quarta-feira, 25 de abril de 2018

Até 2040, inteligência artificial pode pôr fim à estabilidade nuclear do planeta

A inteligência artificial possui um potencial capaz de destruir as bases de dissuasão nuclear até 2040, indica um recente documento da empresa de consultoria estadunidense RAND Corporation.
Os especialistas em questões de inteligência artificial e segurança nuclear entrevistados pelos pesquisadores da empresa de consultoria chegaram à conclusão que até 2040 a inteligência artificial poderia minar os fundamentos da dissuasão nuclear e a estabilidade estratégica.
De acordo com alguns especialistas, para perturbar o equilíbrio não seria sequer necessário incorporar inteligência artificial nas armas nucleares. Sua mera existência poderia empurrar algum membro do clube nuclear para realizar o primeiro ataque.
 
 
As autoridades dos países nucleares acreditam que possuir armas nucleares já é uma garantia de segurança. Acham que a presença de tais armas protege contra um ataque de outro país, que pode temer um ataque nuclear contra seu território. Este é o principal postulado da estratégia de dissuasão nuclear. Existe, além disso, o conceito de paridade nuclear (ou de estabilidade nuclear), segundo o qual as potências nucleares não devem efetuar ataques uma contra outra, temendo a destruição mútua.
No entanto, os conceitos de estabilidade nuclear e de dissuasão nuclear são mais complicados e têm sobretudo um caráter teórico, porque o mundo ainda não evidenciou um conflito com uso de armas nucleares desde o bombardeio das cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki pelos EUA em 1945.
Para mais, a guerra híbrida, o desenvolvimento de armas nucleares de alta precisão, o estabelecimento da tríade nuclear (mísseis balísticos, submarinos portadores de mísseis balísticos e bombardeiros), bem como o desenvolvimento de novos sistemas de defesa antimíssil — tudo isso complica o uso destas noções.
Especialistas entrevistados pelos pesquisadores da RAND Corporation se dividiram em vários grupos. O campo "moderado" acredita que a inteligência artificial vai aperfeiçoar os sistemas de armas nucleares sem influenciar a estratégia de dissuasão e de paridade nuclear. De acordo com eles, até 2040, a coleta e processamento de dados de inteligência sobre a preparação do adversário para usar armas nucleares e a escolha de alvos prioritários vai ser um problema sério para a inteligência artificial.
Por outro lado, os alarmistas argumentam que, em qualquer caso, a inteligência artificial representa uma ameaça para a estabilidade nuclear. Eles acreditam que é suficiente que uma potência nuclear decida que a inteligência artificial dos sistemas de defesa inimigos possa neutralizar sua resposta e por isso descarte a tática de retaliação e opte pela estratégia de ataque preventivo, lançando-se, ao mesmo tempo, no aumento do seu arsenal nuclear.
Outro grupo de especialistas diz que a inteligência artificial pode ser usada em sistemas de armas nucleares, o que pode ajudar a reforçar a estabilidade nuclear em vez de destruí-la. Por um lado, os países possuidores de armas nucleares "inteligentes" e de sistemas de defesa contra elas podem decidir que o uso dessas armas levaria ao extermínio mútuo garantido, o que pode servir como fator de dissuasão. Por outro lado, sistemas "inteligentes" poderiam dar aos governos um sentimento de superioridade tecnológica que garanta a vitória em uma possível guerra. Neste caso, uma guerra nuclear torna-se mais real.
No entanto, todos os especialistas entrevistados pela RAND Corporation concordaram que, até 2040, nenhum país nuclear ousará criar uma arma de apocalipse com inteligência artificial, isto é, uma arma capaz de iniciar uma resposta nuclear mesmo se todos os líderes do país forem eliminados por um ataque nuclear inimigo.
Em julho de 2015, Elon Musk, Stephen Hawking, Noam Chomsky, Steve Wozniak e muitos outros cientistas, homens de negócios, celebridades, pesquisadores e especialistas em robótica e inteligência artificial, assinaram uma carta aberta alertando os produtores de armas contra o desenvolvimento de sistemas de combate dotados de inteligência artificial. Os autores do documento afirmaram que poucos anos nos separam do desenvolvimento de sistemas de combate autônomos, capazes de tomar a decisão de abrir fogo de forma independente.
"Quando tais sistemas aparecerem no mercado negro, e isso é apenas uma questão de tempo, eles vão cair nas mãos de terroristas, ditadores que desejam controlar melhor o seu povo, ou de líderes militares que irão utilizá-las para fins de limpeza étnica. Armas autônomas são ideais para assassinatos encomendados, destruição de nações, repressão de rebeliões e limpezas étnicas", advertem os autores do documento.
Jornal do Brasil

Rosto de homem de 2 mil anos que habitava o Brasil é reconstruído

Universidade Católica de Pernambuco apresenta a reconstrução do rosto de um homem que viveu há dois mil anos
 
O Museu de Arqueologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) apresentou nesta terça-feira (24) a reconstrução do rosto de um homem de aproximadamente dois mil anos.
Encontrado na década de 1980 no Sítio Furna do Estrago, no Brejo da Madre de Deus, município da região do Agreste Pernambucano, o crânio foi batizado de "Flautista". O nome foi escolhido porque junto ao corpo foi encontrada uma flauta feita de tíbia humana.
Estudos realizados apontaram que o homem tinha aproximadamente 45 anos e pertencia a uma comunidade que não era nômade, ou seja, que se fixou por um longo período de tempo na região do agreste pernambucano.
"Essa população já era um pouco mais diferenciada porque ela permanecia neste local, ela não era mais tão nômade como os seus antepassados, então ela permaneceu nesse local por um longo período de tempo", explicou Roberta Richard Pinto, coordenadora do Museu de Arqueologia, à Sputnik Brasil.
O processo de reconstrução da face do "Flautista" demorou cerca de uma semana e meia para ser concluído. Primeiro foram tiradas diversas fotos de várias posições do crânio e depois foi necessário fazer o preenchimento do rosto.
"O  crânio é só a parte da caixa craniana, mas o nosso rosto é composto por tecidos moles, musculatura,  gordura, etc. O designer Cícero Moraes trabalhou com as medidas que já existem de parâmetro de preenchimento de rosto. Essa técnica tem em torno de 80% de confiabilidade na reconstituição", apontou Roberta.
A coordenadora do museu também contou que o homem tinha praticamente toda sua dentição, o que pode indicar que a comunidade a qual pertencia tinha um cuidado especial com os próprios corpos.
"Para a ciência como um todo a importância dessa descoberta é o reconhecimento de populações antecessoras à colonização, que pouco se sabe em registros. Ela vai ajudar a entender não só a região de Pernambuco, como também o Brasil, em termos de etnia, de desenvolvimento de etnia e troncos linguísticos. Esse trabalho vai ajudar bastante os arqueólogos, biólogos e historiadores a trabalharem", conclui.
O próximo passo agora, segundo Roberta Richard Pinto, é criar um modelo físico feito a partir dessa reconstituição e que ficará exposto no museu.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Taxa de mamíferos na Austrália poderia piorar

Coala
 
A taxa de extinção dos mamíferos na Austrália, a mais alta do mundo, poderia piorar, a menos que sejam tomadas medidas para proteger as espécies mais ameaçadas nas últimas duas décadas, disseram cientistas nesta terça-feira.
Pesquisadores do Centro de Recuperação de Espécies Ameaçadas, financiado pelo governo, identificaram dez aves australianas e sete mamíferos cuja extinção poderia ser evitada se os governos e comunidades estiverem cientes dos riscos que enfrentam.
"Haveria um aumento da taxa de extinção excepcionalmente extrema da Austrália, que é a mais alta do mundo para os mamíferos", disse John Woinarski da Universidade Charles Darwin.
"Nos últimos 200 anos ao menos 34 espécies de mamíferos australianas e 29 de aves foram extintas", acrescentou Woinarski, que codirige a pesquisa publicada na revista científica Pacific Conservation Biology deste mês.
"Identificar as espécies em maior risco de extinção é um passo crucial para evitar sua extinção", afirmou em um comunicado.
Um estudo publicado em 2014 indicou que a taxa de extinção de mamíferos na Austrália era a mais alta do mundo, com mais de 10% das espécies eliminadas desde que os europeus se estabeleceram no país, há dois séculos.
As principais causas do declínio das espécies que foram identificadas incluem a perda de habitat e predadores, como os gatos de rua e raposas.
Jornal do Brasil

segunda-feira, 23 de abril de 2018

O fim do mistério de submarino que teria sido usado por nazistas em fuga para a América do Sul

