogeu haverá um afastamento de quase 50 mil km.
No perigeu, durante a Super Lua, o diâmetro aparente da Lua no céu será de 33° 3’. Já no apogeu, em 6 de julho, essa medida ficará reduzida a 29°.
Para tirar partido da beleza da Super Lua é interessante acompanhar o nascimento dela, subindo a linha do horizonte, quando ela parece ter diâmetro muito maior que quando se encontra elevada no céu.
A razão dessa diferença está numa avaliação particular do cérebro humano.
Quando a Lua, ou mesmo o Sol, tem uma referência próxima (montanhas, árvores, etc na linha do horizonte) o cérebro interpreta seu diâmetro aparente como maior que na ausência de referências, ou seja, com o satélite ou a estrela elevados no céu.
Há outra situação lunar que ocorre com alguma freqüência, conhecido como Lua Azul, mas aqui a situação é bem diferente. Na verdade, há duas condições conhecidas como Lua Azul.
Em uma delas uma Lua Azul se manifesta quando, durante um mesmo mês, a Lua atinge, por duas vezes, a fase cheia. Esse fenômeno ocorre em intervalos de dois anos, devido ao intervalo entre duas luas cheias e a duração variável dos meses.
Também se conhece como Lua Azul, de forma mais apropriada, a coloração ligeiramente azulada do satélite por efeito de partículas em suspensão na atmosfera terrestre. Em maiores concentrações essa poeira (emitida por vulcões, por exemplo) absorve o comprimento de luz vermelho (mais longo) e deixa passar o azul, mais curto, fazendo a Lua assumir mais acentuadamente essa coloração.
Essa versão da Lua Azul inspirou poetas e compositores ao longo do tempo, caso do letrista americano Lorenz Hart que escreveu: “Lua azul, você me viu sozinho/ sem um sonho em meu coração/sem um amor para mim”.
A maior aproximação da Lua da Terra intensifica o efeito gravitacional mútuo (inversamente proporcional ao quadrado da distância, como explicitou Isaac Newton em 1686) entre esses dois corpos que, na verdade, formam um sistema planetário binário, devido ao porte proporcionalmente elevado da Lua em relação à Terra.
Mas nada que seja capaz de deflagrar fenômenos naturais significativos.
Com o chamado “alinhamento planetário” esse efeito também se manifesta, mas, da mesma forma, sem provocar intensificação gravitacional capaz de deflagrar fenômenos significativos.
Para desfrutar plenamente da próxima Lua Azul devemos acrescentar que, em 23 próximo ela nasce às 18h16 e se põe às 6h32 de 24.
Ou seja, os interessados têm uma noite inteira para observar uma Lua notavelmente luminosa (por refletir a luz do Sol, evidentemente) e com tamanho aparente ampliado num céu que, vamos torcer, não esteja encoberto por nuvens.
Qual a relação entre mudanças climáticas e tornados?
Um poderoso tornado de três quilômetros devastou o subúrbio de Moore, na cidade de Oklahoma, em 20 de maio. O fenômeno apresentava ventos de mais de 300km/h enquanto destruía casas e escolas, deixando um rastro de destruição em grande escala e matando dezenas de pessoas, incluindo muitas crianças.
Oklahoma é marco zero de tornados por razões geográficas. O estado fica localizado precisamente onde o ar quente do Golfo do México colide com o frio do oeste e do norte. Muitos cientistas se perguntam se o aumento recente das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera terrestre – e o calor extra que eles aprisionam – intensificou esse fenômeno climático em particular, e se vai continuar a potencializando outros tornados durante a temporada, prevista para durar até agosto.
O cientista climático Kevin Trenberth, do National Center for Atmospheric Research em Boulder, no Colorado, diz o que pensa sobre o papel do aquecimento global na indução de tornados mais fortes ou mais intensos. Em um artigo de 2007 para Scientific American, Trenberth previu que a mudança climática levaria a furacões mais intensos no Oceano Atlântico.
Oklahoma é marco zero de tornados por razões geográficas. O estado fica localizado precisamente onde o ar quente do Golfo do México colide com o frio do oeste e do norte. Muitos cientistas se perguntam se o aumento recente das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera terrestre – e o calor extra que eles aprisionam – intensificou esse fenômeno climático em particular, e se vai continuar a potencializando outros tornados durante a temporada, prevista para durar até agosto.
O cientista climático Kevin Trenberth, do National Center for Atmospheric Research em Boulder, no Colorado, diz o que pensa sobre o papel do aquecimento global na indução de tornados mais fortes ou mais intensos. Em um artigo de 2007 para Scientific American, Trenberth previu que a mudança climática levaria a furacões mais intensos no Oceano Atlântico.
