segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Tremor de Terra atinge cidades do Paraná

Tremor no Paraná (Foto: Arte G1)
 
Um tremor de terra foi registrado na região de Rio Branco do Sul e Itaperuçu, na Região Meropolitana de Curitiba, na madrugada desta segunda-feira (18), segundo o Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). O abalo sísmico foi sentido em outras cidades do estado.
Atualização: inicialmente a USP informou que tinham sido registrados dois abalos sísmicos na cidade, o segundo em São Jerônimo da Serra, na região norte. O erro foi registrado pelo sistema, que operava de maneira automática naquele momento, segundo a USP. Horas depois, a informação foi analisada de maneira manual e corrigida apontando que tinha sido registrado um único abalo.
Apesar dos registros, nenhum atendimento foi registrado entre a noite de domingo (17) e a madrugada desta segunda, de acordo com o Corpo de Bombeiros. De qualquer forma, o tremor assustou os moradores de Rio Branco do Sul.
A Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil informou que não houve chamados para atender ocorrências, apenas pessoas ligando por curiosidade, para saber o que aconteceu. O agente da Defesa Civil Eduardo Bomfim disse que, até o  geralmente, acima de cinco pontos na escala richter.

Os relatos


"Foi tenso, mas já passou. De qualquer modo, deu um pouco de medo", disse Ronaldo, de Almirante Tamandaré, que fez um post no site da USP.
Elidiane, de Rio Branco do Sul, que também comentou na página sobre o assunto, disse que foi uma explosão e que as janelas ficaram sacudindo.

domingo, 17 de setembro de 2017

Historiador diz ter decifrado um dos manuscritos mais misteriosos do mundo

Textos que parecem mensagens cifradas, desenhos de mulheres nuas em banheiras com líquido verde, símbolos do zodíaco e desenhos de plantas e criaturas estranhas. Não é de se estranhar que estes e outros elementos, parte do conteúdo do Manuscrito Voynich - um livro ilustrado datado do período entre os séculos 15 e 16 e encontrado em 1912 pelo comerciante Wilfrid Voynich, que batiza o objeto - tenham intrigado especialistas e leigos há décadas sobre sua origem e função.
 
Páginas do manuscrito medieval mostram plantas
 
Com tamanho pequeno, 240 páginas ilustradas e uma capa de couro desgastada, o livro já foi apontado como "o manuscrito mais misterioso do mundo", como obra de extraterrestres e até como uma farsa fabricada por Wilfrid Voynich.
Mas no início deste mês, o historiador britânico Nicholas Gibbs diz ter chegado à resolução de tamanho e duradouro mistério. E, segundo seu artigo publicado na prestigiada revista britânica The Times Literary Supplement , a resposta é simples: o livro tinha como objetivo aconselhar sobre a saúde - principalmente das mulheres - e é uma amostra da medicina medieval de seu tempo.
Em seu texto na The Times Literary Supplement , que ganhou o título "Manuscrito Voynich: A solução", Gibbs diz que o objeto é "um livro de referências de remédios retiradas dos tratamentos padrão do período medieval, um manual de instruções para a saúde e o bem-estar para as mulheres mais abastadas da sociedade, e que muito possivelmente foi escrito para uma única pessoa".
Latim
Se por muito tempo acreditou-se que as estranhas palavras do livro eram criptografadas, Gibbs apresenta uma explicação alternativa: elas seriam abreviações de termos do latim. Mais especificamente, seriam ligaduras tipográficas - o nome que se dá à grafia que une duas ou mais letras em um único símbolo (como Æ e &, neste caso uma união das letras "E" e "T"). Este recurso era muito utilizado na Idade Média como forma de economizar espaço e trabalho pelos escribas de então.
"Como alguém com uma longa experiência na interpretação de inscrições em latim em monumentos clássicos e nas tumbas e em chapas metálicas de igrejas inglesas, reconheci no Manuscrito Voynich sinais reveladores de um formato abreviado de latim", escreveu Gibbs.
 
Os trechos que Gibbs diz ter decodificado
Consultando o Léxico Abbreviaturarum de Latim Medieval (1899), de Adriano Cappelli, o historiador diz ter reconhecido no manuscrito pelo menos duas ligaduras, "Eius" e "Etiam". Diversas abreviações corresponderiam a palavras-padrão relacionadas a plantas e infusões, como aq=aqua (água), con=confundo (mistura), ris=radacis/radix (raíz). "Então, o herbário do Manuscrito Voynich deve, portanto, ser uma série de ingredientes 'simples' com as medidas necessárias".
O artigo publicado na The Times Literary Supplement traz uma imagem com duas linhas codificadas com palavras como estas.
Segundo o pesquisador, era comum que livros de referência semelhantes ao manuscrito viessem acompanhados de um índice com abreviações e os nomes correspondentes de doenças, sintomas, nomes de plantas, entre outros. Para Gibbs, porém, o que seria o índice do Manuscrito Voynich está desaparecido.
Medicina medieval
O historiador relaciona também o manuscrito a outros contextos da Idade Média, como as práticas de banho - tema bastante presente nas ilustrações do manuscrito. "Me pareceu lógico olhar para os hábitos de banho do período medieval. Ficou logo bastante óbvio que eu havia entrado na seara da medicina medieval", diz o texto de Gibbs.
Segundo o pesquisador, ilustrações de plantas, símbolos do zodíaco e diagramas eram comuns quando o tema era saúde nesta época - quando precursores clássicos da medicina como Galeno, Hipócrates e Sorano de Eféso eram reverenciados. O uso dos banhos como tratamentos era uma longa tradição, praticada por gregos e romanos e continuada na Idade Média.
 
Uma ilustração de mulheres se banhando do Manuscrito de Voynich
 
Uma ilustração de mulheres se banhando do Manuscrito de Voynich Foto: BBCBrasil.com
"O tema central do Manuscrito Voynich é apenas uma dessas atividades, e uma de suas principais características é a presença de figuras femininas nuas imersas em algum tipo de mistura. A medicina clássica e medieval tinha divisões separadas dedicadas às queixas e doenças das mulheres, principalmente, mas não exclusivamente na área de ginecologia", escreveu o historiador no artigo.
Gibbs identificou também referências, em conteúdo e em ilustrações, a dois guias amplamente disseminados pela Europa no período medieval: o Trotula , um tratado ginecológico, e o De Balneis Puteolanis , que versava sobre os benefícios dos banhos com infusões.

Críticas

A solução dada por Gibbs, porém, não resolveu a incógnita para muitos outros especialistas. Em blogs, fóruns e no Twitter, a publicação foi bastante criticada - em geral, acusada de não ter apresentado bases suficientes para os argumentos.
"E lá vamos nós de novo. Eu já revisei dezenas de 'soluções', e essa é tão pouco convicente quanto as últimas 3 mil", escreveu no Twitter Lisa Fagin Davis, diretora da Academia Medieval dos Estados Unidos.
Já René Zandbergen, engenheiro que administra um site sobre o manuscrito, o artigo de Gibbs foi desproporcional: um texto muito grande com apenas duas linhas do livro medieval decodificadas. "O resumo no Times Literary Supplement é realmente muito curto para fornecer qualquer análise séria", disse Zandbergen à revista The Atlantic.

Qual é a explicação científica para que alguns pratos fiquem mais gostosos no dia seguinte

Reações químicas ocorridas durante cozimento podem continuar após prato ficar pronto; ingredientes de sabor marcante deixam de se sobressair e prato ganha sabor mais homogêneo.
 
Geladeira
 
mesmo de ontem, sobra ou requentado - como quiser chamar. Esses pratos que você cozinhou ontem e guardou na geladeira podem conter uma explosão de sabores que você não sentiu quando foram servidos pela primeira vez.
Em especial, guisados, molhos e sopas tendem a ter sabor muito melhor no dia seguinte.
 