Desenho do submarino nazista U-3523
 
Adolf Hitler se suicidou em 30 de abril de 1945.
Diversas teorias da conspiração, contudo, especulam que ele na verdade teria sobrevivido à guerra e fugido para algum lugar distante.
Para alguns, o líder nazista e vários dos colaboradores do Terceiro Reich foram parar na América Latina, no sul do continente, onde conseguiram passar incógnitos e viver o resto de seus dias sem que fossem reconhecidos.
Eles teriam conseguido cruzar o Atlântico e fugir dos controles das forças aliadas graças a um poderoso submarino: o U-3523.
Essa teoria, porém, caiu por terra neste mês, quando o Museu de Guerra Naval da península de Jutland, na norte da Dinamarca, informou ter encontrado o famoso submarino nazista em suas águas territoriais, a 123 metros de profundidade.
"O museu localizou os restos do submarino alemão U-3523, que foi afundado no Estreito de Escagerraque pela aeronave B24 Liberator em 6 de maio de 1945", diz um documento enviado pelo museu à BBC.
"Devido à sua capacidade de permanecer submerso por um longo tempo, o U-3523 alimentou rumores de que ele havia sido o meio de transporte para a elite nazista fugir para a América do Sul", acrescenta.
Alguns personagens do nazismo conseguiram de fato chegar à América do Sul, como Adolf Eichmann, que acabou na Argentina, ou Josef Mengele, que foi para o Brasil.
A descoberta do submarino, contudo, dá respostas a perguntas que há décadas estavam sem solução e põe fim a uma série de teorias conspiratórias.

O achado

O U-3523 fazia parte da frota do Tipo XXI e é considerado por vários especialistas como o mais moderno submarino da Kriegsmarine, a Marinha nazista - e um dos últimos construídos por ela.
"Este submarino foi projetado, diferentemente de seus antecessores, para permanecer submerso por um longo tempo, o que significa que ele poderia viajar tranquilamente para a América do Sul", diz o documento do museu.
 
submarino
 
No entanto, apesar de 118 submarinos Tipo XXI terem sido construídos, apenas dois foram colocados em uso - um deles o U-3523 - e nunca estiveram em combate.
 
Desenho do submarino nazista U-3523
 
Embora houvesse indicações claras de que a Força Aérea Real Britânica havia afundado o U-3523, a falta de evidências físicas alimentou o mistério e as teorias sobre a fuga nazista para a América do Sul.
Os pesquisadores do museu dinamarquês dizem que estão trabalhando para encontrar outros restos de naufrágios deixados pela Segunda Guerra Mundial nas águas perto do país.
"A descoberta foi feita enquanto estávamos pesquisando uma área perto da cidade de Skagen, no norte da Dinamarca", diz o comunicado da instituição.
E como identificaram o submarino?
Além dos dados históricos que indicavam que o U-3523 havia sido afundado naquela área, havia um modelo idêntico na superfície para comparar os restos recuperados.
O outro submarino da frota do Tipo XXI está em exibição no Museu Marítimo Alemão em Bremerhaven.
 
Adolf Eichmann
 
"O curioso é que, ao contrário de outras descobertas, os restos do U-3523 estavam tão presos no leito marinho que isso tornou mais fácil identificá-los", diz o informe do museu dinamarquês.
Por enquanto, os restos de U-3523 permanecerão no fundo do mar até que uma outra expedição seja enviada para retirá-los dali. Segundo o museu, não há previsão de que isso aconteça logo porque eles estão em uma área de difícil acesso e a uma profundidade muito grande.
BBC

Como pesquisa eleitoral com 2 mil pessoas indica o voto de 146 milhões

Uma pessoa adulta tem entre cinco e seis litros de sangue. Mesmo assim, os médicos conseguem descobrir doenças como a anemia extraindo alguns poucos mililitros de um paciente - em um exame como o hemograma.
 
O Palácio do Planalto à noite
A analogia acima se aplica às pesquisas eleitorais e de opinião: com os métodos certos, é possível conhecer o pensamento e as tendências em um grupo tão grande quanto os eleitores brasileiros (146 milhões de pessoas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral) a partir de entrevistas com uma pequena parte deste contingente - amostras de 2 mil pessoas ou até menos.
Com as eleições de outubro se aproximando, as pesquisas (principalmente as eleitorais) se tornarão cada vez mais comuns. Os levantamentos dos institutos de pesquisas, porém, vão muito além da disputa pela Presidência da República: são usados também para conhecer tendências de opinião das pessoas sobre determinados temas e para planejar estratégias de marketing das empresas.
Em eleições acirradas, é comum que candidatos e militantes ataquem o resultado de pesquisas eleitorais (especialmente quando se saem mal). Mas não se deixe enganar: políticos, marqueteiros e partidos conhecem o valor das pesquisas para entender e se posicionar da melhor forma durante a disputa, e muitas vezes encomendam suas próprias pesquisas antes de tomar decisões.
"Para os partidos políticos e candidatos, os resultados das pesquisas são fundamentais para as decisões estratégicas das campanhas eleitorais, desde a definição do melhor candidato ou coligação partidária até a avaliação da forma de se comunicar com o eleitor", conta Danilo Cersosimo, diretor do instituto de pesquisas Ipsos.
Mesmo assim, é possível que você nunca tenha respondido a uma pesquisa eleitoral e talvez não conheça ninguém que tivesse participado desses levantamentos. Então, como confiar que os resultados são verdadeiros?
 
Urna eletrônica brasileira
 
No fim das contas, pesquisas eleitorais tentam "prever" o que vai acontecer quando chegar o dia da votação. E a evidência existente até agora é de que, na maioria das vezes, os levantamentos são bem sucedidos nesta tarefa, principalmente quando são realizados mais perto da data do escrutínio.
Em fevereiro do ano passado, por exemplo, cientistas políticos da Universidade de Houston (EUA) verificaram que pesquisas feitas duas semanas antes da votação conseguiram acertar o resultado de 10 entre 11 eleições em países latino-americanos, entre 2013 e 2014 (uma eficácia de 90,9%).
Um resultado similar aparece em um levantamento do site de notícias jurídicas Jota, que considerou 3.924 pesquisas eleitorais brasileiras nas eleições nacionais de 1998 a 2014.
Por fim, é possível que durante a campanha surjam textos nas redes sociais mencionando "pesquisas" que não existem, para favorecer este ou aquele candidato. Para saber se uma pesquisa foi realmente feita ou não, basta consultar o TSE. Todas as pesquisas confiáveis feitas no país estão registradas neste banco de dados da Justiça Eleitoral.
A BBC Brasil conversou e enviou questionamentos por e-mail a diretores de três grandes institutos de pesquisas com atuação no Brasil (Ibope, Datafolha e Ipsos) para entender como são feitos estes levantamentos.

Como é feita uma pesquisa?