Tornados são basicamente um fenômeno climático. Eles surgem a partir de certas tempestades, normalmente tempestades supercelulares, que estão em um ambiente de cisalhamento de vento que promove rotação. Esse ambiente é mais comum na primavera, em todos os Estados Unidos, quando a rota da tempestade fica na distância certa do Golfo do México e de outras fontes de umidade.
A principal conexão com a mudança climática é através da instabilidade básica do ar baixo que cria a convecção e as tempestades. Condições mais quentes e mais úmidas são fundamentais para o ar instável. Os oceanos estão mais quentes devido à mudança climática.
O efeito da mudança climática provavelmente contribui entre 5% e 10% em termos de instabilidade e subsequente precipitação, mas ele se traduz em até 33% na potencialização de danos. (Algo altamente não-linear, para 10% é 1,1 ao cubo =1,33). Há uma cadeia de eventos. As mudanças climáticas afetam principalmente seu primeiro elo: a flutuabilidade básica do ar é aumentada. Se isso se traduz em uma tempestade supercelular ou em um tornado, depende muito do clima.
A principal conexão com a mudança climática é através da instabilidade básica do ar baixo que cria a convecção e as tempestades. Condições mais quentes e mais úmidas são fundamentais para o ar instável. Os oceanos estão mais quentes devido à mudança climática.
O efeito da mudança climática provavelmente contribui entre 5% e 10% em termos de instabilidade e subsequente precipitação, mas ele se traduz em até 33% na potencialização de danos. (Algo altamente não-linear, para 10% é 1,1 ao cubo =1,33). Há uma cadeia de eventos. As mudanças climáticas afetam principalmente seu primeiro elo: a flutuabilidade básica do ar é aumentada. Se isso se traduz em uma tempestade supercelular ou em um tornado, depende muito do clima.
Existe um grande nível de variabilidade natural. Quando a variabilidade natural toma a mesma direção dos efeitos das mudanças climáticas, repentinamente quebramos recordes. Nós cruzamos limiares e registramos novos extremos. Um pequeno efeito pode se traduzir em um grande impacto nessas condições. É a gota d’água que faz o copo transbordar.
Como o aquecimento afeta a flutuabilidade do ar? É a combinação de temperatura e umidade. A estrutura de temperatura vertical da atmosfera é um ingrediente crítico: adicionar mais calor e umidade adiciona flutuabilidade nos níveis mais baixos. A parte da umidade aparece principalmente quando o ar começa a se condensar, emitindo calor latente no processo. Esse calor, que vem do calor original usado para evaporar a umidade, se soma à flutuabilidade.
Como o aquecimento afeta a flutuabilidade do ar? É a combinação de temperatura e umidade. A estrutura de temperatura vertical da atmosfera é um ingrediente crítico: adicionar mais calor e umidade adiciona flutuabilidade nos níveis mais baixos. A parte da umidade aparece principalmente quando o ar começa a se condensar, emitindo calor latente no processo. Esse calor, que vem do calor original usado para evaporar a umidade, se soma à flutuabilidade.
Por que os Estados Unidos tiveram uma ausência de tornados recentemente?A mudança climática não altera (muito) o clima ou padrões climáticos. No ano passado tivemos condições anticiclônicas e uma redução no ar flutuante, e a corrente de jato foi empurrada para o norte. Quase não ocorrem tempestades nessas circunstâncias. A variabilidade anual é grande, e o fenômeno El Niño tem grande importância nesse cenário. Neste ano o El Niño e a La Niña não estão em jogo, permitindo que o clima seja mais normal e variável. O padrão não está fixo como estava nos últimos dois anos (de maneiras muito diferentes).
Sem dúvida o maior problema envolve pessoas se colocando no caminho do desastre, construindo principalmente em áreas costeiras e planícies de inundação.
O que podemos esperar no futuro uma vez que níveis cada vez mais elevados de gases de efeito estufa na atmosfera provavelmente aprisionarão ainda mais calor?O calor tem que ir para algum lugar. Esperamos mais extremos, particularmente no ciclo da água. Secas mais fortes, maiores ondas de calor, e um risco muito maior de incêndios, além de tempestades mais fortes e chuvas mais pesadas, onde a chuva já ocorre. Administrar a água será um grande desafio.
O que podemos esperar no futuro uma vez que níveis cada vez mais elevados de gases de efeito estufa na atmosfera provavelmente aprisionarão ainda mais calor?O calor tem que ir para algum lugar. Esperamos mais extremos, particularmente no ciclo da água. Secas mais fortes, maiores ondas de calor, e um risco muito maior de incêndios, além de tempestades mais fortes e chuvas mais pesadas, onde a chuva já ocorre. Administrar a água será um grande desafio.
Scientific American
Por que pinguins não voam?
Pinguins perderam a capacidade de voar milênios atrás e cientistas podem ter finalmente descoberto o motivo. Um novo estudo sugere que sair eventualmente do chão passou a exigir muita energia dos pássaros que estavam se tornando especialistas em natação.
