quarta-feira, 16 de maio de 2018

Dia Mundial da Internet: confira as cidades com as melhores conexões WiFi públicas no Brasil

 
gambiarra zuckerberg fita adesiva
 
Por ocasião do “Dia Mundial da Internet”, comemorado no dia 17 deste mês, o aplicativo Instabridge, considerado a maior comunidade de compartilhamento de WiFi público no mundo, fez um levantamento entre as 1 milhão de pontos de internet móvel públicos no Brasil compartilhados por seus usuários para identificar as áreas metropolitanas com as melhores conexões de internet móvel disponíveis para acesso e utilização dos seus 11,5 milhões de usuários somente no Brasil – no mundo, o Instabridge soma mais de 19,5 milhões de downloads.
Entre as áreas metropolitanas mapeadas, Recife ocupa o primeiro lugar do ranking com 41,31% do total de redes disponíveis na região (20 mil) com maior probabilidade de conexão pelo usuário. A classificação do ranking Instabridge leva em consideração a estabilidade da internet, a quantidade de vezes em que o ponto WiFi foi utilizado desde seu compartilhamento por um usuário no aplicativo, atualizações recentes da conexão pela comunidade, entre outros fatores.
Em seguida, ainda estre as cinco primeiras posições estão Campinas (38.40%), Fortaleza (38.22%), Curitiba(38.08%) e Salvador (36.54%). Já as três maiores capitais brasileiras por população, São Paulo, Rio de Janeiro, eBrasília estão nas últimas colocações no top 10 de redes WiFi públicas do Instabridge com probabilidade de conexão e navegação pelo usuário: apenas 33.27%; 33.71%; e 34.03%; respectivamente, do total de pontos WiFi no aplicativo oferecem, de fato, uma boa conexão para o usuário. Em relação ao número de redes WiFi cadastradas no Instabridge, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte têm as áreas metropolitanas com a maior soma de pontos WiFi: 115 mil, 74 mil, 25 mil, respectivamente.
O Brasil é o quarto país com maior número absoluto de usuários de Internet, ficando atrás de Estados Unidos, Índia e China, segundo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) do ano passado. Entre os usuários da Internet com 10 anos ou mais de idade, 94,6% se conectaram via celular, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua 2016, especificamente para acesso a TV, celular e internet, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Somado a isso, 94% usaram a internet para trocar mensagem (de texto, voz ou imagens). 
“Os brasileiros estão usando a internet como uma forma de comunicação alternativa, por isso, a demanda por boas conexões também aumenta. Nossa missão não é apenas trazer internet para todos, mas também oferecer o acesso à internet de qualidade. A rede encurta distâncias, fortalece laços, facilita burocracias”, comenta Niklas Agevik, CEO na Instabridge.

Pesquisa mostra que 50% dos brasileiros passam mais de 6h por dia na internet

Internet

Uma pesquisa realizada pela ESET mostra os atuais hábitos de usuários brasileiros na internet. O documento revela que mais de 53% dos usuários passam mais de 6 horas por dia conectados.
 A empresa atua no mercado de detecção de ameaças e fez o levantamento com base em dados compartilhados por usuários de seus produtos. Segundo o documento, 26,6% das pessoas utilizam a internet por meio da banda larga fixa, enquanto 57% acessam por meio de wi-fi privado e 9,4% por pacote de dados móveis.
Outro hábito levantado pela pesquisa mostra que 68% usam computadores do escritório onde trabalha, enquanto que o celular é o favorito de 3 em cada 10 pessoas para se conectar.
Em relação ao dispositivo no qual preferem se conectar, a pesquisa mostra que 68% escolheu o PC como o favorito, seguido pelo celular (26,6%), o videogame (3,87%) e a TV (3,23%).
Como a empresa trabalha com segurança na internet, este também é um tema do estudo. Ao todo, 34,6% das pessoas pesquisadas foi vítima de alguma ameaça cibernética, sendo que a maioria delas (23%) sofreu especificamente com phishing e 14% não sabe se já foi afetado por ameaças. Os dados também revelam que usuários não se mostram confiantes em segurança, já que 82,8% utilizam soluções do setor, mas 85% acham que o ambiente digital continuará a ser inseguro com possibilidade de a situação se agravar nos próximos anos. Em contrapartida, 97% dos entrevistados acreditam que este assunto deveria fazer parte da formação educacional nas escolas.

Estudo aponta quem é o dono do carbono no Brasil



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Do total de 52 gigatoneladas (Gt) que compõem o estoque de carbono armazenado em vegetação nativa no Brasil, 67% estão em terras públicas, sendo que metade (26 Gt) está protegida em unidades de conservação e em terras indígenas.
Apesar de o Estado ser o principal “dono” desse carbono, isso não significa que essas reservas estejam protegidas, sem o risco de se converterem em gases de efeito estufa (GEE). Aproximadamente 20% dessas reservas (10 Gt) estão desprotegidas em 80 milhões de hectares de terras públicas sem titulação ou destinação clara, onde a disputa pela propriedade e o desmatamento ilegal desafiam a preservação da vegetação nativa e podem levar ao aumento das emissões brasileiras de GEE.
As constatações são de um estudo realizado por pesquisadores da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), em colaboração com colegas do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), da KTH Royal Institute of Technology e da Chalmers University of Technology – ambas instituições da Suécia.
O estudo integra o projeto “Atlas da Agropecuária Brasileira”, realizado pelo Imaflora em parceria com o Geolab da Esalq-USP, com apoio da FAPESP. Os resultados do estudo foram publicados na revista Global Change Biology.
“Conseguimos identificar, pela primeira vez, onde está e a quem pertence o carbono no Brasil que está acima do solo, tanto em vegetação nativa, como em culturas e pastagens, de todos os biomas brasileiros”, disse Luís Fernando Guedes Pinto, pesquisador do Imaflora e um dos autores do estudo, à Agência FAPESP.
Para quantificar o estoque de carbono acima do solo no país e identificar seu “tutor”, os pesquisadores desenvolveram uma base georreferenciada da malha fundiária brasileira. A malha abrange todo o território nacional e integra bases de dados oficiais, como as das áreas protegidas nacionais e estaduais – como áreas de conservação, terras indígenas e militares –, além das bases de imóveis e de assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e os polígonos de imóveis do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Juntas, essas bases de dados recobrem 80% do país. Para as áreas sem cobertura foi realizada uma modelagem complementar que considera essa porção do território como sendo terra privada, estima os limites dos imóveis rurais a partir dos dados do Censo Agropecuário do IBGE de 2006 e reproduz a distribuição de tamanho dos imóveis rurais censitados em cada município ou setor censitário.
“A malha fundiária representa a aproximação mais realista do tamanho, da localização e da distribuição dos imóveis privados, além dos assentamentos e das terras públicas brasileiras”, disse Guedes Pinto.
As análises dos dados revelaram que, além de 20% do carbono (10 Gt) encontrado em 80 milhões de hectares de terras públicas sem titulação ou destinação clara estar desprotegido, há outros 3,4 Gt de carbono também sem proteção em propriedades privadas, que ocupam 65% do território brasileiro, mas englobam somente 30% do carbono (15,8 Gt).
Embora o Código Florestal proteja 75% (12,4 Gt) do estoque de carbono encontrado nessas propriedades privadas por meio de reservas legais e áreas de preservação permanente,  os outros 25% (3,4 Gt) estão desprotegidos em 101 milhões de hectares, aponta o estudo.
“Nossos resultados indicam que, embora haja uma grande área de vegetação nativa e um grande estoque de carbono protegido no Brasil, aproximadamente 25% (13,4 Gt) – que representa a soma do carbono desprotegido em terras públicas e privadas – ainda estão desprotegidos, expostos ao risco de desmatamento e podendo contribuir para o consequente aumento das emissões brasileiras de gases de efeito estufa”, avaliou Guedes Pinto.
Desproteção por biomas
De acordo com o estudo, o Cerrado é o bioma com o maior volume de carbono desprotegido: 1,4 Gt, correspondente a 40% do carbono com risco de emissão no país. Em segundo lugar está a Amazônia, que responde por um terço do carbono desprotegido no Brasil (1Gt), seguida pela Caatinga, que também tem um grande volume de carbono e área de vegetação nativa desprotegidos.
A análise também permitiu identificar que a distribuição do carbono por tamanho de imóvel rural é desigual e varia para cada bioma do Brasil.
Somente 2% de grandes imóveis ocupam metade da área privada e acumulam também metade do carbono em terras privadas. Um terço das terras privadas são ocupadas por 93% pequenos e médios imóveis.
No caso da Amazônia, por exemplo, os pesquisadores estimam que 7 mil grandes imóveis acumulam 15% (0,5 Gt) do carbono desprotegido do Brasil, enquanto outros 110 mil pequenos imóveis retenham outros 10% (0,34%). Já o Cerrado é dominado por grandes imóveis: cerca de 30 mil acumulam 25% do carbono nacional desprotegido, enquanto outros 600 mil pequenos e médios imóveis representam apenas 17%.
“O estudo indica que a conservação do carbono desprotegido no Brasil vai depender de uma combinação de políticas que incluem a regularização fundiária, a destinação de terras, a implementação do Código Florestal e outros instrumentos que priorizem a proteção da vegetação nativa e estoques de carbono que excedem a proteção dos mecanismos legais”, avalia Gerd Sparovek, professor da Esalq-USP e um dos autores do estudo.
“Além disso, este conjunto de políticas deve ser desenhado e implementado de maneira adaptada para as diferentes realidades produtivas, ecológicas e de governança de cada região do país”, afirmou.
J.do Brasil