Primeiro, os pesquisadores definem uma amostra que seja representativa do grupo a ser pesquisado, usando dados públicos. O objetivo é escolher um número limitado de pessoas, cujas características sejam parecidas com a do grupo maior que se queira pesquisar (que os estatísticos chamam de universo).
Para que a pesquisa esteja correta, a amostra precisa corresponder ao universo dentro de alguns critérios (escolaridade, idade, gênero, etc). Esses critérios são chamados de variáveis. Por exemplo: os últimos dados do TSE mostram que 52,4% dos 146,4 milhões de eleitores brasileiros são mulheres. Portanto, uma amostra de 2.000 eleitores deverá ter 52,4% de mulheres (1.048 eleitoras).
"A amostra deve ser uma reprodução do universo a ser representado, com as mesmas proporções de segmentos sócio-econômicos", diz o diretor do Datafolha, Mauro Paulino. E como escolher exatamente os locais do país em que serão aplicados os questionários? "São sorteadas cidades de pequeno, médio e grande porte nas mesorregiões (recortes dentro de cada Estado) definidas pelo IBGE", explica Paulino. É que a proporção de moradores de capitais ou de cidades do interior também é considerada na formação da amostra.
 
Celular com o aplicativo WhatsApp
 
As variáveis levadas em conta mudam de instituto para instituto e de acordo com o objetivo do levantamento. "Quanto mais as variáveis escolhidas estiverem relacionadas com o objeto do levantamento, melhor será a amostra", diz a diretora do Ibope Márcia Cavallari. No caso do Ibope, as variáveis consideradas geralmente são as de gênero, faixa etária, escolaridade e ramo no qual a pessoa trabalha (ou se é desempregada).
Depois de calculada a amostra, é preciso fazer as entrevistas com as pessoas que preencham aqueles critérios.
Cada instituto de pesquisa tem a própria forma de fazer isto: o Ibope determina a área em que o entrevistador fará a pesquisa usando os chamados "setores censitários" definidos pelo IBGE (isto é, a mesma divisão do território usada no Censo brasileiro). A vantagem disto, diz Cavallari, é poder saber exatamente onde cada entrevista ocorrerá - o pesquisador é enviado a uma área contínua, situada em um único quadro urbano ou rural.
"A partir daí, o entrevistador vai percorrer esse território (o do setor censitário) até preencher todas as entrevistas que estavam designadas para ele", diz Cavallari.
Já o Datafolha usa outra metodologia, baseada nos chamados "pontos de fluxo": os pesquisadores são mandados a locais fixos, e entrevistam os passantes.
Segundo Mauro Paulino, o Instituto têm mapeados mais de 60 mil pontos deste tipo, que são atualizados constantemente. "Todos os questionários são aplicados com o uso de tablets, que permitem a geolocalização online do entrevistador, gravação das entrevistas e checagem instantânea das respostas, que são enviadas para a central de dados no mesmo instante em que são colhidas", escreveu ele à BBC Brasil.
Por último, os dados são reunidos e tratados estatisticamente pelos institutos

Você nunca foi entrevistado?

No caso de uma pesquisa de intenção de voto, por exemplo, o universo a ser estudado corresponde ao número de eleitores do Brasil - 146,4 milhões de pessoas, segundo o último número do TSE (março de 2018).
Como as pesquisas eleitorais geralmente ouvem cerca de 2 mil pessoas, a chance de você estar entre os "escolhidos" é realmente pequena - o que não torna o levantamento menos válido.
"As pesquisas de opinião são realizadas por meio de técnicas de amostragem reconhecidas internacionalmente, de modo que a abordagem de apenas uma pequena parcela da população já é suficiente para retratar o todo", escreve Cersosimo, do Ipsos, em e-mail à BBC.
"Da mesma forma (que num exame de sangue), uma pesquisa eleitoral pode entrevistar cerca de mil pessoas e chegar a resultados que representam toda a população, desde que seja realizada com os métodos corretos de amostragem e dentro de uma margem de erro", continua o diretor do Ipsos.
E por que os institutos não conseguem eliminar a "margem de erro" que existe nas pesquisas? Basicamente, porque seria preciso entrevistar todos os 146 milhões de eleitores, diz Márcia Cavallari, do Ibope. "Quanto mais entrevistas você faz, mais cai a margem de erro", diz Cavallari.
"Mas, a partir de um certo ponto, você pode aumentar o quanto quiser a sua amostra (o número de entrevistas) que a margem de erro varia pouco", conta a CEO do Ibope. No Brasil, as pesquisas eleitorais costumam variar entre 2% e 4% de margem, para mais ou para menos.

Enquete não é pesquisa

As pesquisas são cientificamente criadas para fazer com que as respostas sejam dadas por pessoas que "representem" o todo do grupo que se quer conhecer - em uma pesquisa eleitoral para presidente, este "todo" é o universo dos eleitores brasileiros.
Já as enquetes de um site ou página não têm qualquer controle de quem vai responder às perguntas - por isso, podem acabar "ouvindo" de forma desproporcional pessoas de uma determinada classe social, faixa de escolaridade, profissão ou até inclinação política. Os resultados estarão, portanto, distorcidos.
"Podemos destacar, por exemplo, a limitação que ocorre pelo próprio público, uma vez que parte da população não tem acesso à internet. Do mesmo modo, o perfil de quem responde espontaneamente às enquetes não é o perfil geral do eleitor, o que acaba enviesando os resultados", diz Danilo Cersosimo, do Ipsos.
"Por isso mesmo existe uma diferenciação do que pode ser chamado de pesquisa, com métodos que devem ser seguidos, e enquetes, que podem ser feitas sem adoção de critérios científicos", diz ele.
BBC Brasil

sábado, 21 de abril de 2018

Bomba da 2ª Guerra paraliza centro de Berlim

Operação para desarmar artefato de 500 quilos gera transtornos sem precedentes na capital alemã. Dez mil pessoas deixam suas casas.

Peritos da polícia preparam bomba para ser desativada
 
Uma bomba da Segunda Guerra Mundial encontrada por trabalhadores de uma construção no coração de Berlim provocou caos na movimentada região em torno da estação central da cidade nesta sexta-feira (20/04).
O artefato de 500 quilos foi encontrado por um operador de escavadeira. A operação para desativá-lo gerou uma série de transtornos de grande proporções para os moradores e cerca de dez mil passageiros, que tiveram suas viagens canceladas
A estação central foi evacuada, paralisando o tráfego ferroviário numa importante intersecção de várias linhas. Os trens urbanos também tiveram a circulação interrompida na área. A Deutsche Bahn, empresa que opera o serviço ferroviário na Alemanha, informou que as passagens para viagens de longa distância reservadas para esta sexta-feira poderão ser reembolsadas ou utilizadas gratuitamente pelos passageiros até o dia seguinte.
A bomba de origem britânica de 500 quilos foi descoberta na noite de terça-feira na rua Heidestrasse,
ao norte de estação central. A operação para desarmar a bomba exigiu a evacuação de ruas e edifícios num raio de quase um quilômetro em torno do local. Cerca de dez mil pessoas tiveram que deixar suas casas por motivos de segurança.
Entre os locais evacuados estão edifícios de agências do governo, um hospital das Forças Armadas, as sedes dos ministérios da Economia e dos Transportes, asilos de idosos, várias empresas e as embaixadas da Indonésia e do Uzbequistão.
Por volta das 13h20 (hora local), a bomba foi desarmada com sucesso. "Tudo correu de acordo com o plano e como esperávamos. Agora podemos respirar tranquilamente", disse o porta-voz da polícia Winfried Wenze.
Não é raro que em diversas partes do país ainda sejam encontradas bombas da Segunda Guerra durante escavações, geralmente em locais de construção. Mas, mesmo em uma cidade como Berlim, que foi intensamente castigada pelos bombardeios aliados durante o conflito, os transtornos causados nesta sexta-feira são algo fora do normal.

"Jamais tivemos uma situação em dimensões como essa", afirmou Friedemann Kessler, responsável da Deutsche Bahn pela estação central, por onde passam diariamente cerca de 300 mil pessoas.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Berlim foi alvo de cerca de 380 bombardeios até 1945. Aviões ingleses, americanos e russos despejaram mais de 45 mil toneladas de explosivos na cidade. As autoridades locais calculam que em torno de 3 mil bombas, granadas e restos de munição ainda estejam enterradas na cidade.
A maior operação de para o desarmamento de uma bomba da Segunda Guerra na Alemanha ocorreu em Frankfurt, em setembro do ano passado, quando 60 mil pessoas - cerca de 8% da população da cidade - tiveram de deixar suas casas.
 