O voo deve fazer em alguns aspectos a vida dos pinguins na Antártida mais fácil. A exaustiva marcha do pinguim imperador, por exemplo, tomaria apenas poucas fáceis horas em vez de vários dias. Fugir de predadores, como a temida foca-leopardo, na beira d’água seria também mais fácil caso os pinguins pudessem voar.
Uma teoria popular de biomecânica sugere que pinguins adaptaram suas asas para se tornarem mais eficientes no nado e elas eventualmente perderam a habilidade para tirar as aves do chão.
Um mergulho mais eficiente, por outro lado, aumenta as oportunidades de conseguir alimento. Um pinguim imperador moderno pode ficar sem respirar por mais de 20 minutos e mergulhar rapidamente a 450 metros.
O novo estudo de custos de energia em aves vivas que voam e mergulham fornece importantes provas que reforçam a teoria antiga. “Claramente, a forma restringe a função em animais selvagens e o movimento em um meio cria compensações no movimento em um segundo meio”, disse Kyle Elliott da Universidade de Manitoba, em comunicado. “O saldo é que para ter boas nadadeiras têm-se asas que não voam bem”.
Senta, nada e voa
A ave marinha conhecida como airo de Brünnich ( Uria lomvia) usa suas asas para mergulhar assim como fazem os pinguins, mas ela também é capaz de voar. Cientistas teorizam que a fisiologia e a energia usada por estas aves para voar podem ser semelhantes aos dos últimos ancestrais de pinguim voadores.
A ave marinha conhecida como airo de Brünnich ( Uria lomvia) usa suas asas para mergulhar assim como fazem os pinguins, mas ela também é capaz de voar. Cientistas teorizam que a fisiologia e a energia usada por estas aves para voar podem ser semelhantes aos dos últimos ancestrais de pinguim voadores.
Outra ave voadora, o biguá ( Phalacrocorax pelagicus), se impulsiona na água com as patas. Elliot e colegas afirmam que os biguás podem ser considerados modelos biomecânicos para o estilo de uso de energia e de vida do ultimo ancestral voador dos pinguins.
A análise aprofundada da técnica de voo a análise de isótopos de como aves nadadoras queimam energia revela por que os pinguins de hoje não voam. Aves como o airo e o biguá mergulham com mais eficiência do que qualquer outro pássaro mas são superados no mergulho pelos pinguins, de acordo com o estudo.
O voo, no entanto, custa aos pinguins mais energia que qualquer outro pássaro ou vertebrado e ficou muito difícil para ser mantido.
A equipe examinou uma colônia de airos de Brünnich em Nunavut, no Canadá e de biguás na ilha de Middleton, no Alasca. Os pesquisadores injetaram isótopos de oxigênio e hidrogênio nos animais para servir como marcadores do custo de energia de cada atividade realizada pelos pássaros, eles também usaram equipamentos para monitorar o tempo que as aves levavam em cada uma destas atividades.
“Basicamente os pássaros fazem três coisas: sentam, nadam e voam. Portanto, ao medir a atividade de vários pássaros e combinar com o tempo dispendido e o gasto de energia foi possível calcular quanto cada componente de atividade custa em energia”, disse o coautor do estudo John Speakman, da Universidade de Aberdeen, na Escócia.
“A suposição é que os pinguins evoluíram de um ancestral parecido com os Alcidae (grupo inclui as tordas e araus)“, disse Speakman.
"Isso implicaria em uma redução progressiva no tamanho da asa, o que faz o mergulho mais eficiente e o voo pior. Os ossos dos pinguins também engrossam ao longo do tempo, e como ossos mais leves facilitam o voo, deram lugar a ossos mais densos, que podem ter ajudado a torná-los menos flutuante no mergulho". Porém, Speakman acredita que as mudanças de asa foram a principal adaptação sofrida.
Explicação elegante “Estes resultados fazem muito sentido”, disse Julia Clarke, pesquisadora da Universidade do Texas que estuda a evolução dos pássaros e para quem o curso do voo foi cooptada para o mergulho.
“Existem diferentes cenários explorados sobre a origem dos pinguins, mas poucos dados relevantes. Estas informações sobre outras aves nadadoras nos dá uma elegante explicação sobre uma etapa chave na transição de asa para nadadeira”.
IGCiência
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Como o rosto humano será daqui a 100 anos?