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Sonda InSight da Nasa estudará terremotos do Planeta

Resultado de imagem para foto da sonda InSight da Nasa
 
A Nasa se prepara para implementar sua primeira missão a Marte desde 2012 com o lançamento, no sábado, da sonda InSight, que estudará sua atividade tectônica para desvendar o mistério da formação dos planetas rochosos.
O lançamento do veículo, batizado Interior Exploration Using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport (InSight), está previsto para 11H05 GMT (08H05 em Brasília) de sábado na base Vandenberg da Força Aérea americana, na Califórnia.
Originalmente estava programado para 2016, mas a descoberta de vazamentos em um dos instrumentos meses antes da data forçou o adiamento. As janelas de lançamento favoráveis para Marte ocorrem apenas a cada dois anos.
Se tudo correr de acordo com o plano esta vez, a sonda deveria chegar ao seu destino em 26 de novembro, quando se tornaria o primeiro aparelho da Nasa a pousar em Marte desde o veículo explorador Curiosity, em 2012.
Como a Terra e Marte provavelmente se formaram de forma similar há 4,5 bilhões de anos, a agência espacial americana espera que a missão ajude a compreender porque ambos os planetas são tão diferentes.
"Como fomos de uma bola de rochas com poucos relevos a um planeta que pode ou não sustentar a vida é uma questão crucial na ciência planetária", disse Bruce Banerdt, o pesquisador principal do InSight no Jet Propulsion Laboratory da Nasa em Pasadena, Califórnia.
"Gostaríamos de poder entender o que aconteceu", afirmou.
- Pistas -
Na Terra, esta evolução ficou oculta por bilhões de anos de terremotos e de movimento de rochas fundidas no manto, explicou o cientista.
Mas Marte, o quarto planeta a partir do Sol, que é menor e menos ativo geologicamente que nosso planeta, poderia abrigar algumas pistas sobre o assunto.
InSight recolherá dados através de três instrumentos: um sismômetro, um dispositivo para localizar com precisão a sonda enquanto Marte oscila sobre seu eixo de rotação e um sensor de fluxo de calor inserido a cinco metros no subsolo marciano.
Os Estados Unidos investirão 813,8 milhões de dólares no lançamento do foguete com a sonda, enquanto a França e a Alemanha forneceram 180 milhões de dólares para os instrumentos que serão usados para os estudos em Marte, segundo a Nasa.
Além disso, a Nasa gastou 18,5 milhões de dólares em um par de mininaves espaciais que viajarão também no foguete.
Chamados Mars Cube One, ou MarCO, estes satélites "voarão pelo seu próprio caminho a Marte atrás do InSight" e testarão novos equipamentos de comunicação no espaço profundo, disse a agência americana.
- Martemotos -
A missão do InSight será, em primeiro lugar, detectar os "martemotos" que, de acordo com a descrição da Nasa, são "como um flash que ilumina a estrutura interna do planeta".
Os cientistas esperam registrar até uma centena de terremotos no decorrer da missão. A maioria deveria ser inferior a seis na escala aberta de Richter.
Estudar a forma como as ondas sísmicas se deslocam através da crosta, o manto e o núcleo do Planeta Vermelho poderia ajudá-los a saber mais sobre como estão constituídas as diferentes camadas e que espessura têm.
O Seismic Experiment for Interior Structure (SEIS) foi desenhado pelo Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES) da França, enquanto o detector de calor Heat Flow and Physical Properties Package (HP3) é uma colaboração entre as agências espaciais alemã, DLR, e polonesa, CBK.
As sondas Viking da Nasa lançadas no final da década de 1970 dispunham de sismômetros, dos quais apenas um havia funcionado, mas era muito menos sensível porque estava fixado na parte superior da sonda.
Desta vez, o sismômetro do InSight será colocado diretamente no solo, graças a um braço robótico.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Cinco fatores que podem estar te fazendo engordar sem que você saiba o porquê

Jackie (à esquerda) e Gillian (à direita) são gêmeas, mas têm pesos diferenteso

Muita gente acredita que a luta contra a obesidade é apenas uma questão de força de vontade para manter uma dieta, mas as pesquisas médicas mais recentes sugerem o contrário.
O documentário da BBC The Truth About Obesity ("A Verdade Sobre a Obesidade", em tradução livre), elenca cinco fatores que podem estar afetando o seu peso sem que você saiba.
1. O seu microbioma
O corpo humano é repleto de micro-organismos - há mais células de bactérias, fungos e vírus presentes em nosso organismo do que células humanas. Em número, os micro-organismos são 57% das células no corpo humano, embora as células humanas sejam maiores e representem mais massa e volume.
O entendimento científico dominante hoje é que esses micro-organismos - o chamado microbioma - têm um papel enorme em diversos fatores na nossa vida e na nossa saúde, incluindo o peso.
Afinal, a maior parte desses organismos estão no nosso sistema digestivo.
"Quanto maior a diversidade de microorganismos, mais magra é a pessoa. Se você tem sobrepeso, seus micróbios não são tão diversos como deveriam ser", explica o epidemologista Tim Spector, do King's College, em Londres.
Um exemplo são as gêmeas Gillian e Jackie: são muito parecidas, mas uma tem 41 quilos a mais do que a outra.
Spector acompanhou a saúde das duas durante 25 anos como parte do projeto de pesquisa Twin Research UK, que registra gêmeos no Reino Unido. Ele diz que a diferença de peso entre as irmãs se deve às diferenças em suas faunas microbianas.
Uma análise das fezes das gêmeas mostra que Gillian, a mais magra das duas, tem uma gama muito mais diversa de micróbios, enquanto Jackie tem poucas espécies de microorganismos vivendo em seu intestino.
Um estudo feito por Spector com 5 mil pessoas mostra resultados similares.
Diversos fatores afetam a diversidade dos micro-organismos no corpo humano - do tipo de parto aos antibióticos usados durante a vida.
Parte dos microorganismos são herdados da mãe, durante o parto normal. Outros são adquiridos no ambiente. Mas a maior parte vêm - e se prolifera - pela alimentação.
"Toda vez que você come, alimenta cem bilhões de micróbios. Você nunca janta sozinho", diz Spector.
Uma dieta rica em fibras, por exemplo, ajuda o microbioma intestinal a se desenvolver de maneira saudável.