Geladeira
Isso não tem nada a ver com a sua memória ou com o fato de que, como você não teve de cozinhar, agora pode relaxar e desfrutar melhor da comida.
O segredo está nos próprios alimentos, seus ingredientes e as reações químicas que neles acontecem durante o cozimento, refrigeração e reaquecimento.
É claro que nem toda comida guardada de um dia para outro vai ter um sabor melhor.
Sabemos que uma salada, depois de ser temperada, fica murcha e pouco convidativa algumas horas após seu preparo.
 Pratos fritos perdem a textura crocante e o macarrão vira uma massaroca borrachenta e ressecada.
Peito de frango, sushi, peixe e mariscos também ficam pouco apetitosos dias após seu preparo.
Por outro lado, um molho à bolonhesa ou um frango ao curry requentados… hummm! Não tem nada igual.
Química e Física
As receitas que melhoram de gosto de um dia para o outro têm algumas características em comum.
Pratos que contêm carne e molhos, por exemplo, combinam múltiplos ingredientes com propriedades aromáticas individuais. Entre eles estão a cebola, o alho, o pimentão e as ervas.
 
Mulher pegando comida na geladeira
 
Durante o processo de cozimento, esses elementos sofrem uma série de reações químicas dentro de um ambiente complexo.
Os ingredientes aromáticos são os que mais reagem nesse meio, produzindo compostos de sabores e aromas que, por sua vez, interagem com a proteína das carnes e o amido das batatas e legumes.
Quando o prato esfria, é refrigerado e depois requentado, algumas dessas reações voltam a ocorrer, resultando em um melhor sabor.
Além disso, em um prato recém preparado, ingredientes como o alho e a cebola podem se sobressair demais, disputando a atenção do paladar uns contra os outros.
No dia seguinte, no entanto, já se mesclaram e se suavizaram, o que dá ao prato um sabor mais equilibrado.
Gorduras, ossos e músculos
As gorduras e os colágenos têm muito a ver com a alteração nos sabores.
Quando uma carne cozida esfria, o colágeno - um tipo de proteína presente nos músculos, ossos e outras partes do animal - que havia derretido durante o cozimento começa a se coagular na superfície da carne, "prendendo" muitos sabores.
Esse fenômeno se acentua ainda mais na carne moída porque há mais superfícies às quais o colágeno gelatinoso pode aderir.
O mesmo ocorre com os amidos. Quando são cozidos, ficam gelatinosos. Ao esfriar, os compostos de sabores presentes no molho ficam presos em suas estruturas.
 
Comida requentada
 
Pedaços de batata, mandioca e banana usados como ingredientes em guisados ficam particularmente saborosos no dia seguinte.
Esse processo também tem influência positiva sobre a textura da comida, que pode ficar mais espessa e cremosa.
O mesmo ocorre em pratos à base de carne. Quando esfriam e são requentados, tornam-se mais viscosos porque as fibras da proteína se decompõem, liberando o material gelatinoso que fica entre as células.
Cada vez que a proteína esfria e é reaquicida, mais quantidades dessa substância são liberadas, espessando o líquido que envolve a carne.
Porém, esse processo não deve ser repetido em demasiado. Quando é requentada muitas vezes, a carne tende a ficar fibrosa.
Recomendações
Para obter o melhor resultado possível, é preciso que sejam obedecidas certas regras básicas de preparo, refrigeração e armazenamento do alimento.
No preparo de molhos ou cozidos à base de carne, recomenda-se primeiro que a carne seja dourada em fogo alto.
 

Tempestade Maria ganha força e pode se transformar em furacão

 
 
A tempestade tropical Maria ganhou força e pode se transformar em furacão no decorrer deste domingo (17), durante o seu deslocamento para o leste das Pequenas Antilhas, informou o Centro Nacional de Furacões (NHC) dos Estados Unidos.
O fenômeno meteorológico, que apresenta ventos máximos sustentados de 100 km/h, se dirige para as Pequenas Antilhas, recentemente atingidas pela devastadora passagem do furacão Irma e das quais se encontra a 720 km.
No último boletim divulgado, o NHC apontou que Dominica está sob aviso de furacão, enquanto Santa Lúcia se encontra sob aviso de tempestade tropical.
Ambas as ilhas, assim como outras próximas, sofreram recentemente impacto do furacão Irma, com casos dramáticos como o de Barbuda, devastada em mais de 90% segundo as autoridades locais, que ainda não terminaram as tarefas de reconstrução.
Maria se move em direção oeste-noroeste a uma velocidade de translação de 24 km/h e deve manter este padrão ao longo dos próximos dias, durante os quais o olho do fenômeno se aproximará das Pequenas Antilhas na noite de segunda-feira com características de furacão, de acordo com o NHC.
Embora a tempestade esteja seguindo quase a mesma trajetória do furacão Irma, que atingiu a Flórida, a Geórgia e a Carolina do Sul, ainda é muito cedo prever se chegará a essa península.
Além de María, os meteorologistas do NHC continuam a acompanhar o desenvolvimento de outros dois ciclones no Atlântico.

Furacão José

O furacão de categoria 1 José mantém a trajetória com direção norte, com uma velocidade de translação de 15 km/h, e está 575 km/h ao sudeste do Cabo Hatteras, na Carolina do Norte. José se fortaleceu levemente nas últimas horas e apresenta ventos máximos sustentados de 150 km/h e deve permanecer como furacão durante os próximos dias.
 
 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Detergente ou sabão? qual o melhor produto para lavar a louça?



Detergente ou sabão: qual é o melhor para lavar a louça?
 Quanto mais espuma, mais fácil remover a gordura? E a água quente, como ela ajuda no processo? Essas são algumas das perguntas respondidas pela química, uma excelente aliada de quem encara uma pia cheia de panelas, pratos, copos e talhares sujos e engordurados.
A diferença entre o detergente e o sabão, como explica Watson Loh, professor do Instituto de Química da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), se resume basicamente à estrutura molecular. Enquanto o sabão é composto por sebos  vegetais, o detergente se constitui a partir de derivados petroquímicos. "Ainda assim o funcionamento dele é praticamente o mesmo: remover a gordura".
Os dois são usados para retirar desengordurar a louça porque fazem o meio de campo entre as moléculas de água, polares, e de gordura, apolares e hidrofóbicas (substância que não absorve a à água).
"Os detergentes têm uma porção de moléculas polar e outra apolar. Com essa estrutura ela consegue fazer a ligação da água com a gordura", explica Adauto Lorenzini, professor de química do cursinho da Poli.
"Imagine que o alfinete é o detergente (a cabeça a parte polar e a ponta a apolar) e o agulheiro o óleo. Ao perfurar todo o espaço do agulheiro, cria-se o que chamamos de micela, ou seja, a possibilidade de interação com a água, nesse caso é responsável por dissolver a sujeira da louça", exemplifica.
Detergente ou sabão? Se pensarmos no ambiente, o sabão de barra deve ser considerada a melhor opção. De acordo com o professor do cursinho da Poli, o sabão é biodegradável. "Em contrapartida, nem todos os detergentes são benéficos  ao ecossistema. Alguns deles possuem fosfato." A substância na água de rios e lagos aumenta a população de algas, reduzindo o oxigênio e provocando a morte de peixes.
O sabão, no entanto, tem uma desvantagem em relação ao detergente. Não consegue atuar na presença de cálcio, magnésio e ferro.
"Quando tenho que lavar minha mão cheia de giz, por exemplo, tenho que recorrer ao detergente. Se for usar o sabão vai virar uma pasta de sujeira", alerta o químico, que diz que casos assim são raros, mas devem ser levados em consideração.