Dois pesquisadores simularam a aparência do rosto humano daqui a cem mil anos e os resultados, aqui em cima, provam quemse a raça humana ainda estiver caminhando sobre a Terra dentro de cem mil anos, seremos todos um cosplay da cara de fofo do Gato de Botas em Shrek:
Nickolay Lamm, um artista e pesquisador, e Alan Kwan, PhD em genômica computacional pela Universidade de Washington, trabalharam na evolução das feições humanas e constataram que vamos exibir uma cabeça maior, para acomodar um cérebro maior, narinas maiores para facilitar a respiração em ambientes poluídos, cabelo mais grosso para proteger o novo cabeção de uma perda de calor, olhos maiores por conta da vivência em planetas mais distante do sol no sistema solar e uma pele mais pigmentada e menos suscetível à danos por radiação UV.
Galileu.com
China prepara lançamento de nova missão tripulada ao espaço
A agência nacional espacial da China confirmou nesta segunda-feira o lançamento da quinta missão tripulada do país para o início da manhã desta terça, quase dez anos depois de colocar o primeiro chinês no espaço, Yang Liwei, em outubro de 2003. O voo da cápsula Shenzou 10, carregada por um foguete do tipo Longa Marcha 2F, está previsto para partir às 17h38 no horário local, 6h38 em Brasília. A nave leva a bordo três “taikonautas”, termo usado para designar os astronautas chineses, entre eles Wang Yaping, de 33 anos, ex-pilota da Força Aérea do país e a segunda chinesa a ir ao espaço.
Segundo Wu Ping, porta-voz da agência, a missão está prevista para durar 15 dias, a mais longa da história do programa espacial chinês. Uma vez em órbita, a cápsula deverá se acoplar com o laboratório espacial Tiangong 1, módulo de teste para construção de uma estação permanente própria pela China, que não participa do consórcio de países, entre eles o Brasil, responsável pela operação da Estação Espacial Internacional (ISS). Lá, Yaping e os colegas taikonautas Nie Haisheng e Zhang Xiaoguang conduzirão vários experimentos e farão uma palestra ao vivo para estudantes chineses em terra.
- Por meio deste evento, esperamos trazer o programa espacial para mais perto das gerações mais jovens, aumentando sua compreensão e atraindo seu interesse para nosso trabalho – comentou Ping no anúncio da missão, transmitido pela rede estatal de TV.
Segundo o porta-voz, o módulo Tiangong 1, há 620 dias no espaço, está em boas condições e pronto para receber os taikonautas. Ele reconheceu, no entanto, que alguns sistemas e componentes podem não estar funcionando devidamente, já que o laboratório foi projetado para ficar em órbita durante dois anos, prazo que termina daqui a apenas três meses. Apesar disso, a missão também tem entre seus objetivos principais novos testes dos procedimentos de acoplagem, tanto manual quanto automática.
Emissões de CO2 no mundo batem novo recorde, aponta AIE
Montagem da agência Reuters mostra a poluição do ar entre os dias 6 e 15 de março deste ano, durante o Congresso Nacional do Povo, em Pequim, sessão anual do Parlamento chinês. País foi o que mais contribuiu com as emissões globais de CO2
As emissões de CO2 (dióxido de carbono) em todo o mundo aumentaram 1,4% em 2012, nível considerado recorde pela Agência Internacional de Energia (AIE), que divulgou relatório nesta segunda-feira (10).
Segundo o órgão, foi registrada a emissão total de 31,6 gigatoneladas de gases-estufa no ano passado.
No entanto, apesar da alta, há diferenças regionais, com países reduzindo seus índices e outros aumentando.
Os cientistas disseram que o aumento da temperatura média global precisa ser limitado a menos de 2 ºC neste século para evitar efeitos climáticos, como quebras de safra e derretimento de geleiras, o que exigiria que as emissões sejam mantidas a cerca de 44 bilhões de toneladas de CO2 até 2020.
Diferenças regionais A China foi quem mais emitiu gases-estufa e contribuiu para o crescimento global. De acordo com o relatório, foi expelido um adicional de 300 milhões de toneladas de gases em relação ao ano de 2011. No entanto, o aumento foi considerado baixo se comparado com períodos anteriores devido aos investimentos pesados que o país asiático fez na última década para adotar fontes renováveis e melhorar a eficiência energética.
Nos Estados Unidos, a substituição de usinas de carvão por tecnologias que usam gás natural na geração de energia ajudou a reduzir as emissões em 200 milhões de toneladas nos últimos anos, trazendo-as de volta ao nível de meados de 1990.
Na Europa, a desaceleração da economia em decorrência da crise e o crescimento do uso de fontes renováveis -- além de políticas que restringem as emissões provenientes da indústria -- fizeram o continente reduzir em 50 milhões de toneladas de CO2.
Emissões do Japão, entretanto, aumentaram em 70 milhões de toneladas, ou 5,8%, enquanto os esforços para melhorar a eficiência energética não conseguiram compensar o aumento da utilização de combustíveis fósseis, após o acidente nuclear de Fukushima em 2011, disse a AIE.