2. A loteria dos genes

Porque algumas pessoas seguem dietas rigorosas e fazem exercício regularmente e mesmo assim sofrem para conseguir perder peso, enquanto outras se alimentam mal e são sedentárias, mas continuam magras?
Pesquisadores da Universidade de Cambridge dizem que os genes que herdamos têm uma influência de 40% a 70% sobre nosso peso.
"É uma loteria", diz a médica Sadaf Farooqi, pesquisadora da Universidade de Cambridge. "Os genes estão envolvidas na regulação do peso e - se você tem uma falha em alguns genes, isso pode ser suficiente para estimular a obesidade."
Certos genes afetam o apetite - da quantidade de comida que se tem vontade de comer ao tipo de alimento que alguém pode preferir. Outros afetam a forma que queimamos calorias e se nossos corpos administrarão a quantidade de gordura de maneira eficiente.
Há pelo menos 100 genes que podem afetar o peso, incluindo um chamado MC4R. Acredita-se que uma em cada mil pessoal tenha uma mutação no MC4R, que afeta a fome e o apetite. As pessoas com essa mutação tendem a ter mais fome e comer comida mais gordurosa.
"Realmente não há nada que se possa fazer em relação aos genes. Mas, para algumas pessoas, saber que os genes as predispõem a engordar pode ajudar a lidar com a questão da dieta e dos exercícios", explica a pesquisadora.

3. A rotina

Há um fundo de verdade no velho ditado: "tome café da manhã como um rei, almoce como um lorde e jante como um mendigo".
O médico James Brown, especialista em obesidade, diz que quanto mais tarde comemos, maior a probabilidade de que ganhemos peso. Não porque estamos menos ativos à noite, como muitos acreditam, mas por cuasa de nosso relógio biológico.
"O corpo humano está programado de forma que manejamos com maior eficiência as calorias durante o dia, quando há luz, do que à noite, quando está escuro", explica ele.
Durante a noite, nosso corpo tem mais dificuldade de digerir gorduras e açúcares.
Na última década, a hora do jantar no Reino Unido, na média, passou das 17h para as 20h - e isso contribuiu para o aumento nos níveis de obesidade do país, segundo Brown.
4. O efeito visual
O pesquisador britânico Hugo Harper, que pesquisa comportamento, diz que existem formas de mudar o comportamento alimentar insconciente em vez de apenas contar calorias.
 
5. Os hormônios
Nosso apetite é controlado por hormônios, cuja produção pode ser afetada por diversos fatores.
Alguns dos tratamentos para níveis extremos de obesidade funcionam também por controlar os hormônios.
O resultado da cirurgia bariátrica, por exemplo, não se deve apenas à redução do estômago do paciente, mas também ao efeito que ela provoca na produção de hormônios.
A cirurgia bariátrica faz com que os hormônios da saciedade sejam produzidos em maior quantidade e reduz a produção dos hormônios que causam fome.
No entanto é uma operação arriscada, usada apenas em casos graves de obesidade.
Pesquisadores do Imperial College, em Londres, conseguiram recriar os hormônios que provocam a mudança do apetite após cirurgias do tipo com o objetivo de fazer um estudo clínico sobre isso.
A pesquisa envolve dar aos pacientes, com uma injeção, uma mistura de três hormônios. Eles são utilizadas todos os dias, durante quatro semanas.
"Eles sentem menos fome, estão comendo menos e perdendo entre 2 a 8 quilos em menos de um mês", explica a médica Tricia Tan, que participa do estudo.
Ainda é preciso fazer mais testes para comprovar que o tratamento é seguro. Se for o caso, o plano é tratar os pacientes até que alcancem um peso saudável.
 
 
 

domingo, 29 de abril de 2018

Coreias prometem assinar acordo de paz para acabar com a guerra

 
ROMA, 29 ABR (ANSA) – A Coreia do Sul informou neste domingo (29) que o governo norte-coreano vai realizar no mês de maio um “desmantelamento público” de sua base de testes de armas nucleares em Punggye-ri.   
A medida será tomada em decorrência do acordo de desnuclearização assumido durante a reunião histórica entre o ditador Kim Jong-un e o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, na última sexta-feira (27).   
De acordo com comunicado da Casa Azul, presidência da Coreia do Sul, Pyongyang propôs que a desativação do centro aconteça publicamente e seja acompanhada também por especialistas e pela imprensa.   
“Alguns dizem que estamos fechando instalações que são inúteis, mas verão que estão em muito boas condições”, disse Kim ao presidente sul-coreano, informou Yoon Young-chan, porta-voz de Moon.   
Além disso, o governo de Seul revelou que durante o encontro Kim disse que não é “o tipo de pessoa que dispara armas nucleares”. 
“Embora tenha minhas reservas com Washington, as pessoas verão que não sou o tipo de pessoa que dispara armas nucleares para a Coreia do Sul, o [Oceano] Pacífico ou os Estados Unidos”, disse A fim de esfriar definitivamente as tensões e abrir um novo capítulo nas relações, a próxima cúpula, que acontecerá entre Kim e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se torna crucial para um acordo de paz.   
“Se realizarmos reuniões frequentes, gerarmos confiança aos Estados Unidos e recebermos promessas para a declaração do fim da guerra e de um tratado de não-agressão, então por que precisaríamos viver em dificuldades para conservar nossas armas nucleares?”, teria acrescentado o líder norte-coreano Em entrevista à ABC, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo,
disse que Kim está pronto para estabelecer um plano de desnuclearização para os Estados Unidos que forneça “um mecanismo completo, verificável e irreversível”.   
Pompeu encontrou-se com Kim em Pyongyang na Páscoa, em uma visita que veio à público somente nas últimas semanas. Outra decisão revelada por Seul trata da volta das Coreias ao mesmo fuso horário. De acordo com a nota, o relógio dos norte-coreanos será adiantado em meia hora. (ANSA)

Grã-Bretanha, França e Alemanha concordam em apoiar acordo nuclear com Irã

Os líderes da Grã-Bretanha, França e Alemanha concordaram que o acordo nuclear com o Irã é o melhor caminho para impedir Teerã de avançar nas armas nucleares, disse o escritório da primeira-ministra britânica, Theresa May, em comunicado neste domingo.
 
Irã
 
May telefonou para os presidentes da França, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, onde eles concordaram que o acordo precisa ser ampliado para cobrir outras áreas, como mísseis balísticos, saber o que acontece quando o acordo expirar e com a atividade regional desestabilizada do Irã, disse o comunicado.
"Eles se comprometeram a continuar trabalhando juntos e com os Estados Unidos sobre como enfrentar a gama de desafios que o Irã representa - incluindo as questões que um novo acordo pode cobrir", disse o comunicado.
Isso vem como um prazo no próximo mês para o presidente Donald Trump decidir se vai restaurar as sanções econômicas dos Estados Unidos em Teerã.
Trump criticou um acordo de 2015 que efetivamente levantou algumas sanções ocidentais contra o Irã em troca de restrições em seu programa nuclear.
 