Espuma não significa limpeza
  Cuidado com os exageros! O excesso no uso do sabão ou do detergente não significa que seus copos e pratos ficarão mais limpos. "O importante é certificar-se de que esfregar o produto em toda a área da louça engordurada. Uma fina camada já é suficiente", afirma Loh, que diz que é preciso bom senso.
 Só para se ter uma ideia, o recomendado é 25g de detergente para uma lava-louça capaz de limpar um conjunto de louças para seis ou oito pessoas (serviços).

As principais revelações da sonda Cassini antes de "missão suicida" na atmosfera de Saturno

Lançada em 1997, a sonda Cassini passou 13 anos explorando o sistema de Saturno.

Cassini confirmou existência de oceano em Enceladus, e cientistas acreditam que satélite tem potencial para abrigar vida. Foto: Nasa
Mas, nesta sexta-feira, a espaçonave foi desintegrada ao mergulhar, em altíssima velocidade, na atmosfera de Saturno. Segundo a Nasa, a agência espacial americana, o objetivo da destruição foi evitar que ela contaminasse as luas de Titã e Enceladus, que podem abrigar vida.
Assim, a nave se desmaterializou e fez parte do planeta que tem estudado desde 2004.
Confira uma seleção das principais descobertas da sonda:

Gêiseres

Titã, a maior lua de Saturno. Foto: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute

Imagens enviadas de volta das missões dos anos 1980 da sonda Voyager mostraram que Enceladus, a lua de Saturno, de 500 km de diâmetro, tinha uma superfície muito suave e, portanto, relativamente jovem. Poderia ter sido renovada por algum processo desconhecido. Mas foi Cassini que descobriu os gêiseres de água congelada despontando no polo sul da pequena lua.
 A água é jorrada em uma velocidade de 1,3 mil km por hora através de orifícios que estão conectados a um oceano salgado abaixo da cobertura de gelo. A água é considerada um ingrediente essencial para a vida como a conhecemos, o que faz de Enceladus um alvo na busca de uma biologia alienígena.
Além disso, ao sobrevoar sobre os jatos de água e "provando-os" com um aparelho a bordo da aeronave, Cassini pôde detectar a presença de grãos rochosos, metano e hidrogênio molecular.
A explicação mais provável para essas descobertas é a presença de aberturas para fluidos no fundo do mar. Na Terra, esses orifícios hidrotermais que jorram água superaquecida proveniente de um local abaixo do solo oceânico são cheios de vida.
A Enceladus revelou que habitats capazes de abrigar vida podem ser mais comuns do que pensávamos, colocando nossa própria existência em perspectiva.

Pousando em Titã

Ilustração artística do pouso da sonda Huygens Foto: ESA-C. Carreau

Em 14 de janeiro de 2005, a sonda europeia Huygens desceu até a densa atmosfera da maior lua de Saturno, Titã.
Huygens chegou ao ponto mais alto da atmosfera (uma altitude de 1.270 km) e sobreviveu à entrada hipersônica, usando um paraquedas para flutuar em direção ao solo, coletando dados por duas horas e 27 minutos.
Usando seus instrumentos de bordo, Huygens enviou fotos e fez uma descrição da atmosfera de Titã, incluindo dados como temperatura, pressão, densidade e composição.
"Havia uma camada atmosférica na qual os ventos iam de velocidades como 60 ou 70 km até zero, aumentando logo depois", disse o cientista do projeto Huygens Jean-Pierre Lebreton. "Isso ainda não foi propriamente explicado".
A sonda enviou dados da superfície por outros 90 minutos até que Cassini - que estava enviando os dados à Terra - desapareceu no horizonte, interrompendo as comunicações. Até hoje, é a maior distância da Terra em que uma espaçonave enviada já pousou.
As descobertas da Huygens foi que fizeram a Nasa temer a possibilidade de contaminação em Saturno e, anos mais tarde, decidir pelo "suicídio" da Cassini.
Lua igual, mas diferente
Cassini e Huygens mostraram Titã como uma versão da Terra "através do espelho". A temperatura de sua superfície de -179 graus Celsius implica que os hidrocarbonetos desempenham muitos papéis que a água tem no nosso planeta. Titã tem um ciclo de estações, com ventos, chuva de metano e mares, montanhas de gelo e dunas de areias de "plástico".
Três mares escuros de metano estão no pólo norte de Titã - sendo que o maior deles, o mar Kraken, é maior que o Lago Superior da América do Norte. Ao redor desses mares, há numerosas extensões de líquidos.
A Cassini registrou pequenas ondas na superfície de um mar e uma característica misteriosa em outro que foi apelidado de "ilha mágica". Icebergs, ondas e bolhas de gás saindo do solo oceânico são possíveis explicações para esse último fenômeno.
Titã também tinha uma química extraordinariamente complexa e orgânica em sua atmosfera. De fato, alguns cientistas acreditam que pode ser uma semelhante com a atmosfera que nutriu a vida na Terra antigamente - oferecendo um vislumbre sobre nosso próprio passado primordial.
A Enceladus não é a única lua com um oceano - Titã também tem uma extensão de líquido embaixo de sua superfície. Mas esse oceano provavelmente é composto de água misturada com amônia.
 
Anéis dinâmicos
Cassini revelou que o sistema de anéis de Saturno é um ambiente ativo e dinâmico. Aliás, os anéis são um laboratório para a forma como planetas se formam ao redor de estrelas jovens. Cientistas pensam que a forma como luas inseridas ali fazem "vãos" pode ser semelhante à maneira como corpos maiores formaram o disco de poeira e gás que orbitou o sol bilhões de anos atrás.
 A Cassini observou estruturas previamente desconhecidas nos anéis e testemunhou o possível nascimento de uma jovem lua. Dados da missão podem finalmente começar a responder um dos maiores mistérios sobre Saturno - como e quando os anéis se formaram.
Em 2017, pouco antes do fim da missão, cientistas anunciaram descobertas preliminares sugerindo que eles eram relativamente jovens - talvez 100 milhões de anos de idade. Isso pode indicar que estamos apenas vivendo em um momento especial da história em que Saturno tem anéis.
 
Força de tempestade
A espaçonave da Nasa observou tempestades gigantes em ambos os pólos de Saturno. Para dar uma noção de perspectiva, o olho de um furacão no norte de Saturno tinha uma largura de 2 mil quilômetros. Isso é 50 vezes maior que um furacão médio na Terra. As velocidades dos ventos lá pode chegar a 504km por hora.
O olho da tempestade do pólo norte se movimenta em redemoinhos com uma corrente de "ar" com seis lados. Ninguém tem muita certeza sobre como essa corrente hexagonal de ar é formada - algo deste tipo jamais foi visto em outro planeta.
No entanto, usando simulações de computador, cientistas conseguiram mostrar como essas características podem ser formadas a partir da interação de diferentes correntes de ar. Diferentemente de furacões na Terra, que geralmente duram dias, essa tempestade existe por no mínimo décadas, talvez séculos.
 
 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A difícil busca pelo depósito definitivo de lixo nuclear

Em 2016 entraram em funcionamento dez reatores nucleares em todo o mundo, além de outros dois no primeiro semestre de 2017, segundo o relatório World Nuclear Industry Status Report , publicado na sexta-feira passada (08/09).
Seis dessas novas usinas estão localizadas na China, que passou ao terceiro lugar entre as cinco maiores potências geradoras de energia atômica, depois dos Estados Unidos e da França. Juntas, as cinco grandes produtoras geram 70% desse tipo de energia no mundo, cabendo a metade aos EUA e França.
Uma vez que, nesse mesmo período, apenas quatro reatores foram desativados, torna-se ainda mais premente a decisão de o que fazer com os resíduos radioativos - uma questão que ainda não foi devidamente respondida.
 