Planeta em risco Segundo Maria Van de Hoeven, diretora da AIE, com o ritmo atual de emissões a temperatura do planeta deve crescer entre 3,6 ºC e 5,3 ºC nas próximas décadas. Ainda segundo ela, dois terços dessas emissões são provenientes do setor energético.
Segundo Fatih Birol, economista-chefe da agência, o setor deve se adaptar urgentemente às mudanças climáticas pois pode ser duramente afetado por elas. Ele cita inundações e ciclones como catástrofes naturais que podem impactar a infraestrutura petrolífera, por exemplo.
A AIE é organização autônoma sediada em Paris, que tem como objetivo pesquisar fontes de energia confiáveis, baratas e limpas para seus 28 países membros – o Brasil não faz parte do grupo.
Por que Cuba tem tantos médicos?
A notícia de que o governo brasileiro estaria estudando levar
médicos cubanos ao país desatou uma imensa polêmica no mês passado. Se
concretizados, tais planos incluiriam o Brasil em uma longa lista de países que
já recebem médicos da ilha.
Mas como, afinal, Cuba chegou a ter tantos médicos? E por que tem tanto
interesse em "exportar" seus serviços para outros países?
Em Cuba, os profissionais da área de saúde têm uma função bem mais ampla do
que simplesmente atender à população local. Já há algum tempo, a exportação de
serviços médicos tornou-se crucial para a economia da ilha.
Segundo informações repassadas pela chancelaria do país ao correspondente da
BBC Mundo em Havana, Fernando Ravsberg, o contingente de profissionais de saúde
cubanos fora da ilha incluem atualmente 15 mil médicos, 2,3 mil oftalmologistas,
5 mil técnicos de saúde e 800 prestadores de serviço trabalhando em 60 países e
gerando lucros milionários ao regime - as cifras mais otimistas falam em até US$
5 bilhões (R$ 10,6 bilhões) ao ano.
O serviço que os médicos cubanos prestam à Venezuela, por exemplo, permite
que Cuba receba 100 mil barris diários de petróleo. E também há profissionais em
outros países da região, cerca de 4 mil na África, mais de 500 na Ásia e na
Oceania e 40 na Europa.
Segundo fontes oficiais, a Venezuela pagaria esses serviços por consulta - e
a mais barata custaria US$ 8 (R$ 17) em 2008. Já a África do Sul pagaria
mensalmente US$ 7 mil (R$ 14,9 mil) por cada médico da ilha.
Para muitos países em desenvolvimento, o atrativo dos médicos cubanos é que
eles estão dispostos a trabalhar em lugares que os locais evitam, como bairros
periféricos ou zonas rurais de difícil acesso - onde moram pessoas de baixíssimo
poder aquisitivo. Além disso, em geral eles também receberiam remunerações mais
baixas.
História
Em 1959, Cuba contava com apenas 6 mil médicos, sendo que a metade deles
emigrou após a Revolução. A crise sanitária que se seguiu a essa debandada
alertou o governo para a necessidade de formar profissionais de saúde em ritmo
acelerado, como relata Ravsberg.
Meio século depois, o país tem 75 mil médicos, ou um para cada 160 habitantes
- a taxa mais alta da América Latina.
Boa parte dos médicos que ficaram na ilha após a Revolução viraram
professores, foram abertas faculdades de medicina em todo o país e se priorizou
o acesso de estudantes ao setor. Tudo facilitado pelo fato de o ensino ser
gratuito.
A primeira missão de saúde ao exterior foi organizada em 1963. Apesar da
escassez de médicos, Cuba enviou alguns de seus profissionais à Argélia para
apoiar os guerrilheiros que acabavam de obter a independência. Eram os primeiros
de 130 mil colaboradores que, ao longo dos anos, já trabalharam em 108
países.
O tema dos profissionais de saúde cubanos no exterior é um dos muitos que
dividiram Cuba e EUA - e Washington chegou a criar um programa para facilitar os
vistos para médicos cubanos que estejam trabalhando em terceiros países.
Incentivos
No exterior, esses profissionais de saúde recebem salários muito mais altos
do que os que trabalham dentro de Cuba, como explicaram a Ravsberg duas médicas,
sob a condição de anonimato.
Alicia (o nome é fictício) disse ter trabalhado na Venezuela durante 7 anos e
garante que, apesar de já estar aposentada, "se me pedissem para voltar,
aceitaria sem pestanejar".
"O que me motivou foi a possibilidade de trabalhar com o apoio a diabéticos,
porque padeço da doença. Comecei (atendendo) gente que perdia a visão por causa
disso", diz, agregando que "também buscava uma melhoria econômica, porque o
salário (em Cuba) não era suficiente".
"Cheguei à Venezuela ganhando 400 bolívares (R$ 135), mas foram subindo (o
salário) e, antes de voltar, ganhava 1,4 mil (R$ 474)", diz. "Foi uma
experiência maravilhosa, que não dá para esquecer. (Atendia) pessoas pobres e
algumas delas me ligam até hoje em Cuba."