 

O maior animal terrestre que vai sobrar será a vaca

 
 
Nos lugares aonde os humanos chegaram, a vida selvagem se ressentiu. A maioria das espécies, salvo as oportunistas, entrou em declínio e muitas delas, em particular as rivais em potencial na disputa pelos recursos, foram levadas à extinção. Agora um estudo mostra que a expansão humana pelo planeta seguiu em paralelo a uma redução do tamanho dos mamíferos que sobreviveram a sua chegada. E o fenômeno não é do século passado, está acontecendo desde que os primeiros humanos saíram da África.
Diversos estudos mostraram que a biodiversidade está recuando em todas as partes. A taxa de extinção de espécies dos últimos séculos é até 100 vezes maior que a taxa natural. As causas são múltiplas, embora a maioria leve a marca humana: transformação de espaços naturais em campos de cultivo, urbanização, caça, deterioração do habitat, mudanças climáticas…
Mas o risco de desaparecimento não é o mesmo para todos os animais.“Quanto maior, maior probabilidade de extinção”, diz a bióloga Felisa Smith, da Universidade do Novo México (EUA). Nas grandes extinções do passado não havia esse viés de massa corporal nem sequer na extinção do período Cretáceo-Paleógeno, a dos dinossauros, há 65 milhões de anos, que deu lugar ao reinado dos mamíferos.
“Aquele evento levou à extinção da maioria dos organismos de mais de 10 quilos, mas o risco de extinção não aumentou em função do tamanho corporal”, acrescenta. Que variável não existia nas cinco extinções e massa anteriores? A presença humana. Com um grupo de colegas de várias universidades dos EUA, Smith compilou dados, a maioria obtidos do registro fóssil, sobre a massa corporal, a distribuição geográfica e o tipo de alimentação de 3.300 espécies de mamíferos, muitas delas já extintas. Seu trabalho, publicado na revista Science, mostra que desde finais do período Quaternário (há cerca de 125.000 anos), os fósseis eram cada vez menores. O mais chamativo desse apequenamento da vida é que não tenha ocorrido antes em toda a era cenozoica, que inclui o Quaternário, ou seja, desde a extinção dos dinossauros.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Coreia do Norte suspende testes de mísseis nucleares e de longo alcance

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, anunciou a suspensão dos testes nucleares e de mísseis, assim como o fechamento das instalações de provas atômicas, informou neste sábado a agência de notícias sul-coreana Yonhap.
 
 
"A partir de 21 de abril, a Coreia do Norte deterá seus testes nucleares e seus lançamentos de mísseis balísticos intercontinentais", informou a Yonhap citando a agência de notícias norte-coreana KCNA.
Pyongyang "fechará as instalações de testes nucleares no norte do país para demonstrar sua promessa de suspender os testes nucleares".
"Como já comprovamos a efetividade das armas nucleares, não necessitamos realizar mais testes nucleares ou lançamentos de mísseis de médio ou longo alcance, ou de mísseis balísticos intercontinentais", declarou Kim em um evento do Partido, segundo a KCNA.
"As instalações nucleares do Norte completaram sua missão", acrescentou Kim na reunião do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia.
Pyongyang obteve rápidos progressos tecnológicos em seus programas de armas nos últimos anos, provocando duras sanções por parte do Conselho de Segurança da ONU, dos Estados Unidos, da União Europeia, de Coreia do Sul e de outros países.
No ano passado, o regime norte-coreano realizou seu sexto teste nuclear, o mais potente até a data, e lançou mísseis capazes de atingir o território americano.
O anúncio deste sábado, que os Estados Unidos aguardavam há tempo, é um passo crucial no rápido degelo diplomático que experimenta a península coreana.
A revelação chega menos de uma semana antes da cúpula entre Kim e o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, na Zona Desmilitarizada que divide a península, e semanas antes do encontro entre o líder norte-coreano e o presidente americano, Donald Trump.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

O que é verdade e o que é boato nos alertas sobre epidemias de gripe no Brasil

"Não dá pra morrer de H1N1 no século 21."
 
Cientista manipula amostras líquidas
Assim Katia Martinez desabafou no Facebook no dia 10 de abril, dois dias depois da morte da irmã dela, Nadia Trost, e seis dias depois do falecimento de Ribamar Henrich Trost, marido de Nadia. O casal estava internado no Hospital Unimed de Rio Claro, cidade a 175 km de São Paulo, com problemas respiratórios graves.
Exatamente no dia 10, a Fundação Municipal de Saúde de Rio Claro soltava nota com o laudo do Instituto Adolfo Lutz sobre as amostras do casal: positivo para H1N1, vírus da gripe. A família não quis dar detalhes do ocorrido pessoalmente.
"Ninguém quer falar porque estamos vivendo um luto imensurável, chocante e trágico", disse Katia à BBC, por mensagem.
O recolhimento é compreensível. Não apenas pelo abalo em função da perda repentina dos parentes, e por uma doença vista habitualmente como corriqueira, mas também pela superexposição do caso nas redes sociais. À foto de Ribamar e Nadia, tranquilos e abraçados no que parece uma comemoração recente, se juntaram áudios e comentários por escrito alertando ora para uma epidemia de H3N2, ora para variantes como H2N3, HN1N3 e gripe australiana, acrescidos da afirmação de que a vacina seria uma "arma química para exterminar os idosos".
O lançamento da campanha nacional de vacinação contra a gripe, aliás, será no dia 23 de abril. Mas o Estado de Goiás, que confirmou 13 mortes por influenza até agora, se antecipou. No dia 13, sexta-feira, já aplicava as primeiras doses na população. O Estado de São Paulo, por enquanto, tem o maior número de óbitos na Federação: 14.

Capturas de tela de mensagens no Whatsapp com boatos sobre gripe

O primeiro estaria mais ativo em Goiás, Bahia e Rio de Janeiro, enquanto o segundo se espraia pelo Estado de São Paulo - o que não significa que um não invada a área do outro. A infectologista explica que o H1N1 é o mesmo que deflagrou a pandemia de 2009, chamada à época de gripe suína. Já o H3N2 seria semelhante ao que atingiu o Hemisfério Norte na última temporada, infectando mais de 30 mil pessoas.
"Mas a vacina brasileira vai ser diferente da do Hemisfério Norte", diz Bellei. "A nossa cepa de H3N2 é outra, por isso temos a expectativa de que a imunização será mais eficaz."
Na vacina distribuída pela campanha também constará a cepa do vírus B Yamagata, que imuniza contra influenza B. Já em clínicas particulares, o produto será quadrivalente, contendo também o B Victoria.
Em relação à diferença entre a imunização na rede pública e privada, o infectologista Matias C. Salomão afirma que a vacinação na rede pública já cobre a maior parte dos casos, e que o gasto extra para distribuir gratuitamente a dose quadrivalente não compensaria pela proteção.
E o H2N3 e o HN1N3?
"Isso é bobagem, não tem esses vírus", enfatiza Bellei, ressaltando que eles sequer existem. "O pessoal deve ter se confundido ou então distribuiu essa notícia de má-fé."

Nomenclatura

Os nomes das gripes têm lá seu código, como explica Salomão. Os vírus da influenza A, por exemplo, são classificados conforme suas glicoproteínas de superfície, a hemaglutinina (H) e a neuraminidase (N).
Os números que se seguem às letras correspondem ao tipo de glicoproteína correspondente. Em textos científicos, não raro se veem nomes de influenza expandidos. A/Michigan/45/2015 (H1N1) pdm09 significaria Vírus tipo A, descrito em Michigan, da linhagem 45, descrito em 2015, subtipo H1N1, que circulou na pandemia 2009. B Yamagata e B Victoria, portanto, indicam em quais cidades os dois vírus foram descritos.
São conhecidos 18 subtipos de H e 11 subtipos de N.
"Os subtipos H1, H2 e H3 costumam ser transmitidos entre humanos", diz Salomão.
 