 
Oposição da população alemã
Em setembro de 2017, a Alemanha começará a procura por um local definitivo para armazenar seu lixo atômico. Uma comissão especial está encarregada de rastrear o país em busca de um sítio geológico apropriado à construção de um depósito profundo. Nele ficará enterrado, de uma vez por todas, o legado de décadas de produção de energia nuclear.
O governo alemão espera encontrar esse local até o ano de 2031. No entanto, críticos estão céticos de que o prazo seja viável. Há questões técnicas complexas, por exemplo se argila, granito ou sal oferecem a melhor proteção contra vazamento ou contaminação. O sítio deve fornecer segurança por 1 milhão de anos, portanto os cientistas querem estar certos de que ele resistirá a ocorrências como eventuais eras glaciais.
O maior desafio, contudo, será persuadir as comunidades a aceitar um depósito de lixo atômico "no seu quintal". No fim dos anos 1970, por exemplo, a Alemanha Ocidental decidiu testar uma mina de sal em Gorleben, na Baixa Saxônia, como possível depósito definitivo: seguiu-se uma batalha de décadas, com os moradores locais protestando veementemente contra o projeto.
Os opositores argumentavam que a área pouco populosa e próxima à fronteira com a antiga Alemanha comunista, teria sido escolhida por motivos políticos, e não científicos. Levantaram-se também objeções técnicas.
O especialista americano em assuntos nucleares Robert Alvarez destaca que a Alemanha ao menos dispõe de um conjunto de critérios científicos para selecionar um sítio que seja geologicamente estável e preserve os contêineres da oxidação e consequente corrosão. Em comparação com o governo dos EUA, Berlim "tem prestado mais atenção aos geólogos e aos especialistas em segurança nuclear".
Segurança questionável nos EUA
Nos EUA, o presidente Donald Trump tomou iniciativas para reiniciar as obras num depósito na Montanha Yucca, antigo local de testes de armas nucleares no remoto deserto de Nevada. Segundo Alvarez, a escolha do sítio, ocorrida antes da eleição de 1988, foi resultado de uma jogada política do Congresso, que descartou um estudo sobre possíveis locações por todo o país.



"As pessoas ficaram loucas, e isso assustou os políticos que concorriam na eleição. Então, em 1987, quando o processo estava se desenrolando, o Congresso simplesmente mudou a lei e disse: 'Vamos colocar o depósito em Yucca, vocês todos estão fora de perigo'."
O pesquisador sublinha que o local já estava contaminado pelos testes nucleares, e que na época Nevada só dispunha de quatro votos no colégio eleitoral que escolhe o presidente. No entanto as condições geológicas na montanha estão longe de ser ideais, exigindo ventilação em grande escala por pelo menos cem anos a fim de manter baixa a temperatura dos resíduos.
"Há um monte de baboseira sobre Yucca ser o melhor local", afirma Alvarez. Melhor seria um sítio granítico, como os que estão sendo explorados na Finlândia e na Noruega. "Temos uma grande extensão de solo de granito em nosso país, mas fica em áreas populosas", observa o especialista.
Obstáculos em aberto na Europa
A Finlândia ocupa as manchetes internacionais com o que se tem saudado como o primeiro depósito nuclear permanente de longo prazo do mundo, a 400 metros de profundidade no leito granítico do litoral oeste.
Segundo Alvarez, os países escandinavos estão se afirmando como a vanguarda no setor. Ainda assim, não há garantias de que os depósitos de granito profundos continuarão seguros daqui a centenas de anos, como pretendem os finlandeses. "Para dizer o mínimo, essa afirmativa contém fortes elementos de especulação. Como prever como estará o mundo daqui a cem anos?", objeta o cientista.
Outros países enfrentam dificuldades ainda maiores. "O problema na Finlândia e na Suécia é muito simples", diz Andy Blowers, do grupo independente de especialistas Nuclear Waste Advisory Associates. "Elas têm um tipo de geologia, e em grande quantidade, têm poucas usinas elétricas e, portanto, um volume definido de resíduos."



A França, que gera três quartos de sua energia de fontes termonucleares, planejava abrir em 2030 um depósito em Bure, no sul. No entanto, assim como no caso da montanha Yucca, o local apresenta uma série de problemas técnicos e de segurança, e ativistas vêm protestando contra o projeto.
No Reino Unido, os planos para um depósito definitivo próximo ao sítio de desmantelamento e reprocessamento nuclear foram cancelados, em seguida a consultas junto ao público e a autoridades científicas.
Também devido à oposição do público, em meados deste ano o governo da Austrália abandonou seus planos de um depósito internacional, onde iria se armazenar lixo atômico de todo o mundo.
Seco ou molhado? 
 Assim, antes mesmo de a Finlândia começar a encher seu novo depósito, os resíduos acumulados pelo mundo em mais de seis décadas de energia nuclear estão basicamente esperando sobre o solo, em instalações temporárias. Com graus variáveis de segurança, essas instalações nunca foram pensadas para concentrar tanto lixo radioativo, nem por tanto tempo.
Também neste ponto, Alvarez considera a posição da Alemanha melhor do que a de muitas outras nações: por um lado, ela tem utilizado contêineres que são "Mercedes", comparados aos "velhos Chevrolets" dos EUA, bem mais espessos e aptos a manter os resíduos em segurança por mais tempo.
Uma decisão importante é se o armazenamento de dejetos atômicos deve ser seco ou em piscinas. Os dejetos precisam ser mantidos resfriados em líquido, mas se este evapora, o lixo radioativo se aquece rapidamente, resultando em incêndios cujas consequências superariam Chernobyl de longe, preveem analistas.



Durante o acidente de Fukushima, em 2011, essa catástrofe esteve em cogitação por um breve período, quando uma piscina contendo um reator inativo foi seriamente danificada. No entanto um outro vazamento voltou a enchê-la. Sem esse acaso feliz, dezenas de milhões de japoneses - talvez até 27% da população total, segundo certos especialistas - teriam de ser removidos.
No entanto, apesar de todos os perigos e das recomendações dos analistas para que se opte pelo armazenamento seco em contêineres, países como França, Reino Unido, Coreia do Sul e EUA continuam depositando resíduos atômicos em piscinas.
Das piscinas para a eternidade
Especialistas apontam que a questão mais premente não é encontrar locais definitivos para o armazenamento, mas assegurar que os temporários sejam seguros e permaneçam assim até estar resolvida a charada de como eliminar os dejetos mais tóxicos que a humanidade já gerou.
"Desconfio que o que temos pela frente é um período bem mais longo de depósitos de superfície", prevê Alvarez.
O alemão Mycle Schneider, analista independente de política nuclear e principal autor do relatório anual sobre o status do setor, diz não estar nem mesmo convencido de que o armazenamento geológico devesse ser a meta final: o lixo atômico precisaria sobretudo estar acessível para o caso de se encontrar um meio mais eficaz de dispor dele.
Por enquanto, a questão é encontrar a solução menos ruim. "A coisa é bem clara: tirar o mais rápido possível o combustível usado das piscinas e colocá-lo em armazenamento seco, mesmo que, para início de conversa, isso não seja o ideal. Depois, passar ao próximo estágio, que é uma construção adequada, e depois a um depósito reforçado, como um bunker. A partir daí, pode-se começar a pensar na eternidade."

Superbactéria foi ao espaço - e voltou ainda mais forte

Resultado de imagem para fotos superbactéria foi ao espaço
 
A Nasa desinfeta rigorosamente suas naves, para evitar que bactérias de origem terrestre contaminem outros planetas. Mas não conseguia se livrar da SAFR, e decidiu fazer um teste. Soltou um balão com amostras da bactéria a 32 km de altitude, na estratosfera. A bactéria ficou lá por oito horas, sendo bombardeada por raios ultravioleta e radiação cósmica, e aí os pesquisadores puxaram o balão de volta.
Para surpresa geral, 267 bactérias sobreviveram e sofreram uma mutação que as tornava imunes às condições do espaço.
A bactéria não causa doenças em humanos – a não ser que, um dia, passe por uma mutação que a torne capaz disso.
BBC Brasil

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Invasão extraterrestre? O dia em que 6 "discos voadores" pousaram na Inglaterra

Os discos de metal emitiam um estranho som. Eram seis deles, que apareceram misteriosamente alinhados em diversas cidades do sul da Inglaterra, há 50 anos.
 