No Brasil
Juana (outro nome fictício) tem 35 anos e é médica em Cuba. Quando
recém-formada, deixou marido e a filha de 4 anos na ilha para trabalhar na
Venezuela, com a ideia de se desenvolver profissionalmente, conhecer o mundo e
melhorar sua situação econômica.
"Não tinha absolutamente nada. Graças à missão, mobiliei toda minha
casa."
Agora, ela tem a chance de voltar a viajar. "O Ministério me chamou para
trabalhar no Brasil, em condições muito melhores do que na Venezuela", disse à
BBC.
Segundo o projeto inicial, anunciado no início de maio, o governo brasileiro
estudava contratar 6 mil médicos cubanos para trabalhar principalmente em áreas
remotas do país.
O Conselho Federal de Medicina, porém, expressou "preocupação" com a
possibilidade de médicos estrangeiros atuarem no Brasil sem passar por exames de
avaliação, alegando que isso poderia expor a população a "situações de risco".
Nos cinco continentes
Até em Cuba a "exportação de médicos" causa alguma polêmica.
A formação de tantos profissionais de saúde permitiu que a ilha criasse a
figura do Médico de Família, profissionais que atendem em todos os bairros e
encaminham os pacientes para especialistas ou hospitais.
Mas esse é justamente o programa mais afetado pela saída dos médicos ao
exterior.
O fechamento de algumas das casas de saúde gera insatisfação entre os
cubanos, aumenta a concentração de pacientes por médico e o tempo de espera.
"Ainda assim, 60 mil médicos ficaram em Cuba, 1 para cada 200 habitantes -
média melhor que a de muitos países desenvolvidos", diz Ravsberg.
"A ilha também tem uma expectativa de vida próxima aos 80 anos e programas de
prevenção a Aids e HIV reconhecidos internacionalmente."
BBC
domingo, 9 de junho de 2013
Deixando o Sistema Solar, Voyager segue em busca do meio interestelar
O primeiro objeto terráqueo a deixar o Sistema Solar. A candidata é a Voyager 1,
sonda de exploração espacial lançada há 35 anos pela Nasa. A possibilidade de
que ela já houvesse chegado ao espaço interestelar foi aventada em estudo
publicado em março, na revista Geophysical Research Letters. Mas grande
parte da comunidade científica, inclusive a agência espacial americana, acredita que a viajante
ainda não tenha atravessado a fronteira. Segundo estimativas, o marco poderá ser
comemorado em menos de uma década.
Com base no relatório, cuja autoria principal recai sobre o
astrônomo Bill Webber, professor da Universidade Estadual do Novo México, a
União Americana de Geofísica chegou a anunciar o feito como definitivo, para
logo se corrigir e descrever a posição da Voyager como uma nova região do
espaço. A agitação na comunidade científica foi imediata, e a Nasa apressou-se
em declarar que o limite do Sistema Solar ainda não havia sido cruzado. Desde
então, viu-se aumentada a expectativa dessa confirmação e do que a Voyager
encontrará no desconhecido.
Transição
Para o doutor em Astrofísica Alexandre Zabot, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), não há um ponto que marque o fim do Sistema Solar. Ele fala em uma área de transição, passando de uma região onde o Sol é a maior influência para uma região onde as outras estrelas exercem esse papel. “Atualmente, as Voyagers estão nessa região de transição”, diz, referindo-se às sondas 1 e 2 - que distam 3 bilhões de quilômetros entre si.
Para o doutor em Astrofísica Alexandre Zabot, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), não há um ponto que marque o fim do Sistema Solar. Ele fala em uma área de transição, passando de uma região onde o Sol é a maior influência para uma região onde as outras estrelas exercem esse papel. “Atualmente, as Voyagers estão nessa região de transição”, diz, referindo-se às sondas 1 e 2 - que distam 3 bilhões de quilômetros entre si.
A Voyager 1 está a 18,4 bilhões de quilômetros da Terra. Apesar de
ter sido enviada ao espaço duas semanas depois da Voyager 2, realizou trajetória
elíptica que a colocou em vantagem na missão interestelar e, por isso, recebeu o
número 1.
Zabot acredita que há consenso na classe científica quanto ao não
ingresso da sonda no espaço interestelar. A dúvida, explica o astrofísico,
reside no desconhecimento quanto ao tamanho da região de transição. Enquanto o
fim não for alcançado, restará a dúvida se as Voyagers estão mais perto da parte
de fora do Sistema Solar ou da parte de dentro.
“Sabemos que, quando este momento chegar, o campo magnético não
será mais o do Sol, e as principais partículas também não serão mais oriundas
dele, mas esse é um momento que ainda não chegou”, afirma.