Vacinação de idoso
 
Já H5, H6, H7 e H9 são esporádicos e, por esse motivo, mais perigosos.
"O fato de grande parte da população não ter sido exposta a um tipo de vírus anteriormente aumenta a chance de ocorrer uma pandemia", alerta o infectologista.
Além disso, existem as mutações, bem mais constantes nos A que nos B. O tipo B também só afetaria humanos e focas, enquanto o A circula entre aves e mamíferos. O H7N7 engripa cavalos, por exemplo. O H13N2, baleias. O H1N1, patos selvagens, porcos... e humanos.
"Tomar a vacina quadrivalente, que inclui o B Victoria, aumenta a cobertura, mas de forma geral os vírus B não costumam dar tanta complicação quanto os A", acrescenta Salomão.
A quem se queixa de adoecer logo depois de tomar a vacina, o médico lembra que, no inverno, existe a concomitância de outros vírus respiratórios, como o sincicial e o rinovírus, não presentes na vacina disponível e que podem infectar um recém-imunizado.
Para se prevenir de forma mais ampla, recomenda-se lavar as mãos com frequência ou higienizá-las com álcool em gel, cobrir o nariz com um tecido ao espirrar ou tossir, evitar o contato com pessoas gripadas, limpar maçanetas, bancadas, utensílios de cozinha e brinquedos com água e sabão. Crianças com menos de 5 anos, idosos, grávidas e pessoas com imunidade baixa também devem evitar aglomerações.

Sintomas

Ilustração de vírus
 
As manifestações sintomáticas da H1N1 e da H3N2 não diferem muito, segundo os infectologistas. Coriza, tosse, dor muscular (mialgia), dor de garganta e febre costumam estar presentes. E tanto uma quanto outra podem levar à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que ocorre quando uma infecção bacteriana acomete as vias aéreas inferiores, causando pneumonia. De todos os casos de gripe, somente os de SRAG são notificados à vigilância epidemiológica.
Salomão afirma que a pneumonia causada pelo H3N2 afetaria mais crianças e idosos, enquanto a do H1N1 prevalece em outros grupos de risco, como gestantes e obesos. Em ambas, o diagnóstico tardio pode ser fatal.
A morte dos dois rio-clarenses se junta às de mais 39 pessoas que teriam sucumbido à influenza no Brasil desde o começo do ano. De acordo com o último boletim do Ministério da Saúde, 16 desses casos decorriam do vírus H1N1. Dessas 41 pessoas, 31 apresentavam pelo menos um fator de risco para complicação, como pneumopatias e cardiopatias, e cerca de 30% do total fez uso de medicamento antiviral (Tamiflu) por volta do quarto dia. No entanto, o Ministério recomenda que ele seja ministrado nas primeiras 48 horas após o diagnóstico da SRAG.
"Depois desse período, a eficácia do Oseltamivir ou Tamiflu cai", diz Salomão.
A faixa etária dos pacientes gira em torno dos 57 anos, idade de Ribamar Henrich Trost. Nadia, a esposa, tinha 54.
Os principais sintomas da doença são falta de ar, chiado no peito, tontura, tosse com catarro amarelado e/ou febre que não cessa. Se a febre, ainda que baixa, persistir por mais de sete dias, com dores musculares, coriza e tosse, é recomendável que se procure o pronto socorro.
"O fato de ficar indignado com mortes por gripe procede no Brasil porque a nossa cultura em influenza é muito recente", afirma Bellei. "Só começamos a pensar e falar em gripe depois da pandemia de 2009."
No ano passado, o Brasil registrou 498 mortes por influenza.
Bellei lembra que, todos os anos, morrem de efeito direto do vírus cerca de 650 mil pessoas em todo o mundo, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde. Só nos Estados Unidos, oscilando ano a ano, seriam de 140 mil a 710 mil hospitalizações em função da gripe, com 12 mil a 56 mil mortes.
"O fato é que, a despeito de tratamento, a despeito de UTI, a despeito de intervenções, a gente tem essa mortalidade todos os anos", diz a infectologista.
O número poderia ser maior, afirmam especialistas, não fosse o surgimento de vacinas e de antibióticos que pudessem tratar infecções secundárias provocadas por bactérias, por exemplo. Ecoam entre os infectologistas pandemias históricas de influenza, como a de 1918, que matou pelo menos 50 milhões de pessoas no mundo (só a Índia perdeu 16 milhões de vidas), muitas delas adultos jovens, entre 20 e 40 anos.
BBC Brasil

O meteorito que trouxe à Terra diamantes de um "planeta perdido"

Em 7 de outubro de 2008, um asteroide invadiu a atmosfera da Terra e explodiu a uma altura de 37 quilômetros, sobre o deserto de Núbia, no norte do Sudão. Ele trazia diamantes.
 
Partes do meteorito
Um estudo da Escola Politécnica Federal da Cidade de Lausanne (EPFL), na Suíça, publicado nesta semana na revista Nature Communications, concluiu que a rocha espacial era parte de um "planeta perdido" que existiu nos primórdios do Sistema Solar.
Estima-se que o protoplaneta ao qual pertenceu deve ter existido há bilhões de anos, antes de se partir por uma colisão. Era grande como Mercúrio ou Marte.
Os cientistas argumentam que a pressão necessária para produzir diamantes deste tipo só poderia ocorrer em um planeta de grande dimensão.
O diamante é um dos materiais mais duros encontrados na Terra. Ele é constituído por átomos carbono e formado em camadas profundas, em ambientes com temperaturas elevadas e altíssima pressão.
 
Protoplaneta

Cerca de 50 pedaços da rocha espacial, com tamanhos entre um e dez centímetros, foramde  coletados.
Os fragmentos são do meteorito Almahata Sitta, termo em árabe que significa Estação Seis, em referência ao nome de uma estação de trem perto do local onde caiu.
Usando três tipos de microscópios, os pesquisadores caracterizaram o mineral e a cobertura química da rocha.
Alguns dos materiais presos nos diamantes a partir de sua formação só podem ser formados a uma pressão superior a 20 gigapascals, informaram os cientistas.
Essas condições "só podem ser alcançadas em um grande corpo planetário", disseram eles.

A origem dos planetas

O pesquisador Farhang Nabiei, da EPFL, disse que esses dados constituem a "primeira evidência contundente da existência de um planeta tão grande" pertencente a uma primeira geração, que desapareceu.
A descoberta reforça a teoria de que os planetas do atual Sistema Solar foram criados com os restos de dezenas de grandes protoplanetas ou planetas embrionários.

Restos do meteorito 2008 TC3

Estima-se que o corpo principal do 2008 TC3 - o asteroide descoberto em 2008 - foi formado no Sistema Solar em seus primeiros 10 milhões de anos.
Os meteoritos dessa colisão foram catalogados na categoria de rochas espaciais chamadas ureilitas, que representam menos de 1% dos objetos que colidem com a Terra.
Os pesquisadores sugerem que todos os asteroides de ureilita são restos do mesmo protoplaneta.
"Corpos do tamanho de Marte (como o que impactou a formação da Lua) eram comuns e se uniam para formar planetas maiores ou colidiam com o Sol ou eram ejetados do Sistema Solar."
"Este estudo fornece evidências convincentes de que o corpo principal da ureilita era um daqueles grandes 'planetas perdidos' antes de serem destruídos por várias colisões", concluíram os cientistas no estudo.

Por que 19 de abril virou o dia do índio

O dia 19 de abril é conhecido no Brasil todo como o "dia do índio", e essa data não foi escolhida à toa. Sua origem remete a um protesto dos povos indígenas do continente americano ainda na década de 1940, quando um congresso organizado no México se propôs a debater medidas para proteger os índios no território.
 