"Disco voador" em plantação de Chippenham
Durante horas, público, polícia e mesmo o Exército Britânico acreditaram que espaçonaves alienígenas tinham pousado no país - e acionaram planos de emergência para lidar com as chegadas.
Até que um grupo de estudantes de engenharia revelou que se tratava de uma "pegadinha".
Mas como ela foi tão bem-sucedida?
Ray Seager fez parte do grupo de crianças que brincava na Ilha de Sheppey naquele 4 de setembro de 1967, quando um dos "discos voadores" foi encontrado nas redondezas.
"Todos corremos para ver. E lá estava ele, o típico disco voador de antigamente, redondo e prateado."
Seager conta que a polícia chegou com apreensão ao lo cal.
"Eles pareciam estar com medo e começaram a gesticular para que saíssemos do local."
De acordo com jornais da época, os seis discos foram levados para estações policiais e mesmo uma base da Força Aérea Britânica. O objeto encontrado em Sheppey, por exemplo, foi removido por um helicóptero militar.
Em Berkshire, nos arredores de Londres, especialistas em satélites foram chamados para examinar um dos discos, que supostamente estava repleto de um misterioso líquido e emitindo sons estranhos.

Newspaper archive from The Times and The Guardian
Enquanto isso, estagiários do centro de pesquisas Royal Aircraft Establishment em Farnborough (RAE na sigla inglesa) observavam como sua "pegadinha" tinha dado certo. O engenheiro Chris Southall conta que o grupo estava determinado a montar uma história convincente.
Fãs de ficção de científica, os estudantes criaram um design que não poderia ser imediatamente reconhecido como humano. Eles criaram moldes de gesso para criar duas "tampas" feitas de plástico de lã de vidro e metal, que eram coladas. No seu interior, colocaram um dispositivo sonoro movido a bateria que era ativado com movimento.
"Se você pusesse os discos de cabeça para baixo, isso acionava o mecanismo. Pusemos os discos no terreno secretamente, no meio da noite. Acionamos o ruído na hora de sair. E fugimos", conta Southall.
Os discos tinham também em seu interior uma mistura de farinha e água que fermentava e se tornava uma "gosma fedorenta".
"Queríamos algo que realmente parecesse alienígena".
Os discos foram colocados em uma linha de costa a costa no Reino Unido, em seis diferentes localidades - Sheppey, Bromley, Ascot, Welford, Chippenham e Clevedon.

Press cutting from 5 September 1967 from The Guardian

Rog Palmer, que também fez parte do comitê de estudantes, conta que a turma se organizou em equipes de duas ou três pessoas para levar os discos para as diferentes localidades. Quando os objetos foram encontrados, já estavam todos de volta à base.
Só não esperavam que a empreitada fosse ser tão bem-sucedida.
Southall, hoje com 72 anos e envolvido com ativismo ambiental, conta que a "pegadinha" tinha também um objetivo sério.
"Achávamos que o governo deveria ter algum plano para o caso de alienígenas realmente aterrissarem na Terra. Demos às autoridades uma chance de testá-lo. Mas elas não tinham um plano."
Southall conta como os estudantes de engenharia ficaram surpresos ao ver a forma pouco inepta com que a polícia e o Exército lidaram com os discos.
Para o advogado David Clarke, responsável pelos arquivos oficiais do Reino Unido sobre OVNIs (Objetos Voadores Não-Identificados), a resposta das autoridades não foi apropriada.
"Quando os policiais tentaram perfurar um dos discos, que estava cheio da substância de farinha fermentando, este explodiu e espirrou a substância sobre o grupo de policiais. Se fosse algo realmente radioativo, isso teria criado uma área de desastre. Em vez disso, os agentes apenas lavaram a cena, com a água caindo nos bueiros da rua."
Em 1967, segundo Clarke e Southall, a imaginação do público estava cativada pelos OVNIs e o Ministério da Defesa recebia relatos diários de avistamentos. Ainda assim, os autores da "pegadinha" não esperavam a repercussão, que incluiu relatos mídia estrangeira.
"Foi muito mais do que esperávamos", afirmou Southall.
Ele lembra de dar entrevistas para a TV depois que a "pegadinha" foi revelada. Jornais foram alertados, mas ainda assim publicaram histórias sobre uma invasão alienígena, segundo ele.
Embora relatos da mídia falem em irritação das autoridades, os estudantes responsáveis pelo projeto não foram autuados ou coisa do gênero.
"Era uma época diferente, as pessoas tinham um atitude diferente", conta ele.
Southall acredita que hoje os responsáveis por uma "pegadinha" dessas poderiam acabar na cadeia.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

"O mar secou": por que a água se retrai com a chegada de um furacão?

8.set.2017 - Navio encalha em Miami Beach, na Flórida, com a secagem das águas do mar promovida pela chegada do furacão Irma
 
Quando o furacão Irma, o mais poderoso da década no Atlântico, ainda se aproximava da costa da Flórida, a ventania se intensificava, a chuva começava a cair quando, de repente, o mar começou a se retrair. Aos poucos, a água foi sendo sugada, recuando e se afastando das costas e praias. Deixou um rastro de algas, pedras, troncos, ouriços do mar e caramujos.
 Barcos, que antes boiavam à beira mar, ficaram afundados na areia. Essas cenas foram vistas várias vezes à medida que o furacão avançava para os EUA - e imagens pipocaram durante todo o fim de semana nas redes sociais .
As primeiras foram registradas nas Bahamas e, depois, nas costas de Key West, Naples, St. Petersburg, Sarasota e Tampa, cidades no oeste da Flórida.
E por que o mar recuou se o um ciclone estava se aproximando? Não seria o caso de a maré subir, provocar ondas e inundar tudo?
"Nem sempre isso acontece. Depende da força e da direção dos ventos do furacão", explica Juan Carlos Cárdenas, meteorologista do Centro Mundial de Prognósticos do The Weather Company, empresa de previsão e tecnologia de clima e tempo.
O fenômeno deixou muita gente surpresa e causou intensa discussão nas redes sociais.
"Foi muito estranho porque tinha muito vento, mas, ao invés de ter ondas, o mar foi embora. Foi algo estranhíssimo", contou Sandra Padrón, moradora de Naples, à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC. Ela disse que teve medo. "O mar  recuou muito na manhã (de domingo). Pensei que era com anúncio de algo ruim.".
O que o vento leva De acordo com o especialista, para compreender esse fenômeno é preciso entender a estrutura e o movimento de um furacão.
Os ventos dos ciclones tropicais, quando se formam ao norte do Equador, circulam no sentido anti-horário, isto é, da direita para a esquerda.
"Assim, quando Irma foi se aproximando da Flórida, o vento, que é muito forte, sopra do leste para o sudeste, de forma que arrasta, 'puxa' a água, da costa para dentro (do oceano)", explica Cárdenas.
"O que tem que ser levado em consideração neste caso é que a forma e força com que o vento avança são tão poderosos que fazem a água se mover na mesma direção", completa o especialista.
Portanto, diz ele, como a costa oeste da Flórida está localizada na direção oposta ao vento, a água tende a recuar nessa região.
Cárdenas diz que o mesmo aconteceu nas Bahamas. "Algumas das ilhas do arquipélago são de sotavento (as que se encontram na direção na qual o vento se move) e, por isso, explica porque o mar também tenha recuado", completa o especialista.
Profundidade das águas Cárdenas explica que, além da força e da direção do vento, um fator a ser levado em consideração é a profundidade do mar,
"Antes, o Irma se moveu por zonas do Atlântico onde a profundidade do mar é muito grande. Então, o vento arrasta a água, mas, como ali é muito profundo, a água afunda e volta em direção à costa.
 