Como as bactérias que você carrega podem estar afetando seu estado de espírito

Ilustração mostra conexão entre o intestino e o cérebro: Pesquisadores acreditam que bactéricas do intestino podem ajudar na busca por soluções para doenças como depressão, autismo e mal de Parkinson
 
Se há algo que nos torna humanos são nossas mentes, pensamentos e emoções.
Um novo conceito controverso que está surgindo, contudo, aponta que as bactérias do intestino também têm um papel importante nisso: elas agiriam como uma espécie de mão invisível em nossos cérebros.
É nesse campo que pesquisadores estão trabalhando ao investigar como os trilhões de micróbios que sobrevivem em nós e nos habitam - o que é chamado de nosso microbioma - afetam a nossa saúde física.
Até mesmo transtornos como depressão, autismo e doenças neurodegenerativas, como o mal de Parkinson, podem de alguma forma estar relacionadas a essas pequenas criaturas.
Nós sabemos há séculos que o modo como nos sentimos afeta o nosso intestino - apenas pense no que acontece com você antes de uma prova ou de uma entrevista de emprego -, mas agora isso está sendo visto como uma via de mão dupla.
Grupos de pesquisadores acreditam estar à beira de uma revolução que usa "micróbios do humor" ou "psicobióticos" para melhorar a saúde mental.
O estudo que deu a partida para esse conceito foi realizado na Universidade de Kyushu, no Japão, em 2004.
Cientistas demonstraram que camundongos "livres de germes" - aqueles que nunca tiveram contato com micróbios - produziram duas vezes a quantidade de hormônio do estresse quando afligidos do que os camundongos normais.
Os animais eram idênticos, exceto pelos micróbios. Isso foi considerado um forte indício de que a diferença era resultado de seus micro-organismos. E o trabalho se tornou a primeira pista do impacto que a medicina microbiana teria na saúde mental.
"Todos nós voltamos sempre àquele primeiro artigo, à primeira leva de neurocientistas japoneses que estudaram os micróbios", diz Jane Foster, neuropsiquiatra da Universidade McMaster, no Canadá. "Foi realmente muito importante para nós que estavámos estudando depressão e ansiedade."
Há agora uma rica corrente de pesquisa relacionando camundongos sem germes a mudanças no comportamento e até mesmo na estrutura do cérebro.
Mas a vida completamente estéril deles não é nada parecida ao mundo real. Estamos constantemente entrando em contato com micróbios em nosso meio ambiente - nenhum de nós é livre de germes.
No Hospital Universitário de Cork na Irlanda, o professor Ted Dinan está tentando descobrir o que acontece com o microbioma de seus pacientes deprimidos.
Para os médicos, um microbioma saudável é um microbioma diverso, que contém uma grande variedade de espécies diferentes de micro-organismos.
"Se você comparar alguém que está clinicamente deprimido com alguém que está saudável, há uma diminuição na diversidade da microbiota (flora intestinal)", diz Dinan.
"Não estou sugerindo que esta seja a única causa da depressão, mas acredito que, para muitos indivíduos, ela contribui para o surgimento da doença."
O pesquisador argumenta ainda que alguns estilos de vida que enfraquecem nossas bactérias intestinais, como uma dieta pobre em fibras, pode nos tornar mais vulneráveis.
 
O microbioma
 
Ilustração de "corpo bactéria": Apenas 43% de todas as células do corpo, segundo cientistas, são células humanas; o restante são micro-organismos
 
Uma pesquisa recente mostra que as pessoas são mais micróbios do que humanas - se você contar todas as células do seu corpo, apenas 43% pertencem à espécie humana.
O resto é o microbioma e inclui bactérias, vírus, fungos e arquea (organismos que eram classificados de forma equivocada como bactérias, mas que têm características genéticas e bioquímicas diferentes).
Isto é conhecido como o "segundo genoma" e também está sendo associado a doenças como Mal de Parkinson, doença inflamatória intestinal, depressão, autismo e ao funcionamento de drogas contra o câncer.
 
Uma pesquisa recente mostra que as pessoas são mais micróbios do que humanas - se você contar todas as células do seu corpo, apenas 43% pertencem à espécie humana.
O resto é o microbioma e inclui bactérias, vírus, fungos e arquea (organismos que eram classificados de forma equivocada como bactérias, mas que têm características genéticas e bioquímicas diferentes).
Isto é conhecido como o "segundo genoma" e também está sendo associado a doenças como Mal de Parkinson, doença inflamatória intestinal, depressão, autismo e ao funcionamento de drogas contra o câncer.

O mistério da depressão

A possível relação de um desequilíbrio no microbioma intestinal com a depressão também é um conceito intrigante.
Para testar esta hipótese, os cientistas do centro de microbiomas APC, na Universidade College Cork, começaram a transplantar o microbioma de pacientes deprimidos para animais. O procedimento é conhecido como transplante fecal.
Ele mostrou que, se você transfere as bactérias, também transfere o comportamento.
"Ficamos muito surpresos com a possibilidade de, apenas pegando amostras de microbioma, reproduzir muitas das características de um indivíduo deprimido em um rato", diz o professor John Cryan à BBC.
Estas características incluíam, por exemplo, a anedonia - o modo como a depressão pode levar as pessoas a perderem o interesse pelo que normalmente consideram prazeroso.
Para os ratos, esse prazer era obtido com uma água com açúcar que eles queriam beber cada vez mais, mas com a qual passaram a não se importar quando receberam o microbioma de um indivíduo deprimido, diz Cryan.
Evidências semelhantes da relação entre o microbioma, o intestino e o cérebro também estão emergindo em relação ao mal de Parkinson.
A doença é claramente um distúrbio cerebral. Os pacientes perdem o controle de seus músculos à medida que as células cerebrais morrem, e isso os leva a apresentar um tremor característico.
Agora, o professor Sarkis Mazmanian, microbiologista médico do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), tem argumentado que as bactérias intestinais parecem ter um papel nisso.
"Os neurocientistas clássicos considerariam uma heresia pensar que é possível entender os eventos no cérebro pesquisando o intestino", diz ele, que no entanto encontrou diferenças "muito fortes" entre os microbiomas de pessoas com Parkinson e daquelas sem a doença.
Estudos em animais geneticamente programados para desenvolver o Parkinson mostram que as bactérias intestinais estão ligadas ao surgimento da doença.
E quando as fezes foram transplantadas de pacientes com Parkinson para ratos, estes desenvolveram sintomas "muito piores" do que quando foram usadas fezes provenientes de um indivíduo saudável.
Mazmanian diz à BBC que "as mudanças no microbioma parecem estar induzindo os sintomas motores do Parkinson."
"Estamos muito animados com isso porque nos permite apontar o microbioma como um caminho para novas terapias", afirma.
Ainda que fascinante, a evidência que liga o microbioma ao cérebro é, por enquanto, preliminar.
Os pioneiros desse campo de pesquisa veem, entretanto, uma perspectiva interessante no horizonte - uma maneira totalmente nova de influenciar nossa saúde e bem-estar.
Se os micróbios influenciam nossos cérebros, então talvez possamos mudar nossos micróbios para melhor.

Mais estudos necessários

Mas será que alterar as bactérias no intestino de pacientes de Parkinson pode mudar o curso da doença?
Fala-se de psiquiatras que prescrevem micróbios do humor ou psicobióticos - efetivamente um coquetel probiótico de bactérias saudáveis - para impulsionar nossa saúde mental.
A pesquisadora Kirsten Tillisch, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, questiona: "Se mudarmos as bactérias, podemos mudar o modo como reagimos?".
Ela diz, entretanto, que são necessários estudos muito maiores que realmente investiguem quais espécie e até subespécies de bactérias podem estar exercendo efeito sobre o cérebro e o que elas estão produzindo no intestino.
"Há conexões claras aqui. Acho que nosso entusiasmo e nossa empolgação se explicam porque não tivemos, até agora, tratamentos ótimos (para males como Parkinson). Então é muito empolgante pensar que há um caminho totalmente novo que podemos estudar e com o qual podemos ajudar as pessoas, talvez até para prevenir doenças."
O microbioma - nosso segundo genoma - está abrindo uma maneira inteiramente nova de se fazer medicina, e seu papel está sendo investigado em quase todas as doenças que se pode imaginar, incluindo alergias, câncer e obesidade.
Impressiona o quão maleável esse segundo genoma é e como isso está em contraste com o nosso próprio DNA.
A comida que comemos, os animais de estimação que temos, os medicamentos que tomamos, como nascemos - tudo modifica nossos habitantes microbianos.
"Prevejo que nos próximos cinco anos, quando você for ao médico fazer seu exame de colesterol, por exemplo, você também vai ter o seu microbioma avaliado. O microbioma é o futuro fundamental da medicina personalizada", afirma John Cryan.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

5 momentos-chave do encontro histórico entre os líderes das Coreias

O encontro desta sexta-feira entre Kim Jong-un e Moon Jae-in foi a terceira vez em que líderes das Coreias se reuniram.
 