 
O Congresso Indigenista Interamericano, realizado em Patzcuaro, aconteceu entre os dias 14 e 24 de abril de 1940.
Em princípio, os representantes indígenas haviam se negado a participar do evento, achando que não teriam voz ou vez nas reuniões - que seriam comandadas por líderes políticos dos países participantes. Os índios, então, fizeram um boicote nos primeiros dias, mas, justamente no dia 19 de abril, decidiram aparecer no congresso para tomar parte nas discussões.
 Foi por conta disso que a data escolhida para celebrar o dia do índio acabou sendo essa.
Foi por conta disso que a data escolhida para celebrar o dia do índio acabou sendo essa.
Eram 55 delegações oficiais no México. Das Américas, somente Paraguai, Haiti e Canadá ficaram de fora. Entre os índios, eram 47 representantes dos povos de todo o continente - no caso do Brasil, o delegado enviado foi Edgar Roquette-Pinto, que não era índio, mas foi antropólogo, etnólogo e estudioso de povos indígenas da Serra do Norte, na Amazônia.
Com o fim do Congresso, foram definidas algumas medidas genéricas a serem tomadas em favor da defesa dos povos indígenas. Entre elas, estavam o "respeito à igualdade de direitos e oportunidades para todos os grupos da população da América", "respeito por valores positivos de sua identidade histórica e cultural a fim de melhorar situação econômica", "adoção do indigenismo como política de Estado", e, por último, estabelecer "o Dia do Aborígene Americano em 19 de abril".
Não foram todos os países que adotaram a data como dia de celebração da cultura indígena - e no Brasil ele também levou tempo a ser oficializado, já que o país não aderiu às deliberações do congresso.
 
protesto de índios em Brasília
 
Somente em 1943 foi instituído decreto-lei instituído pelo presidente Getúlio Vargas, que finalmente estabeleceu a data comemorativa. O responsável por convencê-lo foi o general Marechal Rondon - que tinha origem indígena por seus bisavós e chegou a criar, em 1910, o Serviço de Proteção ao Índio - que depois viria a se tornar a atual Funai (Fundação Nacional do Índio).
"O Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o art. 180 da Constituição, e tendo em vista que o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, reunido no México, em 1940, propôs aos países da América a adoção da data de 19 de abril para o 'Dia do Índio', decreta:
Art. 1º - considerado - 'Dia do Índio' - a data de 19 de abril.
Art. 2º- Revogam-se as disposições em contrário", dizia o decreto.
Além do Brasil, Costa Rica e Argentina também adotaram a data.
Do Congresso, saiu também a criação do Instituto Indigenista Interamericano, que se tornou um órgão vinculado à OEA (Organização dos Estados Americanos) em 1953. Depois dele, aconteceram mais 11 edições, sendo a última em 1999, na Cidade do México.

Situação dos índios no Brasil

Segundo o censo demográfico mais recente do IBGE, de 2010, existem 817,9 mil indígenas no Brasil de 305 etnias que falam 274 línguas diferentes. O número representar somente 10% do total de índios que existiam aqui em 1500, na época do descobrimento - segundo estimativa dos historiadores, o Brasil tinha milhões de habitantes (índios) à época.

gráfico do IBGE sobre população indígena

Ainda assim, houve um crescimento da população indígena nos últimos anos, segundo os dados oficiais.
O censo de 2000 revelou crescimento expressivo do número de índios no país, passando de 294 mil para 734 mil em nove anos - segundo o instituto, esse aumento poderia ser explicado não só como efeito demográfico, mas também pelo aumento do número de pessoas que se reconheceram como parte da população indígena (principalmente dos que vivem em áreas urbanas).
Se, por um lado, a população vem aumentando, por outro a demarcação de terras indígenas tem estagnado.
Em julho de 2017, o presidente Michel Temer assinou um parecer polêmico sobre a o tema. Segundo o documento, os índios teriam direito às terras "desde que a área pretendida estivesse ocupada pelos indígenas na data da promulgação da Constituição Federal", o que correspondia a outubro de 1988.
Isso impediria que representantes indígenas reivindicassem terras que não estavam ocupadas por eles naquela época, 30 anos atrás.
 
Antonio Costa

Ainda no ano passado, houve outra grande polêmica com os indígenas quando Temer colocou na presidência da Funai o dentista e pastor evangélico Antônio Costa, pouco identificado com a luta pelos direitos dos índios. Ele acabou exonerado poucos meses depois por contrariadr indicações do então Ministro Osmar Serraglio, representante da bancada ruralista na Câmara.
Atualmente, segundo a Funai, existem 462 terras indígenas regularizadas, que representam cerca de 12,2% do território nacional. Elas estão espalhadas por todo o país, mas com concentração maior na Amazônia.
BBC Brasil

Rei africano surpreende súditos e muda nome do País

O rei da Suazilândia, Mswati III, rebatizou o país que governa há 36 anos. A partir de agora, passa a se chamar Reino de eSwatini. O novo nome significa "Terra dos Swazi".
 
 
O monarca comunicou a mudança durante as celebrações de 50 anos de aniversário da independência do país.
Embora tenha sido algo inesperado, o rei Mswati III já vinha chamando a Suazilândia de Reino de eSwatini há alguns anos. Esse foi o nome usado na Assembleia Geral da ONU em 2017 e também na cerimônia de abertura do parlamento do país em 2014.
 
"Quando eu estou fora, as pessoas se referem ao nosso país como Suíça", justificou durante o pronunciamento. Em inglês, o nome dos dois países é parecido - Swaziland e Switzerland.
A mudança de nome revoltou parte da população, que acredita que o rei deveria se concentrar na condução da fraca economia local. O país, que tem 1,3 milhão de habitantes, é a última monarquia absolutista da África - nos últimos anos, manifestantes têm pedido mudanças do regime para uma democracia.
Mswati III vem sendo criticado por ativistas de direitos humanos por banir os partidos políticos do país e também por discriminação contra mulheres.
O rei, também chamado de Ngwenyama ou "leão", é conhecido por ter muitas esposas e por suas vestimentas tradicionais.
Filho de Sobhuza II, que reinou por 60 anos, o rei Mswati III tem atualmente 15 esposas. De acordo com sua biografia, Sobhuza, teve 125 mulheres durante seu reinado, que se estendeu de 1921 a 1982.
Em 1968, a Suazilândia se tornou independente do Reino Unido.
É o país com a maior proporção de pessoas infectadas por HIV. A expectativa de vida é de 54 anos para homens e de 60 anos para as mulheres.

Celebração dos 50 anos de independência da Suazilândia

Como o Brasil trata a acrilamida, substância presente no café e no pão que pode causar câncer

Na Califórnia, o café amargou: um juiz determinou, no final de março, que 90 estabelecimentos que vendem a bebida - incluindo a gigante Starbucks - devem alertar sobre os riscos de câncer que ela representa.
As ameaças em questão giram em torno de uma substância chamada acrilamida, que surge quando alguns alimentos são torrados, grelhados ou fritos em altas temperaturas. É o caso não só do café mas também de alimentos ricos em carboidratos, como batatas, pães e biscoitos.
A decisão do juiz na Califórnia se baseia na legislação do estado americano, mais especificamente na chamada Proposta 65. Ela prevê que empresas devem alertar aos consumidores sobre a presença de componentes tóxicos em seus componentes. A lista de substâncias potencialmente perigosas à saúde - hoje, eles já somam 900 substâncias.
A acrilamida foi incluída na lista em 1990 após estudos indicarem o surgimento de tumores associados a ela em cobaias. Testes em humanos ainda são inconclusivos. Mas, segundo a Sociedade Americana do Câncer, "em geral faz sentido limitar a exposição humana a substâncias que causam câncer em animais".
Assim, segundo classificação da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC, na sigla em inglês), a acrilamida pertence ao grupo 2A - aquele que inclui os "carcinógenos prováveis".
A decisão judicial na Califórnia se soma a outras iniciativas no mundo que tentam mediar o contato com a acrilamida.
E no Brasil, como a substância é encarada?