Não há recuo.
No entanto, o meteorologista explica que, perto da plataforma continental, a profundidade do oceano é menor. Por isso, água não pode afundar e voltar para a costa, e o mar acaba seguindo a mesma direção do vento.
"É algo que pode acontecer no sul da região ocidental de Cuba e na costa oesta da Flórdia porque há muito espaço para o mar recuar e pouca profundidade", argumenta.
No caso de furacões fortes, como o Irma, esse fenômeno pode produzir um efeito no qual as ondas geradas podem afetar outras áreas do Golfo do México.
Mas esse recuo do mar, segundo o especialista, não é definitivo. Os mesmos ventos fortes que levaram as águas vão trazê-las de volta e, possivelmente, com mais força.
O que vai, volta O meteorologista explica que, pelo próprio movimento dos ventos do furacão, há mudanças na rota do deslocamento. É possível até que, ao trocar de direção, um furacão volte pelo caminho inverso.
"Então, quando o vento retorna ao sudoeste, o mesmo acontecerá, mas na direção oposta, é o que chamamos de inundação costeira de furacões. Ouvimos informações de que, no domingo, houve lugares no sul da Flórida onde a água subiu a15 pés (4,5 metros)", diz o especialista.

Pressão no olho do furacão
 O meteorologista da BBC Clive Mills-Hicks explica que "a força dos ventos não apenas cria ondas gigantescas como também empurra e puxa a superfície do oceano em escala regional, elevando o nível do mar em algumas áreas e, inevitavelmente, sugando ele de outras áreas, que é o que aconteceu nas Bahamas.
 
Segundo Mills-Hicks, um segundo fator a ser considerado é a pressão atmosférica no centro do furacão, que, no caso do Irma, é muito baixa. "O peso do ar fazendo pressão sobre a água é reduzido, o que permite elevar o nível da água no olho do furacão. Mas, áreas adjacentes verão uma queda no seu nível à medida que a água é puxada para cima no olho do furacão.
O fenômeno também ocorre com a chegada de tsunamis, quando a água de uma praia é puxada para dentro do mar para alimentar a onda - causando a redução do nível do mar.
Terra.com

domingo, 10 de setembro de 2017

Como são escolhidos os nomes dos furacões?

O furacão Irma vem causando destruição nas ilhas de Anguilla, República Dominicana, St. Martin e de Antígua e Barbuda, que foi descrita como "quase inabitável" após a partida da tempestade.
 
Resultado de imagem para imagens do furacão Irma
Até agora, o Irma é considerado pelos meteorologistas o segundo furacão mais poderoso registrado na história do Atlântico, mas já se tornou o primeiro a manter por mais de 24 horas ventos de cerca de 297 km/h.
Em seu caminho, na direção atual, estão Turks e Caicos, Cuba, Porto Rico e o sul do Estado americano da Flórida. É possível que o furacão perca força até lá, mas já está na companhia de outros fenômenos famosos pelos efeitos desastrosos como Andrew, de 1992 e Katrina, de 2005.
Mas como os furacões e outros ciclones tropicais recebem seus nomes?
Usar nomes humanos - em vez de números ou termos técnicos - nas tempestades tem o objetivo de evitar confusão e fazer com que seja mais fácil lembrar delas ao divulgar alertas.
Mas ao contrário do que muitos pensam, a lista atual dos nomes não tem nada a ver com políticos, não se trata de homenagens a pessoas que morreram no desastre do navio Titanic e também não é composta somente de nomes femininos.
A lista de nomes para os ciclones tropicais do Atlântico foi criada em 1953 pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, na sigla em inglês) e seu padrão foi usado para as listas de outras regiões do mundo.
Atualmente, estas listas são mantidas e atualizadas pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU baseada em Genebra, na Suíça.

Ordem

As listas dos furacões de cada ano são organizadas em ordem alfabética, alternando nomes masculinos e femininos. E os nomes de tempestades são diferentes para cada região.
A atual temporada de furacões e tempestades no Atlântico, que começou em junho de 2017, já passou por por Arlene, Bret, Cindy, Don, Emily, Franklin, Gert e Harvey até chegar a Irma, Jose e Katia - duas tempestades que se tornaram furacões e chegam à região logo em seguida.
Se você estivesse na região do leste do Pacífico, no entanto, estaria mais familiarizado com os nomes Adrian, Beatriz, Calvin, Dora, Eugene, Fernanda, Greg, Hilary, Irwin, Jova e Kenneth.
As listas são recicladas a cada seis anos, o que significa que, em 2023, Harvey ou Irma podem aparecer novamente.
No entanto, comitês regionais da OMM se reúnem anualmente para falar sobre que tempestades do ano anterior foram especialmente devastadoras e, por isso, devem ter seus nomes "aposentados".
Depois que o furacão Katrina deixou mais de 2 mil mortos em Nova Orleans, nos Estados Unidos, em 2005, o nome da tempestade deixou de ser usado. Em 2011, quem apareceu em seu lugar, com menos alarde, foi a tempestade Katia - que já estava logo depois de Harvey e Jose e agora, seis anos depois, volta ao Caribe.

Mulheres e homens

Koji Kuroiwa, chefe do programa de ciclones tropicais na OMM, diz que o Exército americano foi o primeiro a usar nomes de pessoas em tempestades durante a Segunda Guerra Mundial.
"Eles preferiam escolher nomes de suas namoradas, esposas ou mães. Naquela época, a maioria dos nomes era de mulheres."
O hábito tornou-se regra em 1953, mas nomes masculinos foram adicionados à lista nos anos 1970, para evitar desequilíbrio de gênero.
Mas em 2014, um estudo de pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, afirmou que furacões com nomes de mulheres matam mais pessoas que aqueles com nomes masculinos, porque costumam ser levados menos "a sério" e, consequentemente, há menos preparação para enfrentá-los.
Os cientistas analisaram dados de furacões que atingiram o país entre 1950 e 2012, com exceção do Katrina em 2005 - porque o grande número de mortos poderia distorcer os resultados.
O estudo, que foi divulgado na publicação científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), afirmou que cada furacão com nome masculino causa, em média, 15 mortes. Já os que têm nomes femininos provocam cerca de 42.
Kuroiwa diz que o uso de nomes próprios pretende fazer com que as pessoas entendam previsões e alertas mais facilmente, mas o público muitas vezes tem vontade de participar. "Temos muitos pedidos todos os anos: 'por favor, use meu nome ou o nome da minha esposa ou da minha filha'", afirma.
Em seu site, o NHC teve que adicionar a pergunta "posso ter um furacão no meu nome?" à sessão de perguntas e respostas, esclarecendo que os nomes são estabelecidos por um comitê internacional.

Nomes regionais

Durante a era vitoriana na Grã-Bretanha, as tempestades eram nomeadas aleatoriamente. Uma tormenta no oceano Atlântico que destruiu o mastro de um barco chamado Antje, em 1842, foi chamada de Furacão de Antje.
Outros furacões foram identificados por suas localizações, mas coordenadas de latitude e longitude não eram tão fáceis de identificar e comunicar a outras pessoas.
Um meteorologista australiano do século 19, Clement Wragge, se divertia usando nomes de políticos dos quais não gostava. Na região do Caribe, os furacões já foram nomeados em homenagem aos santos católicos dos dias em que eles atingiam cidades.
Atualmente, os nomes mudam de acordo com a região dos ciclones.
"No Atlântico e no leste do Pacífico, usam-se nomes reais de pessoas, mas há convenções diferentes em outras partes do mundo.", diz Julian Heming, cientista de previsões tropicais no Met Office, escritório de meteorologia britânico.
Heming diz que no oeste do Pacífico, por exemplo, também se utilizam nomes de flores, animais, personagens históricos e mitológicos e alimentos, como Kulap (rosa em tailandês) e Kujira (baleia, em japonês).
"O importante é ser um nome do qual as pessoas possam se lembrar e identificar. Antes, esta região usava nomes em inglês e, há dez anos, decidiu-se que eles deveriam ser mais apropriados para a região."
Neste ano, Irma chega aos Estados Unidos, mas Quincey pode se aproximar da Austrália, Kenanga da Indonésia e Viyaru ainda poderia atingir a Índia.
As letras Q, U, X, Y e Z não são usadas na lista das tempestades no Oceano Atlântico por causa da escassez de nomes próprios com elas. Neste caso, há no máximo 21 tempestades nomeadas em um ano até acabar a lista.
Mas o que acontece depois que a lista acaba? "Se o resto da temporada tiver muita atividade, temos que usar letras do alfabeto grego", explica Heming.