Moon Jae-in e Kim Jong-un
O momento histórico, em que os dois lados prometeram desnuclearizar a península coreana, teve vários momentos simbólicos e incomuns. Confira a seguir.

1. Por que o encontro ocorreu do lado sul-coreano

A Coreia do Norte havia concordado que seu líder se encontraria com Moon Jae-in no lado sul-coreano de Panmunjom. Isso remete a um comentário feito em junho de 2000 pelo então presidente da Coreia do Sul Kim Dae-jung no encontro com Kim Jong-il, o pai de Kim Jong-un, na primeira reunião entre líderes dos dois países, em Pyongyang.
Kim Dae-Jung, que era 17 anos mais velho que Kim Jong-il, disse na época que um homem mais jovem deveria ir ao encontro de um homem mais velho para lhe fazer uma visita, e que seria apropriado que Kim Jong-il retribuísse seu gesto e visitasse a Coreia do Sul.

Kim Jong-un e Moon Jae-in cruzam fronteira

Isso nunca aconteceu, então, ao se tornar o primeiro líder norte-coreano a visitar a Coreia do Sul desde 1951, Kim Jong-un demonstrou respeito ao presidente Moon, talvez para deixar claro que essa rodada de negociações será diferente da última.
O encontro entre o alto escalão dos governos coreanos teve início na linha de demarcação militar, também conhecida como linha do armistício, que divide os dois países e onde há, de ambos os lados, uma zona desmilitarizada.
Moon e Kim Jong-un se encontraram nesta fronteira e se cumprimentaram com um aperto de mãos. Moon perguntou ao líder norte-coreano quando ele poderá visitar a Coreia do Norte. Então, aconteceu algo que fugiu do roteiro.
Em uma demonstração de bom humor e de sua personalidade impulsiva, Kim pediu que Moon fosse até o lado norte-coreano. Os dois cruzaram a linha de mãos dadas.
Esse comportamento tem a intenção de mostrar que Kim está no comando, mas ele também se comportou de forma respeitosa com Moon, indicando que sua intenção de buscar a paz é sincera e que a Coreia do Norte não fará, ao menos por agora, mais provocações como as dos últimos tempos.

2. Spray desinfetante - e uma demonstração de força

Guarda-costas acompanham carro de Kim Jong-un
 
Há algumas vantagens de ser o líder da Coreia do Norte, como ter uma grande comitiva de segurança. Membros da guarda norte-coreana e seguranças pessoais entraram antes em cada uma das salas usadas no encontro para fazer uma varredura em busca de escutas eletrônicas e explosivos. As cadeiras em que ele se sentaria e as superfícies que ele tocaria foram limpas com spray desinfetante.
Quando a reunião foi interrompida para o almoço, a limusine de Kim foi acompanhada por uma dúzia de guarda-costas, que correram ao seu lado.

3. Assuntos incômodos - e uma rara admissão

Nas suas primeiras palavras para Moon, Kim tratou de diversos assuntos espinhosos.

Vista do pico do Monte Paektu

Ele disse que "refugiados, desertores e moradores da ilha de Yeonpyeong" tinham grandes expectativas em relação ao encontro. É incomum que Kim fale sobre desertores da Coreia do Norte - Pyongyang normalmente os vê como traidores e suas famílias podem ser alvo de punições.
Sua referência a Yeonpyeong foi uma alusão ao ataque lançado em novembro de 2010 pelas Forças Armadas norte-coreanas contra esta ilha no Sul, que observadores avaliaram como um esforço de Kim Jong-il para garantir que seu filho fosse seu sucessor.
É ainda mais interessante, no entanto, a admissão de Kim Jong-un de que a infraestrutura essencial da Coreia do Norte precisa de melhorias. Moon disse a Kim que ele gostaria de escalar o Monte Paektu, uma montanha no Norte considerada sagrada pelo povo coreano. "Fico com vergonha da infraestrutura ruim de transporte", disse Kim Jong-un em resposta.
Uma linha férrea mais moderna para a área próxima do monte está sendo construída há muitos anos e, aparentemente, Kim reconheceu, de forma incomum, que o projeto não progrediu como deveria.

4. Cultura e esportes - mas nada de economia

Reunião entre líderes das Coreias
 
Nas primeiras interações com Moon, Kim estava acompanhado apenas de sua irmã mais nova, Kim Yo-jong, e do ex-chefe do serviço de inteligência do seu país, Kim Yong-chol, que é hoje um dos principais articuladores de Pyongyang para as políticas entre as Coreias. Estes são dois dos principais conselheiros do líder norte-coreano e ambos foram até o Sul para a recém-encerrada Olimpíada de Inverno.
Antes das reuniões terem início, Kim Yo-jong carregou para seu irmão a pasta com os documentos contendo as informações necessárias para os encontros e, na sessão realizada pela manhã, fez muitas anotações.

Equipe unificada das Coreias na Olimpíada de Inverno

Kim Jong-un ainda viajou com vários outros oficiais, que o acompanharam em diferentes etapas da reunião: as duas principais autoridades do país em política externa, os dois principais oficiais das Forças Armadas, além de autoridades em cultura, esporte e ajuda humanitária, o que demonstra seu foco em fazer avançar as interações militares e diplomáticas, além de promover um intercâmbio cultural e esportivo.
No entanto, em contraste com sua visita à China, quando se reuniu com o presidente Xi Jinping, nenhuma autoridade em economia nem encarregados da segurança interna da Coreia do Norte estavam presentes.
Isso indica que boa parte da interação inicial entre Moon e Kim é cosmética e que gestos mais substanciais em termos de cooperação econômica e desenvolvimento conjunto de projetos devem ocorrer em um momento posterior.

5. Saudações repletas de significado

O ministro da Defesa da Coreia do Norte, Pak Young-sik, e o chefe do Exército Popular Coreano, Ri Myong-su, saudaram Moon em um gesto de boa vontade e respeito quando as duas delegações se encontraram e se cumprimentaram.

Moon Jae-in e Kim Jong Un fazem inspeção militar

Seus homólogos sul-coreanos não saudaram Kim Jong-un. O líder norte-coreano participou de uma inspeção da guarda militar sul-coreana, mas não retribuiu a saudação de seus integrantes.
Essas saudações são uma lembrança de que a guerra entre as Coreias (1950-1953) terminou com um armistício, não com um tratado de paz.
Os dois líderes concordaram em dar início a "uma nova era de paz", mas, para que isso de fato ocorra, ainda há muito trabalho pela frente.
BBCBrasil

EUA e Europa querem trazer rochas de Marte para investigar histórico de vida

Agências espaciais dos Estados Unidos e de países europeus estão se juntando para realizar, no futuro, uma missão que poderá trazer para a Terra amostras de pedras e do solo de Marte.
 
Ilustração mostra equipamentos no solo de Marte
A Nasa (agência espacial americana) e a ESA (agência espacial europeia) assinaram uma carta de intenções que pode levar à primeira viagem de ida e volta ao planeta vermelho.
O plano foi anunciado em uma reunião na capital da Alemanha, Berlim, onde foram debatidos objetivos e a viabilidade da missão - chamada de Mars Sample Return (MSR, ou "Retorno de Amostras de Marte", em tradução livre).
A empreitada espacial poderá colocar os cientistas mais perto de respostas-chave sobre o passado de Marte.
Entre as respostas mais visadas está a questão sobre se, um dia, o planeta vermelho já abrigou vida.
Cientistas comemoram, na reunião, os avanços já obtidos com a análise de meteoritos marcianos e o envio de veículos para o planeta vizinho, mas clamaram por um novo passo em que amostras de Marte poderiam ser trazidas para a Terra.
Isso poderia ser feito com a coleta do material no solo marciano, posterior armazenamento em cápsulas, que finalmente aterrissariam de forma segura na Terra.
As amostras, então, poderiam passar por uma análise detalhada em laboratórios na Terra - usando instrumentos que são grandes demais ou consumiriam muito combustível para serem enviados para 55 milhões de quilômetros de distância.
 