Contato rotineiro

Consultada pela BBC Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou que não há, hoje, regulação ou estudos para algum tipo de controle da acrilamida presente em alimentos no país.
Em 2014, porém, um relatório da associação Proteste cobrou que a agência implementasse o monitoramento da presença da acrilamida em alimentos vendidos no país, além de um código de boas práticas para a indústria alimentícia e metas de redução da substância.
Segundo Juliana Dias, técnica e pesquisadora da Proteste, ainda que os riscos da acrilamida para as pessoas não sejam estabelecidos cientificamente como outras substâncias, como a nicotina, é preciso que o poder público monitore a segurança dos alimentos e que o consumidor seja alertado sobre riscos.
Assim, segundo classificação da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC, na sigla em inglês), a acrilamida pertence ao grupo 2A - aquele que inclui os "carcinógenos prováveis".
A decisão judicial na Califórnia se soma a outras iniciativas no mundo que tentam mediar o contato com a acrilamida.
E no Brasil, como a substância é encarada?

Contato rotineiro

Consultada pela BBC Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou que não há, hoje, regulação ou estudos para algum tipo de controle da acrilamida presente em alimentos no país.
Em 2014, porém, um relatório da associação Proteste cobrou que a agência implementasse o monitoramento da presença da acrilamida em alimentos vendidos no país, além de um código de boas práticas para a indústria alimentícia e metas de redução da substância.
Segundo Juliana Dias, técnica e pesquisadora da Proteste, ainda que os riscos da acrilamida para as pessoas não sejam estabelecidos cientificamente como outras substâncias, como a nicotina, é preciso que o poder público monitore a segurança dos alimentos e que o consumidor seja alertado sobre riscos. Ilustração mostra em que alimentos a acrilamida é encontrada e como ela se forma no cozimento
"Em nenhum momento as propostas sugerem que os alimentos não tenham acrilamida. O que se defende é que seus riscos estejam explícitos para o consumidor", apontou Dias à BBC Brasil. "Por mais que alguns alimentos tenham taxas baixas de acrilamida, seu consumo é frequente. São alimentos rotineiros, como pães e biscoitos. No Brasil, a dieta da população conta com quantidades massivas de carboidrato".
Apesar de não haver consenso sobre níveis seguros de acrilamida nos alimentos, o relatório da Proteste, em 2014, mediu o teor da substância em 51 produtos. O pão francês e biscoitos (doces ou salgados) foram os que apresentaram as maiores taxas. O documento recomenda: "na dúvida quanto ao que ingerir para evitar a acrilamida, o ideal é apostar em uma alimentação saudável".

Experiências lá fora

Enquanto os cientistas tentam definir precisamente os efeitos da acrilamida para a saúde humana, alguns órgãos reguladores pelo mundo estão implementando ações para lidar com a substância.
A partir de 2007, a União Europeia passou a monitorar níveis de acrilamida em alimentos e a publicar guias para setores da indústria alimentícia com recomendações para a redução do composto.
No início de abril, entrou em vigor no bloco a primeira legislação da Comissão Europeia regulando níveis de acrilamida para produtos como pães, cereais e café. As regras exigem compromissos das empresas pela "mitigação" da substância nos alimentos.
Os Estados Unidos adotaram abordagem parecida, mas hoje não há compromissos legais pelas empresas ou níveis da substância estabelecidos pela Food and Drug Administration (agência sanitária dos EUA). No entanto, a FDA lançou guias com recomendações para redução da substância na produção de alimentos.
 

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Muito tempo sentado pode prejudicar o cérebro

 
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Passar muito tempo sentado modifica o cérebro e pode prejudicar a memória --pelo menos é o que sugere um estudo preliminar realizado pela Universidade da Califórnia (EUA). Devido aos problemas de saúde contemporâneos, investigações sobre o tema são cada vez mais frequentes.
Alguns riscos de ficar muito tempo sentado, como aumento de doenças do coração e de diabetes, já foram comprovados. Os pesquisadores norte-americanos decidiram, então, investigar os impactos desse comportamento para o cérebro e descobriram alterações em uma área que afeta a memória.
Segundo o site Minha Vida, parceiro do Catraca Livre, o estudo deduziu que ficar muitas horas sentado provoca um afinamento do lobo temporal medial. Fazer atividade física não anula esse efeito.
A pesquisa preliminar contou com a participação de 35 voluntários, entre 45 e 75 anos. Depois de responderem um questionário sobre atividades físicas e o tempo que permanecem sentados, os indivíduos passaram por uma ressonância magnética.
Passar muito tempo sentado afeta memória

Vale salientar que este estudo foi feito com poucas pessoas e por pouco tempo. Os especialistas da universidade querem acompanhar um grupo maior e por mais tempo, para determinar a causa desse afinamento. .
Vale salientar também que este estudo foi feito com poucas pessoas e por pouco tempo. Os especialistas da UCLA (sigla pela qual a Universidade da Califórnia é mais conhecida) agora querem acompanhar um grupo maior e por mais tempo, para determinar se o hábito de sentar causa esse afinamento e também se fatores como gênero, raça e peso afetam a saúde cerebral de quem passa muito tempo sentado.

Como evitar ficar tanto tempo sentado?

Mesmo enquanto os estudos não são conclusivos, é melhor prevenir do que remediar, certo?
Por isso, confira algumas dicas ótimas de como passar menos tempo sentado no seu dia a dia:
  • Use as escadas em vez do elevador
  • Saia para almoçar ou fazer compras a pé
  • Estacione o carro longe do local de trabalho
  • Vá até as pessoas para falar com elas.

  • Asteróide inesperado passa próximo da Terra

    Resultado de imagem para fotos de asteroide gigante que passou perto da terra
     
    No último fim de semana, astrônomos foram pegos de surpresa. Apenas 21 horas depois de ser descoberto por especialistas da Nasa no Arizona, um asteroide de grandes proporções passou a somente 200 mil quilômetros da Terra, o que equivale à metade da distância que nos separa da Lua. Batizado de 2018 GE3, o asteroide tem um diâmetro estimado de 50 a 100 metros.
    Trata-se do segundo acontecimento do tipo neste ano. Em 9 de fevereiro, o asteroide 2018 CB, com diâmetro de 20 a 40 metros, passou pela Terra – muito mais perto que o do último fim de semana: 64.500 quilômetros. Mas no caso do 2018 CB, ele foi descoberto alguns dias antes de chegar próximo ao planeta.
    Astrônomos vasculham o céu dia e noite, buscando objetos desconhecidos próximos da Terra. Telescópios varrem o firmamento automaticamente, mas é possível que asteroides menores, com diâmetros de 20 a 100 metros, escapem ao radar.
    "Esses objetos menores só são detectados quando já chegaram relativamente perto da Terra", explica o astrônomo Manfred Gaida, do Centro Aeroespacial Alemão (DLR), com sede em Bonn.
    No entanto, não é só tamanho que determina com quanta antecedência e precisão os astrônomos detectam novos corpos celestes: também a direção de onde partem tem um papel decisivo. Quando vêm no sentido contrário ao do Sol, refletem seus raios, tendo mais probabilidade de serem descobertos do que se vêm diretamente de onde a estrela se encontra.
    "Do ponto de vista humano, é antes um acaso quando se descobrem tais objetos próximos da Terra", afirma Gaida.
    O 2018 CB pertence ao grupo dos asteroides Apolo, que cruzam a órbita terrestre em dois pontos. A descoberta acidental de que ele passou tão perto da Terra é certamente uma peculiaridade estatística, mas que não representa qualquer perigo.