Gráfico BBC
Furacões, tufões e ciclones descrevem o mesmo fenômeno climático, mas recebem nomes diferentes a depender do lugar do mundo onde se formam.
Os furacões, como Patricia, se formam a leste da Linha Internacional de Data. Tufões e ciclones e formam ao oeste da mesma.

Por que é tão difícil um furacão como o Irma atingir o Brasil?

Países caribenhos e pessoas que vivem em algumas regiões da costa leste dos Estados Unidos estão em alerta para a chegada do furacão Irma. A Nasa (agência espacial americana) diz que o fenômeno, que está no mar do Caribe, é o maior registrado na última década.
 
 
Mas por que, diferentemente desses lugares periodicamente atingidos por fenômenos climáticos similares, o Brasil não precisa se preocupar com isso?
Segundo meteorologistas ouvidos pela BBC Brasil, as chances de que isso aconteça por aqui são mínimas - a explicação é que a formação de um furacão depende de uma série de fatores que só foi registrado uma vez no país.
"Por enquanto, é quase impossível que um furacão atinja o Brasil, a não ser que as mudanças climáticas também tenham alguma influência", diz Michael Pantera, meteorologista do Centro de Gerenciamento de Emergência de São Paulo.
A meteorologista Bianca Lobo, do Climatempo, explicou que um dos principais "combustíveis" para a formação de um furacão são as águas quentes do mar - que precisam estar acima de 27°C.
"No Brasil, nós não temos isso. As maiores temperaturas são registradas no mar do Nordeste, onde não passam de 26°C", diz.
"A umidade e a água quente do oceano que dão força a um furacão. Quando ele chega ao solo, perde força", acrescenta Pantera.
Outro fator necessário para a formação de um furacão é o cisalhamento ou tesoura de vento - como são chamadas as mudanças de velocidade ou direção das correntes. Os especialistas explicam que esse fenômeno é raro nos países localizados na linha do equador, como o Brasil.
Meteorologistas afirmam que esse é um fator que também inviabiliza que um tornado formado no Caribe atinja o Brasil, já que ele perderia completamente a força ao se aproximar da linha do equador.

Tufão, tornado, furacão?

Resultado de imagem para imagens do furacão Irma
 
A definição de tufão e furacão é a mesma. A única diferença entre eles é o ponto de formação. Eles são um conjunto de tempestades com centenas de quilômetros de diâmetro: surgem nos oceanos sobre as águas quentes e podem durar alguns dias.
Segundo meteorologistas, ambos são ciclones tropicais formados em oceanos. O que os diferencia é que os tufões se formam no oeste do oceano Pacífico, e os furacões, no oceano Atlântico e na região leste do Pacífico.
Já os tornados são núcleos de tempestades, muitas vezes formados a partir de furacões ou tufões. Como sua formação só depende de uma tempestade muito forte, eles geralmente são pequenos quando comparados a furacões e duram por volta de uma hora.
Historicamente, só um furacão foi registrado na história do Brasil. Chamado de Catarina, ele atingiu o litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina em março de 2004.
Na época, pelo menos 40 cidades foram atingidas. Segundo o Centro de Estudos em Engenharia e Defesa Civil da Universidade Federal de Santa Catarina, os ventos atingiram a região a uma velocidade de cerca de 180 km/h.
Quatro pessoas morreram, 518 ficaram feridas e cerca de 33 mil desabrigadas.

Ilustração indicando por onde o furacão Irma deve passar

Mas os meteorologistas classificam o caso como raríssimo. "Foi uma condição totalmente atípica. É muito difícil de acontecer, ao contrário dos tornados, que inclusive são filmados com frequência no Brasil", diz Bianca Lobo.
Segundo Pantera, ainda há divergências se o Catarina foi de fato um furacão. "Ele era uma frente fria que, em determinado momento, se deslocou e fez um caminho contrário, na direção do oceano. Ainda há muitas discussões se o Catarina era de fato um furacão."
Mesmo com uma intensidade menor, a recomendação para quem avistar um tornado ou tromba d'água é fugir.
Se uma pessoa é atingida pelo fluxo de vento, dificilmente ela consegue escapar. A maior probabilidade é que ela seja sacudida e arremessada onde ela estiver, inclusive de embarcações.

O Sol está "queimando" o campo magnético da Terra

 
 
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O vento solar causado pela série de erupções que aconteceram nos últimos dias alcançou o nosso planeta, "queimando" seu campo magnético. Por esta razão, as pessoas que vivam perto dos polos poderão observar os efeitos deste impacto espacial, na forma de auroras, na noite destes sábado (9) e domingo (10).
Trata-se de milhões de toneladas de vento solar que viajam centenas de quilômetros em um fluxo poderoso em direção da Terra.
"A matéria solar alcançou uma velocidade 1,5 vezes superior ao que se esperava e o impacto na Terra é mais potente do que calculávamos. A direção desta última erupção é desfavorável para o nosso planeta: seu campo está oposto ao terrestre e nesses momentos 'queimará' o campo magnético da Terra", revela o Laboratório de Astronomia do Sol, do Instituto Físico Lebedev da Academia de Ciências da Rússia.
A série de erupções no Sol começou em 4 de setembro. Primeiro, aconteceram erupções da classe M, de 4 a 5 pontos de potência. Depois, em 6 de setembro, ocorreu uma erupção da classe X, de 2,2 pontos, e no mesmo dia foi registrada outra extremamente forte, de intensidade 9,3.
De acordo com os astrônomos, o Sol produziu a maior erupção dos últimos 12 anos. Ao mesmo tempo, os cientistas destacam que, para além destes fenômenos atmosféricos impressionantes, a recente erupção pode provocar uma forte tempestade geomagnética, capaz de interromper o funcionamento de satélites, embora não deva afetar a saúde dos habitantes da Terra. Com informações da Sputnik News Brasil. 
 

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O que são os "rios voadores" que distribuem a água da Amazônia

Neste momento, rios poderosos levam umidade para vastas regiões da América do Sul. Mas eles não são rios comuns. São "rios voadores".
 
É assim que são popularmente conhecidos os fluxos aéreos maciços de água sob a forma de vapor que vêm de áreas tropicais do Oceano Atlântico e são alimentados pela umidade que se evapora da Amazônia.
Eles estão a uma altura de até dois quilômetros e podem transportar mais água do que o rio Amazonas.
Esses rios de umidade, que atravessam a atmosfera rapidamente sobre a Amazônia até encontrar com os Andes, causam chuvas a mais de 3 mil km de distância, no sul do Brasil, no Uruguai, no Paraguai e no norte da Argentina e são vitais para a produção agrícola e a vida de milhões de pessoas na América Latina.
Mas como eles nascem e se movem? E quais efeitos podem ter?
 
Rio em meio à floresta amazônica
 
Para entender isso, a BBC Mundo falou com José Marengo, meteorologista e coordenador geral de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), e Antonio Nobre, pesquisador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ambos do Brasil.