Ilustração mostra equipamentos no solo de Marte
 
"Queremos formar uma parceria com a ESA, mas também com outros parceiros", disse Thomas Zurbuchen, cientista associado à Nasa. "A todo momento, estaremos vendo o que está disponível no mercado comercial. A Nasa não tem interesse em desenvolver coisas que podem ser compradas".
Dave Parker, diretor de exploração humana e robótica da ESA, comentou: "É muito importante que cada missão enviada a Marte descubra algo minimamente incomum. Isso está na base do que tendemos a fazer nas próximas missões".
 
Ilustração mostra um dos equipamentos que podem ser usados para coletar amostras em Marte
 
Uma missão da Nasa em 2020 deve abrir caminho para a missão Mars Sample Return, que pretende coletar as amostras a serem estudadas na Terra. Em 2020, robôs farão, como teste, perfurações na superfície do planeta vermelho e armazenarão o material.
Um plano mais completo para trazer amostras do planeta vizinho precisaria de anos para ser desenvolvido.
Projetos anteriores consideraram o envio de robôs para a coleta do material. Este seria então transportado por um veículo que sairia da superfície marciana que, ao chegar à superfície da Terra, soltaria as amostras por meio de paraquedas.
Caroline Smith, cientista do Museu de História Natural de Londres, participou do encontro.
"Eu diria que é uma renovação do processo", disse Smith à BBC News. "Vários estudos já apontaram que a única forma disso (este tipo de missão) ser conquistado é através da cooperação internacional. Então acho que essa é uma mensagem muito boa da Nasa e da ESA, que trabalharão juntas para materializar isso - a próxima fronteira na exploração do Sistema Solar".
"Há um burburinho real na sala. Eu falei com vários colegas que vibraram: 'Uau, realmente vamos fazer isso!'".

Protegendo o planeta

Se a vida já existiu no planeta vermelho, provavelmente tinha uma natureza microscópica. Cientistas querem primeiro saber quais eram as condições ideais para a existência da vida e, caso elas tenham se configurado, se há evidências fossilizadas. Pesquisadores também querem saber se há, hoje, vida em Marte.
"Só seremos capazes de responder de forma conclusiva a essas perguntas trazendo as amostras para cá", explica Smith.
 
Thomas Zurbuchen (à esq.) e Dave Parker assinam carta de intenções em Berlim
 
Os altos níveis atuais de radiação cósmica na superfície de Marte - uma consequência de sua fina atmosfera - poderiam criar um ambiente hostil para qualquer organismo. Ainda assim, há maneiras pelas quais a vida ainda pode se fixar. A possibilidade de que os organismos vivam hoje no subsolo de Marte significa que a missão estaria sujeita a rígidas medidas de quarentena, uma espécie de "proteção planetária".
"Temos que ter cuidado para não contaminarmos Marte com material do nosso planeta. Também queremos ter a certeza de que não vamos contaminar acidentalmente as amostras que serão levadas à Terra", explica a cientista. "Se há algo perigoso em Marte, não queremos que isso entre na biosfera da Terra".
"Temos conhecimento em lidar com materiais perigosos, sejam eles biológicos ou nucleares".
Zurbuchen acrescenta que essa missão de ida e volta poderá ser crucial também para uma eventual exploração de Marte por humanos - o que, segundo suas previsões, começará a ser pensado pela Nasa nos anos 2030.
 
A cratera Korolev
 
A poeira na atmosfera e no solo também poderia ter um impacto importante. Se futuras bases para humanos no espaço dependerem de células solares, a poeira poderia bloquear a luz do sol - interrompendo a geração de energia.
Até mesmo dentro dos abrigos a poeira poderia ser um problema.
"Se a poeira está por toda a parte, e você tem pessoas vivendo e respirando em meio a ela, isso poderia ser danoso aos astronautas", questiona Smith.
A sonda Trace Gas Orbiter (TGO), da ESA, está atualmente em solo marciano. Ela contribuirá em pesquisas sobre a vida no planeta ao estudar a distribuição atmosférica do gás metano - que pode ser produzido por organismos mas também pode ter origem em fontes não biológicas.
Além de rochas que podem ser relevantes para essa questão, rochas ígneas formadas pelo magma no interior de Marte são um alvo para a missão de coleta de amostras.
"Ao coletar rochas ígneas, poderemos entender a evolução geoquímica do planeta Marte. Ficaríamos sabendo quando as lavas estararam em erupção", explica Caroline Smith.
A análise, em Terra, dessas pedras, poderá traçar uma cronologia muito mais precisa do planeta vermelho. Hoje, este conhecimento tem como base valores elaborados a partir de estudos da Lua.
Em 2009, a Nasa e a ESA concordaram em colaborar na Iniciativa Conjunta de Exploração de Marte, que teria culminado na coleta de amostras em 2020. Mas, em 2011, a Nasa cancelou sua participação em meio a um aperto orçamentário.

Pedras

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Múmia encontrada no Irã é 'muito provavelmente' de pai do último monarca do país

O corpo mumificado descoberto próximo à capital do Irã pertence, "muito provavelmente", ao pai do último xá (monarca) do país, segundo sua família.
 
À esqueda, a múmia que seria de Reza Xá; à direita, o corpo do monarca iraniano
Os restos mumificados foram encontrados na segunda-feira, quando eram realizadas obras um santuário em Shahr-e Ray, ao sul de Teerã.
Imagens e notícias compartilhadas online alimentaram especulações de que o corpo fosse de Reza Xá Pahlavi.
Sua tumba, também em Shahr-e Ray, foi destruída depois da revolução de 1979, mas seus restos mortais nunca foram encontrados.
Seu neto Reza Pahlavi, membro da oposição e baseado nos Estados Unidos, foi quem afirmou que o corpo "muito provavelmente" pertencesse a Reza Shah.
Em um comunicado no Twitter, o neto pediu que as autoridades iranianas permitam que profissionais médicos de confiança da família possam ter acesso ao corpo e realizar um enterro adequado no Irã.
"Se não como um pai do Irã moderno ou como um rei, ao menos como um simples soldado e servo do seu país e seu povo, Reza Xá deve ter um túmulo com seu nome em uma localização conhecida dos iranianos", afirmou.
 
Comunicado
Pahlavi ainda negou notícias de que a família tivesse transportado os restos mortais de Reza Xá.
O porta-voz do Comitê de Herança Cultural de Teerã disse para a agência de notícias oficial do país, ISNA, que era possível que o corpo pertencesse ao antigo líder.

Quem foi Reza Xá?

Líder militar que deu início a um golpe em 1921, Reza Xá foi o fundador da dinastia Pahlavi, que governou o Irã por mais de cinquenta anos, a partir de 1925.
Apesar de ser considerado por muitos como o responsável pela modernização do Irã, Reza Xá foi criticado por seus ataques à religião e supostas violações de direitos humanos.
 
Reza Xá Pahlavi
 
Ele morreu no exílio na África do Sul em 1944, três anos depois de ser forçado a abdicar em favor de seu filho pelas forças russas e britânicas.
Seu corpo foi inicialmente embalsamado e enterrado no Egito, mas posteriormente transferido para o Irã.
O mausoléu iraniano onde Rexa Xá foi enterrado, contudo, foi destruído depois da revolução de 1979, que tirou do poder seu filho e sucessor.
BBC Brasil

Chernobyl: o que restou 32 anos depois do maior acidente nuclear da história

Slide 1 de 25: Chernobyl
 
Em 26 de abril de 1986 uma série de explosões na Usina Nuclear de Chernobyl, na cidade de Pripyat, atual Ucrânia, resultou na liberação de um gigantesco volume de partículas radioativas que matou a diversas pessoas e alterou toda uma região da Europa para sempre, tornando esses locais impróprios para a vida. Na data que marca o 32º aniversário do evento, mostramos como estão os vilarejos da zona de exclusão e como vivem os poucos habitantes que se arriscam a morar perto da usina.
 