    Tempo para afastar os perigos maiores

    No caso do asteroide Apophis, o sistema de radar dos astrônomos funcionou bem mais cedo. Segundo cálculos, em 13 de abril de 2029 ele passará perto do planeta abaixo do cinturão de satélites geoestacionários, portanto bem mais perto do que os dois asteroides que surprenderam astrônomos neste ano.
    Além disso, com 300 metros de diâmetro, o Apophis é mais de 100 vezes maior do que o 2018 CB e mais de três vezes maior que o 2018 GE3. Para os seres humanos contudo, mesmo munidos de binóculos, ele não passará de um ponto mínimo no céu.
    Um asteroide do tamanho do recém-detectado 2018 GE3 poderia provocar danos significativos, sobretudo se caísse sobre uma área habitada. Supõe-se que ele seja maior que o que provocou o chamado Evento de Tunguska, em 1908. Na época, milhões de árvores caíram após uma explosão na Sibéria. Estima-se que a energia da explosão de Tunguska tenha sido até mil vezes maior que a da bomba atômica de Hiroshima.
    Gaida reconhece que "realmente emocionante é detectar objetos que trazem consequências catastróficas ao se chocar contra a Terra". Mas não há razão para pânico: quando pesquisadores descobrem asteroides perigosos assim, pode levar de dez a 15 anos até eles chegarem ao nosso planeta.
    O astrônomo Detlef Koschny, da Agência Espacial Europeia (ESA), está seguro de que, nesse caso, haveria tempo suficiente para desviar um desses corpos celestes ameaçadores. Para tal, bastaria enviar uma grande massa para se chocar com ele, tirando-o minimamente de órbita. O tempo que ele ainda teria para voar garantiria que não atingisse a Terra.

    terça-feira, 17 de abril de 2018

    Nosso universo é um pequeno vilarejo

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    A NASA está lançando o novo telescópio espacial TESS que substituirá o Kepler. A sonda deverá buscar novos planetas que possam abrigar vida e estudará suas atmosferas.
    Presume-se que o telescópio irá explorar mais de 200 mil estrelas e tentará encontrar planetas entre elas. O método de trânsito ajuda a distinguir o tamanho do planeta, a densidade e a composição da atmosfera. Os cientistas esperam descobrir milhares de planetas com ajuda do TESS.
    O especialista em estudos espaciais, Nathan Eismont, disse ao serviço russo da Rádio Sputnik que o TESS poderá explorar a maior parte do espaço sideral.
    "O telescópio continuará as mesmas pesquisas que realizava o Kepler, que já esgotou todos os seus recursos […] O TESS é um bom substituto que foi projetado justamente para exploração de exoplanetas […] Suas vantagens em relação ao Kepler é que é possível explorar um sistema planetário com estrelas mais brilhantes, ou seja, planetas com menos visibilidade. O TESS poderá explorar a maior parte do espaço sideral", comentou.
    Segundo ele, mais de 3 mil exoplanetas foram descobertos pelo Kepler e ambos os telescópios estão equipados com computadores potentes.
    O astrofísico Vladimir Lipunov comentou ao serviço russo da Rádio Sputnik que estudamos o Universo para sabermos como está feita a nossa grande casa.
    "O método de trânsito, inventado por um astrofísico soviético, é o mais avançado. Foram descobertos 99% dos exoplanetas com a ajuda desse método. Primeiro, descobre-se um planeta maior e então os telescópios mais potentes são apontados em sua direção. Depois, é possível descobrir planetas menores […] Estamos estudando o Universo para saber como está feita a nossa grande casa que, na verdade, não é tão grande assim", disse Lipunov.
    Ele ainda acrescentou que o nosso Universo é como um "pequeno vilarejo".
    Jornal do Brasil

    A enzima "comedora" de plástico que pode revolucionar processo de reciclagem

     
    Os cientistas criaram, acidentalmente, uma enzima mutante que degrada plástico rapidamente.
    A enzima foi encontrada na primeira bactéria que naturalmente evoluiu para comer plástico, em um depósito de lixo no Japão.
    Ao estudar a estrutura detalhada da enzima crucial produzida pelo organismo, os testes dos pesquisadores mostraram que a molécula inadvertidamente se tornou ainda melhor em quebrar o plástico PET (polietileno tereftalato) comumente utilizado em garrafas plásticas.
    O avanço pode ajudar a resolver a crise global da poluição de plásticos, permitindo pela primeira vez uma reciclagem completa dessas garrafas.

    A esperança

    A bactéria foi descoberta em 2016. Desde então, uma equipe internacional de pesquisa tem analisado a enzima para ver como ela evoluiu.
    “O que aconteceu foi que melhoramos a enzima, o que foi um pouco chocante”, disse o professor John McGeehan, da Universidade de Portsmouth, no Rreino Unido, que liderou a pesquisa.
    A enzima mutante leva alguns dias para começar a quebrar o plástico, o que é muito mais rápido do que os séculos que leva para o processo ocorrer naturalmente.
    E o que é melhor: os pesquisadores estão otimistas de que possa ser acelerada ainda mais, tornando-se um processo industrial viável.
    “O que esperamos é usar essa enzima para transformar plástico de volta em seus componentes originais, para que possamos literalmente reciclá-lo em plástico novo. Isso significa que não precisamos explorar mais petróleo e, fundamentalmente, podemos reduzir a quantidade de plástico no ambiente”, concluiu McGeehan.

    Resultado de imagem para fotos das enzimas comedoras de plásticos

    O estudo

    A equipe usou o Diamond Light Source, um intenso feixe de raios-X dez bilhões de vezes mais brilhante que o sol, para revelar os átomos individuais da enzima.
    A estrutura da enzima parecia muito semelhante a uma desenvolvida por muitas bactérias para quebrar a cutina, um polímero natural usado como revestimento protetor pelas plantas.
    Quando a equipe manipulou a enzima para explorar essa conexão, acidentalmente melhorou sua capacidade de “comer” PET.
    “É uma melhora modesta – 20% – mas esse não é o ponto”, disse McGeehan. “É incrível porque nos diz que a enzima ainda não está otimizada. Isso nos dá espaço para usar toda a tecnologia aplicada no desenvolvimento de outras enzimas para melhorá-la ainda mais”.

    Enzimas industriais

    Enzimas industriais já são amplamente utilizadas. São comuns em lavagem a seco e na produção de biocombustíveis, por exemplo.
    Tais enzimas foram manipuladas em laboratório e aperfeiçoadas para trabalhar até mil vezes mais rápido do que costumavam, em poucos anos.
    A equipe do novo estudo quer fazer exatamente isso com essa enzima mutante específica, para a qual já pediram uma patente.
    Uma possível melhoria sendo explorada é transplantar a enzima mutante em uma “bactéria extremófila”, um tipo de bactéria que pode sobreviver a temperaturas acima do ponto de fusão do plástico. Estima-se que o PET se degrade dez a cem vezes mais rápido quando fundido.

    Reciclagem

    Cerca de 1 milhão de garrafas plásticas são vendidas a cada minuto em todo o mundo e apenas 14% delas são recicladas. Muitas acabam nos oceanos, onde contaminam a vida marinha.
    Mesmo as garrafas que são recicladas só podem ser transformadas em fibras opacas para roupas ou tapetes, contudo.
    A nova enzima representa uma forma de reciclar garrafas plásticas para se tornarem novas, o que poderia reduzir a necessidade de produzir novos plásticos.
    O processo de reciclagem do plástico hoje perde para o fato de que o petróleo é barato, então PET virgem é barato. É mais fácil para os fabricantes gerar mais plástico do que tentar reciclá-lo.
    Existe um clamor público pela reciclagem, no entanto, tendo em vista a enorme poluição plástica no mundo todo. A enzima mutante pode finalmente ser a resposta.

    Poluição

    Claro, a reciclagem do plástico PET é apenas o primeiro passo para salvar o meio ambiente. Outros tipos de plástico poderiam ser quebrados por bactérias atualmente evoluindo na natureza.
    O PET afunda na água do mar, mas alguns cientistas acreditam que bactérias comedoras de plástico poderiam ser pulverizadas nos enormes aglomerados de lixo plástico nos oceanos, para limpá-los.
    Enquanto a nova pesquisa é muito empolgante pelo seu potencial, alguns cientistas, como a professora Adisa Azapagic, da Universidade de Manchester, no Reino Unido, alertam que uma avaliação completa do processo é necessária antes de investirmos nele, para garantir que a tecnologia não resolva um problema ambiental – o desperdício – às custas de outro, como emissões adicionais de gases de efeito estufa, por exemplo.