As estimativas do tempo restante para o meio interestelar são
imprecisas. Zabot entende que, com base em modelos e observações astronômicas, é
possível aguardar que a passagem por essa região ocorra nos próximos anos, em
menos de uma década. Em dezembro, Edward Stone, cientista do projeto Voyager,
declarou que a aposta da Nasa é de alguns meses a dois anos.
Surpresas
Após as espaçonaves deixarem a região dominada pelo Sol, será possível analisar
os dados obtidos e declarar, oficialmente, em que faixa de distâncias acaba o
Sistema Solar. Essa será apenas mais uma das conquistas proporcionadas pela
Voyager, entre aquelas que ainda são aguardadas com certa curiosidade.
Zabot acredita que o meio interestelar seja muito mais calmo do
que o ambiente do Sistema Solar, devido a menor quantidade de partículas
encontradas e a sua velocidade. Outro ponto aguardado refere-se ao campo
magnético, o qual, não sendo mais governado pelo Sol, pode ser mais
irregular.
“Podemos ter surpresas, mas não se sabe quais serão. Seria
interessante que as tivéssemos, pois poderíamos aprender muito a partir delas”,
afirma o astrofísico, lembrando que a Ciência respira surpresas.
Vento solar
O principal indicativo considerado para declarar completa a transição das sondas à zona interestelar está no chamado vento solar, que são as partículas emitidas pelo astro (prótons e elétrons, principalmente). A Voyager 1 detectou uma queda abrupta de velocidade do vento solar, ou seja, um declínio da intensidade de partículas energéticas vindas do Sol. O fato aponta para uma aproximação da sonda do meio interestelar.
O principal indicativo considerado para declarar completa a transição das sondas à zona interestelar está no chamado vento solar, que são as partículas emitidas pelo astro (prótons e elétrons, principalmente). A Voyager 1 detectou uma queda abrupta de velocidade do vento solar, ou seja, um declínio da intensidade de partículas energéticas vindas do Sol. O fato aponta para uma aproximação da sonda do meio interestelar.
Conforme Zabot, todas as estrelas emitem essas partículas a partir
de suas atmosferas, atingindo os planetas. No caso da Terra, podem danificar
satélites ou afetar a saúde de astronautas em órbita se não estiverem bem
protegidos. “As auroras boreais e austrais também são causadas por elas”,
exemplifica.
Missão cumprida
A Voyager 1 foi lançada ao espaço em 5 de setembro de 1977, com a missão de visitar e estudar Júpiter e Saturno, os dois maiores planetas do Sistema Solar. Juntas, as sondas 1 e 2 revelaram detalhes dos anéis de Saturno, descobriram os anéis de Júpiter e passaram ainda por Urano, Netuno e 48 luas.
A Voyager 1 foi lançada ao espaço em 5 de setembro de 1977, com a missão de visitar e estudar Júpiter e Saturno, os dois maiores planetas do Sistema Solar. Juntas, as sondas 1 e 2 revelaram detalhes dos anéis de Saturno, descobriram os anéis de Júpiter e passaram ainda por Urano, Netuno e 48 luas.
A missão para a qual foi criada concluiu-se em 1980, mas a Voyager
1 segue enviando informações importantes, embora a comunicação com a Terra
esteja cada vez mais lenta - os dados transmitidos à Nasa demoram mais de 16
horas para serem detectados.
Para Alexandre Zabot, surpreende a capacidade dos equipamentos a
bordo continuarem funcionando, inclusive as antenas que permitem a comunicação
com a Terra. “Guardadas as devidas proporções, a tecnologia a bordo das
espaçonaves Voyager é muito avançada e robusta, mesmo tendo sido feita há quase
quatro décadas”, conclui.
Viagem de 500 anos - Mary Rose: os segredos revelados do navio Tudor
Ninguém jamais ousaria imaginar, em 1509, que o então recém-inaugurado navio de guerra inglês, Mary Rose, um dos mais importantes da frota do rei Henrique VIII, um dia viajaria longe o suficiente para chegar ao século XXI. Esta poderosa máquina de guerra lutou e venceu várias batalhas contra os mais diversos inimigos de seu país por pouco mais de três décadas. Mas não sobreviveu para ver os 30 mil soldados franceses e seus 200 navios se renderem aos 19 mil ingleses, com suas 20 embarcações, na batalha de Solent (quando a França tentou, sem sucesso, invadir a Inglaterra): naufragou na véspera, no dia 19 de julho de 1545.
Mais de 500 anos depois, de volta a Portsmouth, na Inglaterra, de onde saiu para o oceano pela primeira vez, tornou-se uma espécie de cápsula do tempo e, depois de décadas de pesquisas, ganhou um museu que acaba de ser inaugurado. Resgatados do fundo do mar, a partir de escavações arqueológicas consideradas as mais profundas de que se tem notícia, ele e os 19 mil objetos que afundaram séculos atrás com a embarcação têm a missão de reconstituir a história de uma era.