Slide 2 de 25: Chernobyl
 
O desastre daquela noite é o pior acidente nuclear já registrado em número de mortes, recebendo a classificação sete (máxima) na Escala Internacional de Acidentes Nucleares. De acordo com o Greenpeace, é impossível calcular o número exato de mortes diretas e indiretas relacionadas ao acidente, mas a cifra giraria em torno de 93 mil pessoas. Tudo começou com uma explosão em um dos reatores.
 
Slide 3 de 25: Chernobyl
 
A cidade de Pripyat, que foi criada a 3 km especialmente para abrigar os funcionários da usina, foi evacuada um dia depois do acidente. Os esforços para conter a contaminação envolveram 500 mil trabalhadores e até hoje são contabilizadas mortes decorrentes do contato com a radiação.
A nuvem radioativa se espalhou pelas regiões próximas e afetou outros países europeus, contaminando ar, solo, água, humanos e animais. Criou-se então uma zona de exclusão, que compreende 30 km das regiões ao redor da usina, na qual, teoricamente, ninguém deveria morar, muito menos consumir qualquer tipo de produto cultivado ali.
 
 
Slide 5 de 25: Chernobyl
Mesmo assim, ainda há pessoas, principalmente idosas, que foram contra as ordens governamentais e voltaram a habitar Pripyat, que atualmente é uma cidade quase fantasma, assim como a própria Usina de Chernobyl e outros vilarejos que pararam no tempo após o acidente.
Prédios residenciais, restaurantes e estabelecimentos de todos os tipos ainda estão do jeito que foram abandonados há mais de três décadas.
 
Slide 7 de 25: Chernobyl
 
Aqueles que moram nos vilarejos e pequenas cidades dentro da zona de exclusão vivem com o auxílio de um dosímetro, que é capaz de medir os níveis de radiação. Além disso, se alimentam do que plantam em solo contaminado.
Há pessoas que trabalham no que restou da usina que, embora esteja desativada desde 2000, ainda possui combustível nuclear inutilizado, mas que deve ser monitorado todos os dias.
Para efeito de comparação, os funcionários da usina têm jornada de trabalho de 5 horas diárias durante um mês, e depois tiram 15 dias de folga, para evitar a exposição prolongada, mesmo com os equipamentos adequados.
Os trabalhadores da atual usina moram em um vilarejo que foi estabelecido logo após a evacuação de Pripyat, chamado Slavutych.
A cidade fica a 45 km de Pripyat. Atualmente, os trabalhadores da usina são os filhos e netos dos funcionários e cidadãos que habitavam o lugar.
Na foto, um memorial em Slavutych aos mortos pela exposição à radiação na usina de Chernobyl.

Slide 12 de 25: Chernobyl

Depois da explosão no Reator 4 da Usina de Chernobyl foi construida, ainda em 1986, uma estrutura de aço conhecida como ‘o sarcófago’, para conter a radiação. O projeto foi idealizado para durar por 20 anos, até que outra medida mais apropriada pudesse ser aplicada.
Todos os equipamentos utilizados no processo de contenção e limpeza foram descartados em ‘cemitérios de máquinas’, pois não poderiam ser usados novamente devido a altos níveis de radiação.

Slide 14 de 25: Chernobyl

Em 2011, um novo projeto de estrutura para conter a radiação em Chernobyl começou a ser construído. A idealização dessa nova proteção começou em 1997 e o projeto aprovado foi submetido em 2004.
 
Slide 15 de 25: Chernobyl
 
Com 250 metros de largura e 165 metros de altura, pesando 30 mil toneladas, essa estrutura foi feita em cima de trilhos para que pudesse ser colocada por cima do antigo sarcófago, permitindo a sua demolição posterior.
Em novembro de 2016 a proteção, chamada de Novo Confinamento Seguro, foi implantada, marcando a maior construção móvel já produzida em toda a história. Contudo, ela ainda não está totalmente finalizada.
 
Slide 17 de 25: Chernobyl
 
A visitação a Pripyat pode ser feita apenas com permissões especiais. Ao entrar, você passa por um scanner de radiação e, ao sair, também. É recomendado que os visitantes não toquem em nada, nem sentem-se no chão.
Como a cidade foi planejada para ser a moradia dos trabalhadores e suas famílias, várias opções de lazer estavam disponíveis, como a roda gigante (foto), piscinas públicas e playgrounds.
 
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Fotografias apagadas e corroídas na parede de uma quadra esportiva de uma escola em Pripyat, em 2011.
 
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Construções abandonadas em Pripyat, onde já moraram 50 mil pessoas antes do acidente nuclear.
 
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Na entrada de Pripyat ainda fica o monumento com o nome da cidade, estabelecida em 1970 pela União Soviética.
 
Slide 22 de 25: Chernobyl
 
Um mercado abandonado em Pripyat
 
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A vida selvagem e a natureza voltaram a tomar conta do local
 
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A entrada de um dos prédios residenciais no vilarejo, onde moravam os funcionários da usina e suas famílias
 
Slide 25 de 25: Chernobyl
 
Além das escolas tradicionais, existiam escolas especializadas em artes e música em Pripyat
 

Área de testes nucleares da Coreia do Norte colapsou, dizem cientistas

Kim Jong Un acompanha o desenvolvimento de armas na Coreia do Norte em 2017.
 
Um novo estudo indica que o principal local usado pela Coreia do Norte para realizar testes nucleares colapsou, deixando o governo de Pyongyang sem opções seguras para continuar com seus ensaios atômicos.
Segundo o estudo produzido pela Universidade de Ciência e Tecnologia da China e replicado pelo jornal The Guardian, a área de testes situa-se em Punggye-ri, numa região montanhosa no nordeste do país.
Repetidas explosões realizadas desde o ano de 2006 teriam causado estresse e danos ao local, comprometendo a realização de novos testes.
Segundo os geologistas chineses, embora ainda não haja sinais de vazamentos de materiais radioativos, será preciso reforçar o monitoramento na região.

Explosões nucleares liberam enormes quantidades de calor e energia, e últimos testes realizados contribui
Conforme o Guardian, o estudo foi revisado por especialistas e foi aceito para publicação pela revista Geophysical Research Letters.
A divulgação do estudo ocorre na esteira do anúncio recente feito pelo líder supremo Kim Jong-un de que a Coreia do Norte iria cessar a realização de testes nucleares, sinalizando uma mudança de postura do país e busca por mais diplomacia.
Nesta sexta (27), o governante deverá se tornar o primeiro líder norte-coreano a cruzar a linha de demarcação militar que divide as duas Coreias, desde o fim da Guerra da Coreia em 1953, para a realização da histórica cúpula com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in.  u para tornar o local totalmente instável.

Os dados do estudo chinês foram coletados após os últimos seis testes nucleares realizados pela Coreia do Norte em setembro do ano passado, que teriam provocado uma série de terremotos nas semanas seguintes.
 
 

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Até 2040, inteligência artificial pode pôr fim à estabilidade nuclear do planeta

A inteligência artificial possui um potencial capaz de destruir as bases de dissuasão nuclear até 2040, indica um recente documento da empresa de consultoria estadunidense RAND Corporation.
Os especialistas em questões de inteligência artificial e segurança nuclear entrevistados pelos pesquisadores da empresa de consultoria chegaram à conclusão que até 2040 a inteligência artificial poderia minar os fundamentos da dissuasão nuclear e a estabilidade estratégica.
De acordo com alguns especialistas, para perturbar o equilíbrio não seria sequer necessário incorporar inteligência artificial nas armas nucleares. Sua mera existência poderia empurrar algum membro do clube nuclear para realizar o primeiro ataque.
 