Alta velocidade

"O oceano Atlântico tropical norte é um oceano quente e sua evaporação é muito intensa", explica Marengo.
"Você pode imaginar que existam ventos mais ou menos fortes, os ventos alísios, que transportam toda essa umidade nos níveis mais baixos da atmosfera", diz.
"Em qualquer rio, há áreas muito tranquilas e outras de alta velocidade, que chamamos de jatos de rio", conta o especialista.
"Quando um rio voador se encontra com os Andes, ele adquire uma maior velocidade em seu núcleo que constitui um low jet level - ou jato de baixo nível - , aquele que transporta uma maior quantidade de umidade mais rápido".
"Então, ele faz uma curva para o sudeste e chega à Bacia do Rio da Prata, causando chuvas no local".

Árvores que transpiram

Outro componente essencial dos rios voadores é a umidade produzida pelas árvores da floresta amazônica.
Em artigos, Nobre relatou a incrível função que estas árvores cumprem. "Medimos a evaporação da floresta em milímetros, como se estivéssemos medindo a espessura de uma folha de água acumulada no chão".
"No caso da Amazônia, o número é de cerca de 4 milímetros por dia. Isso significa que, em um metro quadrado haveria quatro litros de água. Podemos usar esses dados para calcular quanto transpira uma árvore no mesmo período apenas calculando a área ocupada pela sua copa", disse Nobre à BBC Mundo (o serviço em espanhol da BBC).
Uma árvore frondosa, com uma copa de 20 metros de diâmetro, transpira mais de 1.000 litros em um único dia, acrescenta.
"Na Amazônia, temos 5,5 milhões de quilômetros quadrados ocupados por florestas nativas, com aproximadamente 400 bilhões de árvores dos mais variados tamanhos".
"Nós fizemos a conta, que também foi verificada de forma independente, e surgiu o incrível número de 20 bilhões de toneladas (ou 20 bilhões de litros) de água que são produzidos todos os dias pelas árvores da Bacia Amazônica".

O enigma do desmatamento

Mas muitas dessas árvores estão em perigo. Os últimos dados divulgados pelo Inpe indicam que o desmatamento está no seu nível mais alto desde 2008.
E uma das grandes incógnitas é o efeito que isso pode ter sobre os rios voadores. Os dados existentes não permitem que isso seja determinado.
"O que foi identificado é que as chuvas estão mais intensas", disse Marengo à BBC Mundo.
"Imagine um ônibus que vai parando de lugar em lugar. Agora imagine um ônibus expresso que não para do início ao fim. O que estamos vendo é que as chuvas estão cada vez mais concentradas em alguns dias no sul do Brasil, norte da Argentina, Uruguai", explicou o meteorologista.
"Parece que os ventos estão mais fortes, que o jato, os rios estão mais fortes. São as conclusões das projeções dos modelos climáticos para o futuro".
"Isso que nos preocupa. Se houver chuvas mais intensas em áreas vulneráveis ​​como São Paulo ou Rio de Janeiro, a possibilidade no futuro de desastres naturais associados a fortes chuvas, como deslizamentos de terra e inundações em áreas urbanas e rurais, também aumenta", adverte.
"No Brasil, esses fenômenos causam grandes perdas de vida".

Chuva em outras frentes

Mas nem toda chuva na região centro-sul da América do Sul ocorre por causa dos rios voadores.
"A chuva do Uruguai, por exemplo, não é exclusivamente da Amazônia. Uma parte vem da Amazônia e outra das frentes frias do sul", disse Marengo.
"Algo que não poderíamos identificar é o quanto de chuvas vem de uma determinada região. Por exemplo, para o sul do Brasil saem da Amazônia e de outras fontes, como as frentes frias ou brisa do oceano. Ou até mesmo por evaporação de regiões agrícolas do Centro-Oeste e Pantanal".
"É uma das maiores questões: poder quantificar a água que sai da Amazônia para a Bacia do Prata, que inclui Uruguai, norte da Argentina e sul do Brasil."

Área desmatada na Amazônia

Entre agosto de 2015 e julho de 2016, o desmatamento na Amazônia aumentou 29% em relação ao período anterior.
Mas quando a chuva cai em um campo do Uruguai ou Argentina, talvez muitas pessoas não imaginam que parte dessa água começou sua viagem a milhares de quilômetros.
Neste sistema de interconexões tão delicado e profundo, fica claro por que é tão vital para todos proteger a floresta amazônica.
A importância destes fluxos de água se popularizou no Brasil graças ao projeto Rios Voadores, criado pelo aviador e ambientalista Gerard Moss.
Ele se inspirou nas investigações de Marengo e Nobre e voou milhares de quilômetros seguindo as correntes de ar, pegando amostras de vapor de água.
Moss queria que o conhecimento sobre esses fluxos chegasse ao sistema educacional. Seu programa já alcançou cerca de 900 mil crianças no Brasil.

Rios na Amazônia

"Fico feliz em ver que, depois de passar pelo programa, uma criança nota pela primeira vez uma grande árvore na frente de sua escola", disse Moss à BBC Mundo.
"Antes, nem crianças nem adultos tinham a noção de que, sem os rios do céu, secam os rios da terra", diz, por sua vez, Antonio Nobre.
"Não se entendia que os rios de vapor são tão vulneráveis ​​às perturbações humanas como outros rios", acrescentou.
"E, principalmente, muitas pessoas não sabiam que as florestas que bombeiam umidade são essenciais para que os rios voadores sigam cruzando a atmosfera".
BBC Brasil

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Nasa vai mandar supercomputador para o espaço


 
Resultado de imagem para foto do supercomputador que a Nasa vai mandar ao espaço
Em março de 2015, a Nasa mandou o astronauta Scott Kelly passar um ano na Estação Espacial Internacional (ISS), na órbita da Terra. Seu irmão gêmeo, Mike Kelly, ficou no chão. Por terem corpos idênticos, eles eram os voluntários ideais para uma experiência curiosa: ver como uma longa permanência no vácuo afeta o organismo de um ser humano — e compará-lo com um organismo igual e saudável que ficou por aqui.
Deu tão certo que agora a agência espacial fará isso de novo — mas, desta vez, com dois computadores. Na tarde do dia 14 de agosto, um foguete CRS-12 da SpaceX (de Elon Musk) levantou voo com 2,7 toneladas de suprimentos destinados à ISS. Entre eles, um computador com capacidade de processamento de 1 teraflop — o equivalente a 1 trilhão de operações matemáticas   por segundo. Um clone dessa calculadora fora de série ficará em Wisconsin, aqui na Terra, e pesquisadores coletarão dados do funcionamento de ambos para ver como, na prática, uma viagem ao espaço afetaria uma máquina desse tipo.
O objetivo é ver se é viável colocar um desses na bagagem da primeira expedição a Marte. No espaço, os tripulantes dessa viagem precisarão fazer cálculos de trajetória o tempo todo — alguns emergenciais, afinal, pousar em outro planeta pela primeira vez é uma situação com muito potencial para imprevistos. Mandar esses cálculos para a Terra, resolvê-los aqui e devolvê-los para a nave demora mais de 40 minutos. É mais prático fazer as contas lá mesmo, no espaço, evitando o delay .
A HP, que construiu o computador, afirma que ele está preparado para resistir a radiação cósmica, erupções solares, micrometeoritos, fornecimento de energia elétrica instável e resfriamento irregular — nem uma passeio na Millenium Falcon tem tantas chances de dar errado.
 
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“O Spaceborne Computer fica dentro de um armário projetado pela HP e aprovado pela Nasa, e fica preso no lugar por parafusos aprovados pela NASA”, explica o pesquisador responsável, Eng Lim Goh . “Nós usaremos o próprio frio do espaço para manter o computador refrigerado, e todo o sistema funcionará com placas de captação de energia solar.”  O computador faz parte de uma experiência, e não irá substituir os sistemas de controle da ISS.