— É algo totalmente inédito. O Mary Rose e os objetos que viajavam com ele nos dão uma visão única da vida cotidiana no período dos Tudors. Não há nada similar. É único não só pela abrangência da coleção, mas pela sua capacidade de retratar uma era — disse o arqueólogo Christopher Dodds, diretor de Interpretação do museu Mary Rose, à frente do projeto desde o seu inicio.
O minucioso quebra-cabeça montado pelos cientistas permitiu não apenas reproduzir hábitos, mas rostos de parte dos cerca de 500 tripulantes que morreram a bordo do navio, além de um cachorro. O trabalho foi feito por médicos forenses, habituados a lidar com vítimas de assassinatos. Não há listas nem nomes dessas pessoas, mas sete delas ganharam corpos e passaram a representar a cara do naufrágio na exposição permanente. Estudos arqueológicos indicam que eram homens e meninos entre 12 e 40 anos. Não há indícios da presença de mulheres, nem de objetos que fizessem os navegadores de se lembrar delas.
— Carregar fotos ou outros tipos de recordação da família era mais uma coisa da nobreza. Não encontramos nada referente a mulheres, mas itens relacionados à religião — conta Dodds.
Apaixonado pelo resultado final da empreitada, o arqueólogo destaca que não há réplicas no museu. Todos os objetos são originais, o que faz do navio uma verdadeira máquina do tempo. O mais impressionante é que não se trata apenas de uma coleção completíssima de instrumentos musicais ou equipamentos de medicina da era Tudor, nem objetos de madeira e cobre, ou artigos pessoais. Recuperaram-se detalhes tão pequenos como o que estavam comendo a bordo.
Além das armas e armamentos já conhecidos do período, objetos pessoais encontrados em baús intactos ajudam a identificar as particularidades da tripulação, como se vestiam e o que faziam para se divertir.
— O Mary Rose te leva de volta ao passado. Estamos falando de objetos originais, num momento em que há tantas reproduções feitas em computador no mundo, em Hollywood — afirma. — Havia restos de espinhas de peixe, por exemplo.
Se a exposição "In fine style: the Art of Tudor e Stuart Fashion" (Em alto estilo: a arte da moda dos Tudor e dos Stuart), que acaba de estrear na Queen's Gallery do Palácio de Buckingham, em Londres, é o retrato fiel da moda da corte dos Tudors, pelas telas de artistas, de membros da nobreza, o Mary Rose vai muito além. Ele reconstituiu uma sociedade inteira. É como se o visitante pudesse entrar nos retratos da época. Esta é uma das suas grandes virtudes, na avaliação de especialistas. O historiador David Starkey o chamou de "Pompeia britânica".
Uma espécie de Titanic do século XVI, o Mary Rose era para a sua época um exemplo de modernidade. Equipamentos garantiram sua sobrevida por 34 anos, o que era muito tempo para o um navio de guerra do período. A diferença é que o Titanic foi feito para os cruzeiros de luxo. A bordo do navio cujo naufrágio foi tema de filmes e marcou o século XX, morreram centenas de tripulantes e passageiros que faziam uma viagem luxosa até o momento em que baterem contra um iceberg numa noite de lua cheia.
O Mary Rose permaneceu no fundo do mar por pelo menos 300 anos sem que se tivesse notícias do seu paradeiro. Algumas peças chegaram a ser encontradas pelos mergulhadores John e Charles Deane em 1836. Pouco depois, perdeu-se de vista novamente por mais um século. Somente a partir de 1971 as buscas voltaram a ser feitas. Mesmo assim, lentamente.
Centenas de pessoas trabalharam neste projeto que levou década para ser finalizado. Estima-se em 28 mil o número de mergulhos realizado por 500 profissionais. Não há estatísticas para os custos de pesquisa desde os primeiros mergulhos. Mas o museu custou 27 milhões de libras (ou cerca de R$ 90 milhões) e a manutenção do navio, que precisou ser umidificado com água fresca durante 30 anos para depois ser encerado, saiu a 8 milhões de libras (pouco mais de R$ 26 milhões). O contribuinte britânico não pagou um tostão. Os recursos vieram de parcerias e doações.
— Estamos falando aqui do trabalho não apenas de arqueólogos, mas de mergulhadores, museólogos, restauradores, publicitários, arquitetos, designers, engenheiros, administradores, economistas, o pessoal que levantou dinheiro, que vendeu ingressos — comemora Dodds.
O Titanic também acaba de receber um museu milionário na cidade de Belfast, na Irlanda do Norte, onde foi construído. O acervo são as histórias, estatísticas e as reproduções do ambiente a bordo do navio e da sociedade da época, além de algumas peças originais.
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