 
As autoridades dos países nucleares acreditam que possuir armas nucleares já é uma garantia de segurança. Acham que a presença de tais armas protege contra um ataque de outro país, que pode temer um ataque nuclear contra seu território. Este é o principal postulado da estratégia de dissuasão nuclear. Existe, além disso, o conceito de paridade nuclear (ou de estabilidade nuclear), segundo o qual as potências nucleares não devem efetuar ataques uma contra outra, temendo a destruição mútua.
No entanto, os conceitos de estabilidade nuclear e de dissuasão nuclear são mais complicados e têm sobretudo um caráter teórico, porque o mundo ainda não evidenciou um conflito com uso de armas nucleares desde o bombardeio das cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki pelos EUA em 1945.
Para mais, a guerra híbrida, o desenvolvimento de armas nucleares de alta precisão, o estabelecimento da tríade nuclear (mísseis balísticos, submarinos portadores de mísseis balísticos e bombardeiros), bem como o desenvolvimento de novos sistemas de defesa antimíssil — tudo isso complica o uso destas noções.
Especialistas entrevistados pelos pesquisadores da RAND Corporation se dividiram em vários grupos. O campo "moderado" acredita que a inteligência artificial vai aperfeiçoar os sistemas de armas nucleares sem influenciar a estratégia de dissuasão e de paridade nuclear. De acordo com eles, até 2040, a coleta e processamento de dados de inteligência sobre a preparação do adversário para usar armas nucleares e a escolha de alvos prioritários vai ser um problema sério para a inteligência artificial.
Por outro lado, os alarmistas argumentam que, em qualquer caso, a inteligência artificial representa uma ameaça para a estabilidade nuclear. Eles acreditam que é suficiente que uma potência nuclear decida que a inteligência artificial dos sistemas de defesa inimigos possa neutralizar sua resposta e por isso descarte a tática de retaliação e opte pela estratégia de ataque preventivo, lançando-se, ao mesmo tempo, no aumento do seu arsenal nuclear.
Outro grupo de especialistas diz que a inteligência artificial pode ser usada em sistemas de armas nucleares, o que pode ajudar a reforçar a estabilidade nuclear em vez de destruí-la. Por um lado, os países possuidores de armas nucleares "inteligentes" e de sistemas de defesa contra elas podem decidir que o uso dessas armas levaria ao extermínio mútuo garantido, o que pode servir como fator de dissuasão. Por outro lado, sistemas "inteligentes" poderiam dar aos governos um sentimento de superioridade tecnológica que garanta a vitória em uma possível guerra. Neste caso, uma guerra nuclear torna-se mais real.
No entanto, todos os especialistas entrevistados pela RAND Corporation concordaram que, até 2040, nenhum país nuclear ousará criar uma arma de apocalipse com inteligência artificial, isto é, uma arma capaz de iniciar uma resposta nuclear mesmo se todos os líderes do país forem eliminados por um ataque nuclear inimigo.
Em julho de 2015, Elon Musk, Stephen Hawking, Noam Chomsky, Steve Wozniak e muitos outros cientistas, homens de negócios, celebridades, pesquisadores e especialistas em robótica e inteligência artificial, assinaram uma carta aberta alertando os produtores de armas contra o desenvolvimento de sistemas de combate dotados de inteligência artificial. Os autores do documento afirmaram que poucos anos nos separam do desenvolvimento de sistemas de combate autônomos, capazes de tomar a decisão de abrir fogo de forma independente.
"Quando tais sistemas aparecerem no mercado negro, e isso é apenas uma questão de tempo, eles vão cair nas mãos de terroristas, ditadores que desejam controlar melhor o seu povo, ou de líderes militares que irão utilizá-las para fins de limpeza étnica. Armas autônomas são ideais para assassinatos encomendados, destruição de nações, repressão de rebeliões e limpezas étnicas", advertem os autores do documento.
Jornal do Brasil

Rosto de homem de 2 mil anos que habitava o Brasil é reconstruído

Universidade Católica de Pernambuco apresenta a reconstrução do rosto de um homem que viveu há dois mil anos
 
O Museu de Arqueologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) apresentou nesta terça-feira (24) a reconstrução do rosto de um homem de aproximadamente dois mil anos.
Encontrado na década de 1980 no Sítio Furna do Estrago, no Brejo da Madre de Deus, município da região do Agreste Pernambucano, o crânio foi batizado de "Flautista". O nome foi escolhido porque junto ao corpo foi encontrada uma flauta feita de tíbia humana.
Estudos realizados apontaram que o homem tinha aproximadamente 45 anos e pertencia a uma comunidade que não era nômade, ou seja, que se fixou por um longo período de tempo na região do agreste pernambucano.
"Essa população já era um pouco mais diferenciada porque ela permanecia neste local, ela não era mais tão nômade como os seus antepassados, então ela permaneceu nesse local por um longo período de tempo", explicou Roberta Richard Pinto, coordenadora do Museu de Arqueologia, à Sputnik Brasil.
O processo de reconstrução da face do "Flautista" demorou cerca de uma semana e meia para ser concluído. Primeiro foram tiradas diversas fotos de várias posições do crânio e depois foi necessário fazer o preenchimento do rosto.
"O  crânio é só a parte da caixa craniana, mas o nosso rosto é composto por tecidos moles, musculatura,  gordura, etc. O designer Cícero Moraes trabalhou com as medidas que já existem de parâmetro de preenchimento de rosto. Essa técnica tem em torno de 80% de confiabilidade na reconstituição", apontou Roberta.
A coordenadora do museu também contou que o homem tinha praticamente toda sua dentição, o que pode indicar que a comunidade a qual pertencia tinha um cuidado especial com os próprios corpos.
"Para a ciência como um todo a importância dessa descoberta é o reconhecimento de populações antecessoras à colonização, que pouco se sabe em registros. Ela vai ajudar a entender não só a região de Pernambuco, como também o Brasil, em termos de etnia, de desenvolvimento de etnia e troncos linguísticos. Esse trabalho vai ajudar bastante os arqueólogos, biólogos e historiadores a trabalharem", conclui.
O próximo passo agora, segundo Roberta Richard Pinto, é criar um modelo físico feito a partir dessa reconstituição e que ficará exposto no museu.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Taxa de mamíferos na Austrália poderia piorar

Coala
 
A taxa de extinção dos mamíferos na Austrália, a mais alta do mundo, poderia piorar, a menos que sejam tomadas medidas para proteger as espécies mais ameaçadas nas últimas duas décadas, disseram cientistas nesta terça-feira.
Pesquisadores do Centro de Recuperação de Espécies Ameaçadas, financiado pelo governo, identificaram dez aves australianas e sete mamíferos cuja extinção poderia ser evitada se os governos e comunidades estiverem cientes dos riscos que enfrentam.
"Haveria um aumento da taxa de extinção excepcionalmente extrema da Austrália, que é a mais alta do mundo para os mamíferos", disse John Woinarski da Universidade Charles Darwin.
"Nos últimos 200 anos ao menos 34 espécies de mamíferos australianas e 29 de aves foram extintas", acrescentou Woinarski, que codirige a pesquisa publicada na revista científica Pacific Conservation Biology deste mês.
"Identificar as espécies em maior risco de extinção é um passo crucial para evitar sua extinção", afirmou em um comunicado.
Um estudo publicado em 2014 indicou que a taxa de extinção de mamíferos na Austrália era a mais alta do mundo, com mais de 10% das espécies eliminadas desde que os europeus se estabeleceram no país, há dois séculos.
As principais causas do declínio das espécies que foram identificadas incluem a perda de habitat e predadores, como os gatos de rua e raposas.
Jornal do Brasil